quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Filme: Paixão e guerra no sertão de Canudos

Produzido ao longo de 3 anos, "Paixão e Guerra no Sertão de Canudos" de Antônio Olavo conta a epopéia sertaneja de Canudos. No percurso de 180 cidades e povoados de Ceará, Pernambuco, Sergipe e Bahia, o vídeo reúne raros depoimentos de parentes de Antônio Conselheiro, contemporâneos da guerra, filhos de líderes guerrilheiros, historiadores, religiosos e militares.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Abertas as inscrições para simpósio e mini-cursos do Congresso Nacional do Cangaço



A Coordenação Geral do III Congresso Nacional do Cangaço informa que as inscrições para proposição de simpósio temático e minicurso estão abertas, de 25 de fevereiro até o dia 12 de abril de 2013.

Convidamos professores e demais pesquisadores de instuições de ensino e pesquisa para participarem do congresso. Será um grande momento de reflexão e debate em torno do tema “Sertões: Memórias, Deslocamentos e Identidades”.

Inscrições através do site da UESB.

Apresentação de trabalho e outras modalidades de inscrição ocorrerão a partir de 29 de abril.

Maiores informações:
E-mail: cnc.uesb2013@gmail.com
Telefone: (77) 3424.8666
Facebook: III Congresso Nacional do Cangaço / Twitter: @cangacouesb

Poetas Populares, uma poesia de Antonio Vieira


A nossa poesia é uma só
Eu não vejo razão pra separar
Todo o conhecimento que está cá
Foi trazido dentro de um só mocó

E ao chegar aqui abriram o nó
E foi como se ela saísse do ovo
A poesia recebeu sangue novo
Elementos deveras salutares

Os nomes dos poetas populares
Deveriam estar na boca do povo
No contexto de uma sala de aula
Não estarem esses nomes me dá pena

A escola devia ensinar
Pro aluno não me achar um bobo
Sem saber que os nomes que eu louvo
São vates de muitas qualidades.
O aluno devia bater palma

Saber de cada um o nome todo
Se sentir satisfeito e orgulhoso
E falar deles para os de menor idade
Os nomes dos poetas populares

Antônio Vieira, baiano de Santo Amaro da Purificação, é compositor, poeta e cordelista. Seu trabalho denominado “O Cordel Remoçado” une música e literatura popular numa linguagem simples e contemporânea. Suas histórias e seus personagens retratam a forma de viver criativa e peculiar do povo brasileiro, tendo o seu foco na cultura nordestina.

A poesia Poetas Populares foi declamada por Maria Bethânia nas apresentações do espetáculo "Dentro do mar tem rio". Confira!

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Escritor recifense dissemina literatura de cordel pelo Brasil



Disseminar a importância da literatura de cordel e facilitar o seu acesso entre a população. Esse é o objetivo do projeto “Socializando a Leitura”, iniciado há três anos pelo cordelista recifense Ivaldo Batista. Durante esse período, o escritor já visitou praticamente todas as regiões do Brasil, distribuindo seus livretos para instituições públicas nas cidades em que visita.

“Costumam me chamar de ‘Missionário do Cordel’. A tecnologia tem sufocado o que é do passado, e o cordel é o jornal do passado, por isso não devemos deixar essa cultura morrer”, conta Ivaldo Batista, que em Mossoró doou cerca de 40 cordéis, todos de sua autoria, para a Biblioteca Municipal Ney Pontes Duarte, e também fez doações para o Museu Histórico Lauro da Escóssia.

Ao longo dos últimos anos, durante suas viagens pelo Brasil, Ivaldo Batista tem acumulado diversas histórias, e relatos interessantes por onde passa. Segundo o escritor, há localidades, por exemplo, que nem mesmo a população tem conhecimento a respeito da existência de instituições como a Biblioteca Municipal.
“Há cidades em que eu chego e pergunto onde fica a Biblioteca, e o morador diz que ali não tem esse equipamento cultural, e eu afirmo que existe sim, já que antes de me dirigir a algum município, eu faço uma pesquisa prévia dos locais em que devo fazer a entrega dos cordéis”, conta o cordelista, que ainda não visitou as regiões Norte e Sul do Brasil, e que após 29 anos retornou a Mossoró.

Ivaldo Batista revela que a receptividade ao projeto tem sido bastante satisfatória, o que o incentiva a continuar desenvolvendo a iniciativa. “Tem lugares que visito ainda muito carentes desse tipo de literatura, como o Espírito Santo, que não possui uma Cordelteca, assim como muitas outras cidades”, complementa o escritor.

Autor de mais de 40 títulos, Ivaldo Batista escreve sobre tudo um pouco. Em seus cordéis é possível acompanhar histórias que envolvem desde temáticas sociais, como o bullyng, drogas, até aspectos históricos de cidades como Paris e Exu, no sertão pernambucano. “Você pode conhecer o lugar sem sair de casa nesse projeto que denomino Minha Cidade”, pontua o escritor, que começou a escrever cordéis de forma despretensiosa.

Além do “Socializando a Leitura”, o cordelista também promove trabalhos utilizando a literatura popular em escolas do Recife. “Esse ano iremos trabalhar com 300 alunos, que terão a oportunidade de produzir um cordel, e apresentá-lo em um grande evento. No ano passado os alunos aprenderam a fazer desde o desenho da capa até a construção das estrofes, versos, rima, oração, e métrica. Agora é hora de colocar em prática esse conhecimento”, diz.

Entre os projetos do idealizador da turnê brasileira do cordel para 2013, está o lançamento do título “Meio século de vida”, que será apresentado durante a Bienal Internacional do Livro, em Recife, no final do ano. “A obra reúne 50 cordeis escritos por mim ao longo dos meus 50 anos de vida”, conclui Ivaldo Batista.

(Jornal O Mossoroense)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

I Encontro de Educação e Cordel de Petrolina


Oficinas, bate papo, exposição de artes, lançamento de livros e apresentações culturais com artistas, a exemplo de Xangai, João Sereno, Chico Pedrosa e Maciel Melo. Já está tudo pronto para o 1° Encontro de Educação e Cordel de Petrolina, que acontece de 4 a 14 de março nas escolas estaduais do município e no Sesc Petrolina.

Realizado pela Entre Versos e Canções e o Sesc Petrolina, com apoio da GRE e a chancela do Ministério da Cultura na programação dos Micro Projetos do São Francisco, o Encontro começa nas escolas com as oficinas de cordel e construção poética para alunos e professores no período de 4 a 8 de março. Nos dias de 11 a 13 pela manhã, será a vez dos alunos da EJA do Sesc receberem as oficinas nas dependências do próprio Sesc.

Segundo o coordenador do I Encontro de Educação e Cordel de Petrolina, o poeta e cantador Maviael Melo as inscrições serão abertas a partir do dia 20 e podem ser feitas na GRE, no Sesc e também através do email: poetamavi@yahoo.com.br. As oficinas vão trabalhar com a linguagem do cordel abordando temas, a exemplo do meio ambiente, sexualidade, violência e política. “Toda a produção das oficinas (das escolas e do SESC) serão editadas para uma posterior publicação de um livro, previsto na proposta do Ministério da Cultura, a ser lançado em data ainda a definir”.

A programação do Encontro prossegue no dia 13 às 19h, no Sesc com a abertura da exposição de xilogravura – O Sertão de Euclides da Cunha, de Gabriel Arcanjo. Será montado também um espaço para mostra de alguns cordéis produzidos nas oficinas e para o lançamento de alguns livros de poetas da região. E às 21h, o público poderá conferir uma verdadeira cantoria com Marcone Melo, Celo Costa, Xangai e a participação especial do poeta Chico Pedrosa.

No dia 14 – Dia Nacional da Poesia e aniversário de Chico Pedrosa, o movimento começa logo às 14h, com um bate papo sobre Educação, Cultura, Cordel e Cidadania, tendo como debatedores os professores Genivaldo Nascimento e Josemar Pinzoh. “Os debatedores vão falar do cordel não somente como literatura popular, mas como elemento pedagógico de reflexão, trabalho e como incentivo à leitura e na construção do individuo (aluno), como ator de sua própria história”, adiantou o coordenador do Encontro. Na seqüência, os poetas e cantadores Maviael Melo e João Sereno encerram o Encontro fazendo uma apresentação cultural com a participação especial do “Caboclo Sonhador” Maciel Melo.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Para assistir: 6 filmes inspirados no cangaço e em Lampião

BAILE PERFUMADO [Paulo Caldas / Lírio Ferreira] – 1997


O CANGACEIRO [Lima Barreto] – 1953


A MORTE COMANDA O CANGAÇO [Carlos Coimbra] – 1960


O CANGACEIRO TRAPALHÃO [Daniel Filho] - 1983


FAUSTÃO (Vida, Paixão e Morte de Faustão) [Eduardo Coutinho] – 1970


CORISCO E DADÁ [Rosemberg Cariry] – 1996

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Você sabe quem foi Catulo da Paixão Cearense?

Catulo da Paixão Cearense, nasceu em São Luís, no estado do Maranhão em 08 de outubro de 1863 e faleceu no Rio de Janeiro/RJ em 01 de maio de 1946. Morou no estado do Ceará dos 10 aos 17 anos de idade.

Em 1880, seguiu com a família para o Rio de Janeiro. Com flauta e violão frequentava as rodas dos estudantes cariocas, o que não era visto com bom olhos pelo seu pai que era dono de uma loja de ourives e relojoaria. Na época, o violão era desprezado e perseguido, sinônimo de malandragem, e na época de Catulo, foi adquirindo prestígio nos salões da elite.

Grande parte do trabalho de Catulo da Paixão Cearense foi voltada às modinhas e serestas, tendo como maior destaque a música "Luar do Sertão". Ao que consta, nenhum intérprete gravou até hoje "Luar do Sertão" na íntegra, já que esse poema possui um total de 12 estrofes mais o refrão.


Catulo foi um dos poucos, talvez o único, poeta popular no Brasil que, em vida, recebeu todas as glórias, todas as honras e uma adoração popular tão grande. Isso porque usou e abusou de toda a sonoridade que o sotaque nordestino lhe proporcionou, soube colocar em versos simples onde era o lugar de por versos simples. Tinha faro. Sabia ouvir, como ninguém mais, o rumor da terra.

O cancioneiro de Catulo, com letras que exprimem a ingenuidade e pureza do caboclo, cativou a sensibilidade do povo e levou Mário de Andrade a classificar o autor como "o maior criador de imagens da poesia brasileira".

Dele disse Ruy Barbosa: "Concordo sem reservas com o Sr. Julio Dantas no seu alto juízo acerca de Catullo Cearense, maravilhoso poeta, cujos versos de um encanto irresistível, são o mais belo documento da natureza e da vida nos sertões brasileiros, que a sua musa enfeitiça e parece recriar" - Petrópolis, 28/02/1921

Catullo de Paixão Cearense é um dos maiores compositores da canção popular brasileira. Segundo o crítico  Murilo Araújo, "a poesia de Catullo tem raízes no povo e haveria de voltar, desfeita em flores e frutos, ao campo em que teve origem: volta ao povo e viverá com ele. Nenhum dos nossos poetas foi a tal ponto o rumor inspirado da terra".

Assista a Rolando Boldrin declamando o poema Coração de Manué Seco, de Catulo da Paixão Cearense.

Musical reimagina o universo da lenda Luiz Gonzaga


As possibilidades criativas oferecidas pelo teatro são múltiplas e o dramaturgo e diretor pernambucano João Falcão sabe bem disso. Em seu mais novo espetáculo, o musical “Gonzagão - A Lenda”, ele se apropria da liberdade poética para imaginar novas (e lúdicas) formas de contar a história de Luiz Gonzaga, um dos maiores mitos da música brasileira.


No ano em que Gonzaga completaria 100 anos, não faltaram homenagens a ele. Livros, filmes, especiais de televisão, só para citar alguns exemplos. Todos eles, no entanto, se apegaram à trajetória biográfica literal do pernambucano. Quando recebeu o convite da produtora Andrea Alves, da Sarau Agência de Cultura Brasileira (RJ), há dois anos, para escrever e dirigir uma obra baseada no Rei do Baião, João Falcão sabia que queria se aproveitar dos recursos que a linguagem teatral oferecia para reverenciar Gonzagão, mas sem se prender a um modelo de contação tradicional.


Nascido no Interior de Pernambuco, em São Lourenço da Mata, Falcão afirma que, para executar o espetáculo, ele revisitou suas próprias memórias. “O convite para o projeto me deu total liberdade para escrever a história. Na época eu estava cheio de compromissos, mas eu não poderia deixar de homenagear Gonzaga, que é uma figura muito presente na minha formação de base. Então, trabalhei com um material que me era muito familiar”, conta.

Assim como nos outros trabalhos de Falcão, a dramaturgia foi sendo construída durante o processo de ensaios, a partir de experimentações. “Sempre faço isso. Durante os ensaios, muita coisa vai surgindo. Em ‘A Dona da História’, que fiz com a Marieta Severo e a Andrea Beltrão, por exemplo, eu cheguei para o primeiro ensaio com dez páginas escritas. E, durante o processo, esse texto foi sendo reescrito várias vezes. É um processo trabalhoso, que exige muita entrega dos atores, mas é produtivo”, explica.

No caso de “Gonzagão - A Lenda”, a história do rapaz de Exu que conquistou o Brasil é contada por uma trupe teatral, que, em um espaço temporal não identificável, narra a “lenda do Rei Luiz”, que viveu “nos idos do século XX”. Falcão enfatiza que o fato de ser um espetáculo lúdico não significa que a história de Gonzaga não será contada. “É a história de Luiz, mas não é um trabalho para se conhecer minúcias da vida dele. Preferi uma abordagem lúdica; não queria que as músicas tivessem função simplesmente ilustrativa, e sim que contassem a história dele. Mas a abordagem é fabulosa, poética”, explica.

Como não poderia deixar de ser, a trilha sonora do espetáculo é um elemento de destaque. Ao todo, são interpretadas cerca de 50 músicas do Rei do Baião. Mas, além de reverenciar o ritmo criado por Gonzaga, as canções são repaginadas, com a adição de instrumentos como a bateria e o cello. “Procurava uma música que coubesse em determinada situação e, às vezes, eu ouvia uma canção e achava que ela sugeria uma cena, me inspirava. Foi um processo muito divertido”, afirma Falcão. No elenco estão os atores Marcelo Mimoso, Laila Ga­rin, Adrén Alves, Alfredo Del Pe­nho, Eduardo Rios, Fabio Enriquez, Paulo de Melo, Renato Luciano e Ricca Barros, além dos músicos Beto Lemos, Daniel Silva, Rick De La Torre, Ra­fael Meninão e Marcelo Guerini. Fonte: Folha-PE
O espetáculo esteve em cartaz entre 19 de outubro de 2012 a 3 de fevereiro de 2013 no Teatro Sesc Ginásio, no Rio de Janeiro.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

UNE pede que forró seja Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade


Estudantes pedem que o forró seja reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, a exemplo do que ocorreu com o frevo no mês passado. Na 8ª Bienal de Arte e Cultura da União Nacional dos Estudantes (UNE), músicos e especialistas discutem a importância do ritmo e do grande homenageado do evento, o sanfoneiro Luiz Gonzaga.

O sobrinho de Gonzagão, Joquinha Gonzaga, acredita que com a força do movimento estudantil o forró receberá o reconhecimento. “A importância do forró é muito grande. É uma cultura muito rica, uma cultura que meu tio Gonzaga deixou. Nós estaremos aqui de chapéu de couro na cabeça e sanfona no peito para defender o ritmo”, disse.

O forró é o principal ritmo nativo do sertão nordestino. Popular em todo o Brasil, sua disseminação se deu por meio da intensa imigração dos nordestinos para outras regiões do país. Como patrimônio imaterial da humanidade, o forró será protegido a fim de que permaneça vivo para as gerações futuras. O título é concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A lista de patrimônios culturais imateriais reúne, atualmente, 232 elementos de 86 países.

Os estudantes pretendem entregar uma carta com o pedido à ministra de Cultura, Marta Suplicy, que deverá estar presente nesta quinta-feira (24) no evento.

O cantor e compositor Fred 04, vocalista do grupo Mundo Livre S/A e um dos expoentes do movimento mangue beat - surgido na década de 90 em Pernambuco e que envolveu artistas como Chico Science, do Nação Zumbi, misturando ritmos como maracatu, rock, ritmos eletrônicos – reforça a importância do forró e afirma que o ritmo ultrapassa os grupos que o tocam e tem grande influencia também sobre outros grupos e ritmos e sobre o próprio movimento do mangue beat. “Mesmo que não seja de uma forma consciente, acabamos nos envolvendo também pelo ritmo”.

Além de grupos musicais, o forró, sob o nome de Luiz Gonzaga, foi importante para que o sertão brasileiro fosse conhecido, segundo explica o colecionador e especialista em Gonzagão, Paulo Vandeley Tomaz. “Ele foi um grande divulgador do sertão. Criou a música [Olha a Pisada] que divulgou o cangaço, que remete ao bando de Lampião”.

Além de pedir o reconhecimento do forró como Patrimômio Cultural Imaterial da Humanidade, a UNE pede também 2% do Produto Interno Bruto (PIB) para cultura.

A 8ª Bienal de Arte e Cultura da UNE é considerada o maior evento estudantil da América Latina e deve reunir em Olinda cerca de 10 mil estudantes de todos os estados brasileiros. A Bienal ocorre de 22 a 26 de janeiro e une política estudantil e cultura em mostras de teatro, música e cinema, seminários de esportes, além de apresentações de trabalhos acadêmicos e de extensão. O tema desta edição é A Volta da Asa Branca, uma Homenagem ao Sanfoneiro Luiz Gonzaga, cujo centenário foi comemorado em 2012.

(Da Agência Brasil)