terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Antônio Andrade: “Luiz Gonzaga está vivo”


Confira fotos e entrevista de Antonio Andrade na comemoração do centenário do Rei do Baião, Luiz Gonzaga, em Vitória da Conquista neste último dia 13.

FOTOSENTREVISTA 

Curta “O Homem que Cantou as Aves do sertão”

Produção de estudantes do V semestre do curso de Cinema da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), premiado no Festival competitivo “CeluCine", da Associação Revista do Cinema Brasileiro, na categoria Animação.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Conquista vai sediar o III Congresso Nacional do Cangaço



Nesta terça-feira, 11, foi apresentado o projeto do III Congresso Nacional do Cangaço, que acontecerá em outubro de 2013, em Vitória da Conquista, com o tema Sertões: Memórias, Deslocamentos, Identidades. O congresso tem a finalidade de promover o diálogo entre historiadores e pesquisadores de outras áreas de conhecimento.

A participação de estudiosos de diversos estados brasileiros vai contribuir para articular as discussões que estão sendo desenvolvidas em outros lugares do país e do mundo, em relação ao cangaço e a outras temáticas relacionadas à região e a seus habitantes. Para o professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Marcílio Falcão, a escolha do município para sediar o evento foi acertada. “Aqui em Vitória da Conquista eu percebo uma força cultural muito grande”.

O secretário de Cultura, Turismo, Esporte e Lazer, Gildelson Felício, sinalizou a disponibilidade de apoio da Administração Municipal. “Nós vamos ver no que podemos ajudar e temos a intenção de contribuir da melhor forma possível”. (Fonte: Secom PMVC)

sábado, 8 de dezembro de 2012

A arte nordestina em palavras


Estamos vivendo o centenário de Gonzagão e neste momento mais uma obra dedicada à cultura popular nordestina. Nós temos Luiz Gonzaga como o ícone, referência principal quando se trata da defesa das nossas tradições, das nossas raízes históricas e identidade.
No embalo do pássaro Asa Branca, Gonzagão percorre o mundo, inclusive a versão musical da Asa Branca por grupos de jovens artistas japoneses e coreanos.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Você sabe o que é Cavalo Marinho?


O Cavalo Marinho é um folguedo cênico brasileiro, típico da Zona da Mata Setentrional de Pernambuco, Alagoas e agreste da Paraíba. O auto integra o ciclo de festejos natalinos, e presta homenagem aos Reis Magos. As apresentações se processam ao som da orquestra conhecida como banca, composta de rabecas, ganzás, pandeiros e zabumbas. O folguedo se desenvolve em torno de 70 atos, durante toda uma noite, e possui dezenas de personagens, dentre humanos, animais e seres fantásticos. No decorrer da apresentação, os brincantes - tradicionalmente todos homens - assumem diferentes papéis, mediante a troca de roupa ou de máscara, com exceção dos negros Bastião e Mateus, que permanecem os mesmos durante todo o espetáculo. O auto reúne encenações, performances circenses, coreografias, improvisos, ritmos folclóricos, toadas e poesias, além de uma série de danças tradicionais, tais como o coco, o mergulhão e a dança de São Gonçalo.


O espetáculo é narrado através da linguagem falada, da declamação dos loas e das toadas - como são conhecidas as estrofes poéticas que integram o enredo. Os personagens, de modo geral, interagem com o público presente, sobretudo Mateus e Bastião, que, constantes em todos os atos, tecem comentários satíricos sobre a apresentação em si, sobre os indivíduos do público, ou sobre quaisquer outros assuntos. Assemelha-se ao reisado, ao bumba-meu-boi e a outros folguedos brasileiros, bem como certas manifestações populares cênicas de Portugal, como o boi fingido e a nau-catarineta. Os brincantes, na execução do festejo, dão vivas a Deus, a Jesus, à Virgem Maria, a São Gonçalo e aos santos de devoção do dono da casa onde se processa a apresentação. A essas manifestações de religiosidade católica agregam-se os pontos em honra à Jurema, entoados pelo Caboclo, e certos elementos do Xangô do Nordeste.



Os personagens do auto refletem a sociedade colonial da Zona da Mata Nordestina: Mateus e Bastião, que trazem o rosto pintado de preto, representam a forte presença negra na empresa açucareira; o capitão, montado em seu cavalo, representa o grande latifundiário, dono do engenho; o soldado, subserviente ao capitão, é o elemento opressor a serviço do poder político; os galantes e as damas aludem à faustosa aristocracia que se desenvolveu em torno da cultura da cana. Outros personagens incluem o Caboclo - entidade catimbozeira que canta hinos em homenagem à Jurema -, o boi, a Catirina, esposa simultânea de Mateus e Sebastião, o Empata-samba, o Matuto da Goma, a Véia do bambu.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Caravana do Cordel em São Paulo



Durante os dias 6 (às 19h, com homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga), 7 e 8 (ambos a partir das 10h), a Caravana do Cordel leva para a biblioteca do Memorial da América Latina, em São Paulo, a feira de literatura de cordel, palestras, oficinas, exposição de xilogravuras, capas e folhetos de cordel, recital de poesia tradicional nordestina, cantorias literomusicais e lançamentos de livros.

Este ano, a caravana comemora é o seu IV Aniversário e a comemoração fica por conta do cantor Moraes Moreira, que se apresenta no encerramento, dia 8, a partir das 20 horas, na praça Cívica do Memorial com o show "Moraes Moreira, pé de serra", em que canta seus grandes sucessos, tais como Pombo Correio, Festa do Interior, Meninas do Brasil, Acabou Chorare, Ferro na Boneca e Dê um Rolê.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Livro sobre o cangaço no cinema brasileiro



A jornalista Maria do Rosário Caetano, colaboradora do Portal Estadão.com, lançou em 2005 o livro Cangaço - O Nordestern no Cinema Brasileiro. "A idéia surgiu quando eu entrevistava o Jean Claude Bernardet, há um ano, e ele me contou que havia um texto inédito de Lucila Ribeiro Bernardet e Francisco Ramalho Jr. no qual eles analisavam os filmes de cangaço dos anos 60 e 70. E o material (Cangaço - Da Vontade de se Sentir Enquadrado) era inédito. Pensei na hora que precisava torná-lo público", conta.

Com a ajuda da Cinemateca Brasileira, em cuja biblioteca o texto estava guardado, a jornalista pôde encontrar o material e dar início ao projeto. "Em seguida, logo que decidi contemplar o assunto em um livro, lembrei-me do texto que Ruy Guerra havia escrito para o Estado em 1993, no qual relembra o dia em que conheceu O Homem Que Matou Corisco, o Coronel Rufino."

"Mas ainda era preciso desenvolver outros temas, como a história de Benjamim Abrahão, o único a filmar o bando de Lampião, cujo material foi confiscado pelo governo Vargas e do qual hoje só restam apenas 15 minutos de registro. Para isso, juntaram-se ao projeto José Umberto Dias (Benjamim Abrahão - O Homem Que Filmou Lampião) Walnice Nogueira Galvão (Metamorfoses do Sertão), Luiz Felipe Miranda (Cinema e Cangaço - História), Alberto Freire (Remake de O Cangaceiro: Nova Versão, Velhas Leituras), Marcelo Dídimo (Baile Perfumado, O Cangaço Revisitado) e Luiz Zanin Oricchio (O Cangaceiro Paradoxal - Corisco em ´Deus e o Diabo na Terra do Sol´).

"Há mais de 50 filmes de cangaço, desde os mudos, os clássicos, os que se aproveitam deste rico filão e levam o tema para a comédia, como O Lamparina e Pedro Bó, O Caçador de Cangaceiros, e até mesmo as pornochanchadas, como A Ilha das Cangaceiras Virgens", conta Rosário, que levantou todos esses títulos e os lista no fim do livro. "Alguns são exatamente sobre cangaço, outros o têm como tema secundário ou só como citação", completa.


Cangaço - O Nordestern no Cinema Brasileiro
Livro organizado por Maria do Rosário Caetano
Editora Avathar. 120 páginas. R$ 25,00

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Conheça o grupo "A rainha e os vaqueiros"



Gibão, perneira, peitoral, chinelo e chapéu de couro. Este é o figurino do grupo A Rainha e os Vaqueiros, que vem realizando shows por onde passa usando o aboio como forma de retratar os sons e ritmos cearenses, intercalados com contos, ‘causo’, versos, poesias, toadas, trechos de cordéis e músicas de Luiz Gonzaga. Mas o figurino não é cênico, é a vestimenta que os artistas usam no dia a dia. Afinal, são vaqueiros-aboiadores, que durante anos de cavalgada já cantaram com Manoel Messias, Padre Tula, Fagner e em especial com o Rei do Baião.

O grupo, que tem como rainha Dina Martins, a Mestre da Cultura “Dona Dina”, mergulhou no universo da cultura dos vaqueiros e após um longo tempo de pesquisa oral, criou o show “Aboios – O Som do Sertão”. Serão seis apresentações até o final do ano em cinco cidades: Quixadá (17/11), Sobral (04/12), Crato (07/12), Fortaleza (13 e 14/12) e Canindé, em data a ser confirmada.

O show - Ao som de chocalhos, entra no palco Chico Water representante dos vaqueiros. Em meio à poesia, convida os seus amigos e companheiros de luta, os vaqueiros-aboiadores, Hidelbrando, um mestre na sanfona e o seu regional de zabumba e triângulo. Juntos, interpretam a música de abertura.

Em seguida entra Dona Dina, que completa a cena para uma sequência de dez músicas, sendo fruto de uma pesquisa sobre o cancioneiro popular dos vaqueiros-aboiadores, baseadas em suas vivências e em poesias que admiram em especial, do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

O show não se prende apenas ao roteiro musical. Os aboiadores artistas utilizam o improviso e interagem com o público, deixando evidente uma das propostas do grupo, que é de preservar o caráter natural do homem do campo.

A AVABOCRI e o PROJETO - A Associação dos Vaqueiros, Boiadeiros e Pequenos Criadores da Microrregião dos Sertões de Canindé (AVABOCRI), fundada por Dina Martins, desenvolve um trabalho há mais de 40 anos de resgate, preservação e valorização da cultura dos vaqueiros. Estes vêm se apresentando livremente desde 1971, quando aconteceu a primeira missa dos vaqueiros, dentro da programação da maior festa franciscana da América Latina, que é a Festa de São Francisco das Chagas de Canindé. Atualmente a Associação tem 350 sócios.

“ABOIOS – O Som do Sertão” começou em 2007, quando a primeira versão deste projeto da AVABOCRI foi vencedora do III Edital de Incentivo as Artes, na área de música - categoria montagem de show, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (SECULT). Pela primeira vez na história cearense era realizado um show musical composto somente por vaqueiros–aboiadores, tendo sido apresentado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza), no Festival de Música da Ibiapaba (Viçosa do Ceará) e na Festa de São Francisco das Chagas de Canindé, para um público superior a 400 mil pessoas.

Em 2012, como vencedor do Edital Mecenas na área de música para a circulação do show e ampliação, com o patrocínio da Coelce, o projeto ressurge renovado, com novo espetáculo e abrindo caminho também para a formação de jovens e adolescentes por meio da inclusão digital.

Para o novo show, o grupo continuou com a pesquisa musical, focando nas canções de Luiz Gonzaga. Foi também a oportunidade de homenagear o Rei do Aboio e do Baião, representante maior desta cultura. Neste processo, nasce o desejo de fazer uma homenagem àquele que conseguiu transformar dor em alegria, música em poesia e que foi o expoente maior do sertão. O show tem direção geral de Fernanda Gomes e direção de arte de Clébio Viriato.

(Fotos: Festival de Ibiapaba)

Joan Baez canta "Mulher Rendeira"



Joan Chandos Baez (Staten Island, 9 de janeiro de 1941) é uma cantora norte-americana de música folk, conhecida por seu estilo vocal distinto e opiniões políticas apresentadas abertamente.

Joan Baez foi compositora e intérprete de música popular desde o início 1960 até os dias atuais. Baez é a irmã mais velha de Mimi Farinia, com quem compartilhou a paixão pela composição e sua visibilidade sem remorso como ativista política, embora Farinia fez sem muito alarde e de observação pública como Baez durante o tempo que ela estava viva.

A carreira profissional de Baez começou em 1959 no "Newport Folk Festival", onde, com 18 anos, foi a grande revelação. Ela lançou pela Vanguard Records no ano seguinte seu álbum de estréia, "Joan Baez", uma coleção de baladas tradicionais que vendeu moderadamente bem, chamando a atenção pela qualidade do repertório e por seu talento no violão acústico, aliado a sua bela voz de soprano. O álbum seguinte, "Joan Baez, Vol. 2", foi lançado em 1961. Ganhou um disco de ouro, o mesmo acontecendo com "Joan Baez in Concert", de 1962. Com apresentações regulares, Joan Baez tornou-se um fenômeno artístico.

Em 1963, já era considerada uma das cantoras mais populares dos Estados Unidos. Em 1964 lança o disco Joan Baez/5, incorporando neste trabalho uma seleção de populares canções folk dos Estados Unidos e da América Latina, com destaque para interpretações de composições dos músicos brasileiros Villa-Lobos e Zé do Norte. Além de folk tradicional e canções de protesto, ajudou a promover Bob Dylan, impressionada com suas composições iniciais e incluindo várias delas em seu repertório. Acabaram tornando-se namorados por um tempo, mas o relacionamento acabou em 1965. Entre seus sucessos históricos desta época, podem ser citados "We shall overcome", "With God on our side", "All my trials", além de outros...

Confira a interpretação de Baez para "Mulher Rendeira", de Zé do Norte, feita para o filme "O Cangaceiro" de Lima Barreto.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

19 de novembro: dia do cordelista



O dia do cordelista foi criado em 2005 em Pernambuco, por uma lei estadual, cuja autoria foi do deputado Antônio Moraes. A data escolhida foi uma homenagem ao grande cordelista Leandro Gomes de Barros, nascido no dia 19 de novembro de 1865. Leandro é considerado por muitos o maior cordelista brasileiro e figura entre os principais poetas brasileiros do século XIX.

<<<Saiba quem foi Leandro Gomes de Barros>>>

Na época dos povos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartagineses, saxões, etc, a literatura de cordel já existia, tendo chegado à Península Ibérica (Portugal e Espanha) por volta do século XVI. Na Península a literatura de cordel tinha os nomes de "pliegos sueltos" (Espanha) e "folhas soltas" ou "volantes" (Portugal).

De Portugal, a literatura de cordel chegou no balaio e no coração dos nossos colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali se irradiou para os demais estados do Nordeste, sendo conhecido por aqui como ROMANCES.

Poetas populares, como Apolônio Alves dos Santos, diziam que a denominação LITERATURA DE CORDEL só apareceu na década de 1970, com as pesquisas de Raymond Cantel. Manoel Monteiro, poeta de Campina Grande, diz que foi o francês o primeiro a dizer que os folhetos de feira eram pendurados em barbantes e cordas. Na realidade, a literatura popular em versos (ou, o folheto), inicialmente, era vendida no chão, espalhados sobre lonas e carregados em malas.

O cordel, ao longo de sua história, passou por transformações. Se antigamente era praticado principalmente pelo homem da zona rural, com uma prevalência maior de temas ligados a área, como o cangaço, a pecuária e a agricultura, hoje o gênero passou por um processo de urbanização, onde profissionais dos mais variados incorporam temas de suas vivências a essa criação poética.

Para o colecionador de cordéis, Antonio Andrade, idealizador deste blog e difusor dos romances, o cordel "é a maior expressão da alma nordestina".

domingo, 11 de novembro de 2012

A excelente maravilha de Pereira da Viola



O cantador e violeiro Pereira da Viola, mineiro do Vale do Jequitinhonha, se apresentou em Vitória da Conquista neste sábado, 10 de novembro, no projeto Canto Lunar, promovido pelo Vivero de Cantigas. Quem foi ao Haras Nazaré Ranch não se arrependeu. Pereira mostrou porque é atualmente um dos principais violeiros do país, surpreendeu quem não conhecia o seu trabalho, fez gente cantar e dançar também. Ele nos concedeu algumas palavras. Confira!

RAÍZES
"Eu costumo dizer que nasci na beira de um fogãozinho de lenha, chamado de fruteira, onde todas as manhãs minha mãe fazia a canjica, fazia pipoca, cozinhava a batata e a mandioca e nós éramos os passarinhos que chegavam para comer esses frutos dados por esta fruteira. Isso fica no município de Teófilo Otoni, na região de São Julião, uma comunidade remanescente de quilombolas, hoje temos o título de sermos quilombolas. E muito cedo eu sai de casa para estudar fora. Fui para o Espírito Santo aos 11 anos de idade para começar a estudar - entrei na primeira série com 11 anos até chegar a me formar em magistério. Nesse momento, entre fazer um vestibular ou a música, eu preferi a música. Esse ambiente meu, da minha família, é um ambiente extremamente rico, do ponto de vista da arte, da cultura, da formação cultural, mas a formação também da ética, do compromisso humano acima de tudo, do respeito e mais a parte econômica sempre foi muito regrada, sempre trabalhamos para o sustento, tínhamos a terra, a mesma que temos até hoje, que meu pai conquistou com muita luta. Meu pai passou uma coisa básica para todos nós os filhos, aos oito homens e às cinco mulheres, que tem que trabalhar e trabalhe no que é seu. Nós não sabemos ser empregados, porque meu pai não deixava a gente trabalhar por dinheiro pra ninguém, mesmo na roça, podia ser o serviço que fosse. Isso é uma tônica pra todos nós. Ter escolhido a música como forma de me sustentar também passa por esse aspecto, costumo dizer que troquei a enxada pela viola, às vezes eu suo mesmo, porque é para suar mesmo, porque na enxada era assim... E acima de tudo eu costumo dizer que minha música é orgânica, é sem venenos, sem agrotóxicos, cultivada de forma bem orgânica mesmo, claro que tem um ou outro remedinho, um captador norte-americano que você compra, um microfone um pouquinho melhor, um somzinho melhor, mas a essência não muda, é aquela ali".

FORMAÇÃO MUSICAL
"Inicialmente a música vinha de forma muito genérica para mim, porque eu tinha a formação da música do rádio, das duplas caipiras, Tião Carrero, Milionário e José Rico... Aprendi primeiro o violão, depois a viola, tudo autodidata. Mas, nesse processo de construção chega um momento que eu via minha mãe falar sobre reforma agrária nos cultos via igreja católica que ela fazia lá em casa. E ela falava que ia ter reforma agrária e meu pai alertava que era perigoso falar da reforma agrária, isso era na década de 1970, e era realmente perigoso, mas ela dizia 'eu sei que é perigoso, mas está na Bíblia'. Então, a minha família vem dessa formação de ser contra a injustiça. Minha casa já tinha a tradição meio de ser um quilombo, quem chegava era acolhido, tinha sempre um prato de comida e um cantinho para dormir. Todos nós crescemos nesse ambiente e quando eu canto isso tudo está junto. Denunciar a injusttiça e valorizar aquilo que é real e que de fato engrandece o homem, a nossa existência, e as fantasias do mundo que vem lubridiando as pessoas não pegam a gente porque a gente tem essa formação familiar".

CULTURA POPULAR
"A cultura popular sempre foi o elemento que me ligou a isso tudo, é o elemento que me dá a dimensão espiritual, social e político também. São muitos os mestres e sábios que não sabem escrever o 'O' mas que dão lições de vida para muita gente que passou pela universidade e eu tenho isso como elemento forte na minha vida".

NORDESTE
"Nós dessa região de Minas somos muito influenciados pelo Nordeste, eu acho que a Rio-Bahia é um leva e traz de cultura o tempo inteiro. Para nós que nascemos na região de Teófilo Otoni, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri, a influência é direta, temos isso muito forte e a identificação mesmo".

LITERATURA DE CORDEL
"A minha mãe quando falava do que nós hoje chamamos de literatura de cordel, ela chamava de romance. 'Chegou um romance novo, vamos ler o romance de Zé Pretinho e Cego Aderaldo, Pavão Misterioso, A Chegada de Lampião no Inferno...', então era romance, todos lá em casa conhecem como romance e ela lia como ninguém. Leitura de cordel já é uma coisa chique."

DISCO "POTE"
"O 'Pote' é um disco feito em parceria com o João Evangelista, que é o poeta escritor de todas as músicas e as melodias feitas por mim e o violeiro Wilson Dias. É um disco que traz elementos desse ambiente de Guimarães Rosa, em alguns momentos tem pinceladas da poesia de Carlos Drummond de Andrade como referência. Esse ambientes rural e urbano estão trilhados nesse disco que eu, particularmente, gostei muito de ter feito".



Se melhorar, vira rapadura!

FILME: Ritos de passagem


O filme de Chico Liberato foi o longa-metragem escolhido para a abertura da oitava Mostra Cinema Conquista, iniciada no dia 7 de novembro, em Vitória da Conquista.

"Ritos de passagem" é uma animação, sob a estética do cordel, que trata sobre os estereótipos de duas figuras históricas do Nordeste Brasileiro: Antônio Conselheiro e Lampião – representados pelos personagens Santo e Guerreiro, enquanto seguem na barca de Caronte, rumo ao mundo dos mortos, confidenciando ao seu guia os acertos e erros enquanto estiveram em vida. No caminho, são influenciados pelo Anjo e o Demônio, que tentam atrai-los para o Céu e para o Inferno.

Leia matéria publicada no site do Ponto de Cinema em maio desse ano:

Chico Liberato, artista plástico e cineasta, um pioneiro (dirigiu Boi Aruá em 1983, o primeiro longa de animação da Bahia e um dos primeiros do Brasil), diz que o filme está correspondendo às expectativas. Faltam agora pequenos ajustes que serão realizados em Porto Alegre, após o que Ritos ganhará pré-estreia em Salvador. Como não poderia deixar de ser, erm se tratando de obra de Chico, em seu traço singular, o filme celebra a cultura sertaneja.

O espectador é logo situado nos acontecimentos trágicos, ocorridos no sertão baiano no final do século 19 e início do século 20. O filme evoca elementos da mitologia grega, ao tempo em que mostra o encontro de Antônio Conselheiro e Lampião, figuras representadas pelo Santo e o Guerreiro, em sua morte, que tomam a barca de Caronte para fazer a travessia do perigoso Rio da Morte, o Aqueronte, às margens do inferno.

Segundo os gregos, Caronte era o velho barqueiro responsável por conduzir as almas do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. Para não ter que vagar pelas margens do rio, elas tinham que ser enterradas e pagar pela travessia. Por isso o costume dos gregos de colocar uma moeda na boca dos mortos.


No recorte feito por Alba, conta Chico, o Santo e o Guerreiro passam por um processo de reflexão sobre o que viveram no sertão, “através da lembrança de seus ritos de passagem – nascimento, batismo, transição da juventude para a idade adulta, morte e transcendência”.

O exautivo no trabalho, sobre o qual Alba Liberato fala, tem a ver com as especificidades da animação no tocante à reacriação da realidade com a interação da imagem e o roteiro escrito. “Trabalhamos juntos o tempo todo a adaptação do texto à imagem, da imagem ao texto – tudo é um organismo único”, complementa.

Foram 14 animadores de frente trabalhando para a realização do filme, que contou com cerca de 90 profissionais. Nomes como Harildo Déda, Jasckson Costa, Ingra Liberato, Olney São Paulo Jr., Caco Monteiro, Tina Tude e Dulce Valverde emprestam a voz aos personagens do filme. Na trilha sonora, com peças de João Omar, João Liberato e Ernst Widmer, a participação especial da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), sob a regência do maestro Eduardo Torres e do próprio João Omar.

Assistra a um trecho:

sábado, 10 de novembro de 2012

Gonzaga além das fronteiras

Luiz Gonzaga teve a capacidade extraordinária de captar a alma do povo nordestino, do povo sertanejo e expressá-la, devolvê-la através do seu canto lírico ou de protesto.

Expressava a tristeza, a enorme alegria, o sentimento festivo que brotava dos rincões da imensidão tórrida nordestina ou dos vales e serras sempre verdes.

Ele foi um pássaro entre os pássaros canoros, se inspirava na imensidão do céu azul ou céu encoberto de nuvens cinzentas escuras anunciando lágrimas das alturas para banhar o corpo da terra, terra de onde Luiz saiu de suas entranhas e brotou como um raio de cantos que veio encobrir o Brasil e estendeu sua voz para além das nossas fronteiras, bem pra lá, lá para o Japão, Coréia...

Ouça algumas das versões internacionais de Asa Branca:
JAPONÊS


COREANO


INGLÊS


TURCO

Exposição no Palácio do Planalto homenageia trajetória de Luiz Gonzaga



A exposição "O Imaginário do Rei" fica em Brasília até 5 de dezembro, aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos domingos, das 9h30 às 14h30.

sábado, 3 de novembro de 2012

TV: entrevista com Frederico Pernambucano de Melo

Entrevista com o autor dos livros "Estrelas de Couro, a Estética do Cangaço" e "Guerreiros do Sol", na TV Cultura, no programa "Provocações".



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A poesia de Chico Pedrosa


“Um vendedor de sonhos”. É assim que o poeta e Mestre da Cultura da Paraíba, Chico Pedrosa, se define. Apontado pela crítica como um dos dez maiores poetas populares do Brasil, no meio de uma constelação poética, que inclui Patativa do Assaré, Zé da Luz, Catulo da Paixão Cearense, Zé Praxedes e Zé Laurentino, Chico Pedrosa justifica que não tem nada a ver com o livro “O Vendedor de Sonhos”, do autor Augusto Cury. A auto-definição está relacionada com a sua vida de viajante por este Brasil afora e pelos sonhos e emoções que vende por meio das suas poesias.

Durante 36 anos, Chico Pedrosa foi vendedor de auto-peças. Andou o Nordeste inteiro com uma pasta e uma lista de preços. Enquanto abastecia o mercado com peças de automóveis, enchia de sonhos, utopias e ilusões os amantes da poesia. Foi inspirado em sua própria profissão, na luta pela sobrevivência, que ele fez o poema “O Vendedor de Berimbau”, que retrata o relacionamento, nem sempre amistoso, entre os vendedores e os clientes.

“Foi uma forma de protestar contra os ‘chás de cadeira’ que eu levei nas ante-salas das gerências dos estabelecimentos comerciais”, afirma. Quando se aposentou, na década de 1980, o poeta tomou o caminho de volta às origens. Dedicou-se exclusivamente à poesia. Continuou viajando, agora vendendo sonhos, como um dom Quixote do sertão, cavaleiro andante que vivia num mundo de sonhos e resolveu caminhar pela Espanha à procura de muitas aventuras.

O poeta caminha pelo Nordeste levando nos seus alforjes os 36 anos de experiência como vendedor e, principalmente, um amor telúrico ao sertão. Nos últimos anos, tem participado de diversos shows, apresentando sua poesia ao público nacional, em especial nas grandes capitais: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF) e Recife (PE). O seu poema mais conhecido é “Briga na Procissão”, também chamado “Jesus na cadeia”. Emotivo, como todo bom poeta, ele chora ao recitar algumas de suas poesias. De fato, não esconde a emoção das suas obras.

Biografia - Nascido em 1936, poeta popular e declamador, Chico Pedrosa tem três livros publicados: “Pilão de Pedra I”, “Pilão de pedra II” e “Raízes da Terra”, além de vários cordéis escritos. Tem poemas e músicas gravadas por cantores e cantadores como Téo Azevedo, Moacir Laurentino, Sebastião da Silva, Geraldo do Norte, Lirinha, dentre outros.

Lançou três CDs, intitulados “Sertão Caboclo”, “Paisagem Sertaneja” e “No meu sertão é assim”, registrando assim a sua poesia oral. Atualmente, ele é cultuado pela geração nova, como o pessoal do “Cordel do Fogo Encantado”, que em seus shows declamam poemas desse “poeta matuto”. (Texto de ANTÔNIO VICELMO - Diário do Nordeste)

Ouça "A briga na procissão", declamada por Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, e “O Vendedor de Berimbau”, declamado pelo próprio autor.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Gabriela em cordel



EDITORA LUZEIRO LANÇA GABRIELA EM CORDEL
A editora Luzeiro inaugura um novo tempo e coloca em seu catálogo uma das grandes obras escritas por Manoel D’Almeida Filho, um dos mais consagrados autores de cordel. Amigo de Jorge Amado que era, verteu este romance para a linguagem do cordel que agora ganha mais uma edição, enriquecido pelas ilustrações de Walfredo de Brito, o livro traz a apresentação de Aderaldo Luciano:

(...)
Mas eis que resolve escrever em cordel a sua visão da novela Gabriela, cravo e canela, transmitida pela televisão em 1975, adaptada do romance homônimo de autoria de Jorge Amado. Como não poderia deixar de ser, aventura-se pela narrativa longa para apresentar seu filtro sobre a cidade de Ilhéus, seus personagens em conflito e suas mulheres exuberantes, oferecendo o calor de seus seios e a sedução de seus corpos no amor pago, entre as paredes do obsequioso Bataclã. Todos e tudo comandados pela mão de ferro e pelo ferro na mão do poderoso Coronel Ramiro. A história corre solta no estilo precioso do autor cujo narrador, a serviço da boa narrativa, aparteia o leitor sempre que quer mudar a cena observada ou os fatos apresentados.

Mais informações:
96 páginas
ISBN 978-85-7410-123-1
R$ 20,00
Editora Luzeiro (11) 5585-1800
vendas@editoraluzeiro.com.br

(Informações de Varneci Nascimento)

Canto Lunar com Pereira da Viola

Clique para ampliar

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Diretor apela para rádio em busca de ator para Gonzagão


Nos últimos domingos, o Fantástico vem contando a história de Luiz Gonzaga, história que chega agora aos cinemas. Esse filme tem uma curiosidade. Foi difícil encontrar quem encarnaria o Rei do Baião. O jeito foi anunciar por aí.

“São 5h50 em Caruaru. Breno Silveira procura ator pra seu novo filme”, disse locutor. O recado foi ao ar em rádios do Nordeste.

“Eu já tinha tentado fazer o teste com vários atores. ‘Esse camarada primeiro não parece com Gonzaga, segundo não toca sanfona nem canta’. Aí entrei num beco sem saída, como é que eu vou fazer esse filme sem o ator do Gonzaga?”, contou Breno.

Aí veio a ideia. “Botamos no rádio no Nordeste. Primeiro: cinco mil inscritos. Cinco mil inscrições pra fazer Gonzaga”, afirmou Breno.

Uma delas a de Adélio Lima, que já vivia de encarnar Luiz Gonzaga. Em Caruaru, exatamente embaixo da estátua de São Gozaga, isto é, Luiz Gonzaga, está Museu do Forró Luiz Gonzaga. Adélio é guia do Museu do Forró.

“Tudo começou com a história dessa foto, seu Maurício. Os guias turísticos olhavam e diziam olha. Chegavam pro pessoal, no ouvidinho e diz "olha, esse cara é da família dele", lembrou Adelio.

Claro que era brincadeira. Mas todo mundo queria ver quem era esse homem tão parecido com Gonzagão. “E eu tive a ideia então de vestir o gibão, de me caracterizar dele, e aqui então em frente eu tirava fotografias”, contou Adélio. Ele ficou entre os cinco finalistas pra interpretar Gonzagão. A principal concorrência era Chambinho do Acordeon.

“Meu avô tocava sanfona de oito baixos, era afinador também. A minha maior influência foi meu pai que comprou a sanfona e falou ‘toca aí, menino’. Eu tinha 12 anos de idade”, afirmou Chambinho.

“Eu falei ‘olha, vai ser um dos dois’ e na hora da decisão eu decidi pelo Chambinho porque ele tocava, cantava melhor. “Aí o Adélio falou ‘poxa, eu não tenho mais chance pra fazer o papel?’ Não sei quê, ficou muito triste”, revelou Breno.

“Aí chegou a sua maldade, conta”, diz Kubrusly.

“Não, isso foi maldade mesmo. Eu falei ‘ó, você vai ter que engordar no mínimo 10 quilos’”, lembrou Breno.

Seria pra fazer o Gonzagão mais velho. Adélio topou a dieta de engorda.

“Pega um punhado, joga na boca com um pedacinho de carne e vai provando, provando... Maravilhoso”, afirmou Adélio.

Feira de Caruaru. Lá estava o cardápio perfeito pra arredondar a silhueta.

“E aí eu fui para um teste com ele, fui para um teste já maquiado, já mais gordo e quando eu vi aquele teste, aquilo me chocou muito porque parecia que eu tava na frente de Gonzaga”, contou Breno.

“De repente aí me toca o telefone: ‘você é o Gonzaga. Meus parabéns, Gonzaga’. Bicho, eu chorei rios. Eu ainda hoje quando eu lembro de como foi dada essa notícia. Eu tenho uma filha, a mais velha, que ela é de um outro relacionamento de minha esposa e eu vivia com ela o mesmo dilema que o Gonzaguinha vive com o Gonzaga”, disse Adelio.

O ponto de partida do filme ‘Gonzaga de pai para filho’ é o acerto de contas entre Gonzagão e Gonzaguinha.

“Chegaram lá em casa umas fitas e eram fitas k7. Quando eu dei play numa, era a voz do Gonzaguinha. Eu via que ele tava entrevistando o pai. Ele devia ter um gravador a tira-colo pra gravar música, o Gonzaguinha e saía. E uma hora eu acho que ele resolveu fazer esse embate com o pai e ele pergunta. E as perguntas para o pai eram muito contundentes. E naquelas fitas eu via que tinha uma briga muito forte de dois caras que não se conheciam direito. E é bonito que na fita eles brigavam e se perdoavam”, afirmou Breno.

O gaúcho Júlio Andrade conseguiu o papel de Gonzaguinha chegando pro teste quase que incorporado. “Consegui uma peruca, uma roupa anos 80, uma bolsa de comunista. Eu cheguei Gonzaguinha praticamente. Sempre fui muito fã de Gonzaguinha, desde muito pequeno. Eu lembro de meu pai cantando no carro à capela pra mim ‘o homem também chora, menina morena’ e me mostrava o braço assim, o braço dele todo arrepiado”, revelou Julio.

E a história continua nesta homenagem de Gilberto Gil a Luiz Gonzaga. É que o Gonzagão nunca termina: “O baião está vivo no seu coração, a canção do povo alegre não tem fim”, completou Gil.

CONFIRA O VÍDEO DA REPORTAGEM AQUI.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Uma poesia de Onildo Barbosa



SALVE A POESIA.

No planeta poeta em que vivemos
Sonho muito em deixar de ser poeta
Minha alma andarilha e inquieta,
Já  cansou de  romper os seus extremos,
Tenho a grande impressão, que o que temos
Já perdeu seu sabor original,
Fica apenas no mundo virtual
Todo dia essa cena se repete
O que faço  não passa da internet
Nada vale pra mídia nacional.

Eu queria ver lá em Jô Soares,
Cordelistas, poetas cantadores ,
repentistas, fiéis aboiadores
Divulgando projetos populares
Sebastião Cirilo, Carls Aires,
Moacir, Ivanildo, Biu Salvino,
o poeta maior: Júnior Adelino,
Zé Viola, Geraldo e Moacir,
E eu sentar no sofá pra assistir,
Ao mais puro elenco nordestino.

Fico triste assistindo no Faustão
Um desfile de raças de cachorro
Nosso verso ao chorar pedir socorro
Mas programa nenhum lhe dá a mão
Nossa arte criada no sertão,
Possui tantos talentos pra mostrar,
Quero vê Mestre Lemos declamar,
Com Heleno Alexandre de Sapé,
Demonstrando o cordel como ele é,
A mais rica cultura popular.

O Rolando Boldrin não me convida
Jô Soares, Datena, nem Faustão,
Cada dia me dá a impressão
Que a nossa cultura está perdida
Fico aqui neste beco sem saída
Sufocado na minha persistência
A viola, na sua resistência,
Quando toca me diz em som dolente,
Que a barreira que tem na nossa frente
É maior do que nossa inteligência.

Onildo Barbosa

Conheça o projeto "Nação Nordestina"


O projeto "Nação Nordestina" surgiu em dezembro de 2011, quando um jovem cearense do município de Alto Santo, decidiu usar as redes sociais para valorizar a cultura Nordestina e combater o preconceito sofrido pelo povo do Nordeste.

Hoje, a fanpage oficial no Facebook passa de 420 mil fãs e tem uma média de 12 milhões de pessoas alcançadas por semana. Isso faz da “Nação Nordestina” a maior página com temática Nordestina do planeta.

Na página, são compartilhadas, por exemplo, dicas de lugares para conhecer, pratos da culinária regional e retratos do cotidiano nordestino. Entre as postagens mais curtidas está as imagens com palavras do nosso linguajar, uma série denominada de Curso Intensivo de Nordestinês - confira uma delas abaixo e acesse o site e curta a fanpage!


Acesse: http://www.nacaonordestina.org/

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Cantor Azulão é encontrado no Recife


O cantor Azulão estava desaparecido desde o último domingo (14) e foi encontrado na manhã desta quarta-feira (17), no bairro de Afogados, no Recife. Segundo o filho dele, Alexandre Bezerra de Lima, o Azulinho, o cantor de 70 anos – e 50 de carreira – andava dormindo pela rua e não tinha se alimentado. Azulão, como é conhecido Francisco Bezerra de Lima, estava desaparecido desde quando foi visto saindo de casa no domingo, no bairro São Francisco, em Caruaru, no Agreste de Pernambuco.

Depois de encontrado, o cantor tomou café da manhã com a família e foi levado de volta para casa, em Caruaru. A família também informou que pretendia levá-lo em um hospital para fazer exames de saúde.

Parentes procuravam por Azulão na capital pernambucana desde a noite de terça-feira, quando receberam a ligação de um amigo avisando que o avistou na rua. Um boletim de ocorrência foi registrado na terça-feira. A informação da família é que ele usa remédio controlado e costuma ingerir bebida alcóolica.

O artista - O cantor ganhou esse apelido devido ao hábito de se apresentar vestido de azul. Nascido em Brejo de Taquara, distrito de Caruaru, desde a década de 60 vem emplacando sucessos do forró como "Dona Tereza", “Tô Invocado”, “Nega Buliçosa” e “Mané Gostoso”. Outra marca registrada do homem de estatura miúda é o vozeirão. As composições dele já foram gravadas por artistas como Marinês, Genival Lacerda e Jacinto Silva, entre outros.

Confira entrevista de Roger de Renor, da TV Pernambuco, com Azulão no vídeo abaixo.

Nos confins do sertão, com os encantadores


O cheiro de bode está impregnado no ar das redondezas da fazenda Casa dos Carneiros, onde aconteceu, no último sábado, 13, o encontro de Elomar com Chico César, Saulo Laranjeira e Xangai. “Cantadores” é o mais recente projeto do menestrel baiano, com direção musical do seu filho, o maestro João Omar. A estreia foi em casa, com convidados à vontade, improvisos e público sedento, numa noite fria e de vento forte no pé da serra da Tromba.

Tinha gente de várias partes do Brasil entre as quase duas mil pessoas que se deslocaram para o habitat natural de Elomar. Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais, Ceará, Paraíba, Pernambuco e a própria Bahia estavam bem representados. No palco, seis cadeiras aguardavam os cantadores e o maestro – mas, eles eram só cinco. Uma delas ficou vazia em homenagem ao mineiro Dércio Marques, cantador amigo de Elomar que faleceu no último mês de junho. Durante a apresentação, Elomar dedicou a ele “Incelença para um poeta morto”.

O palco do teatro Domus Operae, construído pelo próprio Elomar (que também é arquiteto) e ainda inacabado, foi ocupado por João Omar que apresentou solos de violoncelo, em seguida Xangai, depois Chico César, posteriormente Saulo Laranjeira. Os cantadores dividiam o palco em duplas e se apresentavam sozinhos a cada entrada. O mineiro Saulo Laranjeira, após cantar “O Peão na Amarração” e “Romaria” anunciou o dono da casa, que foi, inevitavelmente a grande atração e o cantador mais esperado.

“Devemos celebrar a existência do maior nome das artes brasileiras: Elomar Figueira de Mello”. Os aplausos concordaram com apresentação de Saulo e Elomar chegou ao palco para cantar e tocar “O violeiro”. A partir daquele momento, a plateia estava extasiada, era impossível encontrar alguém conversando ou com os olhos em outro lugar senão no cantador de 75 anos dedilhando a velha e companheira viola. Teve até quem percebeu que enquanto Elomar tocava, até o vento havia parado de soprar.

Com Elomar e convidados no palco, a apresentação foi uma celebração aos sertões, mas principalmente, a Elomar. Juntos, os cantadores convidados estavam ali pelo mesmo motivo que a plateia, celebrar a obra e os sertões profundos que Elomar conseguiu traduzir em melodias e letras únicas. Foi uma noite de encantamento que, quando houver nova oportunidade, aquelas mesmas pessoas estarão presentes, com certeza.

JUVENTUDE – O público que prestigiou Elomar e seus convidados naquela noite era diversificado. Tinha crianças e idosos, gente simples e sofisticada – uns de salto, outros de bota. Porém, o que chamava atenção era a quantidade de jovens que estavam ali pelo mesmo motivo dos demais: Elomar.

Há motivos para a estranheza: o último disco que Elomar gravou foi em 1995, “Cantoria 3″; Elomar não é adepto do estrelismo, não dá entrevistas, nem aparece pela mídia a fora, sequer deixa ser fotografado; é avesso às tecnologias, se pudesse nem sonorização eletrônica tinha em suas apresentações; é um crítico do sistema, da ordem, do “progresso”; é contra a cultura norte-americana e, quando fala termos inevitáveis vindo da língua inglesa, faz questão de aportuguesá-los a qualquer custo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

As batalhas de Lampião: Maranduba

Cartaz de 1930 em que o governo da Bahia oferece recompensa pela captura de Lampião

A terceira grande batalha enfrentada por Lampião e seu bando ocorreu em janeiro de 1932, no sertão sergipano, na fazenda Maranduba. Os militares estavam em número três vezes maior e subestimavam os cangaceiros. Lampião demonstrou superioridade tática sobre os militares, principalmente por conhecer muito bem o terreno onde se travou o embate.

Alguns historiadores tentam "minimizar" a vitória obtida por Lampião depois de uma feroz batalha, admitindo, apenas, de que, no final das contas, houve “perdas humanas tanto entre os cangaceiros como entre as forças volantes, porém com maior prejuízo para estas...” Para que se tenha uma idéia do que representou esta batalha para ambos os lados e para a história das lutas sociais do Nordeste, dois pontos devem ser ressaltados:

O primeiro ponto importante refere-se à participação, nesta batalha, dos aguerridos e temíveis Nazarenos. Os nazarenos, uma força policial dedicada em tempo integral na busca e, se possível, destruição de Lampião e seu bando, já eram lendários nos sertões nordestinos, por suas ações militares. Nesta batalha participaram sob o comando do Tenente Manoel Neto.


O segundo ponto a ser destacado é que, apesar da longa, dolorosa e sangrenta campanha contra Lampião e da experiência militar adquirida, mais uma vez os chefes militares deram provas de que sua inteligência sempre ficou abaixo dos arroubos da valentia. A raiva, a fúria e a arrogância foram confrontadas com o sangue-frio, a paciência e a inteligência de Lampião. Rodrigues de Carvalho chegou a afirmar, analisando estas e outras batalhas que Lampião tinha praticado “façanhas de deixar muito curso do Estado Maior com água na boca”.

No caso específico de Maranduba, o historiador Rodrigues de Carvalho não hesita em afirmar que, apesar da superioridade em homens e armas, por parte das forças militares, Lampião demonstrou uma superioridade tática sobre seus adversários. Escreve ele: “E a verdade deve ser dita: quem primeiro abandonou o campo de luta foi a força”. E, mais adiante: “O fato é que durante a extensão da tremenda refrega, que foi por toda a tarde, pode dizer-se sem medo de cometer injustiça, o domínio da situação pertenceu ao ardiloso facínora. Estava todo o tempo, como se diz vulgarmente, serrando de cima”.

O fato ficou conhecido como "Fogo de Maranduba" e um registro da época diz que "no local em que aconteceu o fogo de Maranduba, durante vários anos, das árvores e dos matos rasteiros não ficaram folhas. Tudo era preto, como se tivesse passado um grande fogo. As árvores ficaram completamente descascadas de cima abaixo, de balas". (Fonte: blog Cariri Cangaço)

CONFIRA:
As batalhas de Lampião: Serra Grande
As Batalhas de Lampião: Serrote Preto

Elomar recebe convidados na Casa dos Carneiros


Chico César, Saulo Laranjeira e Xangai se apresentarão com o menestrel conquistense sob a direção de João Omar

A fazenda localizada nas entranhas da serra da Tromba será no próximo sábado, 13, palco para um encontro especial. O Teatro Domus Operae, erguido por Elomar no seu universo caatingueiro, cede o palco para o projeto "Cantadores", dirigido pelo maestro João Omar.

Elomar será anfitrião de Chico César, Saulo Laranjeira e Xangai, que cantarão os sertões da Paraíba, de Minas e da Bahia. "A alma do projeto Cantadores são as canções que constroem um tecido de intensa beleza, com sensibilidade para penetrar no mundo longínquo e sonhador dos cantadores, na pessoa destes quatro trovadores que levam suas loas independente do sistema de consumo imposto pelo denso e grande cordão comercial e midiático", garante a produção.

No repertório, feitos e cantos dos menestréis, poetas errantes, aedos e rapsodos, indo do canto renascentista, passando pelo cancioneiro ibérico, pelas cantigas do nordeste brasileiro e de outras regiões do país. Clássicos como “Serra da Boa Esperança” (Lamartine Babo), “Romaria” (Renato Teixeira), O Violeiro (Elomar) e Cantiga de Amigo (Elomar) não ficarão de fora.

Segundo a organização, "Cantadores" irá correr trecho pelo Brasil no mesmo formato que será apresentado aqui em Vitória da Conquista.

SERVIÇO
CANTADORES LÁ NA CASA DOS CARNEIROS, com Elomar, Chico César, Saulo Laranjeira e João Omar (direção) 
Abertura: “As Ondas do Mar de Vigo”, Cantiga de Martim Codax, executada em solo de voz e violão por João Omar de Carvalho Mello.
Dia 13 de outubro de 2012, às 21 horas (cancela aberta a partir das 18:30).
Local: Teatro Domus Operae - Fazenda Casa dos Carneiros (Gameleira, Distrito do Iguá - 20 KM de Vitória da Conquista).
Como chegar: via BA 262 (saída de Vitória da Conquista para Brumado)*.
Ingressos: R$ 80,00 (inteira) R$ 40,00 (meia).
Vendas: Loja Littium – Av. Olívia Flores.
Contatos: atendimentorossane@gmail.com / 77 3421-4881 / 9117-3287.

*Quem preferir pode ir de ônibus, com a opção de dois horários, às 17h30 e às 19h30, saindo da Praça do Gil.

TV: Luiz Gonzaga é tema de série do Fantástico

Confira as duas reportagens que já foram ao ar no programa dominical da Rede Globo.



É só uma prévia do quem vem por aí: um filme e uma minissérie.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Neta de Lampião processa juiz

Aracaju - A família do cangaceiro mais famoso do Nordeste, Virgulino Ferreira, o Lampião, entrou com dois processos na Justiça contra o juiz aposentado Pedro de Morais, autor do livro censurado Lampião, o Mata Sete, em que sustenta que o Rei do Cangaço era gay.

A neta de Lampião, Vera Ferreira (foto acima), quer uma indenização de R$ 2 milhões nas duas ações: uma por danos morais e outra por Pedro ter vendido os livros na II Bienal de Salvador, que ocorreu em 6 de novembro de 2011.

Lampião, o cangaceiro famoso por sua valentia
"Um dia antes, dia 5, vendi os livros nas principais livrarias da Bahia", afirmou Morais. A decisão da Justiça proibindo o lançamento e a comercialização da obra só aconteceu no dia 25 de novembro do ano passado. Ele informou que tem toda documentação da venda dos exemplares nas livrarias e que irá apresentar a defesa na próxima segunda-feira, na 13ª Vara Cível Aracaju.

A perplexidade é porque a venda e o lançamento do livro continuam suspensos e processo sequer foi julgado pelos desembargadores. "Não foi nem transitado em julgado e recebi mais essa ação."

A polêmica começou com as revelações contidas em Lampião, o Mata Sete, de que o cangaceiro teria sido homossexual, Maria Bonita era adúltera e Expedita não era filha do homem mais temido do sertão.

Em novembro passado, o advogado de Vera, Wilson Winnie, havia declarado que a publicação fere a honra da família de Lampião e que a ação na Justiça pretende impedir a circulação do livro de forma definitiva.

O juiz da 7ª Vara Cível de Aracaju, Aldo Albuquerque, expediu uma liminar proibindo o lançamento e a venda do livro. O processo está com os desembargadores do Tribunal de Justiça de Sergipe, que ainda não se decidiram sobre o processo. (Da Agência Estado)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sertanília relê com modernidade a cultura sertaneja


(Por Fábio Bittencourt, do Correio)

Formado há dois anos em Salvador, o grupo Sertanília tem nas sonoridades e manifestações culturais do sertão - baiano e pernambucano - a inspiração para uma música universal. Idealizado pelo compositor, violonista e produtor musical Anderson Cunha, 39 anos, e composto também por Aiace Félix (vocais) e Diogo Flórez (percussão), a banda lança o independente disco de estreia, Ancestral.

“Cantamos o sertão ancestral, daí o nome do disco. Não o caricato, do chapéu de couro. Partimos da pesquisa in loco de  uma cultura  peculiar e preservada, devido ao grau de isolamento da região, em que os costumes são bastante distintos do litoral. O sertão é muito misturado, rico, uma reunião das três identidades  que formam a brasileira: a negra, a indígena e a europeia”, destaca Anderson Cunha.

Nascido em Bom Jesus da Lapa e criado entre Caetité e Guanambi - municípios que formam o alto sertão do sudoeste baiano -, Anderson é um entusiasta da cultura sertaneja. Segundo ele, muito da Sertanília é influência do cantor e compositor Elomar, de quem é admirador.

Ele explica que, após conceber o projeto, convidou os ainda estudantes Aiace e Diogo, da Escola de Música da Universidade Federal onde ela  estuda canto e ele, percussão. A vocalista, 23, há três anos é chefe do naipe de vozes da Orquestra Afrosinfônica,   projeto do maestro Ubiratan Marques. Diogo, 25, integra, como músico, o grupo Nariz de Cogumelo, formado por palhaços e que desde 2007 se apresenta em praças e teatros de Salvador.

“Não conhecia muito a cultura do sertão, mas me aproximei dos reisados, dos ternos, do coco, e fui buscar mais  informações. A proposta é  uma releitura do passado que possibilite uma música  moderna e autoral. Hoje, o Sertanília é o meu trabalho. Me encontrei”, diz Aiace.

Convidados - O amigo e cantor Xangai, o cordelista Bule-Bule e os percussionistas pernambucanos Emerson Calado e Nego Henrique, ex-colaboradores do grupo Cordel do Fogo Encantado, de Recife, participam no álbum. No repertório, ritmos como reisados, sambadas, congadas e coco. Todos calcados na forte tradição oral da região, de muitas cantigas e ladainhas.

Apesar do pouco tempo de estrada, a Sertanília já soma  apresentações em festivais nacionais como o Grito Rock,  em Olinda (PE), Lycra Future Designers e o Noite do Elefante: Invasão Nordestina no Espaço Zé Presidente, ambos em São Paulo. Há também andanças pelo exterior, tendo tocado nas cidades de Coimbra e Lisboa, em Portugal, e no circuito Tensamba, de Madri, na Espanha.

Integram a banda de apoio da Sertanília os músicos Mariana Marin (percussão), Raul Pitanga (percussão), João Almy (violão) e Massumi (violoncelo).

14 FAIXAS DO DISCO ESTÁ DISPONÍVEL PARA DOWNLOAD NO HOTSITE.

Acompanhe o trabalho do grupo através do Facebook

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Serra Talhada é destino obrigatório para quem quer conhecer história do cangaço


De todas as cidades do sertão pernambucano, a de história mais interessante - quase com certeza - é a de Serra Talhada. A notabilidade do município deve-se exclusivamente a um movimento - e a uma figura: o cangaço e Lampião. Foi naquele pedaço de terra que Virgolino Ferreira da Silva, personagem mais ambíguo da história nordestina, nasceu, viveu e fez história. Para o bem ou para o mal, Lampião foi conhecido. O maior cangaceiro da história foi herói, vilão - ou nenhum dos dois. Certo é que a ele não se fica indiferente.


"Lampião foi herói, mas também foi bandido. É preciso entender ele com essas duas visões. É um dos homens mais importantes da região nordestina", diz Edilson Leite, guia turístico.


É exatamente este o mote do museu do cangaço, de onde Edilson é guia, de Serra Talhada: "Lampião, nem herói, nem vilão". De acordo com ele, são cerca de 20 visitantes diários ali. "Vem muita gente aqui, na última semana, recebemos um casal de italianos e dois russos", afirma Leite, que acredita que deve expandir ainda mais a visibilidade do cangaço nos próximos anos, com a realização da Copa da Mundo e das Olimpíadas no Brasil.


O passeio turístico pela cidade inclui, além do museu, onde estão artigos raros da história do movimento, também uma ida ao sítio onde Virgolino nasceu. Hoje, a casa é - também um museu - mantido pelo grupo Cabras de Lampião. Serra Talhada também é conhecida por ser a capital brasileira do xaxado.