quinta-feira, 31 de maio de 2012

Por que Lampião era chamado de Capitão?



Muito curiosa a história de sua patente de oficial do exército, obtida do governo federal. No início do ano de 1926, a Coluna Prestes percorria o Nordeste em sua peregrinação revolucionária, trazendo apreensão aos governantes e colocando em risco a segurança da nação, segundo avaliação do governo central. Em meados de janeiro, estavam prontos para entrar no Ceará. A tarefa de organizar a defesa do estado coube, em parte, a Floro Bartolomeu, de Juazeiro. A influência de Floro, perante todo o país, devia-se ao seu estreito relacionamento com o Padre Cícero Romão. Por sugestão do Padre Cícero, só havia em todo Nordeste uma pessoa que poderia combater a Coluna e sair-se bem da empreitada. Indicou então o nome de Virgulino.

Padre Cícero e Floro Bartolomeu
Floro reuniu uma força de combate, composta, em sua maioria, de jagunços do Cariri. Os Batalhões Patrióticos, como foram chamados, ganharam  armas dos depósitos do exército, porque tinham apoio material e financeiro do governo federal. A tropa, organizada, foi levada por Floro a Campos Sales, no Ceará, onde se esperava a invasão. Floro mandou uma carta a Virgulino, convidando-o a fazer parte do batalhão. O convite foi aceito nos primeiros dias de março, quando a Coluna Prestes já estava na Bahia. Em virtude da doença e posterior morte de Floro, em 8 de março, coube ao Padre Cícero a recepção a Lampião.

Lampião chegou à vizinhança de Juazeiro no princípio de março de 1926. Só atendeu ao convite porque reconheceu a assinatura de Cícero no documento. Acompanhado por um oficial dos Batalhões Patrióticos, entrou na comarca de Juazeiro em 03 de março, tendo os cangaceiros uma conduta exemplar. Prometeram a ele, o seu perdão e o comando de um dos destacamentos, caso aceitasse combater os revoltosos. Na audiência com o Padre Cícero, foi lavrado um documento, assinado por Pedro de Albuquerque Uchôa, inspetor agrícola do Ministério da Agricultura, nomeando Virgulino capitão dos Batalhões Patrióticos. Esse documento dava livre trânsito a Lampião e seu grupo, de estado a estado, para combater a coluna.

Receberam uniformes, armamentos e munição para o combate. Lampião já tinha pensado muitas vezes em deixar o cangaço. Sem dúvida, aquela era uma grande oportunidade, proporcionada pelo seu protetor e padrinho Padre Cícero. Estava disposto a cumprir sua parte no trato e todas as promessas feitas ao Padre. Daquele momento em diante, passou a chamar a si próprio de "Capitão Virgulino".

Do blog Cultura Popular, de Marcos França

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Deputado propõe mínimo a ser aplicado em Cultura



A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 458/2010, de autoria do deputado federal Dr. Ubiali (PSB-SP), torna obrigatória a aplicação de nunca menos que 3% do orçamento municipal no setor de Cultura.

Segundo texto da PEC 458/2010, todo Município, independente do tamanho geográfico ou do número de habitantes, terá de investir esses 3% em Cultura.

Dados da Execução do Orçamento Siga Brasil do Senado Federal constatam que em 2011 o valor transferido pela União aos Municípios para investimentos em Cultura foi de apenas 3%. Portanto, o projeto em análise no Congresso Nacional pretende fazer com que o menor ente da federação invista o mesmo ou até mais no setor.

A PEC 458/2010 tem parecer pela aprovação na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, assinado pelo deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE). Se aprovada pelos demais integrantes da CCJC, vai para votação no Plenário da Casa. De acordo com o regimento, se aprovadas na Câmara serão analisadas pelo Senado Federal e promulgadas.

Confira na íntegra a PEC 458/2010

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Mandioca gigante em Vitória da Conquista

Na zona rural de Vitória da Conquista, um agricultor colheu uma mandioca de dois metros de comprimento. Seu João Rodrigues Santos é do distrito de Baixão de Inhobim e foi ao programa Domingão do Faustão, no dia 20 de maio, exibir a raiz para todo o Brasil.

1 ano de Luz de Fifó

Há exatamente um ano era postado o texto de lançamento do blog Luz de Fifó (O Senhor dos Cordéis), com ele iniciávamos a labuta de propagar a cultura nordestina pela internet. Nesse mês já alcançamos a marca de 5.667 acessos, superando as marcas dos meses anteriores.
Evolução do número de acessos (clique para ampliar)
O blog nasceu como extensão do trabalho do professor Antonio Andrade, divulgador da literatura de cordel, das histórias sobre o cangaço e de toda cultura popular. Hoje, o nosso blog já chegou a diversos países e alcançou milhares de pessoas.


Ultrapassamos a marca de 29 mil acessos em um ano e a cada mês recebemos mais visitas. As críticas e os elogios nos servem como contribuição e incentivo, já que não temos nenhum retorno financeiro por conta do blog. Estamos sempre buscando aprimorar o nosso trabalho, aperfeiçoar ainda mais o blog e abertos à colaborações.
Postagens mais acessadas  (clique para ampliar) 
Juntos continuaremos fazendo a divulgação da rica cultura nordestina, dando espaço a artistas populares, à poesia matuta, aos repentes, aos cantadores, aos cordelistas... Como um dia disse o Pe. Antonio Vieira, "os nomes dos poetas populares deveriam estar na boca do povo!" Portanto, façamos a nossa parte preservando nossas raízes e mostrando ao mundo a riqueza cultural do nosso Nordeste brasileiro.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Entrevista com o rapper Rapadura

Entrevista publicada no jornal Brasil de Fato.

A raiz nordestina no Hip Hop

Com chapéu de palha, sandália de couro e falando “oxente” o rapper Rapadura resgata a raiz nordestina na cultura Hip Hop, e ganha destaque no cenário da música popular brasileira (Por José Neto)

Considerado pelo prêmio Hutuz 2009 o melhor artista do Norte/Nordeste do século XXI, o jovem cearense vem despertando a admiração de importantes figuras da música brasileira como Lenine, Marcelo D2, GOG, Mv Bill e Rappin Hood.

A inusitada “embolada” do rap com o repente, o coco, o maracatu, a capoeira, o forró, o baião e as cantigas de roda, fazem dele um dos precursores do século de um movimento em defesa da cultura popular.
Na integração do rap contemporâneo à música de raiz, suas letras exalam poesia em busca da identificação com o povo. “Muita gente acaba fazendo rap igual gringo e igual paulista, e se esquece da sua própria cultura. Se todo mundo parasse para analisar isso, se cada estado que tivesse a música rap com as características regionais, você ia ver como o movimento Hip Hop iria crescer muito mais, com uma identidade mais forte em todos os lugares,” afirma Rapadura.

O artista cearense ressalta ao Brasil de Fato a importância da identidade cultural, do orgulho de ser nordestino, e fala dos preconceitos dentro e fora de sua região.

Brasil de Fato – De onde surgiu o apelido “Rapadura”?
Rapadura – Bom, primeiro porque eu sou nordestino e como um bom nordestino, eu gosto de rapadura pra caramba [risos]. Sempre quando eu ia jogar bola com os meus amigos, voltava do jogo e entrava em casa para pegar um pote de rapadura e começava a comer. Os amigos passavam e fi cavam falando “rapadura, rapadura” aí ficou o apelido. Aproveitei e já inseri o nome do rap também: RAPadura.

Como você conheceu e se identificou com o movimento Hip Hop?
Eu conheci o movimento hip hop em Brasília, em 1997. Comecei a ouvir através de meu irmão, porém meu primeiro contato foi com a dança, o break, depois que eu fui cantar. Com 13 anos comecei a escrever. É como se fosse uma coisa natural, pois eu nunca tinha visto o rap na minha vida e comecei a fazê-lo com aquela sensação de que já estava em mim. Eu me identifiquei muito com a linguagem de manifesto e indignação, pois percebi que com o rap eu podia protestar contra os problemas na comunidade. Tudo que eu pensava, que eu sentia, transferia para a música, talvez essa tenha sido a causa principal da minha identificação com o movimento.



Em suas músicas há uma mistura da cultura nordestina (repente, coco, maracatu, embolada) com a cultura hip hop. Qual a importância dessa cultura para o Hip Hop, e vice-versa?
Se você pegar o coco, a embolada, o repente e o rap, todos são cantos falados, parecidos em sua expressão e linguagem. Se você ouve um repente de raiz, por exemplo, ele fala da vida do campo, das dificuldades, da alegria, da cultura, etc. O rap também relata as mesmas situações,mas, o mais importante disso tudo, é que a gente consegue fazer um verdadeiro rap nacional quando colocamos as nossas raízes dentro do rap, aí ele passa a ser nacional. As pessoas têm o costume de falar que é rap nacional pelo simples fato de cantar em português, mas não. O rap nacional tem que ser na sua linguagem, raiz e essência, com sua característica brasileira e regional.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

TV Clube (PI) homenageia Luiz Gonzaga com programas especiais

A TV Clube, afiliada da Rede Globo no Piauí, exibiu dois programas especiais em homenagem a Luiz Gonzaga: "A História", exibido dia 12 de maio, e “O legado”, em 19, fazem parte das homenagens ao centenário do “Rei do Baião”.

Através dos programas, os telespectadores puderam conhecer a história e o grande legado deixado pelo eterno Gonzagão.

Confira os programas, na íntegra, abaixo:



sexta-feira, 18 de maio de 2012

Luiz Gonzaga inspira a literatura popular desde a década de 1950

A literatura popular em versos do nordeste do Brasil, hoje denominada literatura de cordel, já publicou inúmeros folhetos de cordel sobre Luiz Gonzaga, e outras personalidades célebres na região: Padre Cícero, Getúlio Vargas Delmiro Gouveia, Frei Damião, João Paulo II.

Depois da morte de Luiz Gonzaga, em 2 de agosto de 1989, houve uma verdadeira explosão na produção de folheto de cordel sobre o Rei do Baião, e na internet hoje existe grande biblioteca eletrônica sobre o assunto, alimentando sites, blogs, facebook.

Vem de longe o interesse dos poetas populares pelo Rei do Baião. A primeira biografia dele, Zé Praxedes Apresenta Luiz Gonzaga e Suas Poesias, de 1952, de autoria do poeta popular norte-rio-grandense e declamador José Praxedes, é escrita em versos igual a qualquer folheto de cordel, embora versos matutos.

Em 1957, o poeta popular Manuel d’Almeida Filho publicou um folheto O Baú de Carolina, inspirado no personagem de uma música de sucesso de Luiz Gonzaga, O Chêro de Carolina, lançada na época da publicação desse folheto.

Assim que Luiz Gonzaga morreu, em 1989, houve uma explosão de publicaçoes dos poetas populares sobre o clamor do Brasil à grande perda, o seu sepultamento em Exu, a trajetória, e a imortalidade do Rei do Baião.

Alguns títulos desse segmento cordeis sobre Luiz Gonzaga são de conteúdo fantástico, do gênero dos folhetos bastante populares, A chegada de Lampião no Inferno, Diálogos de Padre Cícero e Frei Damião no Céu.

Seis anos depois da morte de Luiz Gonzaga, o poeta paraibano Pedro Bandeira, radicado no Crato, no Ceará, organizou um livro, Luiz Gonzaga na Literatura de Cordel, coletânea de poesias e folhetos de cordel publicados sobre ele, incluindo uma poesia fantástica de autoria de Pedro Bandeira, O Rei Chegando no Céu, cujo mote é o ciúme de São Pedro porque Luiz Gonzaga somente privilegiara São João em suas músicas.

O livro Luiz Gonzaga na Literatura de Cordel, publicado em Juzeiro do Norte-CE, em 1994, reune dezenas de poesias e folhetos de outros autores, além do organizador da obra Pedro Bandeira. Entre eles, Abraão Batista, João Bandeira, Paulo Nunes Batista, Paulo de Tarso B. Gomes, Cícero do Nascimento do Caicó, Zé Paraíba.

De lá para cá não tem mais cessadado o interesse dos poetas populares por Luiz Gonzaga, a ponto do pesquiador paraibano Antônio Kydelmir Dantas, radicado em Mossoró-RN, autor de livros e folhetos de cordel sobre Luiz Gonzaga, ter feito o maior levantamento de folhetos de cordel sobre o Rei do Baião que se tem notícia no Brasil. Já são cerca de duzentos títulos!

Centenário de Luiz Gonzaga inspira novos folhetos 
O centenário de Luiz Gonzaga celebrado neste ano está inspirando novos cordéis alusivos à magna data. O historiador escritor e cordelista Ivaldo Batista (ivaldoescritor@hotmail.com), autor de vasta obra publicada, já lançara em 2011, em Carpina-PE, o folheto Centenário do Rei do Baião 1912-2012.

As estrofes seguintes desse folheto exaltam e agradecem ao Rei do Baião glória de Pernambuco para a humanidade:
Com roupa de Virgolino 
Exaltou todo sertão 
Decantou a asa branca 
Assum Preto e azulão 
Acauã e carcará 
Que voa feito avião 

Se exemplo foi beleza 
Estando lá o roçado 
Ou no topo de sua fama 
Pelo tempo coroado 
Esse gênio da cultura 
Mereceu esse reinado 
Olha pro céu meu amor 

Pernamuco te agradece 
Por cantares nossas cidades 
Tua música nos enobrece 
Nos versos dos teus poemas 
Nossa gente é quem mais cresce 

O poeta popular Paulo de Tarso (pb-gomes@hotmail.com) também publicou o seu folheto sobre a data magna de Luiz Gonzaga, O Gonzagão Centenário. As estrofes seguintes do folheto narram a origem de Luiz Gonzaga e a famosa surra causada por um namoro proibido.
Sua mãe, dona Santana, 
Uma exímia cantadeira, 
Cantava muitos benditos, 
Vendia cordas na feira, 
Cuidava também das roças, 
Era excelente rendeira. 

Muito ligeiro Santana 
Pra Januário contou 
O ocorrido na feira 
E ao Gonzaga perguntou: 
-Então você é valente 
Eu seu Raimundo jurou? 

Nessa família sujeito 
Nós não temos assassino, 
Você é só um pixote, 
Ainda quase menino. 
E o chicote foi descendo, 
Dando em Luiz um ensino 

Paulo de Tarso é também coautor do livro Luiz Gonzaga Na Literatura de Cordel, organizado por Pedro Bandeira, participando com dois títulos, A morte do Rei do Baião, e A trajetória do Rei do Baião.

A maldição da toada Asa Branca 
Por incrível que pareça, a música mais famosa de Luiz Gonzaga, a toada Asa Branca, motivou um folheto de cordel escadaloso contra o Rei do Baião, intitulado Horrores que a Asa Branca traz Profetisado pelo Frade Frei Damião, de autoria do poeta Vicente Vitorino Melo, publicado em Caruaru-PE (1948), reeditado em Campina Grande-PB (1954).

O folheto narra “os grandes exemplos” do famoso missionário franciscano capuchinho, numa Missão dele na cidade de Sobral, no Ceará, pregando contra ditados, modas, orgias, e a moda da Asa Branca, “obra de satanaz”.

A Asa Branca que canta a falta d’água, o gado morrendo de sede, o Criador tem mandado chuva com pedra e vento. Deus manda relâmpago e tempestade, cheia e açudes arrombado para matar a sede do alazão. Quando diz na fornalha um pé de plantação, será da árvore maldita do fruto da perdição:

“Aviso a todos os cristãos/Em nome de Deus amado/Que não cante a Asa Branca/Deixe as modas e o ditado/Quem não ouvir meus conselhos/De Deus será castigado”, aconselha Frei Damião no folheto de cordel de Vicente Vitorino.

(Do site Museu Luiz Gonzaga, por Xico Nóbrega)

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cinco anos sem Marinês


Inês Caetano de Oliveira nasceu na cidade de São Vicente Férrer no interior de Pernambuco. Ainda criança ela veio morar com os pais em Campina Grande, onde despontou para a música. As primeiras tentativas para se tornar uma cantora do rádio começaram no final da década de 1950, participando de concursos de calouros em um serviço de alto falantes do bairro da Liberdade.

Mas a primeira grande oportunidade veio através da rádio Cariri quando ela participou de um programa de calouros concorrendo com Genival Lacerda e os dois ficaram em primeiro lugar. Para participar desse concurso ela teve que mudar o nome para que os pais não soubessem que ela estava cantando no rádio (naqueles tempos a profissão de cantora não era bem vista). Foi quando surgiu Marinês.


No ambiente do rádio ela conheceu o sanfoneiro Abdias, com quem casou e formou um grupo de forró para tocar pelo nordeste.

Nestas andanças o grupo conheceu o rei do baião Luiz Gonzaga, que ficou encantado com o talento dela e decidiu apadrinhar o grupo. Com a proteção de Gonzaga eles chegaram no Rio de Janeiro, onde Marinês gravou os primeiros sucessos, e apresentou - juntamente com Abdias - um programa semanal de forró na Tv Tupi. O programa foi batizado por Chacrinha como “Marinês e sua gente”.


Do rádio para o disco, do disco para a tv, da tv para o cinema. Em 1957 Marinês foi convidada pelo diretor estreante Roberto Farias para participar do filme “Rico ri a toa”. Depois ela faria mais um filme com o mesmo diretor.

Com dezenas de discos gravados Marinês foi o primeiro grande nome da música regional nordestina a fazer sucesso em todo país, influenciando outras cantoras que surgiram depois dela, como é o caso da paraibana Elba Ramalho.

Vivendo boa parte da vida dela no Rio de Janeiro, a cantora nunca esqueceu Campina Grande (que ela considerava como sua verdadeira terra natal) e nos últimos anos antes de morrer viveu aqui na cidade.

Marinês morreu no dia 14 de maio de 2007 na cidade de Exú, pernambuco , vitimada por um AVC. Ela deixou dois filhos, Marquinhos – maestro, compositor e produtor musical - e Celso - produtor de eventos. O corpo da cantora está enterrado no cemitério Campo da Paz, em Campina Grande.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Prefeitura de Conquista increve para o Festival do Forró até dia 30 de maio


A Prefeitura de Vitória da Conquista, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, vai realizar o 3º Festival de Forró de Vitória da Conquista. Serão mais de R$12 mil em prêmios, e as inscrições podem ser feitas gratuitamente até o dia 30 de maio, na Secretaria Municipal de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, situada na Rua Coronel Gugé, nº 395, Centro. Entre segunda e sexta feira, das 8h às 12h e das 14h às 18h.

O Festival do Forró tem como objetivo principal fomentar a produção musical em âmbito local e regional e valorizar o autêntico forró pé de serra, estimulando o potencial criativo e produtivo de músicos, compositores e intérpretes.

Qualquer músico, compositor ou intérprete pode se inscrever gratuitamente no Festival de Forró. A música inscrita não pode ter sido lançada, em CD ou DVD, por gravadora ou selo nacionalmente conhecido.

No início de junho, em datas que serão definidas pela Comissão Organizadora, os candidatos participarão de três fases: classificatória, semifinal e final. Das 60 músicas classificadas, 20 serão selecionadas para a semifinal. Os dez finalistas concorrerão a prêmio em dinheiro e participação com show no palco do “Forró Pé de Serra do Periperi”.

O 1º colocado será premiado com R$ 6 mil, o 2º colocado com R$ 3 mil e o 3º com R$2 mil. Entre o 4º e o 5º colocado, o prêmio será de R$ 800 e entre o 6º e o 10º colocado, prêmio de R$700.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Seca histórica gera guerra por água no sertão do Nordeste

Reportagem de O Globo (12/05/12)


FLORESTA (PE), TERESINA E SALVADOR - Considerada a pior dos últimos 50 anos em alguns estados do Nordeste, a seca está provocando um confronto que só se imaginaria no futuro: a guerra pela água. Em Pernambuco, essa luta já começou com tiros, morte e exploração da miséria. Protestos desesperados são registrados não só lá, mas em várias regiões do semiárido, onde a estiagem já se alastra por 1.100 municípios. A população pede providências imediatas dos governos para amenizar os efeitos devastadores. A situação só não é pior já que as famílias contam com os programas sociais, como o Bolsa Família. Como observam agricultores, a preocupação no momento é maior com os animais, que estão morrendo de sede e fome, do que com as pessoas.

Na beira das estradas que conduzem ao sertão, o verde não mais existe. Ao longo das BRs 232 e 110, em Pernambuco, carroças puxadas a jumentos magros tomam conta das margens em busca de água. Nos 100 quilômetros de extensão da PE 360, que liga os municípios sertanejos de Ibimirim e Floresta, há 28 pontilhões sob os quais os córregos corriam fortes. Hoje, estão todos secos. Até mesmo o leito do Riacho do Navio — que ganhou fama na voz do cantor Luiz Gonzaga — esturricou. Na última quinta-feira, bois magros tentavam em vão matar a sede e tudo que encontravam era uma poça de lama escura naquele conhecido afluente do rio Pajeú.

Em Pernambuco, 66 municípios do sertão e do agreste estão em estado de emergência reconhecido. O quadro tende a se agravar já que a temporada de chuva está encerrada e os conflitos aumentam. Em Bodocó, no início do mês, o agricultor João Batista Cardoso foi cobrar abastecimento regular na sede local da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e acabou morto. João Batista se desentendeu com o chefe do escritório da estatal, José Laércio Menezes Angelim, que disparou o tiro e hoje está foragido.

“Pipeiros” distribuem água em troca de votos
Outra face cruel para as vítimas da seca é a exploração: se no passado eram os coronéis que manipulavam currais eleitorais distribuindo água, hoje as denúncias recaem sobre ‘pipeiros’, geralmente candidatos a vereador e seus cabos eleitorais, donos dos caminhões de água. A situação está tão grave que o governo decidiu rastrear todos os carros-pipa que circulam na caatinga. A Compesa começou a fazer operações para conter também o furto da água. Prevista para durar três meses, as ações contam até com helicóptero.

Até a última quinta-feira, foram detectados treze pontos suspeitos, com registro de desvio para campos irrigados. A água roubada do estado também abastecia reservatórios para carregar pipas e até mesmo um tanque com 50 mil peixes em Ouricuri. Segundo a Compesa, a perseguição aos furtos é para garantir água a 200 mil famílias.

— As barragens ficaram secas, o povo está com sede, mas o carro leva água para colher voto. Os donos dos caminhões ganham por dois lados: recebem do governo e o voto do povo. As pessoas prejudicadas não reclamam porque têm medo. Há culpa tanto do estado quanto do município — reclamou Francisco da Silva, sindicalista da região.

De acordo com o secretário de Agricultura, Ranilson Ramos, há 800 pipas rodando a caatinga, para atender as famílias.

Na Bahia, a seca é considerada a pior dos últimos 50 anos. A longa estiagem no estado já levou 234 dos 407 municípios baianos a decretar estado de emergência. O governo estadual já reconheceu a emergência em 220.

A seca está devastando as lavouras baianas e afetando a pecuária. Os preços dispararam: o quilo do feijão, por exemplo, aumentou 40% este ano. Em Salvador já custa R$ 8.

No Piauí, 152 municípios do semiárido, onde vivem 750 mil pessoas, estão sofrendo. No estado, um caminhão-pipa de até 15 mil litros de água não sai por menos de R$ 120 e as perdas das lavouras de milho, feijão e mandioca foram de 100% — contabilizou o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag), Evandro Luz.

— A população padece de sede. Muita gente está há 40 dias sem água porque não tem dinheiro para comprar. Plantações inteiras foram perdidas — afirmou Luz.

Os presidentes dos Sindicatos dos Trabalhadores Rurais pediram à Central Nacional de Abastecimento cestas básicas para as famílias enfrentarem a fome.

No estado, não há chuva forte desde julho. Por falta de alimentos, pequenos criadores estão soltando o gado para que os animais procurem água e pasto.

— Vivemos a maior seca de nossa história — disse Wilson Martins, governador do Piauí, que em abril participou da reunião com a presidente Dilma Rousseff, que liberou R$2,7 bilhões para minorar os efeitos da estiagem e anunciou a Bolsa Seca de R$400. Segundo a Fetag, os recursos ainda não chegaram.

domingo, 13 de maio de 2012

Lampião encontra Eike Batista

A banda carioca El Efecto apresenta um registro da música, ainda não finalizada, O encontro de Lampião com Eike Batista. Só bebendo muito na literatura de cordel para imaginar um momento histórico como esse: o rei do cangaço com o rei dos garimpos. Vale a pena conferir esse tão inesperado encontro.

Documentário O Homem Que Engarrafava Nuvens

Confira o filme completo, sobre Humberto Teixeira - um dos grandes parceiro de Luiz Gonzaga, abaixo:

 

terça-feira, 8 de maio de 2012

Festival da Juventude: Cultura popular é tema de destaque em roda de conversa


(da Secom/PMVC)

Um bate-papo descontraído, ao som de música, versos, repentes e literatura de cordel, marcou a realização da roda de conversa “Tradição e Cultura Popular”, realizada na manhã deste sábado, 5 de maio, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia/Uesb, como parte da programação do 1º Festival da Juventude de Vitória da Conquista.

Durante a roda de conversa, participantes discutiram sobre a necessidade da valorização da cultura popular, literatura de cordel e sobre a relação que o tropeirismo teve na formação da cultura de Vitória da Conquista. “Trouxemos temas polêmicos, provocativos na intenção de despertar o olhar e a sensibilidade da juventude para que ela vá a campo continuar esse debate e para que isso ascenda políticas públicas”, declarou a historiadora e coordenadora da ONG Carreiro de Tropa, Maris Stella Schiavo.

Para o cantador e cordelista Maviael Melo, o espaço de debate proporcionado pelo Festival da Juventude de Vitória da Conquista é um importante passo para a promoção de ações concretas em prol da construção de uma política cultural. “São esses espaços, esses festivais que colocam a juventude para pensar e que trazem os jovens para a luta, para que eles possam contribuir, ser atores, cobrando e exigindo que isso se torne uma política publica de construção coletiva. É necessário começar a agir por uma cultura melhor, um meio ambiente melhor e uma violência menor”, enfatizou.


O cantor e repentista, Onildo Barbosa, deu um show de cultura durante a roda de conversa. A declamação de versos populares resultou em uma longa salva de palmas. Segundo ele, as discussões realizadas durante o segundo dia do Festival da Juventude foram riquíssimas. “A cultura popular ainda permanece sentada no chão, por isso esses debates devem acontecer mais vezes para levar para esses jovens o sabor da poesia, do repente, da vaquejada, do cordel, do poema e da música para que nossa cultura popular tenha um espaço mais amplo”, ressaltou.

Quem participou das discussões aprovou a iniciativa. “Foi uma roda de conversa que trouxe muito conhecimento sobre cordel e cultura popular para a gente aprimorar aquilo que aprendemos em sala de aula”, contou a estudante de história, Jamile Bispo Loriano. Ela veio de Eunápolis, extremo sul baiano, só para participar do evento em Vitória da Conquista. A pedagoga Priscila Correia vai aproveitar para abordar os temas do festival na escola em que trabalha. “As temáticas estão muito interessantes. Optei por cultura popular para fazer uma ponte com educação para trabalhar em sala de aula”, contou.

Lançamento - Além das discussões, durante a roda de conversa “Tradição e Cultura Popular” também foi feito o lançamento do livro “Ciclos”, de Maviael Melo. O livro reúne versos  sobre temas diversos, tendo como referência a poesia de cordel. A obra retrata sentimentos do ser poeta e cidadão.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Desabafo de Caboclo por Onildo Barbosa


Onilbo Barbosa, paraibano, porém radicado em Vitória da Conquista (BA), destacado poeta popular, repentista e contator de causos, declama nesse vídeo Desabafo de Caboclo.



O Justiceiro do Norte






O Justiceiro do Norte, épico de Rouxinol do Rinaré 

"O homem valente e justo
Do berço já traz o tino
E tendo fibra e coragem
Traça o seu próprio destino
Como se deu nas andanças
Do herói Pedro Justino."

A poesia Épica não morreu, está na origem da literatura de vários povos, para atestar o fato de que, na América pré-cabralina, havia uma cultura cuja tradição, embora ágrafa, encontrava-se assentada sobre os patamares histórico e mitológico, com um conjunto de narrativas de caráter epopéico, mas a chegada do europeu estabeleceu um corte cultural, irreparável no tempo. As narrativas autóctones cederam lugar às narrativas ibéricas, romances de cavalaria, autos de Gil Vicente, à épica camoniana. Só com Gregório de Mattos, sobre o cadáver indígena, haverá a primeira experiência da poesia “morena”, sem o elemento épico, porém, que só será retomado no Romantismo, com o redescoberto Sousândrade.
Rouxinol do Rinaré retoma a narrativa épica nesse seu cordel. Li seus versos por duas vezes num voo que saiu de Juazeiro do Norte para Brasília e daí para o Rio de Janeiro. Meu interesse não era só ler e entreter-me, era observar, riscar o cordel, encontrar seus elementos poéticos, compreendê-los. Os desenhos dessa edição, abertamente inspirados nos épicos de western (o autor é fã de Tex), recontavam-me a narrativa e levavam-me ao clássico de Bonelli, num diálogo magnífico. Mas não é só isso, sendo um épico, não lhe faltariam os elementos essenciais: o herói injustiçado deixando sua terra para, em outras terras, transforma-se em mito, sob outra identidade, defendendo os fracos, apaixonando-se por uma nativa e por ela sendo amado. Aprisionado pelos guerreiros que defende, é reconhecido (como Ulisses) pela cicatriz que carrega, faz amor com sua amada e desaparece sob as águas amazônicas (como Ajuricaba lendário), deixando sua descendência. Rouxinol sabe contar histórias em cordel como ninguém. E aprimora-se a cada dia. Já é um clássico, mesmo tão jovem.

Aderaldo Luciano
Poeta e Doutor em Ciência da Literatura – UFRJ

OBS.: As capas acima são, respectivamente, dos artistas Klévisson Viana (para a 1ª edição do romance – Tupynanquim Editora, 2001), Jô Oliveira (para a edição do autor, com selo da Quadrix Editora, 2009) e Eduardo Azevedo (para a edição do PRÊMIO MAIS CULTURA DE LITERATURA DE CORDEL 2010 - do Ministério da Cultura).