terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Viva Luiz: o começo


O Luz de Fifó começa hoje uma homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga, o rei do baião. Até o dia 13 de dezembro de 2012, quando completaria seus 100 anos de idade, iremos publicar matérias sobre a vida e a obra de um dos mais importantes artistas do século passado. Gonzagão continua vivo na memória e nas lembranças de muita gente, foi imortalizada por sua própria música. Hoje, é impossível se falar do Nordeste, de música brasileira, de forró e da cultura brasileira sem citar o filho do velho Januário e de dona Santana. Portanto, vamos viver um pouco de Luiz!

Seu Januário e Dona Santana
Luiz Gonzaga nasceu em Exu (PE), em uma fazenda chamada "Caiçara", a 3 léguas da cidade. Filho de Januário e Ana Batista (conhecida por Santana), ele ganhou esse nome em homenagem à Santa Luzia, que era seu dia.

Aos sete anos, Luiz já pegava sua enxada. Mas preferia ficar olhando o pai consertar sanfonas e observar como se tocava esse instrumento. Januário era sanfoneiro respeitado em toda a região. E Luiz via o pai tocar, estudando os movimentos dos dedos, louco para experimentar o fole.

Um dia, o pai na roça, Santana na beira do rio, Luiz pegou uma sanfona velha e começou a tocar. Com poucas tentativas já conseguia tirar melodias do instrumento. Foi quando a mãe chegou e lhe deu um safanão. Não queria um filho sanfoneiro que se perderia no sertão. Mas Januário gostava das tendências musicais do filho. Deixava o filho ir tocando as sanfonas que vinham de longe para serem consertadas. Só se assustou quando um dono de um terreiro muito concorrido, pediu licença para Luiz tocar num baile. O menino irrequieto e cheio de iniciativa, já andara tocando por lá, sem que Januário soubesse, fazendo grande sucesso.

- Fale com Santana, ela é que resolve - disse Januário, ao mesmo tempo orgulhoso e temeroso pelo filho.

Santana a princípio negou, mas depois resolveu deixar na mão dos homens o assunto. Conversa vai, conversa vem, Januário consentiu:

- E se der sono nele por lá?

- Ora, a gente arma a rede e manda ele drumi - respondeu o dono do terreiro, com o sanfoneiro já garantido para a festa.
Januário ao lado do filho já famoso
Naquela noite Luiz tocou com todo entusiasmo, agradando em cheio. Mas realmente não resistiu. Os olhos pesaram, a sanfona tornou-se um fardo e o menino foi para a rede. Tão menino ainda que fez xixi enquanto dormia, fugindo para casa com vergonha.

A partir de então passou a acompanhar Januário pelos forrós daquele sertão. Santana a princípio discordava mas calou-se depois de ver os dois mil réis que o menino ganhava revezando-se com o pai na sanfona.

A história continua na próxima postagem...

Fonte: Abril Cultural

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