domingo, 22 de abril de 2012

Jorge Amado e a valorização da cultura popular

(Parte do texto "Diálogos", escrito por Norma Seltzer Goldstein para o "Caderno de Leituras - A literatura de Jorge Amado", destinado a professores)

Outra forma de intertextualidade cara a Jorge Amado é a referência à literatura de cordel. Mark J. Curran considera Tereza Batista cansada de guerra um romance de “cordel em prosa”. Em Tenda dos Milagres, um dos cenários principais é a tipografa do Pelourinho, onde se imprimem folhetos de cordel e se reúnem seus criadores e apreciadores. O diálogo com o cordel transparece em longas epígrafes e subtítulos, como o que anuncia o segundo episódio de Os velhos marinheiros:
Fiel e completa reprodução da narrativa de Chico Pacheco, apresentando substancioso quadro dos costumes e da vida da cidade de Salvador nos começos do século, com ilustres fguras do governo e ricos comerciantes, enjoadas donzelas e excelentes raparigas

Também em Gabriela, cravo e canela, o cordel ecoa no ritmo de passagens em prosa poética:
A vida era boa, bastava viver. Quentar-­se ao sol, tomar banho frio. Mastigar as goiabas, comer manga espada, pimenta morder. Nas ruas andar, cantigas cantar, com um moço dormir. Com outro moço sonhar.

Note-­se o ritmo dos versos de cinco sílabas:
A   vi  da e  ra   bo a
Bas  ta   va  vi  ver
Quen tar   se  ao  sol 
To  mar  ba  nho  fri o

E também as rimas:
nas ruas andar
cantigas cantar
com um moço dormir
com outro moço sonhar

Por vezes, Jorge Amado insere versos nas narrativas, como a “Cantiga para ninar Malvina”, em Gabriela, cravo e canela:
Dorme, menina dormida
teu lindo sonho a sonhar.
No teu leito adormecida
partirás a navegar.

[…]

Meu marido, meu senhor
na minha vida a mandar.
A mandar na minha roupa
no meu perfume a mandar.
A mandar no meu desejo
no meu dormir a mandar.
A mandar nesse meu corpo
nessa minh’alma a mandar.
Direito meu a chorar.
Direito dele a matar.

Os versos de sete sílabas, ou redondilhas maiores, são freqüentes em nossa poesia popular. Aqui, apóiam­-se na repetição e no paralelismo, criando o efeito melódico de acalanto, anunciado no título.

Há diálogos e mais diálogos a serem descobertos pelo leitor de Jorge Amado. Basta ler sua obra e buscar pistas.
Xilogravura de Calasans Neto
Sugestão de leitura:
CURRAN, Mark J. Jorge Amado e a literatura de cordel. Salvador, Fundação Cultural do Estado da 
Bahia/Fundação Casa de Rui Barbosa, 1981.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Viva Luiz: Gonzagão e os anos 70



1970
Para os anos 70 estava reservada a explosão dos ritmos estrangeiros, particularmente o Rock'n'roll, oriundo dos anos 50, onde encontrava defensores como Cely e Tony Campelo, Carlos Gonzaga, etc. Era a presença em nossa música os Beatles, ingleses. Dos Estados Unidos chegava a música de Elvis Presley. No Brasil era a vez de Roberto Carlos que já vinha com o seu programa Jovem Guarda. Carlos Imperial, Erasmo Carlos etc., davam força ao movimento.


1971
Lança o LP "O Canto Jovem de Luiz Gonzaga". O produtor Rildo Hora alega que "este disco não é para sucesso e sim uma homenagem para a juventude.” Em Londres, Caetano Veloso grava Asa Branca, assim como Sérgio Mendes e seu Brasil 77. É o ano do primeiro contato do então desconhecido Fagner com Luiz Gonzaga, no Rio. O sanfoneiro apresenta-se em Guarapari fazendo sucesso entre os hippies de então.

Foi também do ano de 1971 que, por iniciativa do Padre João Câncio, com o apoio do cantor Luiz Gonzaga - primo de Raimundo Jacó - e pelo poeta Pedro Bandeira, famoso repentista do Cariri, realizou-se a primeira Missa do vaqueiro, no sítio Lages, na cidade de Serrita, em pleno sertão Pernambucano, como homenagem a Raimundo Jacó, que teria sido morto morto por um companheiro, e principalmente em forma de tributo ao vaqueiro nordestino. Mas a principal preocupação do Pe. Joâo Câncio era trazer de volta para a igreja os vaqueiros. Com a celebração o Padre Vaqueiro conseguiu ver seu desejo realizado.



1972
Pelas mãos de Capinam apresenta o espetáculo "Luiz Gonzaga Volta Para Curtir" no Teatro Teresa Raquel, no Rio de Janeiro. Sob a direção de Jorge Salomão e Capinam, o delírio é total, e é a primeira vez que Gonzagão enfrenta uma platéia somente de jovens.

1973
Deixa a RCA Victor e passa para a Odeon, por um breve espaço de tempo, embalado pelo sucesso reconquistado.  Tenta lançar sua candidatura a deputado Federal pelo então MDB mas desiste logo da idéia, quando sentiu que os votos que obteria seria em troca de favores. Inezita Barroso grava Asa Branca como também o cantor grego Demis Roussos, sob nome de White Wings, com letra em inglês.
O então Governador de Pernambuco Eraldo Gueiros Leite, seriamente preocupado com o clima de discórdia e violência reinante em Exu, pediu para que Luiz Gonzaga tentasse apaziguar os conflitos entre famílias tradicionais daquela cidade. Neste mesmo ano por iniciativa da Prefeitura do Município de Serrita, foi erigida a estátua de Raimundo Jacó, esculpida por Jota Mendes, artista de Petrolina.
Também neste ano grava seu primeiro LP pela Emi Odeon.

1974
É construído o Parque Nacional do Vaqueiro, e criada em 24 de Outubro desse mesmo ano a Associação dos Vaqueiros do Alto Sertão Pernambucano.

1975
Luiz Gonzaga reencontra Edelzuíta, o grande amor da fase final de sua vida.

1976
O Projeto Minerva dedica um especial à obra de Luiz Gonzaga. Neste mesmo ano grava seu primeiro compacto simples de 33 rpm pelo selo Jangada, com a música  Samarica Parteira de Zé Dantas. A música ocupou as duas faces do disco.

1977
Estréia no  "Seis e Meia", no Teatro João Caetano ao lado de Carmélia Alves. O sucesso é total, inclusive com grande afluência de jovens ao Teatro.

1978
É lançado no mercado um disco como forma de menção especial a Luiz Gonzaga, - a Grande Música do Brasil, a Grande Música de Luiz Gonzaga, pela Copacabana, produzido por Marcus Pereira com arranjos e direção de orquestra a cargo do maestro Guerra Peixe. É uma versão sinfônica de clássicos da obra de Luiz Gonzaga. Foi também o ano da morte de Januário, no dia 11 de Junho.


1979
Morre o compositor, advogado e instrumentista Humberto Teixeira.  E Luiz Gonzaga grava o disco Eu e Meu Pai em homenagem a Januário.


quinta-feira, 19 de abril de 2012

"Iconografia do Cangaço" traz imagens inéditas de Lampião


Matéria publicada no site http://www.folha.uol.com.br/, sobre o livro Iconografia do Cangaço.

O fotógrafo libanês Benjamin Abrahão (1890-1938) registrou o cotidiano de Lampião e dos cangaceiros de seu bando com câmeras cedidas por Adhemar Albuquerque, avô do organizador da edição de "Iconografia do Cangaço" (Terceiro Nome, 218 págs., R$ 120), Ricardo Albuquerque.
A obra traz 180 fotos e um DVD com 13 minutos, com cenas inéditas, gravadas por Abrahão. Entre as imagens jamais vistas está uma sequência em que o líder dá aspirinas ao bando, que fica ao lado de um anúncio do produto.



terça-feira, 17 de abril de 2012

Cordel de ontem e hoje

Matéria publicada no jornal A Tarde (Salvador), sobre o livro Antologia do Cordel Brasileiro.


(Clique sobre a imagem para ampliá-la)



segunda-feira, 16 de abril de 2012

Em Salvador, exposição celebra centenário de Luiz Gonzaga


Para celebrar o centenário do sanfoneiro Luiz Gonzaga, será aberta, no dia 24 de abril (terça-feira), às 19 horas, no Palacete das Artes Rodin Bahia, a exposição “O Imaginário do Rei”, com obras de arte, fotos, filmes, livros e CDs que retomam a vida e obra de Gonzagão, como o músico era conhecido.

Com curadoria de Bené Fonteles, a mostra ainda traz xilogravuras de João Pedro do Juazeiro, José Lourenço, Elias Santos e Arievaldo Viana; fotos de Christian Cravo, Adenor Godim, Gustavo Moura, Vivente Sampaio; e esculturas de Frank Castro, Cícero Arraes, Demóstenes e Salete Diniz.

Embora tenha nascido no sertão de Pernambuco, em 1912, Luiz Gonzaga influenciou o som realizado em todo Brasil. Na Bahia, em particular, lembra Bené Fonteles, “a presença de Luiz Gonzaga é primordial na obra compositiva de artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom zé e na força das vozes de Gal Costa, Xangai e Maria Bethânia”.

“O Imaginário do Rei” fica em cartaz até o dia 10 de junho, com visitação de terça a domingo, sempre das 10h às 18h.

| Serviço |
Evento: “O Imaginário do Rei”
Onde: Palacete das Artes Rodin Bahia
Quando: de terça a domingo, das 10h às 18h (até o dia 10 de junho)
Entrada: gratuita

(A Tarde)

domingo, 15 de abril de 2012

Janela Indiscreta exibe “O Milagre de Santa Luzia”


Finalizando a mostra temática Abril Cinema Brasil, o Cinema na Uesb desta terça, 17 de abril, apresenta o filme “O Milagre de Santa Luzia – Uma Viagem pelo Brasil que toca Sanfona” (2008, 1h44 min), de Sergio Roizenblit. A sessão acontece no Teatro Glauber Rocha (UESB - Vitória da Conquista), às 19h30, com entrada franca, e todos estão convidados. O comentário ficará por conta do cantor e repentista Onildo Barbosa.

Sobre o filme
Domiguinhos, o principal sanfoneiro vivo no país, realiza uma viagem Brasil afora em uma caminhonete. O objetivo é mapear os locais onde a cultura da sanfona se estabeleceu e onde nasceram seus principais intérpretes. O documentário é uma homenagem ao Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que completaria 100 anos em 2012, e que nasceu no dia de Santa Luzia.

Trailer

terça-feira, 3 de abril de 2012

Encontro de Jessier Quirino com Xangai

Vídeos para relembrar o encontro do cantador Xangai com o poeta Jessier Quirino, ocorrido em 9 de março, em Vitória da Conquista (BA):

Quirino recitou Paisagem de Interior e...


...Xangai, Ino no Cangaço.


Depois, o paraibano recitou a poesia que fez em homenagem à Maria Bonita e que está no livro organizado pela neta da cangaceira, Vera Ferreira.


E o cantador encantou a todos com Estampas Eucalol!


Confira textos sobre o encontro:
No palco, dois inos - do blog Conversa de Balcão
“É no pé do lajedo onde a onça mora” - do blog O Rebucetê