Viva Luiz: o começo
O Luz de Fifó começa hoje uma homenagem ao centenário de Luiz Gonzaga,
o rei do baião. Até o dia 13 de dezembro de 2012, quando completaria seus 100
anos de idade, iremos publicar matérias sobre a vida e a obra de um dos mais
importantes artistas do século passado. Gonzagão continua vivo na memória e nas
lembranças de muita gente, foi imortalizada por sua própria música. Hoje, é
impossível se falar do Nordeste, de música brasileira, de forró e da cultura
brasileira sem citar o filho do velho Januário e de dona Santana. Portanto,
vamos viver um pouco de Luiz!
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Seu Januário e Dona Santana |
Luiz Gonzaga nasceu em Exu (PE), em uma
fazenda chamada "Caiçara", a 3 léguas da cidade. Filho de Januário e
Ana Batista (conhecida por Santana), ele ganhou esse nome em homenagem à Santa
Luzia, que era seu dia.
Aos sete anos, Luiz já pegava sua enxada. Mas preferia ficar olhando o
pai consertar sanfonas e observar como se tocava esse instrumento. Januário era
sanfoneiro respeitado em toda a região. E Luiz via o pai tocar, estudando os
movimentos dos dedos, louco para experimentar o fole.
Um dia, o pai na roça, Santana na beira do rio, Luiz pegou uma sanfona
velha e começou a tocar. Com poucas tentativas já conseguia tirar melodias do
instrumento. Foi quando a mãe chegou e lhe deu um safanão. Não queria um filho
sanfoneiro que se perderia no sertão. Mas Januário gostava das tendências
musicais do filho. Deixava o filho ir tocando as sanfonas que vinham de longe
para serem consertadas. Só se assustou quando um dono de um terreiro muito concorrido,
pediu licença para Luiz tocar num baile. O menino irrequieto e cheio de
iniciativa, já andara tocando por lá, sem que Januário soubesse, fazendo grande
sucesso.
- Fale com Santana, ela é que resolve - disse Januário, ao mesmo tempo
orgulhoso e temeroso pelo filho.
Santana a princípio negou, mas depois resolveu deixar na mão dos homens
o assunto. Conversa vai, conversa vem, Januário consentiu:
- E se der sono nele por lá?
- Ora, a gente arma a rede e manda ele drumi - respondeu o dono do
terreiro, com o sanfoneiro já garantido para a festa.
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Januário ao lado do filho já famoso |
Naquela noite Luiz tocou com todo entusiasmo, agradando em cheio. Mas
realmente não resistiu. Os olhos pesaram, a sanfona tornou-se um fardo e o
menino foi para a rede. Tão menino ainda que fez xixi enquanto dormia, fugindo
para casa com vergonha.
A partir de então passou a acompanhar Januário pelos forrós daquele
sertão. Santana a princípio discordava mas calou-se depois de ver os dois mil
réis que o menino ganhava revezando-se com o pai na sanfona.
A história continua na próxima postagem...
Fonte: Abril Cultural
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