quinta-feira, 28 de junho de 2012

terça-feira, 26 de junho de 2012

Casa do Cordel virou notícia pelo Brasil

Esta foi a quarta vez que o professor Antonio Andrade levou o seu acervo de cordéis para a Vila Junina. Além de atrair os olhares dos visitantes que passaram pelo arraial montado na Praça Tancredo Neves, a Casa do Cordel virou notícia em rádio, TVs, blogs e portais na internet. Veja alguns dos materiais produzidos e publicados por veículos da região e do Brasil.

PORTAIS
Terra: Literatura de cordel faz sucesso em festa junina na BA


PREFEITURA DE CONQUISTA
Casa do Cordel é um dos destaques da Vila da Conquista
Casa do Cordel preserva cultura nordestina

BLOGS
Blog do Anderson; Blog do Fábio Sena; Tribuna da Conquista; Blog do Marcelo; Conquista News; e Blog Conversa de Balcão.

VÍDEO

Agradecemos a todos os profissionais da imprensa que contribuíram com a divulgação do nosso trabalho. Todos que reconhecem o valor da nossa cultura nordestina, com certeza, também agradecem.

Obs.: Além desses veículos listados, outros cobriram a Casa do Cordel, no entanto, ainda não conseguimos realizar a clipagem.

sábado, 23 de junho de 2012

Cordel: Noite de São João

De Armando Morais

1-Peço a Deus permissão
Que inspiração venha me dar
Para lembrar o passado
E aqui poder narrar.
Da noite de são João
Que sinto no coração
E me faz recordar.

2-O são João está chegando
Vamos aqui comemorar
Cortar lenha no mato
Para a fogueira montar.
Comer milho e soltar balões
E queimar muito foguetões
Para pode festejar.

Mais na véspera do são João
Bem cedinho agente caminhava
Em direção ao grande roçado
Com poucas horas chegava.
Papai o milho tirando
E eu com um saco apanhando
E pra casa voltava.

4-Então começava a tarefa
Mamãe a palha do milho tirando
E eu com muito cuidado
O cabelo eu ia limpando.
Aquela palha mais perfeita
Mamãe ali não rejeita
E ia logo costurando.

5-Depois em seguida
Ela botava pra cozinhar
As palhas já costuradas
Para pamonha preparar.
Uma panela no fogo fervendo
O milho danado moendo
Para amassa embalar.

6-Quando a pamonha embalada
Mamãe:- dizia esse resto aqui fica
Eu perguntava:- Pra quer mamãe?
Ela respondia:- Não justifica!
Eu sempre ali perguntando
E mamãe logo se irritando
Respondia:- É pra canjica.

7-Mamãe mexendo a canjica
Eu e papai o quintal ia enfeitar
Agente pegava pés de milho
E perto da fogueira ia plantar.
Papai a fogueira levantando
E eu a bandeira enfeitando
Para a noite hastear.

8-Por volta das 18h00min horas
Tudo ali já preparado
O mastro do senhor são João
De imediato era hasteado
Papai de uma promessa que fez
Dizia:- graças mais uma vez
O são João muito obrigado.

9-Papai muito animado
Fogo na fogueira botava
Uma dúzia de foguetões
Para o santo ele soltava.
Mamãe no santuário orando
Uma vela ali afirmando
E pra são João ela rezava.

10-E eu com meus irmãos
A noite toda brincando
Com fogos ali variados
Feliz ficava soltando.
Quando os fogos acabavam
As brasas logo juntavam
E milho ficava assando.

11-Já bem tarde da noite
Churrasco agente preparava
Lingüiça com asa de galinha
O que a turma mais gostava.
Uma tolha no chão estendida
Depois colocava a comida
E agente feliz se saciava.

12-Tinha um forró pé de serra
Três homens ali tocando
Um com um triângulo
E outro danado cantando.
Outro batendo numa lata
E o povo ali dançando.

13-Era o forró de toda a família
Que a vizinhança inventava
Como não tinha instrumento
Agente mesmo criava.
Assistir banda não podia
E também não existia
Mais agente brincava.

14-Termino aqui esse cordel
Narrando a minha mocidade
No tempo que era criança
Hoje já na maior idade.
Esses dias que não voltam mais
Feliz ao lado de meus pais
Resta-me apenas saudade.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Entrevista com o forrozeiro Waldonys



Discípulo do mestre Luiz Gonzaga, o forrozeiro cearense Waldonys, antes de subir ao palco do Forró Pé-de-Serra do Periperi em Vitória da Conquista na Bahia, visitou a Vila Junina e o Memorial do Forró, na praça Tancredo Neves, onde concedeu entrevistas, tirou fotos, tocou sanfona, cantou Gonzagão e assistiu a uma quadrilha junina. Leia o bate-papo que tivemos com ele.

Segunda vez na programação do São João de Vitória da Conquista, como é retornar à cidade e o que achou da programação?
Estou muito feliz e encantado com a festa, desde o ano passado quando vim pela primeira vez. Agora estou ainda mais contente por ser o ano do centenário do Seu Luiz Gonzaga. Essa é uma tecla que todo mundo está batendo muito, mas eu bato com muita força por ser discípulo e afilhado de Luiz Gonzaga. Estou muito honrado.

Existe sucessor para Luiz Gonzaga?
Se Seu Luiz tivesse um sucessor, seria o Dominguinhos, mas ele mesmo diz que não existe sucessor para Seu Luiz e defende que ele tem seguidores. E eu digo que o número um chama-se José Domingos de Morais, o Dominguinhos.

Você é um desses seguidores e ele foi o seu padrinho, mas além da carreira, existe uma importância da figura do Luiz Gonzaga na sua vida?
É a maior possível. Eu me inspirei muito nele, me espelhei muito nele. Ouvi muito Luiz Gonzaga por conta do meu pai. Ter conhecido ele, ter tocado e gravado com ele, isso tudo foi muito enriquecedor para minha carreira e minha vida. Eu aprendi muito por estar perto do Luiz Gonzaga. Ele calado já era um ensinamento, era uma aula muito grande. Eu tive a honra de ter compartilhado de grandes momentos seja nos shows e nos palcos, como também no pessoal. Ele ficava lá em casa. Dormia e acordava na minha casa, isso foi muito valioso pra mim.



Luiz Gonzaga tem uma grande importância na música brasileira e é um ícone da cultura nordestina, mas, ao que parece, só é homenageado em datas especiais, como no caso do centenário...
E tem muita gente tirando casquinha nessa história de centenário de Luiz Gonzaga e que não tem nada a ver com Luiz Gonzaga. Outras pessoas podem até dizer que é legal, que tudo é válido por estar elevando o nome de Luiz Gonzaga, mas ele não precisa disso. O que mata são os excessos. A bebida não mata, o que mata é o excesso. Se beber água demais, vai morrer afogado... Então, tem muitas coisas sendo feitas usando o nome Luiz Gonzaga, mas qualquer cego vê que não tem nada a ver. Eu fico assistindo de camarote e rindo. Eu tenho como referência forte o seu Luiz Gonzaga e mantenho essa tradição. Temos que estar sempre atentos, pois devemos muitos a ícones como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês. Não devemos homenagear apenas no centenário, mas é digno de se homenagear toda a vida. O beatle Paul McCartney esteve em Recife para um show, poderia ter subido ao palco e feito o show dele, mas ele chegou e falou "salve a terra de Luiz Gonzaga". Isso é muito forte, muito importante para vermos o tamanho que é a obra e o artista Luiz Gonzaga.

Qual a música de Gonzagão que é mais marcante para você?
Asa Branca, sem dúvida, já é um hino. Não tem jeito, a gente roda, roda, e para em Asa Branca. Vida do Viajante também, que é a nossa história, a história do artista.

Além de você e do Dominguinhos, quais forrozeiros tem honrado o legado do rei?
Temos muitos. Tem o Santana, que é um seguidor muito fiel, o Flávio José que faz um forró de tradição. Temos um pessoal que segura bem a bandeira do forró, forró mesmo. Forró só existe dois tipos, o verdadeiro e o falso. Eu costumo até brincar, que forró é igual tatu, só presta o verdadeiro, o resto é peba.

(Blog Conversa de Balcão)

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Uma poesia de Onildo Barbosa

*Em parceria com Thiago Martins.


o cachimbo que eu fumo é de poema
e o pó que eu inalo é poesia
o que eu injeto na veia é cantoria
e assim vou seguindo meu esquema
eu declamo e improvisso em qualquer tema 
quando a força do vício me alicia
e se faltar o produto de valia
eu vou buscar no folheto de papel
vou à boca de fumo de cordel
me abasteço e trafico poesia

eu tenho em casa uma artilharia forte
que costumo levar aonde eu vô
que ganhei do finado meu avô
que até hoje, de cima, me dá sorte
se não fosse a malvada dessa morte
que carrega o cristão no dia-a-dia
meu avô tava aí com artilharia
assaltando esse nosso mundaréu
com uma arma chamada de cordel
demonstrando o poder da cantoria

entre dor e prazer a vida passa
com sorrisos e sonhos alegóricos
muitas vezes uns são fantasmagóricos
no efeito da droga e da cachaça
juventude, se ligue, pense e faça
o melhor para viver seu dia-a-dia
que o produto que alegra e que vicia
e que além de matar é ilegal
os que usam na vida passam mal
os que evitam têm paz e harmonia

Declamada no palco do Forró Pé-de-serra do Periperi durante sua apresentação em 2011. Confira no vídeo abaixo:

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Casa do Cordel se destaca na Vila Junina



Os folhetos espalhados sobre a mesa e as fotos de Lampião expostas nas paredes de uma das casas de taipa montadas em frente ao Memorial do Forró, na praça Tancredo Neves, têm chamado atenção de quem visita a vila junina.

Presente no Forró Pé-de-Serra do Periperi desde a edição de 2009, a Casa do Cordel, organizada pelo professor Antonio Andrade, é um dos destaques da vila, atraindo de crianças aos mais idosos. A exposição conta com centenas de títulos da literatura de cordel, alguns escritos há séculos, entre eles estão os folhetos que inspiraram Ariano Suassuna a escrever o Auto da Compadecida, os que homenageiam ícones nordestinos como Lampião, Padre Cícero e Luiz Gonzaga, e também personagens históricos, como Che Guevara, Zumbi dos Palmares, Tiradentes e Anita Garibaldi.

As obras são de antigos e contemporâneos poetas populares do Nordeste brasileiro, de Leandro Gomes de Barros a Rouxinol do Rinaré. As histórias representam fatos reais, contam atos heróicos, trapalhadas ou confusões, mas também navegam no campo do imaginário, como a história fascinante do Pavão Misterioso.

Quem visita a Casa do Cordel também encontra dezenas de fotos do cangaço - principalmente de Virgulino Ferreira e seus cabras, xilogravuras - as típicas ilustrações dos folhetos, peças de artesanato talhadas em carnaúba, fotos do poeta matuto Patativa do Assaré e do lendário, porém real, Seu Lunga, um painel em homenagem a Luiz Gonzaga, livros sobre o cangaço e outros objetos típicos, além de uma oportunidade de bater um papo sobre a cultura popular nordestina e sair de lá com um tantinho de tanta riqueza.

Todo o acervo da Casa do Cordel pertence ao professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, Antonio Andrade, colecionador de cordéis, pesquisador do cangaço e da cultura nordestina, responsável pelo blog Luz de Fifó e militante propagador da nossa cultura popular.



CASA DO CORDEL
Local: Vila Junina, na Praça Tancredo Neves.
Aberta para visitação até o dia 24 de junho, a partir das 18 horas.

 







domingo, 17 de junho de 2012

Gonzagão: da explosão do forró à morte


1980 – No disco O Homem da Terra, Luiz Gonzaga regrava sucessos imortais, assim como a toada Tropeiros da Borborema, em homenagem ao primeiro centenário de Campina Grande, Paraíba. O Rei do Baião canta em homenagem ao Papa em Fortaleza, em sua primeira visita ao Brasil, e lança um disco compacto simples com Obrigado João Paulo II e a Asa Branca.

1980 - No disco desse ano, A Festa, Luiz Gonzaga canta com artistas convidados: Gonzaguinha, Emilinha Borba, Dominguinhos e Milton Nascimento. É lançado o disco álbum duplo Gonzagão e Gonzaguinha, A Vida do Viajante.

1982 - A novidade do disco Eterno Cantador desse ano, é a regravação Farinhada, um sucesso de Zé Dantas na voz de Ivon Curi, com a participação de Elba Ramalho. É lançado o disco O Rei Volta Pra Casa, coletânea de sucessos gonzaguianos intercalados com trechos de entrevista de Luiz Gonzaga. Luiz Gonzaga viaja pela primeira viagem a França.

1983 – É o ano do disco de Luiz Gonzaga 70 Anos de Simpatia, no qual ele canta com os novos parceiros Alceu Valença e Téo Azevedo. Uma música desse disco é inspirada no caso do jumento doado ao papa que não foi para o Vaticano.

1984 – Luiz Gonzaga lança o disco Danado de Bom, um dos trabalhos de maior sucesso da fase final de sua carreira, com participação de Elba Ramalho numa faixa.

O disco Luiz Gonzaga & Fagner, o primeiro dos dois discos gravados pela dupla, lançado nesse ano, também faz muito sucesso. Assim como Luiz Gonzaga recebe dois discos de ouro e o Prêmio Shell da MPB.

1988 - Luiz Gonzaga recebe o Nipper de Ouro, o prêmio internacional da gravadora RCA Victor. Ele ganha mais dois discos de ouro com o disco Sanfoneiro Macho desse ano, cantando com diversos artistas convidados.



1986 – O maior sucesso de público desse ano é a música título do disco Forró de Cabo a Rabo. Luiz Gonzaga homenageia o cantor e compositor Benito de Paulo, autor de Sanfona de Ouro, tributo ao Rei do Baião. Luiz Gonzaga integra a comitiva de artistas brasileiros no Festival Couleurs Brésil, na França. É diagnóstico de câncer de próstata nele.

1987 – A música de maior sucesso do disco De Fiá Pavi  é Nem Se Despediu de Mim.

1988 – O disco Aí Tem Gonzagão desse não emplacou com nenhum sucesso marcante. Os cantores Geraldo Azevedo e Carmélia Alves participam de faixas no disco. Luiz Gonzaga realiza o show Cinqüenta Anos de Chão. Doente, em cadeira de rodas, é homenageado em Campina Grande (PB) pelos seus seguidores: Marinês, Dominguinhos, Gonzaguinha, Fagner, Elba Ramalho, Joquinha Gonzaga, Alcimar Monteiro e outros.

É publicado o quarto livro escrito sobre o Rei do Baião, o Baião Dos Dois, sobre o contexto e a atualização da sua música com Zédantas,  na década de 70, de Mundicarmo Ferretti, a primeira tese de mestrado desenvolvida em universidade a respeito da obra a obra luiz-gonzaguiana.



1989 – Em junho, Luiz Gonzaga faz a derradeira aparição pública no Recife (PE), com os mesmos artistas que o tinham homenageado em Campina Grande (PB), no ano anterior, e mais outros. Em 2 de agosto desse ano, Luiz Gonzaga morre no Recife. É sepultado no Exu, depois do cortejo ter passado na terra de Padre Cícero, Juazeiro do Norte, a pedido do próprio Luiz Gonzaga. O mausoléu de Luiz Gonzaga, com os seus restos mortais e dos seus familiares, é situado no Parque Asa Branca, perto da cidade do Exu.

(Do Museu Luiz Gonzaga)

sábado, 16 de junho de 2012

GATO: o sanguinário cangaceiro


Por Ivanildo Alves Silveira


Sobre o cangaceiro "Gato" cai o estigma de ser o mais perverso dos homens a pisar as fileiras do cangaceirismo.

Participou do massacre a Brejão da Caatinga (BA), em 04 de julho de 1929, quando quatro soldados e um cabo da polícia baiana foram mortos; Participou do assalto a Queimadas (BA), em 22 de dezembro de 1929, quando sete praças da polícia baiana foram barbaramente assassinados; Participou da invasão a Mirandela, distrito de Pombal, no dia 25/12/1929, onde morreram dois civis e um soldado. Era descendente dos Índios Pankararé, que habitam o Raso da Catarina.

Breve histórico: Cangaceiros descendentes de índio

No centro do Raso da Catarina, na tribo dos Pankararé, os índios admirados diante do impacto causado pela ostensividade e profusão de cores das vestimentas dos cangaceiros e mais ainda, fascinados pela exuberância dos aparentes cordões de ouro, dos anéis e alianças, sem contar os abarrotados bornais recheados de dinheiro, além das realizações dos permanentes bailes e tanto ainda pela liberdade do livre transitar, sem serem presos às duras rotinas diárias, cederam aos encantos da nova vida e vergaram sobre seus corpos as vestimentas inconfundíveis, trazidas por Lampião.

A esse mundo diferenciado, índios Pankararé entregaram-se em boa quantidade á vida do cangaço. Os mais famosos a participarem do cangaço foram: Gato, Inacinha, Antônia, Mourão, Mormaço, Catarina, Açúcar, Balão, Ana, Julinha, Lica e Joana.

Não se tem, na história do cangaço, outro homem que tenha sido tão sanguinário, cruel e frio, como foi esse cangaceiro. Além de Gato, duas irmãs dele seguiram os subgrupos do cangaço: Julinha, amante de Mané Revoltoso e Rosalina Maria da Conceição, que acompanhou Francisco do Nascimento, o cangaceiro "Mourão".

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Rancho tropeiro na Vila Junina



Pela terceira edição, a Ong Carreiro de Tropa/CATROP monta o seu Rancho Tropeiro na Vila da Conquista, nos festejos do Forró Pé de Serra do Peri-peri. O Rancho do Tropeiro, localizada em frente ao Memorial Régis Pacheco, na Praça Tancredo Neves, estará aberto para visitação entre os dias 13 e 24 de junho, nos seguintes horários: segunda a sexta, a partir das 15h; sábado e domingo, a partir das 10h.

O Rancho do Tropeiro vem afirmar as conquistas da ONG Catrop no desenvolvimento de um trabalho educacional, social e cultural com vistas à legitimação do troperismo e dos tropeiros como patrimônios materiais e imateriais de Vitória da Conquista. Este ano, o Rancho do Tropeiro 2012 homenageará o Sr. Canuto Rodrigues, tropeiro e um dos três ex-combatentes remanescentes em Vitória da Conquista, falecido na noite do dia 26 de maio, aos 94anos.

Além das homenagens, comidas e artefatos típicos, o Rancho do Tropeiro, em parceria com a Companhia de Teatro, Coletivo 1por1, fará intervenções teatrais nas noites de sexta, sábado e domingo, resgatando um pouco das contribuições dos tropeiros para a formação da cidade de Vitória da Conquista.

Está esperando o quê? Se aproxegue. Venha nos visitar.  

"Às vezes a visita é rápida... Noutras até demora um pouquinho, quando a prosa é boa... Acaba de chegá e se abanque aí, é rancho simples, mas a acolhida é de bom coração! Seje bem chegado!" (tropeiro Manoel Bonfim).
(Texto: Divulgação)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Filme: Baile Perfumado



Um filme de Paulo Caldas e Lírio Ferreira (1997; 93 min).

SINOPSE: Conta a saga real do libanês Benjamin Abrahão, mascate responsável pelas únicas imagens de Virgulino Ferreira, o Lampião, quando vivia no sertão brasileiro. Amigo íntimo de Padre Cícero, Benjamim mascateava pelo sertão e exercitou seu espírito mercantilista convivendo intimamente com o bando de Lampião. Infiltrou-se no grupo para colher imagens e vender os registros do famoso criminoso pelo mundo afora.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Casa do Cordel de volta à praça

Vitória da Conquista - Bahia

Viva Santo Antônio (e todos os Toim)

Hoje, 13 de junho, é dia de Santo Antônio, o santo mais popular do Brasil. Ele é conhecido por ser o padroeiro dos pobres, santo casamenteiro e sempre sendo invocado para achar objetos perdidos.

A VIDA DE SANTO ANTÔNIO
Fernando de Bulhões (verdadeiro nome de Santo Antônio), nasceu em Lisboa em 15 de agosto de 1195, numa família de posses. Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano, primeiro em Lisboa e depois em Coimbra, onde provavelmente se ordenou. Em 1220 trocou o nome para Antônio e ingressou na Ordem Franciscana, na esperança de, a exemplo dos mártires, pregar aos sarracenos no Marrocos. Após um ano de catequese nesse país, teve de deixá-lo devido a uma enfermidade e seguiu para a Itália. Indicado professor de teologia pelo próprio são Francisco de Assis, lecionou nas universidades de Bolonha, Toulouse, Montpellier, Puy-en-Velay e Pádua, adquirindo grande renome como orador sacro no sul da França e na Itália. Ficaram célebres os sermões que proferiu em Forli, Provença, Languedoc e Paris. Em todos esses lugares suas prédicas encontravam forte eco popular, pois lhe eram atribuídos feitos prodigiosos, o que contribuía para o crescimento de sua fama de santidade.

A saúde sempre precária levou-o a recolher-se ao convento de Arcella, perto de Pádua, onde escreveu uma série de sermões para domingos e dias santificados, alguns dos quais seriam reunidos e publicados entre 1895 e 1913. Dentro da Ordem Franciscana, Antônio liderou um grupo que se insurgiu contra os abrandamentos introduzidos na regra pelo superior Elias.

Após uma crise de hidropisia (Acúmulo patológico de líquido seroso no tecido celular ou em cavidades do corpo). Antônio morreu a caminho de Pádua em 13 de junho de 1231. Foi canonizado em 13 de maio de 1232 (apenas 11 meses depois de sua morte) pelo papa Gregório IX.

A profundidade dos textos doutrinários de santo Antônio fez com que em 1946 o papa Pio XII o declarasse doutor da igreja. No entanto, o monge franciscano conhecido como santo Antônio de Pádua ou de Lisboa tem sido, ao longo dos séculos, objeto de grande devoção popular. Sua veneração é muito difundida nos países latinos, principalmente em Portugal e no Brasil.

HOMENAGEM
Como acontece em muitas famílias católicas, Antonio Andrade é um dos filhos que, por nascer no dia do santo casamenteiro, recebeu o nome do santo como forma de homenagem. Então, aproveitamos a postagem de hoje para dar vivas não só ao santo como também a Tuíca, o Antonio idealizador desse blog e militante na divulgação e propagação da cultura nordestina.

Saúde sempre, meu cabra, que o resto a gente corre atrás!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Cordel: Namoro de Antigamente


Vou lhe contar uma estória
De muito tempo atrás
As coisas de antigamente
Eram diferentes demais
As filhas só namoravam
Com aprovação dos pais.

A forma de namorar 
Era muito diferente
Ficavam jogando pedrinhas
E os dois sempre contentes
Pra eles isso era o máximo
No namoro de antigamente.

Quando os dois tivessem noivos
E casamento marcado
Era quando se podia
Dar as mãos os namorados
Mesmo assim com vigilância
E com bastante cuidado.

Sentavam lá na calçada
Com a família presente
Os dois sempre distantes
Pois era inconveniente
E uma moça de família
Precisava ser descente.

E quem não cumprisse as regras
Ficava logo falada
Na boca da vizinhança
Não valia era mais nada 
A fulana era perdida
E em todo canto apontada.

Nos tempos de Lampião
Que vigorava o cangaço
A moça pra ser direita
Tinha que ser cabaço
Eram todas recatadas
Viviam presas a laço.

Um certo compadre meu
Que é metido a valentão
Gostou de uma mocinha 
E foi pedir a sua mão 
A resposta do pai dela
Foi mesmo um baita não.

Ele todo inconformado
Voltou mesmo foi raivoso
Prometeu dar logo o troco
E fez todo um alvoroço
Vou roubar a filha dele
E começou o destroço.

Foi logo na madrugada
Combinou com a donzela
Quando ouvir o assobio
Já vá pulando a janela
Ele já estava no ponto 
E abufelou-se com ela.

Levou ela pra bem longe
Já prevendo o reboliço
Deitando logo com ela
Fazendo logo serviço
Ficava a família obrigada
De firmar o compromisso.

terça-feira, 5 de junho de 2012

A arte institiva de J. Murilo



“Eu sempre quis pintar o primitivo, o naïf como os franceses falam”. Assim J. Murilo, renomado artista plástico mineiro, radicado há 40 anos em Vitória da Conquista, define sua obra. Natural da cidade de Cordisburgo, começou a se dedicar ao universo das artes ainda jovem, quando, acometido por um problema de saúde, teve de se aposentar da função de fiscal do banco, de carreira agrícola.

Encontrar um novo ofício que preenchesse os seus dias não foi tarefa difícil. J. Murilo recordou que em seu nome de batismo encontraria a inspiração para trilhar novos rumos. “Meu pai me colocou o nome de Murilo por causa de um pintor espanhol que ele gostava muito e eu lembrei de algumas conversas que tive com ele sobre isso e pensei: vou encarar essa coisa de pintura, eu não sei se tenho algum talento, mas o momento é esse”, conta.


Mudou-se para Poços de Caldas, em Minas Gerais, buscando contato direto com o momento de efervescência cultural que a cidade oferecia. Lá, conviveu com pintores e artistas plásticos, aprimorando, dessa forma, suas técnicas e habilidades. “Eu ficava olhando e praticava em casa, mas tinha vergonha de mostrar o que eu fazia”, revela ele, determinando o momento em que decidiu pintar e expor em galerias.

A paixão pelos cavalos serviu de temática para sua primeira obra exposta, porém, o resultado não foi o esperado. Bem-humorado, J. Murilo conta como foi essa experiência: “eu coloquei na galeria o melhor cavalo que eu tinha pintado, eu achei que aquilo ali seria minha obra-prima! Um dia chegou uma senhora, olhou o cavalo e disse que a pessoa que pintou o cavalo nunca viu um na vida, e colocou um monte de defeitos”. O episódio foi decisivo para a carreira do artista plástico que soube fazer da crítica um ponto de virada para as escolhas dos temas a serem pintados. A partir daquele dia, o primitivo ocuparia o cerne do seu pensamento.


O encontro com as obras de Guimarães Rosa parecia inevitável: ambos são conterrâneos e nasceram na mesma rua, onde as famílias mantinham laços de amizade. Mesmo receoso em transpor para as telas os escritos do grande escritor brasileiro, J. Murilo enviou seu trabalho para o I Congresso Internacional Guimarães Rosa realizado em Minas Gerais, em 2001, onde artistas de diversas partes do mundo exporiam suas obras. Quatro telas de J. Murilo ganharam os prêmios principais consagrando, assim, o trabalho do artista.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Um bilhete pro seu Lua

Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior) canta em homenagem ao seu pai (Luiz Gonzaga - o "Gonzagão") a música "Um bilhete pro seu Lua, meu pai" (Gonzaguinha), num clipe de 1987, da TV Globo.

domingo, 3 de junho de 2012

Antônio Conselheiro em breve nos cinemas



Um filme poético e delirante sobre a epopéia da Guerra de canudos. Um mosaico sobre o maior acontecimento histórico do país.

ANTÔNIO CONSELHEIRO - O TAUMATURGO DOS SERTÕES (de José Walter Lima) é o encontro de Antônio Conselheiro, ressurgindo nos sertões da Bahia, com seu próprio mito no imaginário popular. O filme é uma metáfora sobre os sertões, uma epopeia da saga desse peregrino.

O filme se desenvolve seguindo duas linhas: a do sagrado ou apostolado, e a da campanha militar. A confluência dessa narrativa se dá no reencontro dos mitos do Cel. Moreira Cezar e do Antônio Conselheiro, o primeiro como Anticristo e o segundo como Iluminado.

Em comum ambos têm a morte que os transformou em mito no imaginário popular, tal como o Demônio e o Santo. Um vive pelo outro. Ambos morrem, mas o mito, atemporal, sobrevive.

Confira trailer:



HISTÓRICO - As primeiras imagens deste filme foram realizadas com o ator Carlos Petrovich (Idade da Terra/Glauber Rocha) no final de 1987. Esperamos três anos para o projeto ser aprovado e, quando a primeira parcela dos recursos foi liberada, o governo Collor de Melo confiscou.

Em seguida, uma tragédia se abateu sobre o cinema brasileiro com a extinção da Embrafilme. Os recursos confiscados foram liberados em 18 parcelas, o que resultou em um grande prejuízo para produção do filme. Além disso, um incêndio ocorrido no incío da década de 90 consumiu 40% dos negativos e 100% do som original.

Em 2009 retomamos o processo de finalização do filme. Fizemos uma imensa garimpagem e restauração do material de audio e vídeo. Promovemos soluções criativas, realizando filmagens complementares para enfim deixar pronto esse longa-metragem que documenta um importante momento da história do Brasil.

Mais informações: antonioconselheiroofilme.com.br

sábado, 2 de junho de 2012

A música nordestina dos anos 70

Confira o especial Som Brasil, exibido pela Rede Globo no último dia 27 de abril, em homenagem à música nordestina que o Brasil inteiro passou a conhecer a partir dos anos 70.