terça-feira, 27 de novembro de 2012

Livro sobre o cangaço no cinema brasileiro



A jornalista Maria do Rosário Caetano, colaboradora do Portal Estadão.com, lançou em 2005 o livro Cangaço - O Nordestern no Cinema Brasileiro. "A idéia surgiu quando eu entrevistava o Jean Claude Bernardet, há um ano, e ele me contou que havia um texto inédito de Lucila Ribeiro Bernardet e Francisco Ramalho Jr. no qual eles analisavam os filmes de cangaço dos anos 60 e 70. E o material (Cangaço - Da Vontade de se Sentir Enquadrado) era inédito. Pensei na hora que precisava torná-lo público", conta.

Com a ajuda da Cinemateca Brasileira, em cuja biblioteca o texto estava guardado, a jornalista pôde encontrar o material e dar início ao projeto. "Em seguida, logo que decidi contemplar o assunto em um livro, lembrei-me do texto que Ruy Guerra havia escrito para o Estado em 1993, no qual relembra o dia em que conheceu O Homem Que Matou Corisco, o Coronel Rufino."

"Mas ainda era preciso desenvolver outros temas, como a história de Benjamim Abrahão, o único a filmar o bando de Lampião, cujo material foi confiscado pelo governo Vargas e do qual hoje só restam apenas 15 minutos de registro. Para isso, juntaram-se ao projeto José Umberto Dias (Benjamim Abrahão - O Homem Que Filmou Lampião) Walnice Nogueira Galvão (Metamorfoses do Sertão), Luiz Felipe Miranda (Cinema e Cangaço - História), Alberto Freire (Remake de O Cangaceiro: Nova Versão, Velhas Leituras), Marcelo Dídimo (Baile Perfumado, O Cangaço Revisitado) e Luiz Zanin Oricchio (O Cangaceiro Paradoxal - Corisco em ´Deus e o Diabo na Terra do Sol´).

"Há mais de 50 filmes de cangaço, desde os mudos, os clássicos, os que se aproveitam deste rico filão e levam o tema para a comédia, como O Lamparina e Pedro Bó, O Caçador de Cangaceiros, e até mesmo as pornochanchadas, como A Ilha das Cangaceiras Virgens", conta Rosário, que levantou todos esses títulos e os lista no fim do livro. "Alguns são exatamente sobre cangaço, outros o têm como tema secundário ou só como citação", completa.


Cangaço - O Nordestern no Cinema Brasileiro
Livro organizado por Maria do Rosário Caetano
Editora Avathar. 120 páginas. R$ 25,00

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Conheça o grupo "A rainha e os vaqueiros"



Gibão, perneira, peitoral, chinelo e chapéu de couro. Este é o figurino do grupo A Rainha e os Vaqueiros, que vem realizando shows por onde passa usando o aboio como forma de retratar os sons e ritmos cearenses, intercalados com contos, ‘causo’, versos, poesias, toadas, trechos de cordéis e músicas de Luiz Gonzaga. Mas o figurino não é cênico, é a vestimenta que os artistas usam no dia a dia. Afinal, são vaqueiros-aboiadores, que durante anos de cavalgada já cantaram com Manoel Messias, Padre Tula, Fagner e em especial com o Rei do Baião.

O grupo, que tem como rainha Dina Martins, a Mestre da Cultura “Dona Dina”, mergulhou no universo da cultura dos vaqueiros e após um longo tempo de pesquisa oral, criou o show “Aboios – O Som do Sertão”. Serão seis apresentações até o final do ano em cinco cidades: Quixadá (17/11), Sobral (04/12), Crato (07/12), Fortaleza (13 e 14/12) e Canindé, em data a ser confirmada.

O show - Ao som de chocalhos, entra no palco Chico Water representante dos vaqueiros. Em meio à poesia, convida os seus amigos e companheiros de luta, os vaqueiros-aboiadores, Hidelbrando, um mestre na sanfona e o seu regional de zabumba e triângulo. Juntos, interpretam a música de abertura.

Em seguida entra Dona Dina, que completa a cena para uma sequência de dez músicas, sendo fruto de uma pesquisa sobre o cancioneiro popular dos vaqueiros-aboiadores, baseadas em suas vivências e em poesias que admiram em especial, do Rei do Baião, Luiz Gonzaga.

O show não se prende apenas ao roteiro musical. Os aboiadores artistas utilizam o improviso e interagem com o público, deixando evidente uma das propostas do grupo, que é de preservar o caráter natural do homem do campo.

A AVABOCRI e o PROJETO - A Associação dos Vaqueiros, Boiadeiros e Pequenos Criadores da Microrregião dos Sertões de Canindé (AVABOCRI), fundada por Dina Martins, desenvolve um trabalho há mais de 40 anos de resgate, preservação e valorização da cultura dos vaqueiros. Estes vêm se apresentando livremente desde 1971, quando aconteceu a primeira missa dos vaqueiros, dentro da programação da maior festa franciscana da América Latina, que é a Festa de São Francisco das Chagas de Canindé. Atualmente a Associação tem 350 sócios.

“ABOIOS – O Som do Sertão” começou em 2007, quando a primeira versão deste projeto da AVABOCRI foi vencedora do III Edital de Incentivo as Artes, na área de música - categoria montagem de show, da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (SECULT). Pela primeira vez na história cearense era realizado um show musical composto somente por vaqueiros–aboiadores, tendo sido apresentado no Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura (Fortaleza), no Festival de Música da Ibiapaba (Viçosa do Ceará) e na Festa de São Francisco das Chagas de Canindé, para um público superior a 400 mil pessoas.

Em 2012, como vencedor do Edital Mecenas na área de música para a circulação do show e ampliação, com o patrocínio da Coelce, o projeto ressurge renovado, com novo espetáculo e abrindo caminho também para a formação de jovens e adolescentes por meio da inclusão digital.

Para o novo show, o grupo continuou com a pesquisa musical, focando nas canções de Luiz Gonzaga. Foi também a oportunidade de homenagear o Rei do Aboio e do Baião, representante maior desta cultura. Neste processo, nasce o desejo de fazer uma homenagem àquele que conseguiu transformar dor em alegria, música em poesia e que foi o expoente maior do sertão. O show tem direção geral de Fernanda Gomes e direção de arte de Clébio Viriato.

(Fotos: Festival de Ibiapaba)

Joan Baez canta "Mulher Rendeira"



Joan Chandos Baez (Staten Island, 9 de janeiro de 1941) é uma cantora norte-americana de música folk, conhecida por seu estilo vocal distinto e opiniões políticas apresentadas abertamente.

Joan Baez foi compositora e intérprete de música popular desde o início 1960 até os dias atuais. Baez é a irmã mais velha de Mimi Farinia, com quem compartilhou a paixão pela composição e sua visibilidade sem remorso como ativista política, embora Farinia fez sem muito alarde e de observação pública como Baez durante o tempo que ela estava viva.

A carreira profissional de Baez começou em 1959 no "Newport Folk Festival", onde, com 18 anos, foi a grande revelação. Ela lançou pela Vanguard Records no ano seguinte seu álbum de estréia, "Joan Baez", uma coleção de baladas tradicionais que vendeu moderadamente bem, chamando a atenção pela qualidade do repertório e por seu talento no violão acústico, aliado a sua bela voz de soprano. O álbum seguinte, "Joan Baez, Vol. 2", foi lançado em 1961. Ganhou um disco de ouro, o mesmo acontecendo com "Joan Baez in Concert", de 1962. Com apresentações regulares, Joan Baez tornou-se um fenômeno artístico.

Em 1963, já era considerada uma das cantoras mais populares dos Estados Unidos. Em 1964 lança o disco Joan Baez/5, incorporando neste trabalho uma seleção de populares canções folk dos Estados Unidos e da América Latina, com destaque para interpretações de composições dos músicos brasileiros Villa-Lobos e Zé do Norte. Além de folk tradicional e canções de protesto, ajudou a promover Bob Dylan, impressionada com suas composições iniciais e incluindo várias delas em seu repertório. Acabaram tornando-se namorados por um tempo, mas o relacionamento acabou em 1965. Entre seus sucessos históricos desta época, podem ser citados "We shall overcome", "With God on our side", "All my trials", além de outros...

Confira a interpretação de Baez para "Mulher Rendeira", de Zé do Norte, feita para o filme "O Cangaceiro" de Lima Barreto.


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

19 de novembro: dia do cordelista



O dia do cordelista foi criado em 2005 em Pernambuco, por uma lei estadual, cuja autoria foi do deputado Antônio Moraes. A data escolhida foi uma homenagem ao grande cordelista Leandro Gomes de Barros, nascido no dia 19 de novembro de 1865. Leandro é considerado por muitos o maior cordelista brasileiro e figura entre os principais poetas brasileiros do século XIX.

<<<Saiba quem foi Leandro Gomes de Barros>>>

Na época dos povos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartagineses, saxões, etc, a literatura de cordel já existia, tendo chegado à Península Ibérica (Portugal e Espanha) por volta do século XVI. Na Península a literatura de cordel tinha os nomes de "pliegos sueltos" (Espanha) e "folhas soltas" ou "volantes" (Portugal).

De Portugal, a literatura de cordel chegou no balaio e no coração dos nossos colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali se irradiou para os demais estados do Nordeste, sendo conhecido por aqui como ROMANCES.

Poetas populares, como Apolônio Alves dos Santos, diziam que a denominação LITERATURA DE CORDEL só apareceu na década de 1970, com as pesquisas de Raymond Cantel. Manoel Monteiro, poeta de Campina Grande, diz que foi o francês o primeiro a dizer que os folhetos de feira eram pendurados em barbantes e cordas. Na realidade, a literatura popular em versos (ou, o folheto), inicialmente, era vendida no chão, espalhados sobre lonas e carregados em malas.

O cordel, ao longo de sua história, passou por transformações. Se antigamente era praticado principalmente pelo homem da zona rural, com uma prevalência maior de temas ligados a área, como o cangaço, a pecuária e a agricultura, hoje o gênero passou por um processo de urbanização, onde profissionais dos mais variados incorporam temas de suas vivências a essa criação poética.

Para o colecionador de cordéis, Antonio Andrade, idealizador deste blog e difusor dos romances, o cordel "é a maior expressão da alma nordestina".

domingo, 11 de novembro de 2012

A excelente maravilha de Pereira da Viola



O cantador e violeiro Pereira da Viola, mineiro do Vale do Jequitinhonha, se apresentou em Vitória da Conquista neste sábado, 10 de novembro, no projeto Canto Lunar, promovido pelo Vivero de Cantigas. Quem foi ao Haras Nazaré Ranch não se arrependeu. Pereira mostrou porque é atualmente um dos principais violeiros do país, surpreendeu quem não conhecia o seu trabalho, fez gente cantar e dançar também. Ele nos concedeu algumas palavras. Confira!

RAÍZES
"Eu costumo dizer que nasci na beira de um fogãozinho de lenha, chamado de fruteira, onde todas as manhãs minha mãe fazia a canjica, fazia pipoca, cozinhava a batata e a mandioca e nós éramos os passarinhos que chegavam para comer esses frutos dados por esta fruteira. Isso fica no município de Teófilo Otoni, na região de São Julião, uma comunidade remanescente de quilombolas, hoje temos o título de sermos quilombolas. E muito cedo eu sai de casa para estudar fora. Fui para o Espírito Santo aos 11 anos de idade para começar a estudar - entrei na primeira série com 11 anos até chegar a me formar em magistério. Nesse momento, entre fazer um vestibular ou a música, eu preferi a música. Esse ambiente meu, da minha família, é um ambiente extremamente rico, do ponto de vista da arte, da cultura, da formação cultural, mas a formação também da ética, do compromisso humano acima de tudo, do respeito e mais a parte econômica sempre foi muito regrada, sempre trabalhamos para o sustento, tínhamos a terra, a mesma que temos até hoje, que meu pai conquistou com muita luta. Meu pai passou uma coisa básica para todos nós os filhos, aos oito homens e às cinco mulheres, que tem que trabalhar e trabalhe no que é seu. Nós não sabemos ser empregados, porque meu pai não deixava a gente trabalhar por dinheiro pra ninguém, mesmo na roça, podia ser o serviço que fosse. Isso é uma tônica pra todos nós. Ter escolhido a música como forma de me sustentar também passa por esse aspecto, costumo dizer que troquei a enxada pela viola, às vezes eu suo mesmo, porque é para suar mesmo, porque na enxada era assim... E acima de tudo eu costumo dizer que minha música é orgânica, é sem venenos, sem agrotóxicos, cultivada de forma bem orgânica mesmo, claro que tem um ou outro remedinho, um captador norte-americano que você compra, um microfone um pouquinho melhor, um somzinho melhor, mas a essência não muda, é aquela ali".

FORMAÇÃO MUSICAL
"Inicialmente a música vinha de forma muito genérica para mim, porque eu tinha a formação da música do rádio, das duplas caipiras, Tião Carrero, Milionário e José Rico... Aprendi primeiro o violão, depois a viola, tudo autodidata. Mas, nesse processo de construção chega um momento que eu via minha mãe falar sobre reforma agrária nos cultos via igreja católica que ela fazia lá em casa. E ela falava que ia ter reforma agrária e meu pai alertava que era perigoso falar da reforma agrária, isso era na década de 1970, e era realmente perigoso, mas ela dizia 'eu sei que é perigoso, mas está na Bíblia'. Então, a minha família vem dessa formação de ser contra a injustiça. Minha casa já tinha a tradição meio de ser um quilombo, quem chegava era acolhido, tinha sempre um prato de comida e um cantinho para dormir. Todos nós crescemos nesse ambiente e quando eu canto isso tudo está junto. Denunciar a injusttiça e valorizar aquilo que é real e que de fato engrandece o homem, a nossa existência, e as fantasias do mundo que vem lubridiando as pessoas não pegam a gente porque a gente tem essa formação familiar".

CULTURA POPULAR
"A cultura popular sempre foi o elemento que me ligou a isso tudo, é o elemento que me dá a dimensão espiritual, social e político também. São muitos os mestres e sábios que não sabem escrever o 'O' mas que dão lições de vida para muita gente que passou pela universidade e eu tenho isso como elemento forte na minha vida".

NORDESTE
"Nós dessa região de Minas somos muito influenciados pelo Nordeste, eu acho que a Rio-Bahia é um leva e traz de cultura o tempo inteiro. Para nós que nascemos na região de Teófilo Otoni, Vale do Jequitinhonha, Vale do Mucuri, a influência é direta, temos isso muito forte e a identificação mesmo".

LITERATURA DE CORDEL
"A minha mãe quando falava do que nós hoje chamamos de literatura de cordel, ela chamava de romance. 'Chegou um romance novo, vamos ler o romance de Zé Pretinho e Cego Aderaldo, Pavão Misterioso, A Chegada de Lampião no Inferno...', então era romance, todos lá em casa conhecem como romance e ela lia como ninguém. Leitura de cordel já é uma coisa chique."

DISCO "POTE"
"O 'Pote' é um disco feito em parceria com o João Evangelista, que é o poeta escritor de todas as músicas e as melodias feitas por mim e o violeiro Wilson Dias. É um disco que traz elementos desse ambiente de Guimarães Rosa, em alguns momentos tem pinceladas da poesia de Carlos Drummond de Andrade como referência. Esse ambientes rural e urbano estão trilhados nesse disco que eu, particularmente, gostei muito de ter feito".



Se melhorar, vira rapadura!

FILME: Ritos de passagem


O filme de Chico Liberato foi o longa-metragem escolhido para a abertura da oitava Mostra Cinema Conquista, iniciada no dia 7 de novembro, em Vitória da Conquista.

"Ritos de passagem" é uma animação, sob a estética do cordel, que trata sobre os estereótipos de duas figuras históricas do Nordeste Brasileiro: Antônio Conselheiro e Lampião – representados pelos personagens Santo e Guerreiro, enquanto seguem na barca de Caronte, rumo ao mundo dos mortos, confidenciando ao seu guia os acertos e erros enquanto estiveram em vida. No caminho, são influenciados pelo Anjo e o Demônio, que tentam atrai-los para o Céu e para o Inferno.

Leia matéria publicada no site do Ponto de Cinema em maio desse ano:

Chico Liberato, artista plástico e cineasta, um pioneiro (dirigiu Boi Aruá em 1983, o primeiro longa de animação da Bahia e um dos primeiros do Brasil), diz que o filme está correspondendo às expectativas. Faltam agora pequenos ajustes que serão realizados em Porto Alegre, após o que Ritos ganhará pré-estreia em Salvador. Como não poderia deixar de ser, erm se tratando de obra de Chico, em seu traço singular, o filme celebra a cultura sertaneja.

O espectador é logo situado nos acontecimentos trágicos, ocorridos no sertão baiano no final do século 19 e início do século 20. O filme evoca elementos da mitologia grega, ao tempo em que mostra o encontro de Antônio Conselheiro e Lampião, figuras representadas pelo Santo e o Guerreiro, em sua morte, que tomam a barca de Caronte para fazer a travessia do perigoso Rio da Morte, o Aqueronte, às margens do inferno.

Segundo os gregos, Caronte era o velho barqueiro responsável por conduzir as almas do mundo dos vivos para o mundo dos mortos. Para não ter que vagar pelas margens do rio, elas tinham que ser enterradas e pagar pela travessia. Por isso o costume dos gregos de colocar uma moeda na boca dos mortos.


No recorte feito por Alba, conta Chico, o Santo e o Guerreiro passam por um processo de reflexão sobre o que viveram no sertão, “através da lembrança de seus ritos de passagem – nascimento, batismo, transição da juventude para a idade adulta, morte e transcendência”.

O exautivo no trabalho, sobre o qual Alba Liberato fala, tem a ver com as especificidades da animação no tocante à reacriação da realidade com a interação da imagem e o roteiro escrito. “Trabalhamos juntos o tempo todo a adaptação do texto à imagem, da imagem ao texto – tudo é um organismo único”, complementa.

Foram 14 animadores de frente trabalhando para a realização do filme, que contou com cerca de 90 profissionais. Nomes como Harildo Déda, Jasckson Costa, Ingra Liberato, Olney São Paulo Jr., Caco Monteiro, Tina Tude e Dulce Valverde emprestam a voz aos personagens do filme. Na trilha sonora, com peças de João Omar, João Liberato e Ernst Widmer, a participação especial da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba), sob a regência do maestro Eduardo Torres e do próprio João Omar.

Assistra a um trecho:

sábado, 10 de novembro de 2012

Gonzaga além das fronteiras

Luiz Gonzaga teve a capacidade extraordinária de captar a alma do povo nordestino, do povo sertanejo e expressá-la, devolvê-la através do seu canto lírico ou de protesto.

Expressava a tristeza, a enorme alegria, o sentimento festivo que brotava dos rincões da imensidão tórrida nordestina ou dos vales e serras sempre verdes.

Ele foi um pássaro entre os pássaros canoros, se inspirava na imensidão do céu azul ou céu encoberto de nuvens cinzentas escuras anunciando lágrimas das alturas para banhar o corpo da terra, terra de onde Luiz saiu de suas entranhas e brotou como um raio de cantos que veio encobrir o Brasil e estendeu sua voz para além das nossas fronteiras, bem pra lá, lá para o Japão, Coréia...

Ouça algumas das versões internacionais de Asa Branca:
JAPONÊS


COREANO


INGLÊS


TURCO

Exposição no Palácio do Planalto homenageia trajetória de Luiz Gonzaga



A exposição "O Imaginário do Rei" fica em Brasília até 5 de dezembro, aberta à visitação de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, e aos domingos, das 9h30 às 14h30.

sábado, 3 de novembro de 2012

TV: entrevista com Frederico Pernambucano de Melo

Entrevista com o autor dos livros "Estrelas de Couro, a Estética do Cangaço" e "Guerreiros do Sol", na TV Cultura, no programa "Provocações".



quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A poesia de Chico Pedrosa


“Um vendedor de sonhos”. É assim que o poeta e Mestre da Cultura da Paraíba, Chico Pedrosa, se define. Apontado pela crítica como um dos dez maiores poetas populares do Brasil, no meio de uma constelação poética, que inclui Patativa do Assaré, Zé da Luz, Catulo da Paixão Cearense, Zé Praxedes e Zé Laurentino, Chico Pedrosa justifica que não tem nada a ver com o livro “O Vendedor de Sonhos”, do autor Augusto Cury. A auto-definição está relacionada com a sua vida de viajante por este Brasil afora e pelos sonhos e emoções que vende por meio das suas poesias.

Durante 36 anos, Chico Pedrosa foi vendedor de auto-peças. Andou o Nordeste inteiro com uma pasta e uma lista de preços. Enquanto abastecia o mercado com peças de automóveis, enchia de sonhos, utopias e ilusões os amantes da poesia. Foi inspirado em sua própria profissão, na luta pela sobrevivência, que ele fez o poema “O Vendedor de Berimbau”, que retrata o relacionamento, nem sempre amistoso, entre os vendedores e os clientes.

“Foi uma forma de protestar contra os ‘chás de cadeira’ que eu levei nas ante-salas das gerências dos estabelecimentos comerciais”, afirma. Quando se aposentou, na década de 1980, o poeta tomou o caminho de volta às origens. Dedicou-se exclusivamente à poesia. Continuou viajando, agora vendendo sonhos, como um dom Quixote do sertão, cavaleiro andante que vivia num mundo de sonhos e resolveu caminhar pela Espanha à procura de muitas aventuras.

O poeta caminha pelo Nordeste levando nos seus alforjes os 36 anos de experiência como vendedor e, principalmente, um amor telúrico ao sertão. Nos últimos anos, tem participado de diversos shows, apresentando sua poesia ao público nacional, em especial nas grandes capitais: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Brasília (DF) e Recife (PE). O seu poema mais conhecido é “Briga na Procissão”, também chamado “Jesus na cadeia”. Emotivo, como todo bom poeta, ele chora ao recitar algumas de suas poesias. De fato, não esconde a emoção das suas obras.

Biografia - Nascido em 1936, poeta popular e declamador, Chico Pedrosa tem três livros publicados: “Pilão de Pedra I”, “Pilão de pedra II” e “Raízes da Terra”, além de vários cordéis escritos. Tem poemas e músicas gravadas por cantores e cantadores como Téo Azevedo, Moacir Laurentino, Sebastião da Silva, Geraldo do Norte, Lirinha, dentre outros.

Lançou três CDs, intitulados “Sertão Caboclo”, “Paisagem Sertaneja” e “No meu sertão é assim”, registrando assim a sua poesia oral. Atualmente, ele é cultuado pela geração nova, como o pessoal do “Cordel do Fogo Encantado”, que em seus shows declamam poemas desse “poeta matuto”. (Texto de ANTÔNIO VICELMO - Diário do Nordeste)

Ouça "A briga na procissão", declamada por Lirinha, do Cordel do Fogo Encantado, e “O Vendedor de Berimbau”, declamado pelo próprio autor.