domingo, 11 de novembro de 2012

FILME: Ritos de passagem


O filme de Chico Liberato foi o longa-metragem escolhido para a abertura da oitava Mostra Cinema Conquista, iniciada no dia 7 de novembro, em Vitória da Conquista.

"Ritos de passagem" é uma animação, sob a estética do cordel, que trata sobre os estereótipos de duas figuras históricas do Nordeste Brasileiro: Antônio Conselheiro e Lampião – representados pelos personagens Santo e Guerreiro, enquanto seguem na barca de Caronte, rumo ao mundo dos mortos, confidenciando ao seu guia os acertos e erros enquanto estiveram em vida. No caminho, são influenciados pelo Anjo e o Demônio, que tentam atrai-los para o Céu e para o Inferno.

Leia matéria publicada no site do Ponto de Cinema em maio desse ano:

Chico Liberato, artista plástico e cineasta, um pioneiro (dirigiu Boi Aruá em 1983, o primeiro longa de animação da Bahia e um dos primeiros do Brasil), diz que o filme está correspondendo às expectativas. Faltam agora pequenos ajustes que serão realizados em Porto Alegre, após o que Ritos ganhará pré-estreia em Salvador. Como não poderia deixar de ser, erm se tratando de obra de Chico, em seu traço singular, o filme celebra a cultura sertaneja.

O espectador é logo situado nos acontecimentos trágicos, ocorridos no sertão baiano no final do século 19 e início do século 20. O filme evoca elementos da mitologia grega, ao tempo em que mostra o encontro de Antônio Conselheiro e Lampião, figuras representadas pelo Santo e o Guerreiro, em sua morte, que tomam a barca de Caronte para fazer a travessia do perigoso Rio da Morte, o Aqueronte, às margens do inferno.

Segundo os gregos, Caronte era o velho barqueiro responsável por conduzir as almas do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. Para não ter que vagar pelas margens do rio, elas tinham que ser enterradas e pagar pela travessia. Por isso o costume dos gregos de colocar uma moeda na boca dos mortos.


No recorte feito por Alba, conta Chico, o Santo e o Guerreiro passam por um processo de reflexão sobre o que viveram no sertão, “através da lembrança de seus ritos de passagem – nascimento, batismo, transição da juventude para a idade adulta, morte e transcendência”.

O exautivo no trabalho, sobre o qual Alba Liberato fala, tem a ver com as especificidades da animação no tocante à reacriação da realidade com a interação da imagem e o roteiro escrito. “Trabalhamos juntos o tempo todo a adaptação do texto à imagem, da imagem ao texto – tudo é um organismo único”, complementa.

Foram 14 animadores de frente trabalhando para a realização do filme, que contou com cerca de 90 profissionais. Nomes como Harildo Déda, Jasckson Costa, Ingra Liberato, Olney São Paulo Jr., Caco Monteiro, Tina Tude e Dulce Valverde emprestam a voz aos personagens do filme. Na trilha sonora, com peças de João Omar, João Liberato e Ernst Widmer, a participação especial da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), sob a regência do maestro Eduardo Torres e do próprio João Omar.

Assistra a um trecho:

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