domingo, 6 de julho de 2014

Filme: Patativa do Assaré - Ave Poesia

Assista ao documentário "Patativa do Assaré - Ave Poesia", um filme de Rosemberg Cariry (2007).

Entrevista com o poeta Chico Pedrosa


“O matuto escrevia uma carta para mandar para família, ai depois botava dentro de um envelope. Ele pensa: vou escrever outra para botar dentro de um envelope, se não chegar uma, a outra chega”. Foi com esse causo espirituoso que o poeta e declamador, Chico Pedrosa, de 78 anos, iniciou a entrevista concedida ao portal G1.

Chico Pedrosa tem mais sete CDs lançados e o oitavo estará pronto em agosto de 2014, além de cinco livros. Hoje ele mora em Olinda-PE e se define como peregrino, um pesquisador de sonhos. Neste mês de junho, o poeta está no ar na Globo Nordeste no Programa “Causos e Cantos”.

G1: Como começou sua relação com a escrita de cordel e a declamação?
Chico Pedrosa: Eu nem sei explicar, descrever sim. Começou da influência do meu pai, também poeta e cantador, Avelino Pedro Galvão, de Mamanguape, Paraíba, América do Sul, Planeta terra e o resto não digo mais. E como filho de declamador, eu sempre gostei de ouvir declamadores. Também tive influência do meu compadre, Zé Laurentino de Campina Grande, Paraíba.

G1: Até o reconhecimento atual como referência na escrita de cordel e declamação, como foi sua trajetória profissional?
Chico Pedrosa: Saí da Paraíba em 1967, e fui para Feira de Santana-BA aos 31 anos. Na Bahia, eu passei 18 anos, sem ouvir nenhum cantador. Eu que nasci e me criei no meio deles, senti uma falta enorme. Lá eu trabalhava em loja e isso não me permitia que eu saísse da cidade, era trabalhava diariamente mais de oito horas. Mas, passados 18 anos, eu estive na Paraíba e cheguei em Guanabira na casa de meu compadre, ele me mostrou um LP de uma dupla de cantadores, Sebastião da Silva e Moacir Laurentino. Eu não tinha visto até então e me apaixonei. Quando eu retornei à Feira de Santana, levei uma dupla de cantadores: Ivanvildo Vila Nova e Severino Feitosa e eles levaram também Zé Laurentino. Eu fiquei impressionado e comecei a voltar a fazer os meus trabalhos. As pessoas passaram a admirar e gostar do meu trabalho. A partir daí, eu não parei mais, não parei, nem paro, só quando Deus me chamar para outra.

G1: Onde trabalha atualmente e como é sua vida hoje com seus 78 anos?
Chico Pedrosa: Depois que eu me aposentei, fui morar em Recife-PE. Quando cheguei lá encontrei um oásis e um leque abriu, de uma maneira tal, que não fechou mais nunca. Hoje eu moro em Olinda-PE, na beira do mar. Tenho filhos, netos e bisnetos que continuam a morar em Feira de Santana-BA. Ninguém vive hoje de declamação, mas pode ter certeza que Chico Pedrosa, vive. Eu vivo do meu trabalho, andando para cima e pra baixo feito a besta do pãozeiro. Eu sou um peregrino, um pesquisador de sonhos.

G1: Quantos trabalhos seus já foram publicados?
Chico Pedrosa: São sete CD's e o oitavo vem agora em agosto de 2014, ainda está sem título. Além de cinco livros publicados, todos na linha cordel, agora todos com poemas que parecem com crônicas que algumas viraram peças teatrais em Portugal e na Espanha e no Brasil, em diversos lugares. Entre os livros estão: Pilão de Pedra, 1988; Pilão de Pedra II, 1996;Raízes da Terra, 2004;O galo e a raposa, 2004; Antologia poética – Sertão Caboclo, 2007. Já Os CDs são: Poesia Popular Nordestina, 1990; Meu Sertão, 1999; Sertão Caboclo,2001; Paisagem Sertaneja, 2003; No meu Sertão é assim, 2005; Raízes do chão caboclo, 2007.

G1: Como foi escrever os primeiros cordéis e a aceitação?
Chico Pedrosa: Meu Primeiro cordel publiquei em 1954 e eu tinha 18 anos. Ele chamava 'Os Sofrimentos dos Nortistas no Triângulo Mineiro'. Naquela época ninguém falava em nordestinos, era nortistas. Desde 1952, eu já vendia nas feiras os folhetos de cordel de outros autores. Mas desde aquela época eu já escrevia. Quando me mudei para Feira de Santana em 1967 dei a parada de 18 anos. Ficava doente, mas eu nunca parava de escrever não.

G1: O que representa o Sertão para o senhor que é fruto dessa terra e que a escreve sobre vários elementos?
Chico Pedrosa: Significa tudo com 'T' maiúsculo, porque eu nasci no brejo, em Guarabira, região brejeira da Paraíba. Sertão é tudo, tanto que os meus trabalhos são feitos em cima das raízes sertanejas. Eu gosto e tenho livros inspirados na região como o Sertão Caboclo, Paisagem Sertaneja, Raízes do Chão Caboclo. E o meu trabalho mais recente que é Paisagem do Meu Sertão.

G1: Para declamar é preciso ter boa memória, como faz para ter viva as lembranças?
Chico Pedrosa: Se não prestar, não chega nem perto, É Deus que ajuda a gente. O meu exercício é fazer palavras cruzadas. Antes de dormir sempre eu faço, chega o sono, a caneta cai da mão e depois só vejo quando acordo.

G1: Hoje, Chico Pedrosa é uma referência para as novas gerações, o que acha disso?
Chico Pedrosa: Existe uma camada que quer fazer o que eu faço, mas não tem a técnica, não tem o domínio e não tem a arte de agradar o público. É seco, é rude e não aceita conselhos. Eu acho bom quando eles aceitam os conselhos da gente, a voz da experiência.

G1: Como é se apresentar nos grandes centros urbanos do Brasil?
Chico Pedrosa: Eu sempre sou bem recebido. Em São Paulo existem mais nordestinos do que quase em todo canto. E através daqueles que lá estão, levam outros. Tem pessoas da região que nunca conheceram meu trabalho e chegam pra mim: Chico, eu nunca tinha escutado você, mas agora eu sou seu fã e isso não só no Sudeste, mas em todo canto existem sempre aqueles que se apaixonam. Isso para nós é uma glória e é bom demais. Quanto à receptividade é saber se apresentar, se dirigir ao público, conversar com eles e interagir. Eu gosto muito de ver o público quando entro no palco para ver o semblante das pessoas, gosto de ter um retorno.

G1: O cordel não era tão divulgado. Hoje essa arte que surgiu no Nordeste e já é conhecido em todo Brasil?
Chico Pedrosa: O cordel tem raízes fincadas em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará. São os locais que tem mais cordelistas como Clebson Viana, Arievaldo Viana, J. Borges em Bezerros-PE e Manoel Monteiro, que levam isso para escolas e as instituições de ensino superior gostam do nosso trabalho. Faço palestras nas faculdades, palestras e cordel e é uma coisa admirável. O Sesc também promove oficinas de cordel e eu trabalho muito assim.

(Por Juliane Peixinho, do G1 Petrolina; foto de Juliane Peixinho)

Reportagem da revista Veja sobre o autêntico forró

Publicada na edição de 2 de julho de 2014 (clique sobre as imagens para ampliar).









Momentos da Casa do Cordel no Forró Pé de Serra do Periperi

Mais um ano, marcamos presença nos festejos juninos de Vitória da Conquista!








Klévisson Viana e o renovar das tradições

Poeta e ilustrador investe nas artes das culturas populares, contabilizando quase 150 títulos publicados
Foto: Érika Fonseca
De todas as ferramentas necessárias para um ofício, a palavra é, ao mesmo tempo, a mais elementar e a mais tecnológica. Instigada desde a sua forma bruta, ganha os mais diversos significados e alcança a excelência ao desvelar causos, sonhos e afetos por meio da poesia. Ser poeta cordelista é ter domínio singular da palavra. É transformar o português em matemática para falar de quaisquer outras ciências plausíveis ou fantásticas, sempre possíveis no universo da imaginação, abrindo mão, quando necessário, de regras que são empecilhos à fluidez dos vocábulos.

Klévisson Viana é um especialista no trabalho com a palavra. Faz verso até com o próprio nome, em acrósticos que marcam a assinatura de suas obras. É poeta até quando não usa as palavras e escolhe como signo os traços de suas ilustrações. Com 25 anos de carreira, Klévisson se destaca como divulgador da literatura de cordel em todo o mundo.

Trajetória
Família de poetas na Fazenda Ouro Preto, em Quixeramobim, a virtude da poesia morava, junto à família de Klévisson Viana. A herança vem do bisavô, Francisco de Assis, o Fitico, autor de cordéis que, sem que tenham sido publicados, corriam de mão em mão entre as fazendas da região. Alzira, a avó paterna, gostava de cantar e recitar clássicos da literatura de folhetos e acabou os ensinando ao filho Evaldo, pai de Klévisson.

"Meu pai era agricultor, mas estava sempre com um livro na mão. Nunca me mandou ler um livro, mas seu comportamento acabou inspirando o gosto pela leitura em mim e em meus irmãos". Além de Klévisson, o irmão Arievaldo também se fez poeta.

O talento para o desenho, por sua vez, nasceu enquanto observava as linhas e cores dos bordados feitos pela mãe. Além disso, o primo de seu pai, Luis Miguel, costumava desenhar, nas paredes de casa, cenas do cotidiano, como a lida dos vaqueiros. "Achava aqueles desenhos muito bonitos. Às vezes, ia até a casa dele só para ficar vendo as ilustrações", conta Klévisson.

Em 1988, aos 15 anos, Klévisson começou a trabalhar como ilustrador para um jornal em Canindé. Dois anos depois, passou a desenhar para um jornal de Fortaleza. "Comecei a me dedicar mais à ilustração, mas não me afastei dos cordéis, pois muitos cordelistas me procuravam para fazer as capas de folhetos".


Dominguinhos Canta e Conta Gonzaga

Assista ao filme em que Dominguinhos relembra suas histórias com o Rei do Baião desde o primeiro encontro na infância, passando pelo seu desenvolvimento pessoal e musical ao lado do mestre, até sua consagração como um dos maiores músicos brasileiros.

Este filme presta uma homenagem aos dois grandes sanfoneiros do Brasil que foram unidos de uma forma mágica pelo destino.

sábado, 5 de julho de 2014

Morre "Vinte e Cinco", o último cangaceiro do bando de Lampião


Morreu no dia 15 de junho, José Alves de Matos, de 97 anos, tido como o último cangaceiro do bando de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião. Ele era conhecido como "Vinte e Cinco" e faleceu em um hospital particular de Maceió, em decorrência de problemas de saúde causados pela da idade avançada, segundo seu neto, Cleiton Matos.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Estudos do Cangaço, Vinte e Cinco vem de uma família numerosa, sendo oito irmãos e seis irmãs e depois que seu pai casou novamente nasceram outros cinco homens e três mulheres. Nascido em Paripiranga, na Bahia, Matos ficou conhecido como Vinte e Cinco por ter entrado no bando de Lampião no dia 25 de dezembro de 1933. Segundo os pesquisadores, ele foi um dos poucos a escapar do massacre no cangaço.

Quando acabou o período do cangaço ele se entregou para a polícia e ficou preso em Sergipe por quatro anos. Na cadeia, o ex-cangaceiro estudou e conseguiu entrar na Guarda Civil da Bahia.

Corisco com Vinte e Cinco
Cangaço
O cangaço em sua forma de “banditismo” foi um dos últimos movimentos do nosso país de luta armada e de classe pobre que dominou por um longo período de tempo o nordeste brasileiro. Virgulino Ferreira conhecido como Lampião foi um dos maiores líderes da história dos movimentos armados independentes do Brasil.

Em julho de 1938, chegava ao fim a trajetória do líder cangaceiro mais polêmico e influente no cangaço. A versão oficial conta que Lampião e a maior parte de seus grupos estavam acampados em Sergipe, na fazenda Angicos, quando foram surpreendidos. Ao todo foram 11 cangaceiros mortos, entre eles Lampião e Maria Bonita, sua esposa. As cabeças deles ficaram expostas nas escadarias da Prefeitura de Piranhas, interior de Alagoas.