sábado, 31 de dezembro de 2011

Um 2012 arretado



Quem acaba são as pessoas,
Assim vovó já dizia.
Fim do mundo é história antiga,
Para o Ano Novo: uma poesia.
Com muito verso, causo e cantigas,
Vamos festejar com alegria
O ano de muita fartura.
Por Deus do céu e Ave Maria,
Que tudo chegue em dobro
No ano que se anuncia.
Forró, cachaça e mulher,
Nas festa. E nas romaria:
Que venha a chuva, tenho fé,
Pelo pão de cada dia.
Que os político corrupto
se acabem na mesquinharia.
Que as mães tenham leite,
Para alimentar a cria.
Que os pais tenham força,
Para a lida no dia-a-dia.
Que 2012 seja arretado,
Para você, seus pais e sua tia.
Só não esqueça de agradecer,
Ao fim de cada dia.
Faça tudo nos conforme,
Como seu pai já fazia.
Aqui se faz, aqui se paga,
Assim vovó já dizia.

(Ailton Fernandes, em nome da equipe Luz de Fifó)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Viva Luiz: do Mangue à primeira gravação


Enquanto esperava um navio para voltar a Pernambuco, Luiz ficou no Batalhão de Guardas do Rio de Janeiro. Um soldado o aconselhou:

- Mas, rapaz! Com um instrumento desses aí e na moita. Isso é dinheiro vivo, moço! Sei onde você com isso aí pode levar seus cinqüentões folgados!

Era no Mangue, Rua Júlio do Carmo, esquina de Carmo Neto. "Um fuzuê dos diabos", conta Luiz.

Ao barulho do movimento na rua juntava-se o rumor dos bares, da boêmia malandra e constante, soldados e marinheiros do mundo inteiro. Loiros, chinos, brasileiros, alemães, russos, polacos, o diabo. Desconfiado, Luiz começou a tocar timidamente. Mas logo conseguiu companheiro, o guitarrista Xavier Pinheiro, com quem passou a tocar nos bares do mangue, nas docas do porto, nas ruas, onde houvesse alguém disposto a ouvir e jogar alguns tostões no pires. Acabou sendo convidado para tocar em festinhas de subúrbio e nos cabarés da Lapa, após a meia-noite, quando encerrava seu "expediente" nas ruas da cidade. A sanfona garantia-lhe a sobrevivência e abria-lhe novos caminhos.

No Elite, gafieira da Praça da República, Luiz teria a primeira oportunidade de conhecer uma figura do rádio, o pianista cego Amirton Valim, de tocar seus forrós e chamegos do Nordeste. Era uma exceção, pois seu repertório continuava sendo o exigido pelo público da época: tangos, fados, valsas, foxtrotes, etc.

Foi tocando esses ritmos estrangeiros que Luiz fez as primeiras tentativas no rádio, arriscando-se nos programas de calouros de Silvino Neto e Ari Barroso. Fracasso total: nunca passava de uma medíocre nota 3. Até que um dia um grupo de estudantes cearenses chamou-lhe a atenção para o erro que cometia: por que não apresentava as músicas que crescera ouvindo e tocando, as músicas gostosas dos sanfoneiros do sertão como seu pai Januário e Mestre Duda?

- Bôas noite, seu Barroso.
- Rapaz, procure um imprego.
- Seu Ari, me dá licença pra eu tocar um chamego?
- Chamego?... O qui é isso no rol da coisa mundana?
- O chamego, Seu Barroso, é musga pernambucana.
- Como é o nome desse negócio?
- Vira e Mexe!
- Pois arrivira e mexe esse danado... a gente vê cada uma...

Luiz virou e mexeu com todo mundo. Ari Barroso deu-lhe nota 5 e o prêmio de 15$000. O público pediu bis, entusiasmado com a descoberta. Luiz também fazia uma descoberta:
- Havia ambiente para as músicas do nosso sertão, havia um filão a explorar, até então virgem quase não passavam de contrafações grosseiras aqueles programas sertanejos com emboladas e rancheiras.

Não deixou o pires do Mangue, mas começou a aparecer em programas de rádio, como o Zé do Norte, e a conhecer os compositores que admirava: Augusto Calheiros, Antenógenes Silva. Este último, ao saber que Gonzaga tocava no Mangue, profetizou:
- Pois vá se aguentando lá, que seu dia chegará.

E o dia começou a chegar quando Luiz, tocando no Mangue, foi procurado por Januário França. Precisava de um sanfoneiro para acompanhar Genésio Arruda numa gravação. Luiz hesitou:
- Será que eu acerto? 
- É sopa, rapaz.

Luiz saiu-se tão bem no acompanhamento que o diretor artístico da RCA, Ernesto Matos, pediu-lhe para tocar alguma coisa em solo. Luiz tocou duas valsas e uma rancheira. Matos gostou e acabou fazendo uma concessão:
- Agora meta lá esse negocinho do Norte que você disse que tem.

O "negocinho": o chamego Vira e mexe e o xote No Meu Pé de Serra.
- Amanhã pode vir gravar.

(Fonte: Abril Cultural)

Um cordel sobre o Natal...



Textos: Euriano Sales
Ilustrações: Meg Banhos
Locução e Edição: Euriano Sales
Trilha: Sa Grama

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

“Lampião, com esse pecado não” é inspirado na literatura de cordel



O espetáculo retrata o imaginário popular do cotidiano de Virgulino Ferreira da Silva, o famigerado Lampião, em suas ações desafiadoras nas bandas do sertão brasileiro no áureo período do cangaço e sua terrível peleja para entrar no céu. Ricamente apoiada na literatura de cordel, a trama da peça envolve o espectador num jogo de tomada de decisão: herói ou bandido, justiceiro ou arruaceiro, indulgente ou intolerante? Nós, os contadores de causos, não tomaremos partido, será vossa mercê com vossos ouvidos, olhares e sentidos que vai meditar e arrematar a discussão.


Lampião, Com Esse Pecado Não
Cia. Grigri – A Trupe da Biblioteca Itinerante
(Secretaria Municipal de Educação e Cultura da Prefeitura de Itabuna)

Dia 04 de janeiro de 2012.
No Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, às 20h
(Abertura da Temporada Verão Cênico em Vitória da Conquista)
Ingressos: R$ 1.

Fotos: Divulgação (http://ciagrigri.blogspot.com)

sábado, 24 de dezembro de 2011

Nasceu o Deus menino...


Santos reis, Santos coroados 
Vinde ver quem vos coroou 
Foi a Virgem mãe sagrada 
Quando por aqui passou 

O caminho era torto 
Uma estrela vos guiou 
Em cima de uma cabana 
Essa estrela se poisou 

A cabana era pequena 
Não cabiam todos três 
Adoraram Deus Menino 
Cada um por sua vez.

(Cantiga de Reis)

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Viva Luiz: assim cresceu Gonzaga


Ajudando o pai na roça e na sanfona, acompanhando a mãe às feiras, fazendo pequenos serviços para os fazendeiros da região, sendo protegido pelo Coronel Manuel Aires de Alencar. Sr. Aires era homem bondoso e respeitado até pelos inimigos. Luiz, embora filho de trabalhador, era muito bem tratado pelos Aires de Alencar. As filhas do Cel. ensinaram-lhe as poucas letras que aprendeu: assinar o nome, "ler uma carta e escrever outra". Ensinaram-lhe também a falar correto, comer direito, boas maneiras.

Sanfona de oito baixo
Foi o Sr. Aires quem realizou o grande sonho de Gonzaga: ter uma sanfona própria. O instrumento, uma harmônica amarela marca "Veado", custava 120$000, Luiz tinha 60$000 economizados. O Cel. pagou o resto. Mais tarde foi reembolsado por Luiz com o fruto de seu trabalho de sanfoneiro.

O primeiro dinheiro ganho com sua sanfona foi no casamento de Seu Dezinho, em Ipueira: ganhou 20$000. Foi nessa festa que sua fama de bom sanfoneiro começou a fixar-se. Luiz sentiu que seu destino era aquele quando, no meio do baile, Mestre Duda, o mais respeitado sanfoneiro da região, soltou o elogio: "Esse menino é um monstro pra tocar".

- Foi o maior elogio que já recebi na minha vida - disse Gonzaga.

Quando descansava da sanfona, Luiz dançava e namorava. Uma vez, pensou em casar, comprou até alianças, mas Santana acabou com o noivado do adolescente. A coisa foi pior quando entrou para um grupo de escoteiros, em Exu, e começou um namoro de olhares com Nazinha, filha de Raimundo Delgado, um importante da cidade. A primeira conversa entre os dois confirmou o interesse mútuo. Pensando novamente em casamento, Luiz foi falar com os pais da moça. Raimundo não estava; a mãe foi simpática, mas deu a entender que o pai não aprovaria o namoro. Dias depois, um amigo contava a reação de Raimundo:

- Um diabo que não trabalha, não tem roça, não tem nada, só puxando aquele fole, como é que quer se casar? É isso, mora nas terras dos Aires e pensa que é Alencar. Os Aires podendo tirar o couro daquele negro. Dão liberdade e agora quer moça branca pra se casar...

Luiz não hesitou; comprou uma peixeira e foi tirar satisfações do homem, disposto a matá-lo. Raimundo conseguiu desconversar e contou tudo a Santana. O resultado foi uma surra no valentão, a maior que recebeu na vida. Santana açoitou-o até perder as forças e cair sentado num banco. Luiz, assim que se recompôs, fugiu para o mato.

Em família: Gonzagão e os irmãos dançando e os pais tocando
Em Crato, Luiz mentiu que ia a Fortaleza comprar um fole novo. E vendeu o velho para Raimundo Lula, tomando o trem que o levava pra uma resolução: entrar para o Exército. Queria deixar para sempre Exu, a vergonha do quase crime e de uma surra aos dezessete anos. Como tantos homens do interior, ia para a capital, buscar no Exército uma vida melhor.

Tornou-se o recruta 122 numa época violenta: a Revolução de 1930 logo estourava no Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraíba. Para este último Estado seguiu o batalhão de Luiz, aderindo aos revoltosos na cidade de Sousa. Os meses seguintes foram de missões ao Pará, interior do Ceará e Teresina, agora em defesa da revolução vitoriosa. Na capital do Piauí, Luiz, que estava prestes a dar baixa, conseguiu o engaiamento e foi para o Sul: Rio, Belo Horizonte, Campo Grande, Juiz de Fora.

Tinha agora um apelido: "Bico de Aço", pois tornara-se corneteiro muito competente. Com a sanfona, tivera um reencontro muito triste. Foi tocar na orquestra do quartel, o maestro falou:

- Gonzaga, dá um Mi Bemol aí.

- Mi Bemol? Que diabo é isso?

E assim o bom sanfoneiro de Exu ficou de fora da orquestra: não sabia nem a escala musical. Mas decidiu aprender. Mandou fazer uma sanfona com Seu Carlos Alemão e começou a estudar com Domingos Ambrósio, O Dominguinhos, famoso sanfoneiro de Minas. Aprendia o Mi Bemol e as músicas que se tocavam no centro do país: polcas, valsas, tangos.

Transferido para Ouro Fino, sul de Minas, lá tocou pela primeira vez num clube, "assassinando" o repertório de Augusto Calheiros e Antenógenes Silva. Os bons tempos de caserna estavam no fim. Uma nova lei proibia que Luiz ficasse mais de dez anos engajado. Depois de uma ida a São Paulo, em busca de um fole melhor, retornou à vida paisana. Era 1939, Luiz Gonzaga não sabia direito o que fazer.

    "Cum um bocado de roupa
    Minha sanfona e dinheiro
    Eu vim pra terra da luz
    Que é o Rio de Janeiro;
    Tive meu primeiro emprego
    Meu amigo não se zangue;
    Foi num canto de café
    Ali pertinho do Mangue."

A história continua na próxima postagem...

Fonte: Abril Cultural

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Natal encantado com cordel



Durante a programação do Natal da Cidade, a Casa do Cordel encontra-se de portas abertas para receber seus visitantes. Integrando a Vila de Jesus Menino, uma das casinhas montadas em frente ao Memorial Régis Pacheco, na Praça Tancredo Neves, abriga os populares folhetos da nossa literatura nordestina.

O cordel atrai crianças, jovens e adultos que saem fascinados com a beleza e o encanto das luzes de Natal, mas também com as rimas e os versos dos cordelistas, poetas que encantam em qualquer época do ano a toda gente.

Essa é a primeira vez que a Casa do Cordel - já tradicional durante os festejos juninos, é montada durante o Natal da Cidade. Além da literatura de cordel, o professor Antonio Andrade, dono do acervo, expõe livros, fotografias, peças de artesanato e outras poesias, obras que retratam o cangaço, a cultura nordestina e a vida sertaneja. Algumas delas poderão ser adquiridas no local.

Faça sua visita, até o próximo dia 25, a partir das 18 horas.  

sábado, 17 de dezembro de 2011

Aos leitores - estrangeiros ou não


O objetivo do blog Luz de Fifó é espalhar por todos os cantos as riquezas e belezas contidas nas histórias da literatura de cordel, nos causos e histórias do cangaço, nas músicas e nas poesias escritas por nordestinos que orgulham-se ao cantar e declamar versos sobre e para a nossa região e o mundo - sejam eles fantasiosos ou verídicos. Desde maio deste ano, estamos esparramando um pouco disso tudo aqui na blogosfera. Temos alcançado cada vez mais pessoas. O número de acessos só aumenta e nos dá ainda mais vontade de continuar esse trabalho, pois é uma prova do quanto a nossa cultura popular é admirada pelo mundo afora.

Isso mesmo, pelo MUNDO afora. Nos surpreendeu ao acompanhar as estatísticas do servidor, que nos revelou acesso em países de todos os continentes. Somos vistos nos Estados Unidos, Portugal, França, Alemanha, Rússia, Holanda, Chile, Letônia, Dinamarca, Reino Unido, Polônia, Ucrânia, Argentina, Canadá, Japão...

Podem existir diversos motivos para que estrangeiros acessem o nosso blog (desde a pesquisa à curiosidade, passando pela saudade - afinal há nordestinos e brasileiros esparramados por todo o planeta), mas uma coisa é certa: o que traz muita gente até aqui é o deslumbramento provocado pelos versos e histórias carregados de símbolos do Nordeste, que nos remota às lembranças da infância, a lugares que conhecemos, aos parentes distantes e até mesmo aos sentimento de patriotismo que todo sertanejo carrega por amor à sua terra (mesmo que não seja dessas bandas de cá).

Dessa forma, agradecemos a todos, estrangeiros ou não, por estar conosco. Acompanhando as atualizações e participando desse blog, afinal não faria sentido o Luz de Fifó sem os seus leitores. Seja qual for o motivo que lhe trouxe até aqui, seja muito bem vindo e volte sempre. Juntos continuaremos a divulgar a cultura popular nordestina, reconhecendo sua beleza e seu encantamento em qualquer parte do mundo.

Comente, repasse e indique o Luz de Fifó. Muito obrigado,
Antonio Andrade e Ailton Fernandes.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sangue, vingança, mito e música na Paraíba

Vista panorâmica da cidade paraibana
O paraibano Chico César já havia retratado a fama da sua cidade natal em música:

"Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins, não contudo
Pé quebrado verso mudo
Grito no hospital da gente
Catolé do Rocha
Praça de guerra
Catolé do Rocha
Onde o homem-bode berra
Bari bari bari
Tem uma bala no meu corpo
Bari bari bari
E não é bala de côco"

Esse é um trecho da música Beradêro, que coloca a valentia e a vingança dos paraibanos de Catulé do Rocha em evidência. No último domingo, a série de assassinatos que tem acontecido na cidade nos últimos trinta anos foi tema de uma reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo. Confira abaixo:



O compositor e cantor, filho nobre da cidade de quase 30 mil habitantes, localizada há mais de 400 km da capital João pessoa, explicou, em entrevista, o porquê da música inspirada na cidade natal e, segundo ele, até Lampião evitou passar por lá. Leia a resposta completa:

"Catolé do Rocha, praça de guerra". O que é a praça de guerra de Catolé? 
Catolé é uma cidade que tem uma tradição, ou talvez, até um mito, de ser uma cidade bastante violenta, de famílias tradicionais que se enfrentam, onde as pessoas sempre falam, "Em Catolé, as pessoas matam um e deixam outro amarrado para matar no dia seguinte!" Isso tudo, na verdade, é fantasia. E há uma outra fantasia que é a seguinte: Lampião nunca passou em Catolé. Ele estava em Pombal - que é uma cidade antes de Catolé, e Catolé fica no caminho para o Rio Grande do Norte - e mandou um espiar ver como estava a cidade. Ele sempre mandava alguém. Aí, o cara voltou e falou, "Capitão, tá todo mundo armado na cidade. De foice, bodoque, espingardinha de chumbo. A cidade inteira está lhe esperando pra quebrar o pau! Aí Lampião fez uma volta mais longa pra ir onde ele queria. E não passou por lá. Então, Catolé tem esse negócio. Existe, no Rio de Janeiro, uma praça chamada Catolé do Rocha, que foi onde começou a matança de Vigário Geral. A polícia chegou - foi uma vingança contra umas mortes que havia acontecido contra a polícia do Rio de Janeiro - e matou uns quatro ali no bar, que ficava na praça. E dali entrou em Vigário Geral. Matou uma família inteira e... Essa praça chama-se Catolé do Rocha que, provavelmente, é uma homenagem à minha cidade. As pessoas que começaram morando ali há muitos anos eram da cidade. Eu já tinha a música "Béradêro" e estava na Paulista - naquela banca quase em frente ao cinema Belas Artes, quase em frente à livraria, na esquina da Paulista com a Consolação - e vi, desenhadinho no jornal, as cenas do crime. Aí, praça Catolé do Rocha. Li tudo e saí andando com o negócio na cabeça. E aí nasceu essa última estrofe que fala do "Catolé do Rocha, praça de guerra / Catolé do Rocha, onde o homem-bode berra". Pra mim, era como se a minha cidade, com o seu ambientezinho rural, da violência rural, da violência entre famílias, de machezas, se transferisse para a violência urbana, no Rio de Janeiro, com o ambiente do tráfico, da polícia. Compus na rua mesmo. Cheguei em casa e juntei com o resto da música que já existia e que já cantava antes. Agora eu canto sempre. As pessoas em Catolé acham que é uma homenagem à cidade. E é, também. Nasceu disso.

Ouça a música no vídeo abaixo:

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Viva Luiz: o começo


O Luz de Fifó começa hoje uma homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, o rei do baião. Até o dia 13 de dezembro de 2012, quando completaria seus 100 anos de idade, iremos publicar matérias sobre a vida e a obra de um dos mais importantes artistas do século passado. Gonzagão continua vivo na memória e nas lembranças de muita gente, foi imortalizada por sua própria música. Hoje, é impossível se falar do Nordeste, de música brasileira, de forró e da cultura brasileira sem citar o filho do velho Januário e de dona Santana. Portanto, vamos viver um pouco de Luiz!

Seu Januário e Dona Santana
Luiz Gonzaga nasceu em Exu (PE), em uma fazenda chamada "Caiçara", a 3 léguas da cidade. Filho de Januário e Ana Batista (conhecida por Santana), ele ganhou esse nome em homenagem à Santa Luzia, que era seu dia.

Aos sete anos, Luiz já pegava sua enxada. Mas preferia ficar olhando o pai consertar sanfonas e observar como se tocava esse instrumento. Januário era sanfoneiro respeitado em toda a região. E Luiz via o pai tocar, estudando os movimentos dos dedos, louco para experimentar o fole.

Um dia, o pai na roça, Santana na beira do rio, Luiz pegou uma sanfona velha e começou a tocar. Com poucas tentativas já conseguia tirar melodias do instrumento. Foi quando a mãe chegou e lhe deu um safanão. Não queria um filho sanfoneiro que se perderia no sertão. Mas Januário gostava das tendências musicais do filho. Deixava o filho ir tocando as sanfonas que vinham de longe para serem consertadas. Só se assustou quando um dono de um terreiro muito concorrido, pediu licença para Luiz tocar num baile. O menino irrequieto e cheio de iniciativa, já andara tocando por lá, sem que Januário soubesse, fazendo grande sucesso.

- Fale com Santana, ela é que resolve - disse Januário, ao mesmo tempo orgulhoso e temeroso pelo filho.

Santana a princípio negou, mas depois resolveu deixar na mão dos homens o assunto. Conversa vai, conversa vem, Januário consentiu:

- E se der sono nele por lá?

- Ora, a gente arma a rede e manda ele drumi - respondeu o dono do terreiro, com o sanfoneiro já garantido para a festa.
Januário ao lado do filho já famoso
Naquela noite Luiz tocou com todo entusiasmo, agradando em cheio. Mas realmente não resistiu. Os olhos pesaram, a sanfona tornou-se um fardo e o menino foi para a rede. Tão menino ainda que fez xixi enquanto dormia, fugindo para casa com vergonha.

A partir de então passou a acompanhar Januário pelos forrós daquele sertão. Santana a princípio discordava mas calou-se depois de ver os dois mil réis que o menino ganhava revezando-se com o pai na sanfona.

A história continua na próxima postagem...

Fonte: Abril Cultural

sábado, 10 de dezembro de 2011

Orgulho de ser nordestino

A música de Flávio José é uma boa resposta para os que se julgam melhores por morar em outras regiões do país e cometem o erro de sair dizendo besteira por aí sobre nós e o nosso Nordeste - hoje, "quem veste de orgulho a nação".

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Entrevista à TV Web Cultura

Entrevista realizada durante a IV Conferência Estadual de Cultura da Bahia pelo portal TV Web Cultura. Confira!

“Precisamos respeitar a nossa identidade”

Antônio Andrade foi destaque no blog da IV Conferência Estadual de Cultura da Bahia (Secult-BA), onde expôs seu acervo de cordeis e contribuiu com a divulgação da rica cultura nordestina, do artesanato à poesia, como postamos anteriormente. Confira abaixo a postagem do blog da Conferência:

Foto de Alex Oliveira (Agecom-BA)
Antônio de Andrade é professor e se dedica à divulgação da cultura sertaneja. Em um stand montado durante a IV Conferência Estadual de Cultura, ele exibe cordéis, fotografias da época do Cangaço, xilogravuras, além de livros de diversos artistas do Nordeste. “Se a gente não valorizar a nossa cultura, quem vai respeitar? É preciso divulgar a cultura popular, a identidade viva do nosso povo”, disse Antônio.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Cordel na Conferência


Antonio Andrade levou os seus cordéis para a IV Conferência de Cultura do Estado da Bahia, que acontece no Centro de Cultura Camilo de Jesus Lima até este sábado, 3/12. A banca de folhetos tem chamado atenção dos participantes da conferência, que reúne pessoas de todo o estado. Outros atrativos são o artesanto, principalmente as peças decorativas esculpidas em carnaúba, madeira símbolo do Ceará, e as fotogafias de cangaceiros do bando de Lampião.

Passa lá para conferir!

Abaixo algumas fotos.







terça-feira, 29 de novembro de 2011

ZÉ DO TELHADO E LAMPIÃO: HEROIS POPULARES (Portugal e Brasil)




José Teixeira da Silva, vulgo Zé do Telhado nasceu em 22/06/1818 na aldeia de Castelões de Recesinhos, comarca de Penafiel, região da cidade do Porto, norte de Portugal. Salteador de 1842 a 1859. Foi considerado o Robin dos Bosques.

Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião nasceu em 04/06/1898 de acordo com o batisterio, na cidade de Serra Talhada, situada no sanguentro e poético vale do Pajeú, sertão de Pernambuco.

Zé do Telhado mito português e Lampião mito brasileiro. Os dois se destacaram por atos de bravura, enfrentamento e heroismo. Também se destacaram pelo o extinto militar. Zé do Telhado foi condecarado pela a Ordem da Torre e Espada, do Valor, Lealda e Merito. Aqui no Brasil Lampião foi condecorado por parte do povo, virou mito. Perseguidos entraram na bandidagem, as portas se fecharam para ambos. Zé do Telhado substituiu o Bandoleiro Custódio, o Boca Negra. Lampíão, Bandoleiro substitui Sinhô Pereira. Ambos julgados por crimes pelos tribunais, porém contavam com apoio de pessoas importantes. Zé do Telhado cresceu a barba e Lampião cresceu o cabelo. Ásperos mas tinham bondades.

sábado, 26 de novembro de 2011

Livro afirma que cangaceiro Lampião era gay; família consegue impedir publicação


A vida de Virgulino Lampião que viveu no início do século passado e atuou no sertão nordestino, tido como herói por uns, e assassino e ladrão por outros, virou mais um livro. O cangaceiro que viu seus pais serem assassinados e espalhou uma onda de vingança e terror pela região seria gay, segundo livro.

O personagem é tema do livro “Lampião, o Mata Sete” do juiz aposentado e advogado Pedro de Morais, que seria lançado no próximo dia 1° de dezembro, na sede da OAB de Sergipe, e que defende que o rei do cangaço era homossexual. Padre Cícero, emboscadas, perseguição policial e o ambiente carente do sertão são pontos abordados pelo livro que vai além e conta o dia a dia no bando de ladrões que viraram heróis por combater o poder estabelecido e coronelista da época.

Não é o primeiro trabalho que afirma que o homem temido por uns e adorado por outros era do bordado e não do babado. É sabido que Lampião era hábil costureiro e confeccionava suas próprias vestimentas e calçados. Há até boatos de que um de seus homens, Corisco, era seu amante e que Maria Bonita só foi aceita no bando para afastar a fama de baitola do chefão. A fama de feia da tal Maria Bonita, mulher macho sim senhor também é abordada no livro.

O livro apresenta diversos relatos e estudos sobre a teoria de que Lampião era um homossexual. Entre elas, a teoria do professor Luiz Mott, doutor em antropologia, do Grupo Gay da Bahia, que força teses anteriores de que Lampião não era machão em sua intimidade e adorava perfume francês, usava um lenço de seda e muitos anéis nos dedos.

Ao ser morto em 1938, Lampião, Maria Bonita, Corisco e outros do bando tiveram suas cabeças decepadas e exibidas em praça pública. Por décadas as famílias não conseguiram dar um enterro digno a estas figuras lendárias da história brasileira. Parece que até hoje eles estão condenados a não descansarem em paz.

Ação na justiça - A família de Lampião conseguiu na Justiça sergipana impedir, na noite de quinta-feira (24), o lançamento do livro ‘Lampião, o mata sete’, de Pedro de Morais, que sustenta que o cangaceiro era gay. Em Aracaju, vivem uma filha de Lampião, Expedita, e netos.

Segundo o cineasta Zoroastro Sant'Anna, que faz um filme sobre Lampião, há 186 livros sobre o valentão, mas, nenhum questionou sua sexualidade. (Do site Paraiba.com.br)

O livro ainda afirma que Maria Bonita era adúltera - a filha do casal seria de outro homem, segundo o escritor Pedro Morais. "Não sou eu o primeiro a dizer isso, não. O professor Luiz Mott há mais de 30 anos já dizia isso", explica o juiz, dizendo que o cangaceiro namorava com um homem que também se relacionava com Maria Bonita, de nome Luis Pedro. (Do site iBahia)

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A Casa do Cantador


Inaugurada em 9 de novembro de 1986 e localizada em Ceilândia, cidade que concentra um grande número de imigrantes da Região Nordeste, a casa do cantador é considerada o Palácio da Poesia e da Literatura de Cordel no Distrito Federal. O local é palco de apresentações de grandes nomes da cultura nordestina, como cantores de repente e embolada; exposição de culinária nordestina, inclusive a cozinha do local recebeu o nome de Maria Bonita; oficina de música e trabalhos de inclusão digital. Conta também a biblioteca batizada de Patativa do Assaré, na qual é possível encontrar um grande acervo de cordéis, entre eles exemplares de Jorge Amado e Ariano Suassuna.

Além de centro de cultura, a casa possui um alojamento com a estrutura semelhante à de um pequeno hotel. Quando grandes escritores de outros estados vêm à Capital Federal para participar de eventos, podem ficar alojados na casa gratuitamente por um período de até 40 dias. Isso contribui para que artistas que não têm muitos recursos possam vir apresentar seus trabalhos em eventos no Distrito Federal, como a Feira do livro. Além de aumentar o intercâmbio entre os artistas do DF e de outros estados.

Projetada por Oscar Niemeyer, a casa é a única obra do arquiteto fora do Plano Piloto. Sua arquitetura é mantida quase original, visto que a administração anterior fez algumas alterações, na qual tirou uma porta e acrescentou janelas de vidro. A atual administradora alterou as cores da fachada e teve que voltar a pintura original por exigência do próprio Niemeyer, que não permite modificações em suas obras. A casa apresenta uma concha acústica que permite a evasão do som para todo ambiente, assemelhando-se a um teatro, onde é possível ouvir com clareza até nas últimas fileiras da arquibancada. Essa característica torna a casa um ótimo palco para a propagação da cultura nordestina, seja por meio da música ou do teatro.


A Casa do Cantador fica na QNN 32, na Ceilândia Sul. Mais informações no blog.

Contatos: (61)3378-5067 / 3378-4891
E-mail: casadocantadordobrasildf@gmail.com

Matuto no cinema

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Ino no Cangaço

O cantador Xangai participou da edição especial com artistas nordestinos do programa Sarau, da Globo News, apresentado por Chico Pinheiro. Falou sobre sua origem e sobre cidades da região de Conquista e cantou INO NO CANGAÇO (composta em parceria com Ivanildo Vila Nova). Confira no vídeo abaixo.



Para assistir ao programa completo, clique aqui.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Novo filme retratando o cangaço


"DE VOLTA AO CANGAÇO" TERÁ CENAS ELETRIZANTES DE PERSEGUIÇÃO

Estão a todo vapor as gravações do novo filme do mortugabense Paulo Sérgio Nogueira, as primeiras cenas com qualidade de imagem e cuidado nos detalhes em relação ao roteiro já fazem desse novo filme um marco no cinema do estado da Bahia. O longa ambientado na caatinga leva para o passado e futuro, cangaceiros, jagunços e boas doses de ação eletrizantes e humor que irão agradar o público. Algumas cenas serão rodadas em Vitória da Conquista. "De volta ao Cangaço" deve estrear em dezembro e tem parceria com a Fundação Pedro Calmon de Salvador e a Mortugaba Filmes.

Por Max Dayan Barbosa (do site Divulga Mais Fácil

Escola de samba homenageará Luiz Gonzaga

A Escola de Samba Mocidade Unida da Glória, de Vila Velha no Espírito Santo, irá homenagear o rei do baião no ano do seu centenário.

Luiz Gonzaga faria 100 anos em dezembro de 2012 e se tornou enredo da escola com o tema: GONZAGÃO! FILHO DO SERTÃO, MAJESTADE DO BAIÃO, 100 ANOS EM GLÓRIA!

Abaixo a letra do samba que tomará a avenida no carnaval do próximo ano em Vitória.


Compositores: 
Diego Nicolau, Mauricio Bona, 
Claudinho Vagareza e Thiago Brito

É festa, amor! Que felicidade!
Cai na folia, não se "avexe" não
De vermelho e branco,
minha mocidade
Vem exaltar o mestre Gonzagão

Puxa o fole, sanfoneiro
Chama o mundo inteiro que eu vou versar
A vida desse "cabra bão", filho do sertão
Que o "Luar de Prata" veio iluminar
Luiz do Nascimento, um "Talismã"
que em exú nasceu
"Gonzagamente" genial,
pernambucano especial
Do pai herdou acordes
Jovem talento que o reisado batizou
"de Januário" mostra seu valor
que Deus abençoou

Segue o traço do destino, cantador
Pelo meu Brasil menino, vai brilhar
Faz do Rio, morada e da noite, canção
Leva a saudade no seu coração

Meu "Padim Padi Ciço" guia a tua andança
"Vira e Mexe" a emoção
Nas ondas do rádio se torna herança
No palco, é xote e xaxado,
é o consagrado Rei do Baião
O mundo abraça ligeiro esse valente "leão"
Oh! Meu pé de serra, minha "Asa Branca”
Jamais irei te esquecer
Se as "Vozes da Seca" calaram
É o sinal que o amor vai florescer
"Velho Lua", "Vida de Viajante"
são recordações
Que teu peito guardou em forma
de canções

Para ler a sinopse do enredo clique em Mais Informações.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

ZÉ DO MESTRE

ZÉ DO MESTRE

Zé do Mestre nasceu em 1938  no município de Salgueiro, Pernambuco. O famoso Zé do Mestre começou na arte com apenas 6 anos de idade, junto com seu pai Luiz Eugênio Barbosa, o mestre Luiz. Zé fabrica roupa de vaqueiros, confeccionava  a indumentaria de couro de Luiz Gonzaga e tem suas peças exportadas para nove países, entre eles o Canadá, Holanda e EUA. Entre figuras de destaque que tem indumentarias de (roupa de vaqueiro) couro produzidas pelo Zé do Mestre, a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e o rei Juan Carlos da Espanha. Além de grande artesão Zé do Mestre se considera um ambientalista, amante e defensor da natureza e poeta. Ele reside atualmente no interior de Salgueiro, distante 17 km da sede. 

Uma estrofe de poesia do Mestre: 
"Eu sou vaqueiro afamado de bois das caatingas 
Sou poeta, artesão e ambientalista
Sou irmão do sabiá 
Sou primo do Patativa."   



Fotos do Tuíca e do Zé do Mestre











Cangaço: Epopeia de Guaribas

No município de Porteiras, sul do Ceará aconteceu uma das maiores tragédias do movimento do cangaço. Circulou informação que o afamado Cangaceiro Lampião estava de coito na sede da fazenda Guaribas de propriedade de Francisco Pereira Lucena, vulgo Chico Chicote. Se destacaram no combate ao movimento cangaceiro as chamas Forças Volantes, compostas de policiais e também civis encorporados. Certo momento uma Volante composta de 150 soldados da Paraíba, Pernambuco e Ceará, diante da informação que circulava resolveu atacar a sede da fazenda de Chico Chicote, foram 32 horas de combate. Dentro da residência se encontravam 4 homens e 2 mulheres da família do Chico, as mulheres colaboraram colocando panos molhados para esfriar os canos dos rifles e os homens da família sustentaram o fogo. Resultado: 37 pessoas mortas, 27 policiais e 10 civis. De dentro da residência foram 2 mortos com mais 8 civis da fazenda Guaribas. Nas fotos reveladoras se destaca o coqueiro resistente todo furado de bala.    












 Nesta foto a presença dos historiadores e curiosos. 

 Tuíca do Cordel.