quarta-feira, 25 de julho de 2012

Luiz Gonzaga em Paulo Afonso: Uma homenagem aos 100 anos do Rei do Baião




CENTENÁRIO DE LUIZ GONZAGA
PROGRAMAÇÃO
LOCAL: CENTRO DE CULTURA LINDINALVA CABRAL- PAULO AFONSO  BAHIA
27/07/2012  -   19H30 AS 21 HORAS – ABERTURA
SOLENIDADE DE ABERTURA COM AUTORIDADES
·        HINO DE PAULO AFONSO – CORAL CHESF
·        DESCERRAMENTO DA PLACA GONZAGÃO
·        LANÇAMENTO DO LIVRO DO ESCRITOR  JOÃO DE SOUSA LIMA
·        ABERTURA EXPOSIÇÃO SOBRE LUIZ GONZAGA
28/07/2012  – 19 HORAS ÀS 22 HORAS
·               ORQUESTRA  DE IBÓ – DISTRITO DE ABARÉ –BA
            SOB A BATUTA DO MAESTRO CHEINO
·            PALESTRA COM O PESQUISADOR WILSON SERAINE ( com abertura do artista Dílson Tavares)
·           LANÇAMENTO DO SELO 100 ANOS DE LUIZ GONZAGA
 29/07/2012  – 19 HORAS ÀS 22 HORAS
·               LUIZ GONZAGA E A VALORIZAÇÃO DA CULTURA NORDESTINA 
CONVIDADOS:( ALPA-ACADEMIA DE LETRAS DE PAULO AFONSO / GMPA- GRUPO MULTICULTURAL DE PAULO AFONSO/ IGH- INSTITUTO GEOGRÁFICO E HISTÓRICO DE PAULO AFONSO).
·               MOSTRA DE CINEMA COM O FILME: LUIZ GONZAGA EM PAULO AFONSO.
30/07/2012 –  10H  AS  21 HORAS
·               EXPOSIÇÃO  ABERTA AO PÚBLICO :  10 as 21 horas  -
·               EXIBIÇÃO DO FILME AS SANFONAS DO LUA
31/07/2012 –  10H  AS  21 HORAS
·               EXPOSIÇÃO  ABERTA AO PÚBLICO :  10 as 21 horas  -
·               EXIBIÇÃO DO FILME O HOMEM QUE ENGARRAFAVA NUVENS.
01/08/2012   - 10H   ÀS 22 HORAS 
·                     EXPOSIÇÃO  ABERTA AO PÚBLICO :  10 as 21 horas  -
02/08/2012   - 10H   ÀS 22 HORAS
·        EXPOSIÇÃO  ABERTA AO PÚBLICO :  10 as 21 horas  
·     EXIBIÇÃO DO FILME: O MILAGRE DE SANTA LUZIA-19h30
03/08/2012   - 19H30   ÀS 22 HORAS –
·        PALESTRA - LUIZ GONZAGA E A MÚSICA EM HOMENAGEM A PAULO AFONSO – COM O ADVOGADO E RADIALISTA  DANTASL, VÂNIA FREIRE E DOMINGOS NOGUEIRA.
·        EXIBIÇÃO DO FILME:  CHÃO DE ESTRELAS
·        APRESENTAÇÃO DIVERSA;
04/08/2012   - 16 HORAS ÀS 22 HORAS –
·                    13 HORAS -   RODA  DE  SANFONEIROS (COM SANFONEIROS DA REGIÃO);
14 HORAS -   DUELO ENTRE REPENTISTAS
·         16 HORAS  -  MISSA  DO  GONZAGÃO - CELEBRANTE PADRE CELSO ANUNCIAÇÃO - COM AS BENÇÕES DAS SANFONAS;
·  MOMENTO POÉTICO;
· GRUPO DE DANÇA E TEATRO CÊNIC’ S;
· ENTREGA DE TROFÉUS E MEDALHAS
· SHOW  MUSICAL.
· ENCERRAMENTO
              
                                                     Paulo Afonso, 10 abril de 2012.

terça-feira, 24 de julho de 2012

"Chanel teve um amor platônico por Lampião"

É verdade, da mais pura. Conta-se pelas bandas de lá do sertão que Chanel sempre foi apaixonada pelo marido de sua meia-irmã, Maria Bonita. Uma paixão elegante, daquelas de longe, só de admirar.”

Dessa forma o artista plástico mineiro Rogério Fernandes (em foto ao lado) apresenta o painel reproduzido acima. Rogério é apontado como um dos principais nomes da nova arte brasileira, com galeria instalada em Belo Horizonte e com um currículo com exposições pelo mundo. Em sua obra ele mistura elementos da cultura nordestina, reinventa e inventa histórias, mistura personagens reais aos criados por autores da literatura de cordel e faz uma arte bastante singular, através da mistura de várias técnicas, desde a xilogravura à estamparia.

No seu site, ele fala sobre a influência da arte nordestina e das histórias fantasiosas da nossa região:

"Minha família é de origem nordestina e sempre foi muito ligada à arte. Desde criança, cresci entre artesãos do nordeste. Lá, as pessoas fazem arte sem se dar conta do que fazem. Fazem, apenas, por ter de fazer e pronto. Nas feiras de onde se vende de tudo, como a de Caruaru, de Juazeiro e a de Petrolina, nas rendas de Fortaleza, nos crochês do Maranhão, nos cordéis de Pernambuco, tudo é muito religioso, mítico e místico. Cresci assim, cheio de referências e sem saber que as tinha. Quando me formei designer, parecia que eu tinha me afastado deste universo fantástico, mas, como diz um ditado popular lá do nordeste: 'o mundo dá muitas voltas e numa delas eu entro'. Entrei. Entrei com a redescoberta do meu estilo e na paixão pela xilografia nordestina. Revisitei o cordel, com muitas pitadas de realismo fantástico e religiosidade. Aprendi a deixar fluir sem amarras e a incorporar o 'erro' ao estilo".

Em outra de suas criações, ele diz que foi feita por Lampião para a Coco Chanel:
É verdade, da mais pura. Lampião antes de ser capitão cangaceiro, era um grande desenhista e artesão. Teceu então, com as próprias mãos, uma linda bolsa de palha de palmeira babaçu e a pintou em seguiida para Chanel como prova de apreço. Chanel gostou tanto do regalo que aquela trama quadriculada não saiu mais da sua cabeça e foi inspirá-la em sua primeira coleção de bolsas para o inverso de 1939 em Paris.”

Uma segunda tela é o encontro da estilista francesa com a cangaceira nordestina.

Confira outras criações abaixo (clique sobre a imagem para ampliar).
 

 

 


 


quarta-feira, 18 de julho de 2012

Cangaço Wargame: jogo online baseado no sertão brasileiro



“Se os americanos podem se dar ao luxo de lançar games baseados no velho oeste, porque então nós não fazemos um game sobre o cangaço e o Sertão brasileiro?” Talvez tenha sido pensando assim que os desenvolvedores da Sertão Games pensaram há cinco anos no jogo Cangaço Wargame, título lançado no último dia 9 de junho de 2012.

Inicialmente o game foi idealizado como um jogo de tabuleiro, porém durante a etapa de desenvolvimento os produtores aperceberam-se que o jogando estava ganhando muitos elementos que tem tudo a ver com a dinâmica de jogos sociais. E foi justamente por essa razão que o jogo foi desenvolvido para o Facebook.

No jogo, você deve liderar um grupo de cangaceiros em batalhas por turno, passando por fazendas, cidades e brejos da caatinga. O game tem o foco na jogatina multiplayer e já que as batalhas são por turno, um combate pode levar alguns minutos ou algumas semanas: você faz seu movimento e em seguida aguarda o seu adversário (que pode estar offline no momento).


A ideia é bem simples e funciona como num xadrez: como é um jogo de guerra, seus movimentos são baseados em ataque, defesa e manutenção de pontos estratégicos no campo de batalha. Há dois grupos distintos no jogo: os cangaceiros e a volante. Conforme vai desafiando e vencendo seus inimigos, você sobe no ranking, chegando mais perto do título de rei do cangaço.

Um dos desafios que devem ser enfrentados pelo jogador é a racionalização da água, deste modo o jogador vê um traço de realidade no jogo. Além disso, todo o cenário e elementos do jogo remetem no período histórico do cangaço, ou seja, há roupas, armas, sons e o Sertão retratados para deixar as coisas mais realistas.

O Cangaço Wargame já foi lançado e pode ser jogado gratuitamente direto no Facebook. O vídeo você pode conferir logo abaixo, e lembre-se de nos contar a sua experiência com o jogo! (Texto de Luiz Silva, do Game Repórter)

sábado, 14 de julho de 2012

Viva Luiz: a relação com o filho Gonzaguinha


"De Gonzagão herdou o nome. Mas o amor de pai foi preciso arrancar das entranhas do rei do baião. Não só o amor, mais ainda o respeito" (Regina Echeverria).

Luiz Gonzaga do Nascimento Junior é filho de Luiz Gonzaga com Odaléia Guedes dos Santos, uma jovem carioca que queria ser cantora. Eles se conheceram em 1944 e viveram xamegados por cerca de dois anos. Moraram juntos por em diferentes lugares do Rio de Janeiro. Já famoso músico nordestino, Gonzaga havia gravado 25 discos pela RCA, participando como sanfoneiro. Estava só com 32 anos quando o filho nasceu, em 22 de setembro de 1945. Dois meses depois, Odaléia contraiu tuberculose. Gonzagão a levou para um sanatório em Petrópolis. O menino foi levado para os padrinhos, Dina e Xavier, casal de amigos tanto de Luiz como de Odaléia.

A jovem chegou a fugir do sanatório e esperava voltar para os braços de Gonzagão. Foi novamente internada, dessa vez em Minas Gerais. Quando se recuperou, voltou a procurar Gonzaga, ele já estava com Helena das Neves Cavalcanti, paixão que começou em julho de 1947 e com quem se casou em 1948, ano que Odaléia contraiu nova tuberculose e morreu.

Após o casamento, Gonzaga quis levar o filho, mas a mulher e a sogra não aceitaram. Gonzaguinha então foi educado e criado pelos padrinhos, inclusive em formação musical. Xavier era conhecido como o "Baiano do Violão", tocava em roda de amigos no bairro do Estácio.

Enquanto Luizinho crescia, Gonzagão viajava pelo Brasil. Chegava a ficar meses fora do Rio de Janeiro. Na ausência do pai de sangue, Gonzaguinha observava o pai Xavier a fazer música.

De vez em quando, Gonzagão aparecia, mas não deixava de mandar dinheiro para a educação do filho. A esposa de Luiz, não gostava da relação, mesmo que distante, entre pai e filho. Como não conseguia engravidar, Helena chegou a espalhar o boato de que Gonzagão era estéril e que, portanto, Gonzaguinha não poderia ser filho do rei do baião.

Ele nunca confirmou o boato, como também nunca apareceu, em nenhum lugar do Brasil, quem lhe reivindicasse a paternidade. Para piorar o boato, fisicamente, Gonzaguinha em nada se parece com Gonzagão.

Preocupado com o filho solto pelo Estácio, Gonzagão colocou o filho em um colégio interno. Aos 14 anos, Gonzaguinha contraiu sua primeira tuberculose. Aos 16, resolveu morar com o pai e com a sua mulher Helena. Tinha também uma irmã, Rosinha - esta sim adotiva. Mas voltou para o colégio interno depois da nada boa convivência com a madrasta.

Enquanto esteve na universidade, também não se dava bem com Gonzagão. Era contra as idéias reacionárias do pai, o que aumentava a distância entre os dois. O reencontro só se deu muito tempo depois, com Gomzaga Junior já adulto.

Entre 1979-80, pai e filho fizeram juntos a turnê "Vida de Viajante". Durante as viagens, Gonzaguinha gravou cerca de 20 horas de conversas com o pai. Pretendia lançar um livro, acreditava que Gonzagão não recebeu em vida o reconhecimento devido como criador e artista popular.



Nos últimos anos de sua vida, Gonzagão criou junto ao filho um grande amor. Eles se apegaram de fato como pai e filho: um aprendeu com o outro.

"Acho que a pessoa que mais gosta de mim é você. A coisa mais bacana da minha vida é você. Sou pai postiço, mas sou pai", declarou Gonzagão, numa das gravações, ao filho.

Gonzaga pai morreu em 2 de agosto de 1989. Um ano e nove meses depois, Gonzaga Junior morreu em um acidente de carro.

Hoje, estão juntos fazendo música lá pelas bandas do céu.

Fonte: Livro "Gonzaguinha e Gonzagão - uma história brasileira", de Regina Echeverria.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Fortaleza sedia I Feira Brasileira do Cordel



A Literatura de Cordel está com a corda toda. Gênero literário surgido no Nordeste,o Cordel teve em Leandro Gomes de Barros (1865-1918), paraibano de Pombal, seu primeiro grande difusor e seu criador mais ilustre. Autor de clássicos que se imortalizaram em mais de um século, a exemplo de Juvenal e o Dragão, O Cachorro dos Mortos e A Donzela Teodora, Leandro é a referência maior da atual geração de cordelistas, na qual brilham nomes como o de Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Arievaldo Viana e Marco Haurélio.

É justamente Klévisson Viana, cearense de Quixeramobim, poeta popular, editor e ilustrador, o idealizador da I Feira Brasileira de Cordel, que terá como palco o Centro Cultural Dragão do Mar, um dos mais respeitáveis espaços culturais de Fortaleza. Entre os dias 17 e 19 de julho, a capital cearense receberá alguns dos mais representativos criadores da poesia popular, entre os quais os baianos Bule-Bule e Marco Haurélio, os paraibanos Chico Pedrosa e Chico Salles, o carioca Fábio Sombra e o pernambucano Marcelo Soares. O Ceará estará muito bem representado nas vozes dos consagrados repentistas Geraldo Amâncio e Zé Maria de Fortaleza, além de rodas de declamação com Paulo de Tarso, Rouxinol do Rinaré, Francisco Melchíades, Lucarocas, Arievaldo Viana, Evaristo Geraldo e o curador do evento, Klévisson Viana.

A primeira edição da feira homenageará os cem anos de nascimento de Joaquim Batista de Sena, um dos maiores cordelistas de todos os tempos e estarão expostos à venda folhetos e livros de várias editoras, como Tupynanquim, Nova Alexandria, Luzeiro, Conhecimento, Hedra, Coqueiro, além das entidades apoiadoras, como a ABC (Academia Brasileira de Cordel), CECORDEL (Centro de Cordelistas do Nordeste) e ILGB (Instituto Leandro Gomes de Barros).

A realização do evento se tornou possível a partir da seleção do projeto da AESTROFE (Associação de Trovadores, Folheteiros e Escritores do Ceará) pelo Prêmio Mais Cultura de Literatura de Cordel, no ano de 2010.

SERVIÇO
I FEIRA BRASILEIRA DO CORDEL
Data: 17, 18 e 19 de julho
Horário: Das 16h às 21h30
Local: Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Informações: 3217-2891 | 9675-1099
aestrofe@gmail.com

Poetas populares: Rouxinol do Rinaré

O nome dele é Antonio Carlos da Silva. Cearense do sertão de Quixadá, nascido num lugar chamado Rinaré em 1966. Ele figura entre os principais cordelistas da atualidade, com mais de 80 obras já publicadas, entre elas estão "O justiceiro do norte", "O papagaio real (ou O príncipe de Acelóis)", "Salomão e Sulamita", "Seu Lunga - o rei do mau-humor" e "O Alienista em cordel".

A obra de Rouxinol o fez conhecido no Brasil e no exterior, sendo estudada por acadêmicos e incluída em antologias. Ele é membro da ABC (Academia Brasileira de Cordel) e da Sociarte (Sociedade dos Amigos de Rodolpho Theóphilo). Foi o fundador da Sociedade dos Escritores e Poetas de Maracanaú (SOPOEMA), da cidade de Pajuçara Maracanaú (CE), onde mora.



Adaptação do clássico de Machado de Assis, o livro "O Alienista em cordel" (Ed. Nova Alexandria) foi selecionado para as escolas de Belo Horizonte (MG) e duas vezes para projetos da Biblioteca Nacional (RJ). Leia um trecho abaixo.


Ó Ser que tem me inspirado
Nos romances que já fiz,
Agora conduz meu estro,
Para que eu seja feliz,
Adaptando este conto
De Machado de Assis.

Deus, em sua onisciência
E seu saber soberano,
É quem pode perscrutar
(Sem incorrer no engano)
Os insondáveis mistérios
Da mente do ser humano!

No mais profundo da alma,
Mesmo na razão mais pura,
Há segredos, incertezas,
E assim, pois, se conjetura
Que até a mente mais sã
Tem um pouco de loucura...

Conforme antigos cronistas
No Brasil colonial,
Na Vila de Itaguaí
Tinha um nobre especial
Que foi o maior dos médicos
Do Brasil e Portugal.

Era Simão Bacamarte,
Um grande especialista,
Que estudara em Coimbra,
Um excêntrico cientista,
Famoso por seus estudos
Como médico alienista. (...)

Acesse o blog do poeta Rouxinol: http://rouxinoldorinare.blogspot.com.br

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Vai ser besta de perder?


Filme "O Auto da Compadecida"

Uma comédia dirigida por Guel Arraes, com roteiro dele e de Adriana Falcão. Baseado em obra homônima de Ariano Suassuna, com elementos de "O Santo e a Porca" (1957) e "Torturas de um Coração" (1951), ambas do mesmo autor. Para escrever O "Auto da Compadecida" (livro publicado em 1955), Suassuna se inspirou em histórias da literatura de cordel, como "O Dinheiro (ou O Testamento do Cachorro)" e "O Cavalo que Defecava Dinheiro", escritos por Leandro Gomes de Barros no início do século XX.

O Auto da Compadecida (BR, 2000, 104 minutos). Com Matheus Nachtergaele (João Grilo), Selton Mello (Chicó) e Fernanda Montenegro (Compadecida). Assista!


quinta-feira, 5 de julho de 2012

Um pouco sobre Patativa do Assaré


Antônio Gonçalves da Silva
5 de março de 1909 - 8 de julho de 2002
Serra de Santana, zona rural de Assaré (CE)

Patativa e a cultura popular 
Por Rosemberg Cariry*

A cultura popular nordestina é uma cultura diversificada, rica e complexa, que vem plasmando-se, através dos séculos, com a contribuição de muitos povos e de muitas culturas, desde o processo de colonização até a contemporaneidade. Esta cultura popular, regional e universal ao mesmo tempo, é inesgotável fonte de renovação para os mais importantes movimentos culturais e artísticos do País. Impossível citar todos os nomes nos diversos campos das artes. Escritores, poetas, artistas e pensadores de todo o País têm obras fertilizadas com os signos da cultura nordestina. Se esta cultura pode oferecer elementos para a construção das artes contemporâneas e eruditas é porque tem a capacidade de também gerar seus próprios artistas, escritores e poetas, inseridos na vida cotidiana. E aqui falamos de artistas genuinamente populares, nascidos no seio do povo, aplaudidos e amados por esse mesmo povo. Como exemplo maior da força comunicativa e social da nossa poesia popular, temos Patativa do Assaré, um dos maiores poetas populares brasileiros de todos os tempos, síntese de todas essas vertentes, profundo elo que une o passado ao presente, projetando-se para o futuro.

Mesmo hoje, após a sua morte, Patativa do Assaré é tido como uma referência literária popular já clássica. A sua poética foi estudada em centros acadêmicos na Europa e no Brasil, e o reconhecimento oficial veio através das muitas homenagens que recebeu de importantes instituições acadêmicas como o título de doutor "Honoris Causa" da Universidade Regional do Cariri, da Universidade Estadual do Ceará e da Universidade Federal do Ceará. Em 1995, recebeu das mãos do Presidente da República, em ato público no Teatro José de Alencar, prêmio do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, além de dezenas de outras comendas e títulos, em todo o País.

Basta dizer que, mesmo quando ainda era violeiro e encantava os sertões com o som da sua viola e a beleza de seus versos improvisados, a sua fama já chegava aos salões literários das grandes cidades, e a sua obra despertava o interesse de renomados escritores e intelectuais brasileiros. Patativa do Assaré é um cristão primitivo e radical que bebeu na fonte do melhor humanismo. Se o Brasil não tem ainda o seu poeta-nacional, que simbolize e expresse o sentimento de nação, como Garcia Lorca na Espanha, Pablo Neruda no Chile, Camões em Portugal ou Nazin Hikmet na Turquia, o Nordeste, popular e rebelado, tem o seu: PATATIVA DO ASSARÉ.

Realizar um filme documentário sobre Patativa do Assaré foi desvendar não apenas a biografia e a obra de um poeta, mas mergulhar no vasto oceano da cultura coletiva e tatear os caminhos onde a história individual se encontra com o destino histórico de todo um povo. Para elaboração deste trabalho, foram pesquisadas muitas fontes escritas e da tradição oral; muitos registros audiovisuais e iconográficos. Todo este material, rico de informações e de suportes variados, destaca a relevância da obra patativiana, o significado político dos seus atos e a sua imensa contribuição à cultura brasileira.

Patativa do Assaré participou de importantes momentos políticos brasileiros: Ligas Camponesas, resistência à ditadura militar, campanha pela Anistia e pelas Diretas Já. Na aérea cultural, foi homenageado pela Sociedade Brasileira para Progresso da Ciência (1979) e participou ainda dos principais movimentos culturais do seu tempo: Movimento de Cultura Popular (MCP – Recife), Festivais de Música Popular Brasileira, Grupo de Arte Por Exemplo, Movimento Nação Cariri e Encontro das Culturas Populares do nordeste, entre tantos outros. A partir de 1970, Patativa do Assaré passou a simbolizar para os jovens nordestinos uma voz da resistência e das lutas democráticas. Além da imagem “oficial” do poeta, o documentário mostrará aspectos do trabalho na roça, do cotidiano com a família e com os amigos, no sítio Serra de Santana e na cidade de Assaré, onde era chamado pelo nome carinhoso de “Senhorzinho”.

*Roteiro, direção e montagem do filme documentário "Patativa do Assaré - Ave poesia" (2007)


quarta-feira, 4 de julho de 2012

As Batalhas de Lampião: Serrote Preto

Por Antonio Andrade - publicado no jornal Folha Solta.

Entre as centenas de batalhas enfrentadas por Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, contra as volantes constituídas por civis e policiais de sete estados do Nordeste, três delas se destacaram pelo número de feridos e mortos e também pela grande quantidade de soldados se comparada à de cangaceiros. Essas batalhas foram a de Serra Grande, no município de Serra Talhada (cidade onde nasceu Lampião), em Pernambuco; a de Serrote Preto, no município de Mata Grande, oeste de Alagoas; e a terceira batalha foi na Fazenda Maranduba, no sertão de Sergipe.

Lampião é reconhecido pelos seus atos heróicos e epopéicos de bravura. Segundo o historiador britânico Eric Hobsbawn, em seu livro "Bandidos", Lampião foi o maior bandoleiro do ocidente.

Em Serrote Preto, em fevereiro de 1925, o bando de Lampião era composto por 40 cangaceiros, entre eles dois irmãos de Virgulino, Antonio e Livino Ferreira. Já na volante formada por policiais da Paraíba e de Pernambuco havia 90 homens, inclusive três oficiais (tenentes). Os números oscilam nos livros que registram os combates, estes citados estão no livro "De Virgulino a Lampião", escrito por Antonio Amaury e Vera Ferreira, neta de Lampião.

As forças policiais já estavam no encalço dos bandoleiros desde as cidades pernambucanas de Custódia, Buíque e Águas Belas. Quando chegaram em Mata Grande, o cangaceiros já haviam atacado a cidade, deixado dois mortos, vários feridos e casas incendiadas. Devido a resistência policial e da população local, o bando seguiu em retirada para a divisa com Pernambuco e se alojou na sede da Fazenda Serrote Preto.

A partir de informações da população, a volante partiu em direção à fazenda e localizou os bandoleiros no final da tarde. Eles estavam descansando e alguns jogavam cartas, estes perceberam a aproximação da polícia e começaram a despejar uma chuva de bala. A tropa foi massacrada em uma verdadeira chacina. Segundo Rodrigues de Carvalho, em seu livro "Serrote Preto", foram quinze soldados mortos e três bandoleiros (Asa Negra, Guri e Corró). No livro "De Virgulino a Lampião", diz que foram dez soldados e dois oficiais mortos, mais 30 feridos.

Os oficiais mortos foram Francisco de Oliveira e Joaquim Adauto. O terceiro tenente, João Gomes, sobreviveu e bateu em retirada com seus subordinados.

Livros citados