sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Escolas de cidade no interior de SP ganham rapadura na merenda

Novidade no cardápio escolar agradou a criançada e os nutricionistas. Nova sobremesa faz parte de programa para incentivar agricultura familiar.


As escolas de Paraibuna, no interior de São Paulo, ganharam uma novidade na merenda. Agora os alunos comem rapadura uma vez por semana. As crianças aprovaram, mas e os nutricionistas?

A novidade no cardápio agradou a criançada. A rapadura é servida aos alunos uma vez por semana, como sobremesa. A porção é pequena, de 20 gramas, mas segundo a nutricionista é suficiente para prevenir a anemia, fortalecer os ossos e dar energia depois do almoço.

“Para a criança na sala de aula ela é muito boa, porque ela é uma fonte de energia muito boa e é bem rica em magnésio, ferro, cálcio, vitaminas do complexo b e vitamina a”, afirma Neela Macedo.

A nutricionista lembra que as crianças não devem abusar da rapadura e nem esquecer da higiene bucal. “Como qualquer tipo de doce, a criançada tem que escovar os dentes depois sim”, ressalta.

A nova sobremesa faz parte de um programa para incentivar a agricultura familiar em pequenos municípios. Em Paraibuna, são sete fornecedores de alimentos para as escolas. “Eles fornecem hortaliças, frutas e agora a implantação da rapadura na merenda escolar”, diz a representante do Programa Nacional de Educação, Heloiza do Prado.

José Joaquim de Almeida produzia cachaça, mas decidiu aproveitar melhor a cana de açúcar. Agora, ele fornece rapadura para a merenda do município. “No início a gente fazia 500 pecinhas por semana e já deu um impulso porque a gente já está entregando 2,5 mil por semana para a prefeitura de Paraibuna. Para a gente foi bom”.

(Do Bom Dia Brasil - G1)

Ameaçado de extinção, umbuzeiro depende de investimento e pesquisa


Árvore é única no mundo e concorre com criação de animais no nordeste, segundo especialistas. Mas pesquisas e investimentos para aumentar exportação procuram salvar a planta típica do nordeste do país.

Batizado pelo escritor brasileiro Euclides da Cunha (1866 - 1909) como a "árvore sagrada do Sertão", o umbuzeiro corre risco de extinção na sua terra natal, o semi-árido brasileiro (nordeste). Devido a esse alerta feito por especialistas, organizações locais e nacionais trabalham para estimular a preservação e a exportação do umbu, uma planta que só cresce na caatinga, uma paisagem exclusivamente brasileira.

Extrair o fruto dessa planta única no planeta significa uma forma de sobrevivência para muitas comunidades nordestinas. "É uma das únicas fontes de renda para mais de 200 famílias" no âmbito de uma cooperativa no Estado nordestino da Bahia, exemplifica Avay Miranda, gestor de projetos da Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).

Para aumentar a produção de umbu e de outros itens agrícolas típicos da biodiversidade brasileira, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaça (Coopercuc) quer aumentar as exportações e incentivar negócios sustentáveis com esses produtos.

Em fevereiro deste ano, por exemplo, Apex e Coopercuc assinaram um convênio. A Apex deverá disponibilizar R$ 1 milhão para ações de incentivo aos negócios e exportações. O dinheiro será distribuído à Coopercuc, para cultivar umbu, e a outras cinco cooperativas que trabalham com produtos típicos da região, como castanha do Brasil e de Baru, babaçu e cajá.

A ideia da parceria entre a Apex e as cooperativas é agregar valor aos produtos brasileiros e gerar renda para as famílias beneficiadas, além de contribuir, por exemplo, na conservação do umbuzeiro, explica Miranda, da Apex-Brasil.

Preservação da espécie - O umbuzeiro é considerado uma árvore pequena, com cerca de seis metros de altura. Como não existem relatos sobre a existência da planta em outras regiões do planeta, conservá-la é uma das principais preocupações de quem trabalha com ela.

Na caatinga praticamente não existem novas plantas de umbuzeiro. As espécies encontradas têm mais de 100 anos de idade, segundo o biólogo José Alves, da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasp), que estuda o umbuzeiro há oito anos. O pesquisador é taxativo: "O umbuzeiro é uma espécie ameaçada de extinção, embora oficialmente não seja considerada ameaçada pelo governo brasileiro".

Para o autor do livro A Flora das Caatingas no Rio São Francisco, recém-publicado, o principal problema que ameaça a espécie é a criação inadequada de bodes, cabras e ovelhas no nordeste – região que, segundo o professor, detém o maior rebanho do Brasil. Como muitos animais são criados soltos na caatinga, comem as plantas recém-germinadas – o que faz com que as espécies mais jovens desapareçam.

José Alves aponta que, para evitar a extinção do umbuzeiro, os animais precisam ser mantidos em ambientes mais confinados. O pesquisador ainda alerta que, se as comunidades não mudarem a forma de criação de ovinos e caprinos, o trabalho da Coopercuc, de preservação do umbuzeiro, corre um sério risco: "Do contrário, teremos de escolher se vamos querer comer carne de bode ou provar umbu", adverte o professor.

Geleia brasileira no exterior - Em 2005, a Coopercuc iniciou as exportações de geleias para a França. Depois de atingir outros mercados, como Áustria e Itália, a cooperativa quer ampliar os negócios. "O objetivo é aumentar as exportações para a Europa. A Alemanha é um dos mercados que queremos atingir", conta o presidente da Coopercuc, Adilson Ribeiro.

Criada em 2004, a Coopercuc tem sede na cidade de Uauá, na Bahia, e reúne 244 cooperados, a maioria mulheres, que produzem doces e geleias à base de frutas nativas do sertão. O envolvimento dos cooperados é um dos motivos apontados para o sucesso da iniciativa. Desde 2005, a cooperativa já exportou para a Europa mais de 15 contêineres. Cada um deles estava carregado com 20 toneladas de geleia de umbu orgânica.

Umbu como cartão de visitas - Na opinião de especialistas, o umbu encontra adesão em novos mercados porque tem um sabor exótico: é agridoce e difícil de se comparar com outra fruta. José Alves, da Univasp, sugere que o umbu também seja exportado in natura.

Segundo Alves, a região entre Petrolina (PE) e Juazeiro (BA) é a maior produtora de frutas para exportação do Brasil. Mas não deve plantar frutas como uva, manga e melancia para exportação: "Sempre defendi que a solução é trabalhar com espécies nativas do semi-árido. O umbu é o principal cartão de visitas, tem a maior potencialidade para se fazer um trabalho de médio e longo prazo", acredita Alves.

Mas a preservação do umbuzeiro precisa ser impulsionada imediatamente "para que se garanta essa atividade sustentável pelos próximos dez, 20 anos - como acontece com a castanha do Pará e o açaí na Amazônia", afirma José Alves. Do contrário, a atividade tende a se tornar insustentável e a exportação para países europeus pode ser comprometida ao longo dos anos, avalia o especialista.

(Da Deutsche Welle)

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Black Blocks se inspiram em Lampião

Mensagem postada pelo grupo do Rio Grande do Norte, na sua página no Facebook, em julho desse ano mostra que o cangaço e o seu líder mais famoso é referência para as ações promovidas pelos mascarados que transgridem as leis ao pautar causas sociais.


segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Filme reedita a maledicência de Cuíca de Santo Amaro


Por João Carlos Sampaio (A Tarde)

O personagem Cuíca de Santo Amaro, alcunha do poeta popular e propagandista Jorge Gomes, está longe de ser unanimidade. Ao contrário, ainda é lembrado por sua maledicência, por usar seus versos para chantagens, mas também por ter se tornado, entre 1930 e 1964, a voz da vida cotidiana de Salvador.

O principal desafio dos realizadores Josias Pires e Joel de Almeida diante do personagem está no fato de que apesar de importante, ele é controverso. Dele sobram muitas lendas e poucas imagens, tanto que sua vida pessoal é minúscula.

Mesmo sua literatura, contestada por cordelistas, perdeu-se ao longo dos anos. Neste aspecto, a teimosa realização do filme já é uma vitória, vital para a reconstituição do imaginário da Bahia do século 20.

Melhor ainda que Pires e Almeida não se contentaram apenas com entrevistas (falas que vão do cantor Chocolate da Bahia ao político Waldir Pires, passando por Mário Cravo Jr., Capinam e Mino Carta), mas cuidaram de alinhavá-las em prol de um filme propositivo e bem-humorado.

Ao darem espaço aos “novos comunicadores”, como França Teixeira, Raimundo Varela, Mário Kertész, citando ainda, sutilmente, José “Bocão” Eduardo e outros, sublinham o legado de seu personagem ao cronismo-jornalismo baiano.

Cuíca de Santo Amaro, o filme, olha o passado atento ao presente, instigando a reflexão, seja por suas criativas maneiras de recriar o biografado (narração estilizada, uso de arte e trechos de filmes), seja por construir um discurso de várias falas, onde o que não se diz também é muito importante.

Cuíca de Santo Amaro - O Poeta Mais Temido da Bahia
Direção: Joel de Almeida e Josias Pires
Documentário; 14 anos; 75 min; Brasil
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O POETA
Cuíca de Santo Amaro era denominado por muitos de “O poeta mais temido da Bahia”. Por meio dos mais de mil cordéis que escreveu e produziu, entre 1930 e 1963, Cuíca de Santo Amaro divulgava fatos do cotidiano e sempre presentes na história da humanidade. Com firmeza, ele criticava as mazelas sociais. Era considerado uma referência popular.

A sensibilidade e a genialidade de Cuíca de Santo Amaro eram marcantes no humor, na irreverência, na manifestação livre do pensamento, ao ponto de ser transformado em personagem dos romances Pastores da noite A morte de Quincas Berro D’Água, de Jorge Amado que descreveu Cuíca como uma “organização: escreve seus versos, manda imprimi-los, desenha ele mesmo os cartazes de propaganda que conduz sobre os ombros, vende folhetos com os poemas e canta os melhores versos para atrair a freguesia”.

Josias Pires, que dirigiu o filme documentário juntamente com Joel de Almeida, disse que “Cuíca é um personagem tão rico que muitos outros filmes e livros terão que ser feitos sobre ele… Cuíca de Santo Amaro é arauto. O anunciador. O anjo torto, da boca torta, poeta livre desancando a hipocrisia. A vida privada nas ruas. A verdade que sai da boca dos becos, dos subterrâneos”, disse.

Sancionada lei que reconhece a profissão de vaqueiro


Foi sancionada a Lei 12.870 que reconhece a profissão de vaqueiro no Brasil e dispõe sobre o exercício desta atividade, pela presidente Dilma Roussef, nesta quarta-feira, 16 de outubro, informou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). As regras estavam previstas no Projeto de Lei da Câmara (PL) 83/2011, aprovado em setembro no plenário do Senado Federal.

Ficou definido como uma das atribuições dos vaqueiros a realização de tratos culturais em forrageiras, pastos e outras plantações para ração animal. Estão entre as atribuições dos vaqueiros cuidar da saúde de bovinos, bubalinos, equinos, muares, caprinos e ovinos, assim como alimentá-los e ordenhá-los. Também estão entre suas atribuições a manutenção das instalações dos animais, além do treinamento e prepará-los para eventos culturais e socioesportivos, garantindo que não sejam submetidos a atos de violência, estão entre as funções definidas na lei.

A lei define ainda, em seu artigo 4º, que a contratação dos vaqueiros é de responsabilidade do administrador, proprietário ou não, do estabelecimento agropecuário. Foi vetado o parágrafo único deste artigo, que estabelecia a necessidade de contratação de seguro de vida e de acidentes.

De acordo com a CNA o governo federal citou a realidade econômica do setor, em especial a dos pequenos produtores, para justificar o veto.

(Do jornal A Tarde)

CORDEL: Dominguinhos encontra Gonzagão

Caricaturas de Nei Lima (enviadas pelo autor)

O poeta Stélio Torquato Lima nos envia em primeira mão seu novo folheto intitulado O ENCONTRO DE GONZAGÃO E DOMINGUINHOS NO CÉU, um trabalho muito bom, como tudo o que ele tem produzido ultimamente. Não vamos publicá-lo na íntegra para não prejudicar a venda do folheto. Seguem alguns trechos do referido cordel:

Enquanto o Nordeste chora
A morte de Dominguinhos,
No céu há uma grande festa,
Pois um coro de anjinhos
Dá ao mestre as boas-vindas,
Em meio a canções tão lindas,
Qual som de mil passarinhos.

Zé Domingos de Morais,
O arretado sanfoneiro,
Nascido em 41,
A 12 de fevereiro,
Agradeceu com emoção
Aquela recepção,
Que o comoveu por inteiro.

O filho de Garanhuns
Viu passar logo em sequência
Um filme em sua mente
De toda a existência.
Viu seu pai, mestre Chicão,
Afinando acordeão
Com bastante competência.

Infância humilde, mas boa,
Vivida com os dois manos.
A sanfona de oito baixos
Que ele ganhou aos seis anos.
O estudo do instrumento,
Já demonstrando talento
Junto aos pernambucanos.

Deslizando os seus dedos
Pela extensão do teclado,
O menino demonstrava
Que estava vocacionado
Para a vida estradeira,
E ia, de feira em feira,
A lutar por um trocado.

Junto com os dois irmãos,
Logo um grupo formou.
Foi assim que “Os três pinguins”,
Como o trio se chamou,
Conseguiu algum dinheiro,
Um reforço financeiro
Que aos seus pais alegrou.

Dominguinhos, com esforço
E com grande disciplina,
Foi dominando o instrumento,
A adorável concertina.
E, dominando a sanfona,
Tirou os seus pais da lona,
Mudando deles a sina.

Foi tocando em um hotel
Que ele conheceu Gonzaga,
Um encontro decisivo,
Que traçaria a saga
Do talentoso guri.
Que tivera, até ali,
Uma existência aziaga

Um funcionário do hotel
Mandou que ele entrasse
E pediu que o garotinho
Para um hóspede tocasse.
Dominguinhos não sabia
Que Gonzaga é que queria
Que ele o talento mostrasse.

(...)
Nessa viagem no tempo
Dominguinhos se entretém.
De repente, ouviu uma voz
Que ele conhecia bem:
“Meu Jesus de Nazaré!
Aquele cabra não é
Meu conterrâneo Neném?”

Ouvindo o apelido
Que vinha lá da infância,
Dominguinhos se virou,
Vendo, a pequena distância
Daquela celeste plaga,
A figura de Gonzaga,
Que ria em abundância.

Sem qualquer tempo a perder,
Dominguinhos caminhou
Na direção de seu mestre,
A quem logo abraçou.
Ao reencontro dos dois,
Uma festa, logo depois,
Lá no céu se iniciou.

Assim, naquelas paragens
De paz e grande sossego,
Logo uma melodia linda,
De agradar troiano ou grego,
Fez Domingos sorrir,
Pois se estava a ouvir
“De volta pro aconchego”.

(...)
Dessa forma é que ocorreu,
Sem drama nem escarcéu,
O encontro de Gonzagão
E Dominguinhos no céu.
Digo a quem não crê em mim:
“Eu só sei que foi assim”,
E saio, rindo ao léu.

(Do blog Acorda Cordel)

ARTIGO: O sertão e muito mais

Luiz Gonzaga e as fronteiras do Nordeste

Por ANTONIO RISÉRIO, publicado no jornal Folha de São Paulo de 20/10/2013

Costumo dizer que Luiz Gonzaga e Dorival Caymmi eram sociologicamente previsíveis. Não que fossem necessariamente acontecer, como efeitos de alguma lei inflexível que regesse as coisas do mundo. Mas porque os ambientes ecológicos e sociais eram propícios à aparição de um e do outro.

Caymmi nasceu num recôncavo negro-mestiço impressionantemente aquático, pleno de orixás. Um espaço de praias, rios, jangadas, saveiros, marcado pela poesia e pela música do samba de roda e dos terreiros do candomblé.

Não foi apenas por acaso que nasceu na Bahia, dona da maior fatia do litoral brasileiro, um poeta como ele --o raro e claro cantor das canções praieiras, cultivando um samba diverso do samba já estilizado do Rio de Janeiro. Gonzaga, por sua vez, nasceu entre jagunços e vaqueiros, na região da pecuária e da cultura do couro, marcada por longos períodos de seca.

Era esperável que as circunstâncias socioecológicas se gravassem ou se imprimissem um dia, funda e profundamente, nas criações poético-musicais de ambos (no caso de Gonzaga, incluindo seus principais parceiros, Humberto Teixeira e Zé Dantas). E de fato elas se encarnaram. Não é por outro motivo que devemos tratar Caymmi como uma expressão estética concentrada da cultura tradicional litorânea da Bahia de Todos os Santos e seu Recôncavo. E Luiz Gonzaga como uma expressão estética concentrada do amplo e rico contexto em que se configurou a cultura nordestina --vale dizer, sertaneja.

PAISAGEM - Em "Os Sertões" (1902), Euclydes da Cunha contrapôs a lonjura sertaneja à extensão praieira. E o que ele vê no sertão é a paisagem atormentada. O "martírio da terra", que se deixa ler "no enterroado do chão, no desmantelo dos cerros quase desnudos, no contorcido dos leitos secos dos ribeirões efêmeros, no constrito das gargantas e no quase convulsivo de uma flora decídua embaralhada em esgalhos".

No interior desse martírio da terra é que ele vai situar o martírio humano, "reflexo da tortura maior, mais ampla, abrangendo a economia geral da vida". O ser humano em questão é, obviamente, o sertanejo, "rocha viva da nacionalidade". É o Nordeste das "figuras de homens e de bichos se alongando quase em figuras de El Greco". Nordeste das ossadas esbranquiçadas. Dos "sertões de areia seca rangendo debaixo dos pés". Das "paisagens duras doendo nos olhos".

Um é o Nordeste barroco-canavieiro, místico-erótico, com suas praias e seus orixás. Outro é o Nordeste do gado e do couro, seco-ascético-milenarista, com procissões que se arrastam pedindo chuva.

O rei do baião pertence ao Nordeste messiânico da caatinga abrasada, do sol sinistro e do chão malcriado. "O sertão é ele", declarou Câmara Cascudo, à lembrança dos ritmos e das paisagens dos sertões pernambucanos.

É por isso que foi ele --e não Dorival Caymmi-- a estrela das migrações nordestinas. Luiz Gonzaga se projetou no contexto dessa migração massiva, e desempenhou aí o papel de referencial de cultura, influenciando na coesão psicossocial do migrante e, graças ao sucesso que alcançou no sul, no processo de integração do "baiano" à nova realidade sudestina.

Circulando no eixo das cidades mais modernas do Brasil, tocando nas emissoras de rádio e gravando discos, entrou com o Brasil sertanejo país adentro. Ali onde milhares e milhares de camponeses passavam, de repente, à condição de urbanitas.

A história da cidade, no Brasil, foi marcada por isso. Por este deslocamento massivo da "Communitas" à "Gesellschaft", da comunidade à sociedade. Mais do que de uma transição brusca, trata-se de um corte profundo e radical.

O sujeito caía na roda-viva de um novo universo geográfico, climático, social e cultural. E jamais se dá sem dificuldade este salto em direção a uma outra ordem, em que passavam a vigorar direitos e modos associativos definitivamente dessemelhantes aos que as pessoas conheciam em seus lugares de origem.

Entrava em jogo, em São Paulo e em outras partes do país, e num horizonte de crise, toda uma teia de valores, padrões de comportamentos, estruturas de crenças, relações de trabalho etc. E tudo se desdobrando num meio muitas vezes hostil, em cujo âmbito se multiplicavam, por falar nisso, as "piadas de baiano".

FORÇA - Gonzaga desempenhou o papel nada insignificante, social e culturalmente, de força antidesagregadora. Atuando na dimensão dos signos --e em plano de massas--, ele trazia consigo um universo familiar aos nordestinos, com suas representações conhecidas e seus referenciais nítidos.

Desse modo, evitou que se esgarçasse ou se rompesse, na migração, o tecido original da cultura sertaneja nordestina. E ainda contribuiu para a sua afirmação nos bairros que hoje compõem o cinturão mais colorido e mais vivo da periferia da maior cidade que os brasileiros construíram.

Luiz Gonzaga viu que era possível reconstruir uma unidade na dimensão da cultura. E isto a partir de uma adequação não subordinada do subsistema cultural sertanejo às realidades em movimento numa nova esfera metropolitana.

Luiz Gonzaga foi o primeiro produto industrial que o Nordeste exportou. E se impôs. Conheceu herdeiros e futuros herdeiros. No final da década de 1950, podia olhar para trás e se congratular pela espetacular vitória cultural de seu projeto nordestino.

Depois disso, veio o declínio, no horizonte da cultura de massa de um país que se atualizava e procurava se afirmar no mundo como nação moderna. Era o Brasil sob o signo de Brasília.

No campo especificamente musical, o rock and roll, a bossa nova e, em seguida, a jovem guarda ocuparam o centro da cena. Com o tempo, porém, Gonzaga renasceria para o país, na voz da novíssima geração da década de 1960. E o baião continuou dando frutos, e os frutos do baião são muitos, encarnando a cultura tradicional como a encarnação do novo.

Vale dizer, Luiz Gonzaga não se presentifica, no Brasil, como exótico ou folclórico. Ele não apenas retrata uma tradição. Ele a reinventa. Recria a cultura nordestina para inserir suas formas e conteúdos na sociedade urbano-industrial que então se configurava no país. E isto a partir de uma estratégia estética claramente definida.

CAIS - Daí se extrai a base, a forma-função arquitetônica e tecnológica do novo espaço que nasce em Recife para celebrar o sertão e Gonzaga, o Cais do Sertão, que se compõe entre o "vernacular" e o "high-tech". O rei do baião usou a tecnologia de ponta de sua época. Para homenageá-lo, acionaremos a tecnologia de ponta da nossa.

Mas sem tecnolatria. Bem vistas as coisas, um novo museu pode ser "high" ou "low-tech" --porque tecnologia alguma é capaz de fazer sozinha um museu. O que tem de estar no cerne e acima de tudo são o conceito e os conteúdos. Se não for assim, o que se vai ter, no máximo, sob a denominação de museu, não passará, na verdade, de um papel de parede tecnológico, de pura (ou impura) maquiagem, sem qualquer densidade ou intensidade cultural.

O Cais do Sertão terá um caráter simultaneamente histórico-antropológico, estético e "high-tech", referenciado no horizonte coetâneo da vida sociotécnica brasileira, com todas as suas implicações culturais. Sempre campo de uma dialética entre a tecnologia e tradição. A obra gonzaguiana chamava irresistivelmente nessa direção.

Afinal, Gonzaga foi a própria encarnação do diálogo criativo entre a tradição e a invenção, entre o velho e o novo. Ele recriou formas musicais arcaicas num produto inédito. Trouxe a cultura tradicional nordestina para a sociedade e a cultura de massas. Nunca hesitou diante de nenhuma nova situação técnica. Atuou sem inibição nos "mass media", gravou discos, lidou com a publicidade e o marketing político (já desde a campanha presidencial de José Américo, em 1937), compôs jingles.

Ou seja: ele mesmo representa e significa essa dialética entre a invenção técnica e a criação popular tradicional. Um sujeito inteiramente à vontade tanto num estúdio de gravação, entre mesas de som, quanto no ambiente colorido das feiras nordestinas.

Natural que o Cais do Sertão tenha ido por esse caminho. Isso estava claro desde a formulação inicial do projeto, quando dizíamos, parafraseando Walter Benjamin, que Gonzaga foi a refundação da "poemúsica sertaneja" na época de sua reprodutibilidade técnica, num Brasil que começava a se modernizar, tomando o rumo urbano-industrial.

No Cais do Sertão o mundo de Luiz Gonzaga se revela. Ali onde as raízes deixam de estar na terra, para se projetarem no ar. Ele é um sertanejo --mas o mundo é o sertão e muito mais.

"Últimos Cangaceiros" será exibido na Uesb

O documentário de Wolney Oliveira, sobre os cangaceiros Moreno e Durvinha, será exibido na mostra de filmes que integra o III Congresso Nacional do Cangaço, na Uesb, no próximo dia 25 de outubro. Confira a sinopse e o trailer do filme abaixo.


Os últimos cangaceiros
Duração: 79 min. Ano: 2011
Produção: Bucanero Filmes.
Sinopse: Durante mais de meio século Durvinha e Moreno esconderam sua verdadeira identidade até dos próprios filhos, que cresceram acreditando que os pais se chamavam Jovina Maria da Conceição e José Antonio Souto, nomes falsos sob os quais haviam reconstruído suas vidas. Durvinha e Moreno fizeram parte do bando de Lampião, o mais controverso líder do cangaço. A verdade só é revelada quando Moreno, então com 95 anos, resolveu dividir com os filhos o peso das lembranças e reencontrar parentes vivos, entre eles seu primeiro filho, deixado aos cuidados de um padre, mais de cinco décadas atrás.


O longa será comentado por Enrique Hernandez.

Programação completa do III Congresso Nacional do Cangaço



CONFERÊNCIAS
Abertura - 22/10/2013  l  Teatro Glauber Rocha l  20:00h
“Se vier, que venha armado: cangaceirismo e masculinidade como definidoras das identidades sertaneja e nordestina”
Dr. Durval Muniz de Albuquerque Júnior
Doutor em História (Unicamp)
Professor do Departamento de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)
Lançamento de livro - Nordestino: invenção do 'falo': uma história do gênero masculino/1920-1940 (2ª ed., São Paulo, Intermeios, 2013).

Encerramento - 25/10/2013  l  Teatro Glauber Rocha l  20:00h
“O cangaço nas batalhas da memória”
Dr. Antônio Fernando de Araújo Sá
Doutor em História (UnB)
Professor do Departamento de História da Universidade Federal de Sergipe (UFS)
Lançamento de livro - O cangaço nas batalhas da memória (Recife, Editora da UFPE, 2011).

MESAS-REDONDAS
As mesas-redondas serão realizadas, na UESB, no período noturno e matutino.

MR 1 – História e historiografia do cangaço
23 (quarta) l Auditório 1 - Módulo Luizão l 19:00h
Coordenação: Prof. Ms. Jairo Nascimento (UNEB/Campus VI)
Prof. Ms. Marcílio Lima Falcão (SBEC/UERN)
Prof. Esp. Carlos Tadeu Botelho (UESB)
Prof. Manoel Neto (UNEB/CEEC)

MR 2 – Sertões e sertanejos na Bahia: poder e conflitos
23 (quarta) l Auditório 2 - Módulo Luizão l 19:00h
Coordenação: Prof. Dr. Argemiro Ribeiro de S.Filho (FAINOR)
Prof. Dr. Gilmário Moreira Brito (UEFS)
Prof. Dr. Erivaldo Fagundes Neves (UEFS)
MR 3 – Escravidão nos sertões baianos

24 (quinta) l Auditório 1 - Módulo Luizão l 19:00h
Coordenação: Prof. Dr. José Alves Dias (UESB)
Profa. Dra. Elisangela Oliveira Ferreira (UNEB)
Profa. Dra. Kátia Lorena Novais Almeida (UNEB)

MR 4 – O cangaço no cinema brasileiro
24 (quinta) l Auditório 2 - Módulo Luizão l 19:00h
Coordenação: Prof. Ms. Glauber Brito (UESB)
Profa. Ms. Caroline de Araújo Lima (UNEB)
José Umberto Dias (CineastaSalvador-BA)

MR 5 – Religiosidades sertanejas
25 (sexta) l Auditório 1 - Módulo Luizão l 9:00h
Coordenação: Prof. Ms. João Reis (UNEB/Campus VI)
Prof. Dr. Itamar Pereira de Aguiar (UESB)
Prof. Ms. Leandro Aquino Wanderlei (UFPE)
Prof. Dr. Lemuel Rodrigues (UERN/SBEC)

MR 6: Ensino de História: saberes e práticas
25 (sexta) l Auditório 2 - Módulo Luizão l 9:00h
Coordenação: Prof.ª Dra. Iracema Oliveira Lima (UESB)
Antônio Klevisson Viana (Poeta, Cordelista/SBEC)
Prof.ª Dra. Iracema Oliveira Lima (UESB)
Prof. Ms. Valter Guimarães Soares (UEFS)

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
Os simpósios temáticos acontecerão no período vespertino, das 13:30h às 16:30h, entre os dias 23, 24 e 25 de outubro.
ST 1 – CULTURA E REPRESENTAÇÕES NO SERTÃO NORDESTINO: MEMÓRIA, IDENTIDADES E RESSIGNIFICAÇÕES
José Ferreira Júnior    |    Local: Auditório do CAP
ST 2 – CONTOS, CANÇÕES E CENAS: O CANGAÇO EM IMAGENS, LETRAS E SONS
Caroline de Araújo Lima    |    Local: Sala 1 do CAP
ST 3 - LINGUAGENS E NOVAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO EM HISTÓRIA: DOMÍNIOS, ABORDAGENS, ENSINO E PESQUISA
Eduardo de Lima Leite, Jairo Carvalho do Nascimento e Maria Sigmar Coutinho Passos    |    Local: Sala 2 do CAP
ST 4 – NACIONALISMO E MODERNIZAÇÃO NO DEBATE INTELECTUAL, CIENTÍFICO E LITERÁRIO NA PRIMEIRA REPÚBLICA
Renailda Ferreira Cazumbá eWilson da Silva Santos    |    Local: Sala Biofábrica – Módulo de Medicina
ST 5 – MEMÓRIA, IDENTIDADE E PATRIMÔNIO
Aline de Caldas Costa dos Santos e Gisane Souza Santana    |    Local: Auditório 1 – Módulo Luizão
ST 6 – ESTUDOS EM HISTÓRIA CULTURAL: OBJETOS, PROBLEMAS E ABORDAGENS
Cleide de Lima Chaves e Márcia Santos Lemos    |    Local: Salão do Júri (Auditório)
ST 7 – VIOLÊNCIA, BANDITISMO E DISPUTAS POLÍTICAS NOS SERTÕES DO NORDESTE, SÉCULOS XIX E XX
Lina Maria Brandão de Aras e Rafael Sancho Carvalho da Silva    |    Local: Sala 3 – Módulo 1
ST 8 – ESCRITAS DE LUGARES: HISTÓRIA E LITERATURA, PAISAGENS E SENSIBILIDADES
Clóvis F. R. M. Oliveira e Valter Guimarães Soares    |    Local: Sala 4 – Módulo 1
ST 9 – RASTOS, RESTOS E ROSTOS: HISTÓRIA, LITERATURA, CINEMA E OUTRAS ARTES NA INVENÇÃO DOS SERTÕES
Alex dos Santos Guimarães e Joslan Santos Sampaio    |    Local: Sala 5 – Módulo 1
ST 10 – MOVIMENTOS SOCIAIS: RELIGIÃO E RELIGIOSIDADE
Lemuel Rodrigues da Silva e Marcílio Lima Falcão    |    Local: Sala 10 – Módulo 2

MINICURSOS
Os minicursos acontecerão no período matutino, das 8:00h às 12:00h, na UESB, entre os dias 23 e 24 de outubro.
MC 1 – A APROPRIAÇÃO E MERCADORIZAÇÃO DA MEMÓRIA LAMPIÔNICA NA CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DE SERRA TALHADA – PE
José Ferreira Júnior    |    Local: Auditório do CAP
MC 2 – RELIGIOSIDADE E CONFLITO NO SERTÃO CONSELHEIRISTA: A PERSEGUIÇÃO DO CLERO DA BAHIA A ANTÔNIO CONSELHEIRO E CANUDOS (1874-1897)
Leandro Aquino Wanderlei    |    Local: Sala 1 do CAP
MC 3 – O CICLO DO CANGAÇO NO MUNDO IMAGINÁRIO DA LITERATURA DE CORDEL
José Paulo Ferreira de Moura    |   Local: Sala 2 do CAP
4. O CANGAÇO E AS VIAGENS PELA LITERATURA, MÚSICA E IMAGEM
Rubervânio da Cruz Lima    |    Local: Salão do Júri
5. UMA IDENTIDADE SERTANEJA?
Danilo Uzêda da Cruz    |    Local: Sala Biofábrica – Módulo de Medicina
6. ANÉSIA CAUAÇU: PIONEIRA NA PARTICIPAÇÃO “FEMININA” NO CANGAÇO
Domingos Ailton Ribeiro de Carvalho    |    Local: Auditório 1 – Módulo Luizão
7. MULHERES NEGRAS: PRÁTICAS CULTURAIS E MILITÂNCIA EM COMUNIDADES TRADICIONAIS DO ALTO SERTÃO BAIANO
Karla Dias de Lima e Leila Maria Prates Teixeira   |   Local: Auditório 2 – Módulo Luizão
8. O CANGAÇO COMO FENÔMENO SOCIAL
Josué Damasceno Pereira    |    Local: Sala 6 - Módulo 4
9. VEREDAS DO GRANDE SERTÃO: CRENÇA, AMOR E VIOLÊNCIA NO IMAGINÁRIO DO SERTÃO DE JOÃO GUIMARÃES ROSA
Halysson F. Dias Santos e Heurisgleides Sousa Teixeira    |    Local: Sala 7 - Módulo 4
10. REVIRAMUNDO – O PROCESSO DE CRIAÇÃO DE UM ENSAIO AUDIOVISUAL A PARTIR DA “ENCICLOPÉDIA AUDIOVISUAL DA CULTURA POPULAR DO SERTÃO”, DE GERALDO SARNO
Felipe Corrêa Bomfim e Glauber Brito Matos Lacerda    |    Local: Sala 8 - Módulo 4

LANÇAMENTO DE LIVROS
Sessão coletiva de lançamento de livros nos dias 23 e 24 (quarta/quinta), às 17:00h, no foyer do Teatro Glauber Rocha. Ver informações no site do evento.

ASSEMBLEIA DA SBEC
A assembleia da SBEC acontecerá às 17:00h no Auditório 1, Módulo Luizão.

MOSTRA DE FILMES
As sessões de cinema serão realizadas no Teatro Glauber Rocha. Horário das sessões: curtas-metragens, das 15:00h às 16:00h; e longas-metragens, das 16:00h às 18:30h.

Curtas:
Sessão 1 – 23 de outubro (quarta) l 15:00h
“Jeovah – Ensejos da Gamela“
Direção: Luíza Audaz; Ano: 2013; Duração: 6 minutos

Sessão 2 – 24 de outubro (quinta) l 15:00h
Pau de atiradeira
Ano: 2013; Direção: André Rocha, Cristina Cruz, Flávia Queiroz, Grazy, Isadora Alcântara, Maíra Dias, Mariana Rosário, Thássila Marina; Duração: 09:49 min

Sessão 3 – 25 de outubro (sexta) l 15:00h
"O homem que cantou as aves do sertão"
Direção: Patrícia Moreira; Ano:2012; Duração: 12 minutos

Filmes e Palestras – Sessões com longas-metragens
Sessão 1 – 23 de outubro (quarta) l 16:00h
Feminino cangaço
Direção: Manoel Neto e Lucas Viana; Gênero: Documentário; Duração: 75 min.; Ano: 2013

Sessão 2 – 24 de outubro (quinta) l 16:00h
Cantos e falas de Uauá
Direção: Roberto Dantas; Gênero: Documentário; Duração: 60 min.; Ano: 2012

Sessão 3 – 25 de outubro (sexta) l 16:00h
Os últimos cangaceiros
Direção: Wolney Oliveira; Gênero: Documentário; Duração: 79 min.; Ano: 2011

EXPOSIÇÕES
As exposições, que representam o universo cultural da arte popular nordestina, estarão localizadas no Foyer do Teatro Glauber Rocha. Autores: Romeu Ferreira, Aurélio Fred e Lú Mota.

SHOWS MUSICAIS
Acontecerão na Quadra da UESB (ao lado do Ginásio), a partir das 22h. Atrações:
22 (terça) – Alisson Menezes / Cantor, músico e compositor (Música Regional e MPB).
23 (quarta) – Ladrões de Vinil / Banda de Rock;
24 (quinta) – SODI / Banda de Reggae;
25 (sexta) – Andrade de Sertânia / Grupo de Forró.

Agenda da semana



segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Leandro Gomes de Barros para download


Antonio Silvino: o rei dos cangaceiros, A História da Donzela Teodora, A História do Cachorro Morto, O Valor da Mulher e outros títulos de Leandro Gomes de Barros estão disponíveis para download no portal Domínio Público.

Leandro foi pioneiro na produção literária de cordel no Brasil. Paraibano de Pombal, Leandro Gomes de Barros escreveu mais de 600 títulos, das quais foram tiradas mais de 10 mil edições. Chegou a ter sua gráfica própria e sua obra continuou sendo editada pela família mesmo após sua morte. É considerado, por muitos, o maior poeta brasileiro, admirado por escritores e poetas famosos como Carlos Drummond de Andrade e Ariano Suassuna.

Clique no link para acessar:
http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=1987

Morte e Vida Severina em desenho animado

Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartuinista Miguel Falcão (arte) e Afonso Serpa (direção). Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.

Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor.

O Massacre de Angico: a morte de Lampião

Magnífico espetáculo ao ar livre, escrito por Anildomá Willans e dirigido por José Pimentel. Retrata os últimos momentos de Virgolino Ferreira, Lampião e consequentemente o fim do próprio cangaço. Uma mega produção encenada na terra natal de Lampião, Serra Talhada - PE. Realizado entre os dias 25 e 29 de julho de 2012. (C) Fundação Cultural Cabras de Lampião. Direção de vídeo: Camilo Melo.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Morre Candeeiro, último cangaceiro de Lampião


Morreu nesta quarta-feira o último cangaceiro do bando de Lampião, Manoel Dantas Loiola, de 97 anos, mais conhecido como Candeeiro. Ele faleceu na madrugada de hoje no Hospital Memorial de Arcoverde onde estava internado desde a semana passada, após sofrer um derrame. O sepultamento está marcado para as 16h, no cemitério da cidade de Buíque.

Pernambucano de Buíque (a 258 quilômetros do Recife), Manoel ingressou no bando de Lampião em 1937, mas afirmava que foi por acidente. Trabalhava em uma fazenda em Alagoas quando um grupo de homens ligados ao famoso bandido chegou ao local. Pouco tempo depois, a propriedade ficou cercada por uma volante e ele preferiu seguir com os bandidos para não ser morto.

No final da vida, atuava como comerciante aposentado na vila São Domingos, distrito de sua cidade natal. Atendia pelo nome de batismo, Manoel Dantas Loyola, ou por outro apelido: seu Né. No primeiro combate com os "macacos", quando era chamado de Candeeiro, foi ferido na coxa. O buraco de bala foi fechado com farinha peneirada e pimenta.

Teve o primeiro encontro com o chefe na beira do Rio São Francisco, no lado sergipano. "Lampião não gostava de estar no meio dos cangaceiros, ficava isolado. E ele já sabia que estava baleado. Quando soube que eu era de Buíque, comentou: 'sua cidade me deu um homem valente, Jararaca'".

Candeeiro dizia que, nos quase dois anos que ficou no bando, tinha a função de entregar as cartas escritas por Lampião exigindo dinheiro de grandes fazendeiros e comerciantes. Sempre retornava com o pedido atendido. Ele destacou, em entrevista ao Diário, que teve acesso direto ao chefe, chegando a despertar ciúme de Maria Bonita.

Em Angicos, local que Lampião foi morto, comentou que o local não era seguro. Lampião, segundo ele, reuniria os grupos para comunicar que deixaria o cangaço. Estava cansado e preocupado com o fato de que as volantes se deslocavam mais rápido, por causa das estradas, e tinham armamento pesado.

No dia do ataque, já estava acordado e se preparava para urinar quando começou o tiroteio. "Desci atirando, foi bala como o diabo". Mesmo ferido no braço direito, conseguiu escapar do cerco. Dias depois, com a promessa de ser não ser morto, entregou-se em Jeremoabo, na Bahia, com o braço na tipóia. Com ele, mais 16 cangaceiros. Cumprindo dois anos na prisão, o Candeeiro dava novamente lugar ao cidadão Manoel Dantas Loyola. Sobre a época do cangaço, costumava dizer que foi "história de sofrimento".

(Do Diário de Pernambuco)

Cordel e cantoria numa ópera do sertão

Arte de Juraci Dórea
30 anos depois de ter sido gravado em disco na sala de visitas da Casa dos Carneiros, o Auto da Catingueira, volta ao mesmo lugar, desta vez no Teatro Domus Operae, para encenação operística. Vitória da Conquista marca a estréia estadual e é a primeira cidade no Brasil a receber o espetáculo após o lançamento nacional em 2011, em Belo Horizonte.

O Auto da Catingueira é uma ópera em cordel completamente diferenciada da ópera clássica européia. Conta história de uma moça muito bonita que vivia a pastorar cabras pelos ermos da caatinga, em tempos mui pretéritos – não se sabe quando. Videntes e cegos cantadores de feira diziam que esta beleza lhe traria um fim precoce e terrivelmente trágico. Quando já “arranchada” com o tropeiro Chico das Chagas que conhecera numa véspera de São João, vão à uma festa onde e quando a tragédia vai se dar cumprindo a agoureira sentença do oráculo das feiras.

Participam dessa montagem os cantadores Miltinho Edilberto, Pereira da Viola, Saulo Laranjeira, Alysson Menezes e a cantora lírica Luciana Monteiro, ao lado dos músicos João Omar, maestro responsável pela direção musical, Marcelo Bernardes e Ocello Mendonça. O espetáculo conta ainda com a participação do próprio Elomar, que também assina a direção geral, o figurino e o partido cênico, executado pelos artistas plásticos Juraci Dórea e Chico Liberato, inspirados pela literatura de cordel e as xilogravuras.

SERVIÇO
AUTO DA CATINGUEIRA
Dia 27 de julho de 2013, às 21 horas
Local: Teatro Domus Operae, Fundação Casa dos Carneiros
Povoado da Gameleira, Distrito do Iguá (a 20 km de Vitória da Conquista); acesso via rodovia BA-269 (saída para Anagé).
Ingressos: R$ 70*
Vendas: Loja Littium (Av. Olívia Flores – ao lado do Supermercado Rondelli) e nas Livrarias Nobel (Shopping Conquista Sul e Av. Otávio Santos)
*Meia-entrada para estudantes e pessoas acima de 60 anos

Mais informações
http://casadoscarneiros.org.br/autodacatingueira

Valeu, Seu Domingos!


O povo nordestino sentirá sua falta, mas quando a saudade bater sua música vai tocar mais forte por aqui. Descanse em paz.

terça-feira, 16 de julho de 2013

Yamandu Costa e Dominguinhos

Gravado pela TV Cultura em 2007, o encontro da dupla Yamandu e Dominguinhos no Auditório do Ibirapuera em SP.

90 anos do romance do Pavão Misterioso


2013 marca os 90 anos do maior êxito da literatura de cordel brasileira: o Romance do Pavão Misterioso, de autoria de José de Camelo de Melo Resende. A data passaria em branco não fosse o empenho do pesquisador e apologista José Paulo Ribeiro, de Guarabira (PB), e do professor e historiador Vicente Barbosa, idealizador da 1ª Exposição de Cordel de Guarabira. Este texto conta um pouco dessa história começada pelos idos de 1923 (Marco Haurélio). 

Por Vicente Barbosa (Portal Vermelho)

Preservar e divulgar as riquezas das tradições populares configura-se em um sentimento que deve ser exaltado por cada povo, como forma de garantir a sobrevivência e a plenitude de sua própria identidade. O Nordeste brasileiro é destaque quando se trata do tema Cultura Popular e suas diversas formas de manifestações, dentre elas destacamos a Literatura de Cordel.

Essa forma de narrativa oriunda da Península Ibérica, que aqui chegou pelas mãos dos colonizadores portugueses, ganhou alma e corporificou-se através dos Folhetos de Cordel, que, viajando de mão em mão, espalhou-se por toda Região Nordeste levando em seu conteúdo os mais variados e múltiplos temas como: o amor, o ódio, a vingança, a tragédia, a religiosidade, o cangaço, as crenças e seus mistérios.

Dentre todos os Cordéis até hoje impressos, um deles teve destaque, e tornou-se um grande best-seller do gênero. Trata-se do Romance do Pavão Misterioso, obra do cordelista guarabirense José Camelo de Melo Rezende (1885-1964) que ganhou fama no Brasil e no mundo. O Romance do Pavão Misterioso já foi adaptado para o teatro, cinema, literatura, música e televisão, com seu texto simples, aliado à fluência dos versos e às referências aos contos das Mil e Uma Noites alcançou a espantosa tiragem de mais de dez milhões de cópias, vendidas em todo o País.

Neste ano de 2013 a obra completa exatos 90 anos desde a sua primeira edição, datada de 1923. Aproveitando o ensejo e reconhecendo a importância histórica da data, o Serviço Social do Comércio - SESC, na Paraíba, presta uma justa homenagem através da realização da 1ª Exposição de Cordel de Guarabira, uma vez que esta cidade detém o orgulho de ser berço de nascimento do ator e da obra.
Parabéns ao Pavão Misterioso, glória e honra de nossa Literatura popular.

Versão em quadrinhos desenhados por Sérgio Lima.
Para celebrar a data, o poeta Paulo Gracino, natural de Guarabira, escreveu o poema 90 anos de encantos de um Pavão Misterioso, do qual reproduzo as primeiras estrofes (Marco Haurélio):

Quem é que nunca ouviu
Um dia alguém contar
A história de um pavão,
Que começou a voar
Há mais de noventa anos
E que nem pensa em parar.

Ele é misterioso,
Mas nunca foi encantado.
Passeou no mundo todo
E sempre foi bem lembrado,
Por tudo que fez e faz
E por onde tem passado.

Ele é o grande astro
De um romance acontecido.
Um romance de verdade,
Daqueles bem aguerrido,
Que já tem quase cem anos,
E jamais foi esquecido.

sábado, 6 de julho de 2013

Revolucionários em Cordel

Por Cynara Menezes - no blog Socialista Morena

A tradição da literatura de cordel remonta ao século 15. Foi trazida ao Brasil pelos portugueses e, no Nordeste, acabou virando a mais autêntica forma de literatura sertaneja, com suas capas impressas em xilogravura. À venda nas feiras, nos livrinhos de cordel se encontram praticamente todos os personagens da história do Brasil e do mundo.

Em Vitória da Conquista (BA), achei estes exemplares que contam a vida de alguns revolucionários famosos. Quero compartilhar com vocês imagens e versos desta arte que é a cara do Brasil. Leiam com viola aos ouvidos…

Mário Téran, um sargento
Pra o ato se ofereceu
Félix Rodriguez da CIA
Mais uma ordem lhe deu
E explicou o porquê:
O alvo é o tórax, pra que
Pensem que em luta morreu.

No dia nove de outubro
Do ano sessenta e sete
À uma hora da tarde
Triste fato se repete
Che Guevara assassinado
Seu nome imortalizado
E a notícia era manchete.

---

A denúncia de Miranda
Secretário do partido
Deixava Getúlio Vargas
Desde então mais decidido
Mostrar que era ruim
Mandou Olga pra Berlim
Sem nem Hitler ter pedido.

A ação de Getúlio Vargas
Foi uma barbaridade
Pois entregou Olga ao Reich
Sem nenhuma piedade
Por “Pai dos Pobres” tratado
Mas merece ser chamado
Malfeitor da humanidade.
---

Zapata inda era um menino
Quando um fato aconteceu.
Ele viu o pai chorando
Pelas terras que perdeu.
Então aquela criança
Comovida prometeu:

– Papai eu juro ao senhor
Quando crescer vou lutar.
Vou defender nossa terra,
Nossa casa, nosso lar.
As palavras que o menino
Disse, o homem soube honrar.


---

Quando Jácome atacou
Naquela segunda vez
Um guerreiro inda menino
Imensa proeza fez:
Destroçou a expedição
Com coragem e altivez.

O menino era Zumbi
Com seus dezessete anos,
Por ser muito inteligente
Sabia traçar seus planos
Para assim se defender
Dos massacres desumanos.


---

Na cidade Xapuri
O seu berço natural
No ano de oitenta e oito
Antevéspera de Natal
O vinte e dois de dezembro
Foi o seu dia final.

Um pistoleiro maldito
Com sua mão assassina
E tamanha violência
Que o leitor não imagina
Disparou em Chico uma
Rajada de carabina.

Ao lado de esposa e filhos
Tombou sem vida no chão
Como quem dizia adeus
Flora do meu coração
Meu sangue se espalha em ti
Pra total libertação.

Publicado em 1 de julho de 2013

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Vila Junina: Casa do Cordel celebra cultura popular


A cultura popular nordestina é grande estrela do Forró Pé de Serra do Periperi. Para celebrá-la, a Prefeitura Municipal de Vitória da Conquista montou na Praça Tancredo Neves uma vila que relembra diversos aspectos da cultura popular. Casinhas de barro, comidas típicas, música e literatura de cordel ajudam a compor a Vila Junina, posicionada estrategicamente em frente ao Memorial do Forró.

A casa do cordel é uma das atrações da vila. No local ficam expostos livretos de poesia, a maior parte, escritos por autores nordestinos, imagens de xilogravura, artesanato, referências ao cangaço e fotos de grandes representantes da cultura nordestina, a exemplo de Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré.

O responsável pela casa, Antônio Andrade, conta aos visitantes curiosidades sobre a arte nordestina. “O cordel floresceu aqui no Nordeste do Brasil. A presença do cordel em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília se deve ao processo migratório de nordestinos, mas é uma produção eminentemente do nordeste. Milhares de pessoas passam por esta casa do cordel, durante os festejos juninos”, conta.

Presente no Forró Pé de Serra do Periperi desde a edição de 2009, a Casa do Cordel, organizada pelo professor Antônio Andrade, atrai pessoas de todas as idades. A exposição conta com centenas de títulos da literatura de cordel, alguns escritos há séculos, entre eles estão os folhetos que inspiraram Ariano Suassuna a escrever o Auto da Compadecida, os que homenageiam ícones nordestinos, como Lampião, Padre Cícero e Luiz Gonzaga, e também personagens históricos, como Che Guevara, Zumbi dos Palmares, Tiradentes e Anita Garibaldi.

(Da Secom PMVC)

Andrade entregou à cantora Marina Elali, neta de Zédantas, a segunda edição do jornal Cancão de Fogo que homenageou o avô da cantora e parceiro de Gonzagão

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Livro: Lampião e Lancelote

Em "Lampião e Lancelote" acontece um encontro inusitado: um cavaleiro medieval desafia um cangaceiro do Nordeste. Para o primeiro é uma justa e para o segundo um duelo. Porém, o embate é sobretudo cultural. Nas linguagens do cordel e da novela de cavalaria, Lampião e Lancelote disputam quem faz o melhor repente, cada um com suas referências.

O cavaleiro Lancelote, o melhor da Távola Redonda do Rei Arthur, desafia Lampião, o cangaceiro mais famoso do Nordeste Brasileiro. O autor Fernando Vilela encontrou, no entanto, pontos análogos e relações entre esses mundos, e Bráulio Tavares, autor da adaptação para o teatro, manteve esses elementos na dramaturgia. Os dois heróis retratados neste livro são acompanhados por personagens míticos e históricos como Morgana e Maria Bonita

Os personagens da adaptação teatral
No teatro, a encenação é caprichada e moderna com uma montagem que, além de valorizar a cultura brasileira, encanta tanto pela beleza estética e literária - inspirada nos desenhos e xilogravuras do livro de Fernando -, quanto pela mágica de fábula que tais personagens inspiram. Nesta adaptação para o teatro, a estrutura literária criada pelo autor é mantida tanto nos diálogos como nas letras das músicas, para que a beleza do estilo e a poética de sua proposta sejam mantidas.


As ilustrações de Vilela brincam com os dois universos presentes no livro. Para desenvolver a ambientação medieval, ele buscou como referência as iluminuras medievais. Já para Lampião, a xilogravura popular e as fotografias de época serviram de guia para desenvolver a indumentária e o universo do cangaço. Vilela obteve o dinamismo das ilustrações e seu forte caráter gráfico com o uso de matrizes móveis e independentes, que funcionam como carimbos.


Outro aspecto marcante das imagens é o uso de tons de cobre e prata. O primeiro evoca as balas, anéis, moedas e roupas de Lampião. Já a cor prata lembra a espada e a lança dos cavaleiros.


Editado pela Cosacnaify, o livro é um dos mais premiados do Brasil. Recebeu dois prêmios Jabuti, quatro prêmios FNLIJ e menção Honrosa na feira de Bolonha. O livro mistura os registros literários, mantendo a rima e o improviso do cordel, além do léxico medieval. Nas falas do cangaceiro, Fernando Vilela usou a métrica mais tradicional do cordel, a sextilha heptassilábica, composta de seis versos com sete sílabas poéticas cada.

Já nas falas do cavaleiro, foi empregada a setilha, sete versos de sete sílabas, consagrada nos duelos (de Lampião) escritos por José Costa Leite. Por fim, para a travessia de Lancelote, Vilela apropriou-se dos termos e estrutura de sentenças das novelas de cavalaria. As narrativas épicas da cultura medieval e as sextilhas dos cordelistas do sertão são matrizes que se juntam pra criar uma história em prosa e verso, em carimbo e em xilogravura, mostrando o instante em que dois universos paralelos se cruzam através das figuras de seus maiores heróis.

O livro está a venda nas principais livrarias virtuais a R$ 57 (veja na Saraiva).

Filme: Central do Brasil

Para comemorar o dia do cinema nacional (19 de junho), assista a "Central do Brasil", um longa de Walter Salles, de 1998, com roteiro de Marcos Bernstein e João Emanuel Carneiro. O filme foi inspirado em Alice nas Cidades, de Wim Wenders.

O mal e o sofrimento por Leandro Gomes de Barros

Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Clã Brasil: forró bom que chega!


Analisar o grupo Clã Brasil é fugir da metáfora sem destrancar-nos da poesia. Realidade cristalina, as meninas que formam esse núcleo de sublime construção musical são ao mesmo tempo doces, amorosas e guerreiras. São flores que têm lá seus espinhos guardiões da sua compreensão musical: a defesa inegociável das legítimas tradições estéticas oriundas de mestres como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Antônio Barros, Jacinto Silva, Gordurinha, Elino Julião, entre outros.

Levemos em conta também o fato de que o quarteto fantástico não caiu na pauta musical de pára-quedas. As quatro garotas são estudiosas, freqüentam os bancos acadêmicos e têm plena noção de teoria e prática na arte que escolheram por empunhar como suas espadas de peso justo. Não devemos ouvi-las com mas-mas e nem poréns. Devemo-las sagrar como realidade, conscientes de que é uma realidade que ainda evoluirá bastante, e que, excetuando mudança de ventos, será uma realidade nacional e, quiçá, internacional.

Jovens, sim, jovens. Mas não as tratemos como menininhas prodígios que merecem atenção apenas pela pouca idade. Poucos são os marmanjos que tocam como elas, hoje em dia.

Louvemo-las como grandes artistas desabrochadas e bafejadas pelo plenilúnio criativo. Elas sempre me emocionam. Seja no forró seja no chorinho o Clã Brasil é a fortuna musical que o Nordeste esperava para negar definitivamente as falsas bandas de forró. O diálogo musical aqui está em outro nível, as meninas catam inspiração nas nuvens alvas divinais. Não são mercenárias e nem se deslumbram. A música é Paixão e Sacerdócio para elas. E ninguém mais as represará. Porque, sem a menor dúvida, Deus está tocando com elas. E elas são tocadas por Deus.

Texto de Ricardo Anísio - Crítico musical, poeta e produtor

O mais recente trabalho do grupo é de 2009: Clã Brasil Canta Dominguinhos - confira o show completo no vídeo abaixo.

Conheça o sucesso do Facebook: Bode Gaiato

De Fernanda Guerra - Diario de Pernambuco


A fórmula de sucesso reúne pelo menos três ingredientes: uma imagem tosca, frases entrecortadas e o resgate de diálogos arquivados no imaginário nordestino. A combinação se tornou combustível para a explosão de memes (brincadeiras via web) no Facebook com o poder de reavivar e disseminar traços da cultura oral e dos costumes da região.

As timelines (linhas do tempo) dos usuários da rede social viraram espaço para risadas ao sabor de produções tocadas por uma turma jovem e imbuída do espírito de fazer humor a partir de situações experimentadas por todos, mas, até agora, nunca reunidas e atiradas diariamente diante dos olhos de quem as vive.

Uma das páginas mais conhecidas, a do Bode Gaiato, é um exemplo bem-sucedido. Criada há apenas cinco meses, já superou a marca de 745 mil curtidas - nos últimos 15 dias, ganhou mais de 400 mil seguidores. Os números deslumbram o internauta Breno Melo, de 19 anos, dono do perfil que virou febre e influência para seguidores.

Difícil encontrar um usuário pernambucano da rede social que não conheça ou se reconheça nas ilustrações postadas. Só para refrescar: o bode de Breno se chama Junin e vivencia situações recorrentes da vida de uma criança: uma bronca da mãe ou uma brincadeira de rua são os assuntos mais abordados nas conversas.

Breno nasceu no Recife, cresceu em Taquaritinga do Norte, mora há anos em Caruaru e estuda engenharia elétrica na Universidade Federal de Campina Grande. A visibilidade na web cresceu tanto que o Bode Gaiato ganhou reproduções falsas (fakes, como são chamadas). “Tem uma que já postou imagens com frases pornográficas e palavrão. Isso pode gerar preconceito. Não é a linha do Bode Gaiato”, explica Breno, que já contou 32 imitações.

O humor sem apelo praticado por Breno rendeu-lhe publicidade na página, com fabricação de camisetas, e até um programa em uma rádio do interior. A linha, diz, é defender e espalhar elementos da cultura nordestina, do modo de falar ao cotidiano.

A estratégia tem respaldo. O gaúcho Fernando Fontanella, pesquisador de cultura popular midiática, salienta o perfil agregador do Bode. “A página continua a prática popular de fazer autorreferência. Muitas imagens são sugeridas pelo público. As situações são compartilhadas por várias pessoas de fora do Nordeste. Eu, que não cresci aqui, me vejo em algumas situações”, analisa. No livro Minidicionário de Pernambuquês, o escritor Bertrando Bernardi observa: “A cultura não é uma coisa estática. Com o passar do tempo, vai se modificando. Não tem pacote pronto. É feita do dia a dia”.

Fontanella arremata: “Existe a cultura reconhecida em obras de arte, no folclore, na música… E a cultura do cotidiano. O que é ser nordestino é mais reconhecido nisso do que nas obras de arte”, acredita. “O linguístico não é só o forte. É o mais óbvio. O grande sucesso dele é o levantamento de situações típicas de coisas que causam reconhecimento. É um processo contínuo com o tipo de humor que se faz no cordel”, complementa. A escritora e pesquisadora de cordel Maria Alice Amorim é mais cautelosa. “Acho caricato. A literatura de cordel é associada à utilização de linguagem matuta. É o caso do Bode Gaiato, que se utiliza de regionalismos para fazer rir, mas nada tem do mundo poético dos folhetos de cordel”, ressalta.

Glossário - Da boca do Bode
Pia - Espia, observa
Avia - Anda logo
Óia - Olha
Visse - Viu
Armaria - Ave Maria
Crendôspai - Creio em Deus pai
Mar minino - Mas menino
Vigemaria - Virgem Maria
Mulesta - Moléstia (doença, peste ruim)
Pantim - Frescura
Nãm - Não, recusa

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Por que Santo Antonio é considerado santo casamenteiro?


Reza a lenda que, certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem – ajoelhada aos pés da imagem de Santo Antônio – pediu com fé a ajuda do Santo que, milagrosamente, lhe entregou um bilhete e disse para procurar um determinado comerciante. O bilhete dizia que o comerciante desse à moça moedas de prata equivalentes ao peso do papel. Obviamente, o homem não se importou, achando que o peso daquele bilhete era insignificante. Mas, para sua surpresa, foram necessários 400 escudos da prata para que a balança atingisse o equilíbrio. Nesse momento, o comerciante se lembrou que outrora havia prometido 400 escudos de prata ao Santo, e nunca havia cumprido a promessa. Santo Antônio viera fazer a cobrança daquele modo maravilhoso. A jovem moça pôde, assim, casar-se de acordo com o costume da época e, a partir daí, Santo Antônio recebeu – entre outras atribuições – a de “O Santo Casamenteiro”.

Outra história que envolve a fama de Santo Antônio é a de que uma moça muito bonita, que havia perdido as esperanças de arranjar um marido, apegou-se a Santo Antônio. Dizem que a mulher adquiriu uma imagem do santo e colocou-a em um pequeno oratório. Todos os dias, a jovem colhia flores e as oferecia a Santo Antônio sempre pedindo que este lhe trouxesse um marido.

Mas, passaram-se semanas, meses, anos… e nada do noivo aparecer.

Então, tomada pelo desgosto e pela ingratidão do santo, ela atira a imagem pela janela. Neste exato momento, passava um jovem cavalheiro que é atingido pela imagem do Santo. Ele apanha a imagem e vai entregar à jovem, que se apaixona por ele e atribui a sua chegada a fé por Santo Antônio.

A partir daí, as moças solteiras que querem casar começaram a fazer orações pedindo ajuda ao santo e cultuando sua imagem. Entre as simpatias mais populares, acredita-se que as jovens devem comprar uma pequena imagem do Santo e tirar o Menino Jesus do colo, dizendo que só o devolverá quando conseguir encontrar o amor, ou ainda, virar o Santo Antônio de cabeça para baixo.  

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Lampião no mundo das celebridades

Por Ancelmo Gois*

Octavio Iani (1926/2004), considerado um dos fundadores da sociologia no Brasil, tem um belo estudo sobre tipos e mitos do pensamento brasileiro. Para ele, o Brasil pode ser visto ainda como um país, uma sociedade nacional, uma nação ou um Estado-não nação em busca de um conceito. É neste processo de buscar uma cara que florescem as figuras e as figurações, os mitos e as mitificações de "Lampião", "Padre Cícero", "Antonio Conselheiro", "Tiradentes", "Zumbi" e outros, reais e imaginários.

No caso de Tiradentes, nosso herói maior, a propaganda republicana, na ausência de um retrato feito por alguém que realmente o tivesse conhecido pessoalmente, o pintou como Cristo. Aquelas barbas podem ser pura imaginação do retratista, já que naquela época, como em alguns lugares hoje, preso não podia deixar crescer barba ou cabelo por causa dos piolhos.

Com Lampião, o processo de mitificação  é interminável. Afinal, ele é  filho famoso de uma terra de cantadores de feira e de cordelistas, onde a imaginação, e não só talento, também corre solta. Tanto que nas últimas décadas  muitos tentaram promover a transposição da imagem de Lampião de "facínora"  para uma espécie de versão tupiniquim do "Bandido Giuliano", o fora da lei que virou  herói siciliano na primeira metade do  século XX e que foi retrato nas telas no clássico de  Francesco Rosi.

Acho ainda que Lampião, como ocorre com muitos outros personagens da nossa história, está sendo redescoberto pela ótica do culto da invasão da privacidade, uma das marcas dos tempos atuais. Em suas covas, mesmo enterrados  há 50, 100, 200 anos, eles não conseguiram escapar de um mundo que se transformou numa  Big Brother. Viraram "Celebridades", e portanto sujeitos a bisbilhotices, ou fofocas mesmo, sobre seus afetos, romances e até opção sexual. Talvez seja por isso que surgem agora  questionamentos sobre a sexualidade de "Zumbi" e mais recentemente de "Lampião" com o livro LAMPIÃO O MATA SETE.

No livro opositor, LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE, o autor Archimedes Marques procura desmontar, pedra por pedra, o mito do Lampião gay. Vale a pena conferir.

*Colunista do Jornal O GLOBO

Nota: para adquirir o livro LAMPIÃO CONTRA O MATA SETE basta entrar em contato com o escritor através do e-mail: archimedes-marques@bol.com.br

Cordel "Coco-Verde e Melancia"

Para o dia dos namorados, o romance de José Camelo de Melo Resende: "As grandes Aventuras de Armando e Rosa ou O Coco Verde e a Melancia"


Coco-Verde e Melancia
é uma história que alguém
quer sabê-la mas não sabe
o começo de onde vem
nem sabe os anos que faz
pois passam trinta de cem

Coco-Verde era filho
de Constantino Amaral
morador no Rio Grande
mas fora da capital
pois sua casa distava
meia légua de Natal

Porém seu nome era Armando
como o povo o conhecia
mas a namorada dele
essa tal de Melancia
a ele por Coco-Verde
chamava e ninguém sabia

Então dessa Melancia
Rosa era o nome dela
porém Armando em criança
se apaixonando por ela
para poder namora-la
pôs esse apelido nela

Portanto, seu nome é Rosa
seu pai Tiago Agostinho
de origem portuguesa
do pai de Armando vizinho
seus sítios eram defronte
divididos num caminho

Quando Rosa fez seis anos
e Armando a mesma idade
os pais de ambos trouxeram
um professor da cidade
para instruir as crianças
daquela localidade

Fizeram logo uma casa
sobre um alto, nela então
Rosa e Armando começaram
a receber instrução
junto com outros meninos
uns vizinhos outros não

Nessa escola começou
Armando a namorar Rosa
pois ela além de ser rica
era bastante formosa
inteligente e cortez
muito séria e carinhosa

Rosa tinha por Armando
uma grande simpatia
de forma que quando o mestre
dava nele ela sentia
o mesmo fazia Armando
quando ela padecia

Ao completarem dez anos
tanto Rosa como Armando
em lousas um para a outro
viviam se carteando
mas disfarçando que estavam
nota de carta apostando

Depois Armando temendo
que o mestre os descobria
figindo que amava as frutas
e nas notas que fazia
tomou como namorada
a chamada Melancia

Rosa também pelas frutas
fingiu amor desmedido
e tomou o Coco-verde
já para seu pretendido
porém o "Coco" era Armando
ele estava prevenido

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Faroeste Caboclo: um cordel urbano

(...)
Agora o Santo Cristo era bandido
Destemido e temido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia
Capitão ou traficante, playboy ou general

Foi quando conheceu uma menina
E de todos os seus pecados ele se arrependeu
Maria Lúcia era uma menina linda
E o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
(...)

A saga de João de Santo Cristo bebe na fonte da literatura de cordel. Faroeste Caboclo tem, como disse Dado Villa-Lobos, uma certa “base de cordel”. Muito mais do que a estrutura narrativa, de linearidade, a canção traz outros elementos desse gênero de poesia popular. Todo o cordel traz em sua composição aspectos políticos, religiosos ou criminosos. Santo Cristo representa uma convergência desses três elementos.

E é esse componente de marginalidade que encontra mais eco em Faroeste Caboclo: assim como nas epopéias do sertão, onde o cangaceiro era visto como um salvador dos desvalidos, o personagem da canção era um anti-herói, mas também um bandido santo (o povo declarava que João de Santo Cristo era santo…).

E o protagonista traz consigo mais do que os elementos básicos do cordel – ele carrega o DNA dos personagens cordelistas: é um sertanejo, que é, antes de tudo, um forte – com disse Euclides da Cunha. É um retirante, que é, sem dúvida, um corajoso. E tem a sua própria epopéia de amor e ódio, de céu e inferno, de vida e morte.

A literatura de cordel é poesia, em toda a sua força e beleza. Faroeste Caboclo é rock and roll, na veia. Mas também é poesia. E das boas! (Por Gustavo Lopes, publicado no site oficial do filme)

Leia "Faroeste caboclo: literatura, cordel e rock and roll", uma tese de mestrado de Carlos Rogério Duarte Barreiros.

"Faroeste Caboclo" é uma canção do grupo brasileiro Legião Urbana, composta pelo líder da banda, Renato Russo, em 1979. Ela só foi lançada oficialmente em 1987, no álbum Que País É Este. A música, de mais de nove minutos, virou filme neste ano de 2013, que atualmente está em cartaz pelos cinemas de todo o Brasil. Abaixo, um registro da banda cantando a música.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Zé Ramalho e Alceu Valença fazem show em Conquista em junho


Zé Ramalho se apresenta na Arena Miraflores dia 7 de junho. Ingressos: R$ 30 e R$ 60.


Alceu Valença se apresenta no primeiro dia do Forró Pé de Serra do Periperi, 19 de junho, na Praça Barão do Rio Branco (evento gratuito).

Saulo Laranjeira interpreta Viola Quebrada, de Camillo de Jesus Lima



Som Brasil, 1988

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Obras da série Guerra dos Tronos ganham capas inspiradas em literatura de cordel



Já imaginou misturar as obras de fantasia de George R. R. Martin com a clássica literatura de cordel do nordeste brasileiro? Bom, se você realmente imaginou isso, provavelmente você éTenement Funster, o designer brasileiro por trás desse trabalho super criativo e bacana de ilustração. Utilizando uma técnica inspirada na xilogravura, Funster adaptou as cinco capas dos livros já publicados da série Guerra dos Tronos. Dá até vontade de ver essas imagens em edições de verdade dos livros, né?

Para ampliar as imagens e ver mais detalhes, clique nos links abaixo:

“A Guerra dos Tronos”

“A Fúria dos Reis”

“A Tormenta de Espadas”

“O Festim dos Corvos”

“A Dança dos Dragões”

(Da SuperInteressante)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Cancão de Fogo: o jornal de poesias de Conquista


Aproveitando a passagem do escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna pela cidade, será lançado neste dia 10 de maio, em Vitória da Conquista, o jornal Cancão de Fogo, um impresso dedicado integralmente à poesia. A distribuição irá acontecer a partir das 15 horas, antes do início da aula-espetáculo de Ariano, no Centro de Convenções Divaldo Franco, que marca a abertura do Festival da Juventude.

Inspirado no jornal pernambucano "Cabeça de Rato", de Sertânia, o Cancão de Fogo foi idealizado pelo professor da Uesb Antonio Andrade Leal e pelo jornalista Ailton Fernandes (parceiros do blog de cultura popular Luz de Fifó), o periódico busca valorizar, principalmente, os versos da literatura popular nordestina, dos cordéis à poesia matuta, mas também será espaço para outras linguagens poéticas, além de publicar escritores da nossa cidade, conhecidos ou não.

A primeira edição do jornal faz uma homenagem ao maior poeta brasileiro, Leandro Gomes de Barros, um paraibano (quase) desconhecido, "esquecido" pelos livros de literatura, que escreveu mais de mil poesias, publicou cerca de 600 folhetos de cordéis e é celebrado por escritores como Carlos Drumond de Andrade e o próprio Ariano, que se inspirou em duas obras dele para escrever "O Auto da Compadecida". Ariano também é homenageado pelo jornal nas duas páginas centrais.

Além das homenagens, a edição traz versos de Zé Limeira, Jessier Quirino, Manuel Camilo dos Santos, João Ferreira de Lima, entre outros. Nas páginas dedicadas aos poetas da nossa terra estão versos de Guilherme Menezes, Tuíca, Paulo Pires e Morgana Gomes.

NOME - O nome Cancão de Fogo é uma referência ao próprio Leandro Gomes de Barros, que criou este personagem em um dos clássicos da literatura de cordel; ao pássaro cantador da caatinga nordestina - cancão; e ao poeta pernambucano João Batista de Siqueira, que era chamado de Cancão.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Fé e tradição reúnem vaqueiros na Bahia


Tradição na cidade do interior baiano, localizada a 630 km de Salvador, a Missa do Vaqueiro de Lagoa Real de 2013 acontece no primeiro domingo de junho, 2, às 9 horas. Antes acontecerá o desfile dos vaqueiros encourados.

Em sua 23ª edição, a festa atrai visitantes de toda a Bahia e também de outros estados. Além da missa, acontecem nos dias 31 de maio, 1º e 2 de junho, vaquejada e shows musicais, no Parque do Vaqueiro. Este ano, Milionário e José Rico e Cangaia de Jegue são algumas das atrações.

No espaço, ocorrem ainda apresentações de viola, sanfona, repentes e a Vila Cultural, onde serão instaladas barracas com artesanato regional, fabricação de cachaça, rapadura, farinha de mandioca, entre outras.

Missa do Vaqueiro - A Missa do Vaqueiro originou-se da história de Raimundo Jacó (primo do cantor Luiz Gonzaga), um vaqueiro famoso do município de Serrita, no estado de Pernambuco, quando o mesmo foi traído e assassinado por um rival na madrugada de 8 de julho de 1954. Desde então, familiares e amigos passaram a considerá-lo como herói e começaram a celebrar a “Missa do Vaqueiro”, no local onde foi enterrado.