sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Escolas de cidade no interior de SP ganham rapadura na merenda

Novidade no cardápio escolar agradou a criançada e os nutricionistas. Nova sobremesa faz parte de programa para incentivar agricultura familiar.


As escolas de Paraibuna, no interior de São Paulo, ganharam uma novidade na merenda. Agora os alunos comem rapadura uma vez por semana. As crianças aprovaram, mas e os nutricionistas?

A novidade no cardápio agradou a criançada. A rapadura é servida aos alunos uma vez por semana, como sobremesa. A porção é pequena, de 20 gramas, mas segundo a nutricionista é suficiente para prevenir a anemia, fortalecer os ossos e dar energia depois do almoço.

“Para a criança na sala de aula ela é muito boa, porque ela é uma fonte de energia muito boa e é bem rica em magnésio, ferro, cálcio, vitaminas do complexo b e vitamina a”, afirma Neela Macedo.

A nutricionista lembra que as crianças não devem abusar da rapadura e nem esquecer da higiene bucal. “Como qualquer tipo de doce, a criançada tem que escovar os dentes depois sim”, ressalta.

A nova sobremesa faz parte de um programa para incentivar a agricultura familiar em pequenos municípios. Em Paraibuna, são sete fornecedores de alimentos para as escolas. “Eles fornecem hortaliças, frutas e agora a implantação da rapadura na merenda escolar”, diz a representante do Programa Nacional de Educação, Heloiza do Prado.

José Joaquim de Almeida produzia cachaça, mas decidiu aproveitar melhor a cana de açúcar. Agora, ele fornece rapadura para a merenda do município. “No início a gente fazia 500 pecinhas por semana e já deu um impulso porque a gente já está entregando 2,5 mil por semana para a prefeitura de Paraibuna. Para a gente foi bom”.

(Do Bom Dia Brasil - G1)

Ameaçado de extinção, umbuzeiro depende de investimento e pesquisa


Árvore é única no mundo e concorre com criação de animais no nordeste, segundo especialistas. Mas pesquisas e investimentos para aumentar exportação procuram salvar a planta típica do nordeste do país.

Batizado pelo escritor brasileiro Euclides da Cunha (1866 - 1909) como a "árvore sagrada do Sertão", o umbuzeiro corre risco de extinção na sua terra natal, o semi-árido brasileiro (nordeste). Devido a esse alerta feito por especialistas, organizações locais e nacionais trabalham para estimular a preservação e a exportação do umbu, uma planta que só cresce na caatinga, uma paisagem exclusivamente brasileira.

Extrair o fruto dessa planta única no planeta significa uma forma de sobrevivência para muitas comunidades nordestinas. "É uma das únicas fontes de renda para mais de 200 famílias" no âmbito de uma cooperativa no Estado nordestino da Bahia, exemplifica Avay Miranda, gestor de projetos da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Para aumentar a produção de umbu e de outros itens agrícolas típicos da biodiversidade brasileira, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaça (Coopercuc) quer aumentar as exportações e incentivar negócios sustentáveis com esses produtos.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, Apex e Coopercuc assinaram um convênio. A Apex deverá disponibilizar R$ 1 milhão para ações de incentivo aos negócios e exportações. O dinheiro será distribuído à Coopercuc, para cultivar umbu, e a outras cinco cooperativas que trabalham com produtos típicos da região, como castanha do Brasil e de Baru, babaçu e cajá.

A ideia da parceria entre a Apex e as cooperativas é agregar valor aos produtos brasileiros e gerar renda para as famílias beneficiadas, além de contribuir, por exemplo, na conservação do umbuzeiro, explica Miranda, da Apex-Brasil.

Preservação da espécie - O umbuzeiro é considerado uma árvore pequena, com cerca de seis metros de altura. Como não existem relatos sobre a existência da planta em outras regiões do planeta, conservá-la é uma das principais preocupações de quem trabalha com ela.

Na caatinga praticamente não existem novas plantas de umbuzeiro. As espécies encontradas têm mais de 100 anos de idade, segundo o biólogo José Alves, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasp), que estuda o umbuzeiro há oito anos. O pesquisador é taxativo: "O umbuzeiro é uma espécie ameaçada de extinção, embora oficialmente não seja considerada ameaçada pelo governo brasileiro".

Para o autor do livro A Flora das Caatingas no Rio São Francisco, recém-publicado, o principal problema que ameaça a espécie é a criação inadequada de bodes, cabras e ovelhas no nordeste – região que, segundo o professor, detém o maior rebanho do Brasil. Como muitos animais são criados soltos na caatinga, comem as plantas recém-germinadas – o que faz com que as espécies mais jovens desapareçam.

José Alves aponta que, para evitar a extinção do umbuzeiro, os animais precisam ser mantidos em ambientes mais confinados. O pesquisador ainda alerta que, se as comunidades não mudarem a forma de criação de ovinos e caprinos, o trabalho da Coopercuc, de preservação do umbuzeiro, corre um sério risco: "Do contrário, teremos de escolher se vamos querer comer carne de bode ou provar umbu", adverte o professor.

Geleia brasileira no exterior - Em 2005, a Coopercuc iniciou as exportações de geleias para a França. Depois de atingir outros mercados, como Áustria e Itália, a cooperativa quer ampliar os negócios. "O objetivo é aumentar as exportações para a Europa. A Alemanha é um dos mercados que queremos atingir", conta o presidente da Coopercuc, Adilson Ribeiro.

Criada em 2004, a Coopercuc tem sede na cidade de Uauá, na Bahia, e reúne 244 cooperados, a maioria mulheres, que produzem doces e geleias à base de frutas nativas do sertão. O envolvimento dos cooperados é um dos motivos apontados para o sucesso da iniciativa. Desde 2005, a cooperativa já exportou para a Europa mais de 15 contêineres. Cada um deles estava carregado com 20 toneladas de geleia de umbu orgânica.

Umbu como cartão de visitas - Na opinião de especialistas, o umbu encontra adesão em novos mercados porque tem um sabor exótico: é agridoce e difícil de se comparar com outra fruta. José Alves, da Univasp, sugere que o umbu também seja exportado in natura.

Segundo Alves, a região entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) é a maior produtora de frutas para exportação do Brasil. Mas não deve plantar frutas como uva, manga e melancia para exportação: "Sempre defendi que a solução é trabalhar com espécies nativas do semi-árido. O umbu é o principal cartão de visitas, tem a maior potencialidade para se fazer um trabalho de médio e longo prazo", acredita Alves.

Mas a preservação do umbuzeiro precisa ser impulsionada imediatamente "para que se garanta essa atividade sustentável pelos próximos dez, 20 anos - como acontece com a castanha do Pará e o açaí na Amazônia", afirma José Alves. Do contrário, a atividade tende a se tornar insustentável e a exportação para países europeus pode ser comprometida ao longo dos anos, avalia o especialista.

(Da Deutsche Welle)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Black Blocks se inspiram em Lampião

Mensagem postada pelo grupo do Rio Grande do Norte, na sua página no Facebook, em julho desse ano mostra que o cangaço e o seu líder mais famoso é referência para as ações promovidas pelos mascarados que transgridem as leis ao pautar causas sociais.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Filme reedita a maledicência de Cuíca de Santo Amaro


Por João Carlos Sampaio (A Tarde)

O personagem Cuíca de Santo Amaro, alcunha do poeta popular e propagandista Jorge Gomes, está longe de ser unanimidade. Ao contrário, ainda é lembrado por sua maledicência, por usar seus versos para chantagens, mas também por ter se tornado, entre 1930 e 1964, a voz da vida cotidiana de Salvador.

O principal desafio dos realizadores Josias Pires e Joel de Almeida diante do personagem está no fato de que apesar de importante, ele é controverso. Dele sobram muitas lendas e poucas imagens, tanto que sua vida pessoal é minúscula.

Mesmo sua literatura, contestada por cordelistas, perdeu-se ao longo dos anos. Neste aspecto, a teimosa realização do filme já é uma vitória, vital para a reconstituição do imaginário da Bahia do século 20.

Melhor ainda que Pires e Almeida não se contentaram apenas com entrevistas (falas que vão do cantor Chocolate da Bahia ao político Waldir Pires, passando por Mário Cravo Jr., Capinam e Mino Carta), mas cuidaram de alinhavá-las em prol de um filme propositivo e bem-humorado.

Ao darem espaço aos “novos comunicadores”, como França Teixeira, Raimundo Varela, Mário Kertész, citando ainda, sutilmente, José “Bocão” Eduardo e outros, sublinham o legado de seu personagem ao cronismo-jornalismo baiano.

Cuíca de Santo Amaro, o filme, olha o passado atento ao presente, instigando a reflexão, seja por suas criativas maneiras de recriar o biografado (narração estilizada, uso de arte e trechos de filmes), seja por construir um discurso de várias falas, onde o que não se diz também é muito importante.

Cuíca de Santo Amaro - O Poeta Mais Temido da Bahia
Direção: Joel de Almeida e Josias Pires
Documentário; 14 anos; 75 min; Brasil
----
O POETA
Cuíca de Santo Amaro era denominado por muitos de “O poeta mais temido da Bahia”. Por meio dos mais de mil cordéis que escreveu e produziu, entre 1930 e 1963, Cuíca de Santo Amaro divulgava fatos do cotidiano e sempre presentes na história da humanidade. Com firmeza, ele criticava as mazelas sociais. Era considerado uma referência popular.

A sensibilidade e a genialidade de Cuíca de Santo Amaro eram marcantes no humor, na irreverência, na manifestação livre do pensamento, ao ponto de ser transformado em personagem dos romances Pastores da noite A morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado que descreveu Cuíca como uma “organização: escreve seus versos, manda imprimi-los, desenha ele mesmo os cartazes de propaganda que conduz sobre os ombros, vende folhetos com os poemas e canta os melhores versos para atrair a freguesia”.

Josias Pires, que dirigiu o filme documentário juntamente com Joel de Almeida, disse que “Cuíca é um personagem tão rico que muitos outros filmes e livros terão que ser feitos sobre ele… Cuíca de Santo Amaro é arauto. O anunciador. O anjo torto, da boca torta, poeta livre desancando a hipocrisia. A vida privada nas ruas. A verdade que sai da boca dos becos, dos subterrâneos”, disse.

Sancionada lei que reconhece a profissão de vaqueiro


Foi sancionada a Lei 12.870 que reconhece a profissão de vaqueiro no Brasil e dispõe sobre o exercício desta atividade, pela presidente Dilma Roussef, nesta quarta-feira, 16 de outubro, informou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). As regras estavam previstas no Projeto de Lei da Câmara (PL) 83/2011, aprovado em setembro no plenário do Senado Federal.

Ficou definido como uma das atribuições dos vaqueiros a realização de tratos culturais em forrageiras, pastos e outras plantações para ração animal. Estão entre as atribuições dos vaqueiros cuidar da saúde de bovinos, bubalinos, equinos, muares, caprinos e ovinos, assim como alimentá-los e ordenhá-los. Também estão entre suas atribuições a manutenção das instalações dos animais, além do treinamento e prepará-los para eventos culturais e socioesportivos, garantindo que não sejam submetidos a atos de violência, estão entre as funções definidas na lei.

A lei define ainda, em seu artigo 4º, que a contratação dos vaqueiros é de responsabilidade do administrador, proprietário ou não, do estabelecimento agropecuário. Foi vetado o parágrafo único deste artigo, que estabelecia a necessidade de contratação de seguro de vida e de acidentes.

De acordo com a CNA o governo federal citou a realidade econômica do setor, em especial a dos pequenos produtores, para justificar o veto.

(Do jornal A Tarde)

CORDEL: Dominguinhos encontra Gonzagão

Caricaturas de Nei Lima (enviadas pelo autor)

O poeta Stélio Torquato Lima nos envia em primeira mão seu novo folheto intitulado O ENCONTRO DE GONZAGÃO E DOMINGUINHOS NO CÉU, um trabalho muito bom, como tudo o que ele tem produzido ultimamente. Não vamos publicá-lo na íntegra para não prejudicar a venda do folheto. Seguem alguns trechos do referido cordel:

Enquanto o Nordeste chora
A morte de Dominguinhos,
No céu há uma grande festa,
Pois um coro de anjinhos
Dá ao mestre as boas-vindas,
Em meio a canções tão lindas,
Qual som de mil passarinhos.

Zé Domingos de Morais,
O arretado sanfoneiro,
Nascido em 41,
A 12 de fevereiro,
Agradeceu com emoção
Aquela recepção,
Que o comoveu por inteiro.

O filho de Garanhuns
Viu passar logo em sequência
Um filme em sua mente
De toda a existência.
Viu seu pai, mestre Chicão,
Afinando acordeão
Com bastante competência.

Infância humilde, mas boa,
Vivida com os dois manos.
A sanfona de oito baixos
Que ele ganhou aos seis anos.
O estudo do instrumento,
Já demonstrando talento
Junto aos pernambucanos.

Deslizando os seus dedos
Pela extensão do teclado,
O menino demonstrava
Que estava vocacionado
Para a vida estradeira,
E ia, de feira em feira,
A lutar por um trocado.

Junto com os dois irmãos,
Logo um grupo formou.
Foi assim que “Os três pinguins”,
Como o trio se chamou,
Conseguiu algum dinheiro,
Um reforço financeiro
Que aos seus pais alegrou.

Dominguinhos, com esforço
E com grande disciplina,
Foi dominando o instrumento,
A adorável concertina.
E, dominando a sanfona,
Tirou os seus pais da lona,
Mudando deles a sina.

Foi tocando em um hotel
Que ele conheceu Gonzaga,
Um encontro decisivo,
Que traçaria a saga
Do talentoso guri.
Que tivera, até ali,
Uma existência aziaga

Um funcionário do hotel
Mandou que ele entrasse
E pediu que o garotinho
Para um hóspede tocasse.
Dominguinhos não sabia
Que Gonzaga é que queria
Que ele o talento mostrasse.

(...)
Nessa viagem no tempo
Dominguinhos se entretém.
De repente, ouviu uma voz
Que ele conhecia bem:
“Meu Jesus de Nazaré!
Aquele cabra não é
Meu conterrâneo Neném?”

Ouvindo o apelido
Que vinha lá da infância,
Dominguinhos se virou,
Vendo, a pequena distância
Daquela celeste plaga,
A figura de Gonzaga,
Que ria em abundância.

Sem qualquer tempo a perder,
Dominguinhos caminhou
Na direção de seu mestre,
A quem logo abraçou.
Ao reencontro dos dois,
Uma festa, logo depois,
Lá no céu se iniciou.

Assim, naquelas paragens
De paz e grande sossego,
Logo uma melodia linda,
De agradar troiano ou grego,
Fez Domingos sorrir,
Pois se estava a ouvir
“De volta pro aconchego”.

(...)
Dessa forma é que ocorreu,
Sem drama nem escarcéu,
O encontro de Gonzagão
E Dominguinhos no céu.
Digo a quem não crê em mim:
“Eu só sei que foi assim”,
E saio, rindo ao léu.

(Do blog Acorda Cordel)