quarta-feira, 28 de março de 2012

Virgulino, o Rei do semiárido

Millôr Fernandes (1924-2012)

J. Borges: O artista do sertão

Reportagem publicada em 2002 na revista Época

Quase sem estudo e autodidata na arte, o pernambucano J. Borges comove o mundo com imagens dos folhetos de cordel (por EDUARDO BURCKHARDT)


As paredes empoeiradas de um ateliê à beira de uma estrada de chão no município de Bezerros, no agreste pernambucano, estão abarrotadas de obras de arte que já dividiram espaço no Museu do Louvre com Leonardo da Vinci e Botticelli. Sentado numa banqueta capenga de madeira, José Francisco Borges, de 66 anos, o autor das peças, espreita os visitantes como um matuto cabreiro. Ninguém desconfia que ele é um dos artistas folclóricos mais celebrados da América Latina. Apenas em uma turnê, J. Borges, como ficou conhecido, percorreu 20 países europeus. Neste ano, foi tema de uma reportagem no jornal The New York Times. Apontado como um gênio da arte popular, teve um lote de xilogravuras de sua autoria arrematado por US$ 30 mil num leilão nos Estados Unidos. O dinheiro, no entanto, não foi para o bolso do artista. Ficou com um colecionador americano que garimpa exemplares raros de obras folclóricas.

Depois de cair nas graças dos principais curadores de arte popular do mundo, J. Borges foi convidado para dar palestras nos EUA, na França, na Venezuela e na Suíça. Ministrou aulas sobre xilogravuras e cultura do cordel com a ajuda de tradutores. Com a venda das obras e os cachês das palestras garante cerca de US$ 3 mil por viagem ao Exterior. 'Mas não sou rico, não! Gasto quase tudo para pagar minhas dívidas e comprar material para novas obras', diz Borges. 'Não daria para viver apenas com o que vendo aqui.' No ateliê, uma xilogravura sai por R$ 20 e cada cordel R$ 1. É o artista que sustenta toda a família. E que família. São dez filhos, a mulher e duas ex. Atualmente ele vive numa casa simples de dois quartos com quatro filhos e a terceira esposa.

Apesar da vida dura, as conquistas de J. Borges são uma grande vitória para um sertanejo vindo de um ambiente de dificuldades. Ele nasceu no povoado de Piroca, na paupérrima Bezerros. Filho de agricultores, aos 8 anos já empunhava a enxada. Foi para a escola só aos 12, mas a freqüentou apenas dez meses. 'Resolvi sair pela vida.' Foi marceneiro, mascate, pintor de parede e oleiro. Aos 20 anos, juntou uns trocados e comprou cordéis de outros escritores para vender nas feiras. J. Borges escrevia os próprios versos às escondidas, por vergonha. Em 1964, aos 29 anos, publicou a primeira obra: O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina. Vendeu 5 mil exemplares em dois meses. Sua principal arte, porém, não são os versos, e sim a xilogravura. A descoberta foi por acaso. Sem dinheiro para comprar as chapas de zinco que serviam de base para a confecção das capas dos cordéis, pegou um pedaço de imburana e talhou uma igrejinha. O desenho tosco estampou a capa de seu segundo trabalho, O Verdadeiro Aviso de Frei Damião. Seguiu colocando na madeira o ideário sertanejo: o diabo, Lampião, prostitutas, vaqueiros, festas de São João.

'A Chegada da Prostituta no Céu'
é o cordel de maior sucesso
de J. Borges e vendeu 100 mil exemplares
A partir de 1970, J. Borges começou a receber pedidos para ampliar seus trabalhos em preto e branco. 'Não sabia por que aquele povo da cidade queria tanto meus desenhos ruins', diz ele. As obras chegaram até o escritor Ariano Suassuna, que virou seu padrinho. Os trabalhos passaram a circular nos meios acadêmicos e artísticos, que antes viam com desdém a xilogravura. As ilustrações de J. Borges estamparam capas de discos e livros, como As Palavras Andantes, do escritor uruguaio Eduardo Galeano.

Atualmente, o artista anda às voltas com a divulgação do livro Memórias e Contos de J. Borges. A obra, de 300 páginas e 187 ilustrações, foi impressa numa máquina tipográfica do fim do século XIX que ele mantém no ateliê. Quando cansou do preto-e-branco, J. Borges elaborou uma técnica que permitiu colorizar as xilogravuras. Sua A Vida na Floresta foi incluída no calendário de um encontro da Organização das Nações Unidas. Em setembro, ele viaja a convite de museus de Nova York, Pensilvânia, Colorado e Texas. Como se vira só com o português? 'Sou matuto, mas não sou burro.'
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Mais sobre J. Borges:
Biografia, vídeos e entrevista
A arte popular de J. Borges
Algumas xilogravuras

terça-feira, 27 de março de 2012

Em especial ao cearense Chico Anysio

Uma ilustração
(por Amarildo - chargista do jornal A Gazeta de Vitória-ES)

Uma charge animada
(do Mauricio Ricardo, no charges.com)

Uma poética crônica
Mundo Moderno , do próprio Chico (leia aqui ou confira no vídeo abaixo)

Uma música
(da banda Mastruz com Leite, composta por Renato Moreno)

Um cordel
CHICO ANYSIO NO CÉU
por Stélio Torquato Lima (publicado no blog Acorda Cordel)

A brisa é que revelou
O causo que ora conto.
Eu ri tanto da história,
Que até mesmo fiquei tonto.
Agora, sem perder tempo,
Conto-lhes tudo de pronto.

Disse a brisa que no céu
Chegava uma multidão,
Quando um anjo que guardava
O celestial portão,
Saiu dali numa corrida
E com grande aperreação.

Sendo ele estagiário,
Não sabia como agir
Diante da multidão
Que chegava ao porvir
E batia no portão,
Pedindo pra ele abrir.

Ligeiro, ele bateu
Na porta do escritório
Onde Rafael, o chefe
Cuidava de um relatório,
Pois São Pedro se encontrava
Ausente do território.

“Amadeus, o que ocorre?
Pra que tanto escarcéu”.
“Rafael, uma multidão
Está chegando no céu.
Por favor, vem me ajudar,
A atender o povaréu”.

Rafael lhe perguntou:
“Uma grande multidão?
O que foi que aconteceu?
Caiu outro avião?”
E Amadeus respondeu:
“Chefe, não foi isso não”

“Então só pode ter sido
Um trem que virou na terra”.
“Não, meu chefe, não é isso,
Que tanto aqui me aterra”.
“Então foi um terremoto?
Uma enchente? Uma guerra?”.

Amadeus, pra Rafael
Foi depressa explicando:
“Não ocorreu nada disso
Que o senhor tá mencionando.
O que ocorre é que aqui
Chico Anysio vem chegando”.

“E o cearense querido,
Humorista excelente,
Não vem chegando sozinho,
Vem com ele muita gente,
Personagens de montão,
Cada um mais diferente”.

“Tem um tal de Azambuja,
E um Professor Gavião.
Um disse que é o Jovem,
Outro que é o Gastão.
Há até um mentiroso
De nome Pantaleão”.

“Meu patrão, tem até mesmo
Um tal de Bento Carneiro,
Que jura de pé bem junto
Que é um vampiro brasileiro.
Sem contar com o Velho Zuza
E o Coronel Limoeiro”.

“E não pense que é só homem
Que aqui põe o seu pé:
Veio aqui Dona Ilária,
Flora Romão, Salomé,
Também Maria Baiana
E a Neyde Taubaté”.

“E digo, sem ser fofoca,
Porque isso é muito feio,
E eu quero impedir
Que me aumente o aperreio,
Que há gente ali que está
Bem na coluna do meio”.

“Não é homem, nem mulher,
O pai-de-santo Painho
E Haroldo, que se diz hétero
Mas é mentira – adivinho.
Rosseti e Olegário Rapp
Também vão nesse caminho”.

“Bruce Kane, Coalhada,
Canavieira, Bozó,
Fumaça, Justo Veríssimo,
Silva, Tavares, Popó...
Como é que tanta gente
É filho de um homem só?”

“Eu não sei qual é o nome
E que foto irei botar
Na carteira do cristão
Que acaba de chegar:
É a do próprio Chico Anysio
Ou das criações sem par?”
(...)

terça-feira, 20 de março de 2012

Poetas do repente

Documentário de domínio público acerca da tradição nordestina da poesia de repente. Confira:

Celebração das Culturas dos Sertões acontece em maio na Bahia


O escritor Ariano Suassuna está
confirmado na programação
A Secretaria de Cultura da Bahia – SECULT-BA promove no período de 6 a 11 de maio a Celebração das Culturas dos Sertões, em Salvador e Feira de Santana. O evento busca estimular a construção colaborativa de políticas culturais para os sertões e acolhe múltiplas expressões e manifestações das culturas sertanejas.

A Celebração será aberta em Salvador no dia 5 de maio, com solenidade no Teatro Castro Alves. A partir do dia 6 de maio as atividades acontecem no Centro de Cultura Amélio Amorim, em Feira de Santana. A programação será aberta com desfile de vaqueiros e aboiadores pelas ruas da cidade.

“Estamos concluindo a programação, mas adiantamos que já temos importantes nomes confirmados, como Ariano Suassuna, para abrilhantar ainda mais o evento”, informa o coordenador do Núcleo do Sertão da Secult, Washington Queiroz.

Já está confirmada a realização da exposição fotográfica “Imagens de Vaqueiros” e lançamento do filme “Ritos de Passagem” do cineasta e artista plástico Chico Liberato. Também estão previstos lançamento de livros, CDs, encontro de repentistas, sambadores, sanfoneiros e violeiros na arena do Amélio Amorim, além de palestras, rodas de conversa, apresentações musicais, encontro de estudos sobre Culturas dos Sertões, dentre outros.

O I Encontro de Estudos das Culturas dos Sertões abrange sessões de estudos, debates e discussões de trabalhos que analisem e reflitam sobre as culturas dos sertões, com os temas Os sertões no cinema; Identidades e modos de vida dos sertões; e Os sertões pelas letras. O encontro ocorre nos dias 7 e 8 de maio, paralelo ao evento, em Feira de Santana.

Os trabalhos para o encontro de estudos sobre as culturas dos sertões deverão ser submetidos à comissão organizadora. As inscrições são gratuitas e acontecem até o próximo dia 30 de março. Mais informações aqui.

Informações da Secult e da Ascom de Feira de Santana.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Um canto da gente


A cidade de Vitória da Conquista, localizada no centro-sul do estado da Bahia (na beirada com as Minas Gerais), tem um cantinho especialmente voltado para as nossas raízes indígenas e nordestinas. Bem pertinho ao Monumento em homenagem ao índio, pode-se encontrar o melhor do artesanato brasileiro. São obras da família Vitalino, como de Vitalino Neto e Severino Vitalino - filho do famoso mestre de Caruaru (PE), xilogravuras de J. Borges, cordéis de diversos autores, como Leandro Gomes de Barros e Rouxinol do Rinaré, e muito mais.

A Oca do Artesão reúne uma diversidade peças feitas de barro, madeira, couro, palha, sementes, papel machê, tecidos, renda filé e renascença. Na Oca ainda se encontra a cachaça de Lagedão, acessórios como bolsas e colares, como também brinquedos educativos, máscaras e dobraduras da técnica japonesa.

Artesãos da cidade, como Paulo Messias, Daiane Ferraz e Nivaldo, também encontraram espaço na loja, que é, sobretudo, um incentivo e tanto para quem dedica-se a esse tipo de arte. "Um trabalho de resistência", como declara Luciana, que ao lado de Lúcia, toca para frente esse projeto que valoriza e cede espaço para a tão bela e rica cultura popular.

Dê uma passadinha por lá, ao menos para conhecer. Fica na Rua 2 de Julho, 320, Loja E - Centro (Telefone: 77 3422-6806).







quarta-feira, 14 de março de 2012

Viva Luiz: filme vai retratar a relação entre Gonzagão e Gonzaguinha

“Quem foi minha mãe? Quem é meu pai?” Era esse o tipo de questão que Gonzaguinha fazia a Luiz Gonzaga durante a turnê “Vida de viajante”, em 1981. Pai e filho tinham uma relação problemática e distante desde sempre, mas estavam excepcionalmente próximos, na época. As conversas ocorridas durante a excursão foram registradas em fitas cassete – e o material, alguns anos atrás, caiu na mão do diretor Breno Silveira, de “2 filhos de Francisco” (2005). “Quando ouvi as fitas, aquilo me emocionou. Eram perguntas muito contundentes”, explica o cineasta. “Eu senti logo que tinha uma história importante por trás disso tudo.” 

Daí renasceu a ideia do longa sobre o rei do baião, projeto que o diretor alimentava há anos. “Gonzaga – de pai para filho” começou a ser filmado em dezembro do ano passado, no simbólico Marco Zero, no Recife, durante show em homenagem a Luiz Gonzaga – reproduzindo um show que Luiz Gonzaga teria feito na cidade no início da década de 1950. Além do Recife, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Exu e a Serra do Araripe, em Pernambuco, estão entre as locações. A previsão é de que o filme seja lançado até outubro desse ano.

De acordo com o diretor, o filme não será uma biografia – como não é, em sua visão, “2 filhos de Francisco”: “Ali eu fiz uma história de pai e filho. Foquei principalmente no sonho daquele pai em relação ao Zezé”. O novo filme seguirá mão inversa, a visão do filho sobre pai. “Meus filmes se apoiam muito nesse drama familiar, principalmente na relação paterna”. 


Três atores diferentes interpretarão Luiz Gonzaga, a depender da época retratada. O sanfoneiro Nivaldo Expedito, o “Chambinho do Acordeon”, será o intérprete de Gonzagão na fase dos 30 aos 50 anos O papel de Gonzaguinha foi entregue ao ator gaúcho Julio Andrade. O diretor antecipa que pretende fazer um longa “épico”, para rever a vida do Gonzaga dos 17 anos de idade até a morte, em 1989, apenas dois anos antes do filho. “É um projeto muito grande. Não porque eu quero que seja assim, mas porque Gonzagão é grande demais.” Ele pondera ainda que este é “com certeza absoluta” o maior orçamento com que já trabalhou, cerca de R$ 10 milhões. 


Registrado Luiz Gonzaga do Nascimento Junior, Gonzaguinha nasceu em 1945, no Rio de Janeiro. Perdeu a mãe aos dois anos de idade e foi criado por um casal de amigos do pai, que àquela altura não era ainda o "rei do baião". A reaproximação entre os dois tardou a acontecer. “Nessa entrevista de Gonzaguinha com Gonzagão, o tom é muito emocionado, e eu entendi que o filho também não entendia o pai direito”, observa Silveira. “Apesar de o pai mandar dinheiro, ele não estava presente. No fundo, no fundo, acho que existia uma vontade do Gonzaguinha de ser aceito como músico e como filho. Acho que ele se ressentiu disso a vida inteira, da falta do reconhecimento paterno.” 

Talvez o filme traga algumas respostas para as muitas perguntas de Gonzaguinha. Sua mãe, a cantora Odaleia Guedes dos Santos, aparecerá em cena representada pela atriz Nanda Costa. O diretor recorre também a uma das frases que ouviu nas fitas e o marcou. A certa altura das conversas, Gonzagão teria dito, sobre si próprio: “Eu não sei mais eu sou – virei um tal de folclore”.

O filme conta com fotografia de Adrian Teijido (“O palhaço”), trilha sonora de Gilberto Gil e roteiro de Patrícia Andrade (“2 filhos de Francisco”).


Além de Nivaldo, Julio e Nanda, o elenco conta com José Dumont, Angelo Antonio, João Miguel, Cecília Dassi e Domingos Montagner.

O filme de Silveira vai passar pelo mesmo processo dos longas “O Bem Amado” e “Chico Xavier” e se transformará em minissérie da Rede Globo, depois de estrear no cinema.   

Venda para a China cria campanha pró-jegue


Proposta causa reação de defensores do animal, que vem sendo substituído pela moto no Nordeste 

RECIFE - Com o recente anúncio de que os chineses pretendem importar 300 mil jumentos por ano do Nordeste ainda no campo das intenções, os protetores de animais e defensores do jegue começam a ganhar espaço na internet e blogs em protesto contra a negociação.

No site Petição Pública, circula abaixo-assinado pedindo que os Ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente vetem o que consideram "verdadeira carnificina". "Por um tratamento digno aos jegues, que ajudaram a erguer muitas das grandes cidades nordestinas", defende. Já o site Acorda Cordel destaca "o massacre do jumento nordestino", com o poeta Cancão de Fogo conclamando os parceiros a se mobilizarem em defesa do "nosso irmão". Jô Oliveira o atendeu, propondo a campanha "Adote um jumento. O Menino Jesus lhe agradecerá".

Os jumentos, companheiros do agricultor do semiárido nordestino, começaram a ser substituídos pelas motos no trabalho de cercar o gado, buscar água e transportar materiais e pessoas, especialmente depois da política de distribuição de renda do governo federal e facilidades de crédito para compra do veículo.

De acordo com dado divulgado em junho de 2011 pela Associação Brasileira de Fabricantes de Motociclos, Ciclomotores, Motomotores, Bicicletas e Similares, a frota de motos no Nordeste cresceu 486% entre 2000 e 2010. Em 1967, o Nordeste tinha 7 milhões de jegues. Hoje, estima-se que tenha 1,2 milhão. Mesmo com a forte redução, a região é ainda superpovoada de jumentos, por causa da subutilização.

Para o secretário adjunto de Agricultura do Rio Grande do Norte, José Simplício Holanda, a exportação para a China criaria uma nova cadeia econômica no Estado, ao mesmo tempo em que seria uma solução para os jumentos que têm sido abandonados por donos de terra, que "fecham as porteiras ao animal".

Em julho do ano passado, o secretário assinou um protocolo de intenções com a Empresa Shan Dong Dong E.E. Jiao Co. Ltda., visando à criação do animal para produção, comercialização e industrialização da carne e derivados. "Por enquanto, nada há de concreto, só intenção", adiantou Holanda.

Segundo o representante da empresa, Xiangquing Meng, a China abate 1,5 milhão de jegues por ano - 300 mil produzidos no país e o restante importado da Índia e da África. Espera-se aumentar o abate em 550 mil/ano.

De acordo com o protocolo, a empresa chinesa ficaria encarregada de dar assistência técnica com melhoria da genética e alimentação, enquanto o governo do Rio Grande do Norte buscaria linhas de crédito. A mão de obra local seria utilizada e o preço do animal, compatível com o mercado. Agricultores familiares seriam organizados e inseridos como produtores de jegues.

O presidente da Associação Brasileira de Criadores de Jumento Nordestino, Fernando Viana, aprova a proposta, desde que o preço seja "justo". O interesse da China é pelo animal completo, que seria vendido abatido, tanto para consumo humano como para a indústria de cosméticos e de medicamentos.

A informação é a de que os chineses teriam visitado, em 2011, todos os Estados do Nordeste com a mesma proposta feita ao Rio Grande do Norte. Os governos do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Bahia não foram formalmente procurados.

Por Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo / Colaborou Tiago Décimo

terça-feira, 13 de março de 2012

Cordel de Drummond vira espetáculo em Brasília


O único cordel escrito por Carlos Drummond de Andrade, Estória de João Joana, foi montado como espetáculo musical em Brasília, para as comemorações ao Dia Internacional da Mulher. A dificuldade de ser mulher no sertão dos anos 1960 é o tema abordado pelo espetáculo.

Os cantores Elba Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Marina Lutfi e João Gurgel se juntaram a 80 músicos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro, sob a regência do maestro Cláudio Cohen, e ao cineasta e compositor Sérgio Ricardo para a apresentação.

A cantora Elba Ramalho destacou que o musical é também uma forma de preservação da obra do escritor brasileiro. “Eu venho fazer esse trabalho com muita alegria. É um cordel antigo, um poema de Carlos Drummond de Andrade, um poeta que eu admiro bastante, e as obras de qualidade a gente deve preservar”, comentou a intérprete.

O espetáculo relatou a história verídica da vida de uma menina criada pela mãe como menino. A mãe acreditava que, daquela maneira, a menina teria chances de viver com dignidade. A saga de João Joana se passou no interior do Brasil durante os anos 1960.

A apresentação composta por ritmos brasileiros como maracatu, samba e baião se dividiu em quadros, representados pelas canções. Cada um dos quadros tem uma dramaticidade específica. O espetáculo contou ainda com recitativos que surgiam como lentas melodias cantadas por um dos seis intérpretes e acompanhadas por todos em uma espécie de procissão.

Emocionada, a plateia vibrou com a canção da revelação de João como mulher. Diz o cordel:

“Aquela cena imprevista
causou a maior surpresa
o que tanto se ocultara
se mostrava sem defesa
João deixara de ser João
por força da natureza”.

Ao final do show, quando o público pediu bis, essa foi a música escolhida pelos artistas para ser tocada novamente. Confira trecho do espetáculo no vídeo abaixo:

Informações da Agência Brasília

O contador de filme

sexta-feira, 9 de março de 2012

Uma linda celebração

A música é típica do período natalino, mas a vida celebra-se em qualquer época, ainda mais com esta beleza de produção (em som e em imagens) que valoriza a cultura nordestina. O vídeo é integrante do DVD exclusivo da Luigi Bertolli, 4 Cantos. "Bate o Sino" foi gravada com músicos dos estados do Ceará (Fortaleza, Crato, Juazeiro e Juazeiro do Norte), de São Paulo (São Luiz do Paratinga e São Paulo) e da Bahia (Salvador), misturando tambores, sanfona, violas, guitarras e outros instrumentos. Confira!

quinta-feira, 8 de março de 2012

Maria Bonita ganha papel principal


Ela percorreu, por oito anos, os mais inóspitos cenários e lugares do Nordeste do Brasil, em meio aos cangaceiros do grupo de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, seu marido. Aventura e ousadia que lhe renderam o posto de “primeira-dama” do cangaço nacional, e, exatos 101 anos depois de nascida, ela se tornou referência e inspiração para a cultura e comportamento de muitas mulheres nordestinas e brasileiras. Nesta quinta-feira, 8 de março, Dia Internacional da Mulher, a vida de Maria Bonita ganha as páginas do livro-reportagem A dona de Lampião, da jornalista e coordenadora de pesquisa do Jornal do Commercio, Wanessa Campos, que será lançado, às 19h, no Centro Cultural Correios, no Bairro do Recife.

Formada há 30 anos, Wanessa passou boa parte da carreira no jornalismo em editorias dedicadas ao interior do Estado. Foi aí que surgiu o primeiro contato com as informações sobre o cangaço, que lhe chamaram atenção e se transformaram em foco de pesquisa à qual ela se dedica até hoje. “Adoro interior, e acho que as grandes notícias vêm de lá. E o cangaço é um tema em que, quando você mergulha, não quer mais sair”, comenta.

A partir das pesquisas, Wanessa criou vínculos com amigos e familiares de Lampião e Maria Bonita. E foi a neta do casal, Vera Lúcia Nunes Ferreira, uma das incentivadoras da criação do livro. “Vera me falou das comemorações do centenário de Maria Bonita, no ano passado. Eu disse a ela que faria um livro, então, Vera me incentivou.” Em pouco mais de 100 páginas, a autora remonta a história de uma mulher que por muito tempo ocupou o posto de coadjuvante nos relatos históricos, contextualizando cada fase de sua vida dentro das épocas brasileira e mundial. Era 1930, quando Maria Gomes de Oliveira deixou de ser a Maria Déa – como era conhecida na vizinhança, em Glória, Sertão baiano – para mudar a sua história, largando a vida que tinha, em nome de uma paixão. “Maria Bonita foi uma mulher que rompeu com paradigmas da sociedade para seguir um homem e enfrentar o incerto”.

Embasado nos estudos e pesquisas de fragmentos de informações em jornais, revistas, fotografias, documentos da época e entrevistas com familiares, cangaceiros e ex-volantes, o livro mostra como Maria Bonita levou toques femininos e delicados à rigidez e frieza do cangaço. “Ela incentivou a higiene no bando. Quando ela entrou para grupo, eles passaram a acampar próximo aos rios, para facilitar os banhos. O bando também começou a respeitar as famílias. E os cangaceiros trouxeram sua mulheres para o grupo”, conta Wanessa”. “Mas é bom lembrar que nenhuma delas ia à luta. Elas portavam armas para avisar, com um tiro para cima, a aproximação do inimigo.”

Dona de uma beleza e vaidade sempre comentadas e lembradas nos relatos de quem a conheceu, e claramente visíveis nas fotografias, na contemporaneidade, as marcas e influências da mulher de Lampião chegam à moda, cultura regional e até à música. “Quando pequena, ela passava horas à frente do espelho. E até adulta, como a gente vê nas fotos, ela era vaidosa, fazia poses. As sandálias que ela usava, os anéis, tudo virou inspiração. Há até uma grife com o nome dela.”

O livro A mulher de Lampião conta ainda com depoimentos dos jornalistas Mário Hélio e Cícero Belmar, do diplomata Daniel Bazon e do cantor Alceu Valença, e apresentação de Marcus Accioly. A obra, publicada com apoio da Prefeitura do Recife, tem design gráfico de Andréa Aguiar, fotos de Hélia Scheppa, tratamento de Cláudio Coutinho e revisão de Laércio Lutibergue. (Do Jornal do Commercio)

Lançamento do livro A mulher de Lampião: dia 8 de março, às 19h, no Centro Cultural Correios (Recife-PE)

Juazeiro do Norte reedita cordéis

José Lourenço é um dos autores das imagens que constarão nos livretos - FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
Clássicos do cordel no Cariri vão receber novas edições com desenhos dos melhores xilógrafos em atividade na região

Juazeiro do Norte - Os versos dos poetas do Cariri sobre a história e a religiosidade de Juazeiro do Norte ganharão capas de cordéis com xilogravuras produzidas pelos maiores nomes da arte contemporânea do Cariri. Serão dez xilógrafos que vão ilustrar 100 cordéis. O material faz parte de uma coleção que envolve 67 autores, sendo 27 clássicos. O trabalho seria lançado ainda durante a Semana Padre Cícero, que acontece este mês, durante a comemoração do aniversário do Padre Cícero, mas houve atrasos na confecção das xilos e na formalização dos direitos autorais. Os lançamentos fazem parte de projetos que foram desenvolvidos nas comemorações do centenário da cidade.

O mais interessante é que se deu ênfase à tradição para a produção das capas dos livretos. Todas as xilos foram produzidas na sede da histórica gráfica de cordéis Lira Nordestina, em Juazeiro. Os xilógrafos Stênio Diniz, Ailton Laurindo, José Lourenço, Cícero Lourenço, Francisco Correia Lima - Francorly, Antônio Dias, Nino, Cosmo Lemos e Cícero Vieira e Manoel Inácio talharam as peças na umburana, para dar mais durabilidade às matrizes. Um momento importante para os artistas que representam uma das expressões mais originais da terra do Padre Cícero.

Segundo o xilógrafo José Lourenço, um dos participantes do trabalho, essa tem sido a maior participação dos xilógrafos durante o momento histórico da cidade. Todas as matrizes trazem como temática a religiosidade, com história que contam em versos momentos marcantes da cidade, personagens, o milagre de Juazeiro, com a beata Maria de Araújo, as romarias da cidade e o que envolve a própria mística da fé nordestina.

Os xilógrafos foram contratados pelo Instituto Meta da Educação (Imeph) de Fortaleza, responsável pela edição e reedição dos folhetos. Segundo o coordenador executivo da Comissão e secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, para cada um foi dado um título e o conteúdo para que criasse a xilo ao seu critério, seguindo a linha do cordel.

"São dez pensamentos diferentes sobre Juazeiro e Padre Cícero e cada artista imagina as situações ao seu estilo", disse o poeta e xilógrafo José Lourenço.

Para ele, foi importante ter um número maior de artistas, para diferenciar o trabalho, já que os temas são muito parecidos. Quanto aos cordéis, José Carlos adiantou que serão 50 reeditados e outros 50 inéditos com prazo ainda indefinido para o lançamento da coleção.

A maioria dos cordéis pertence à Academia Brasileira do Cordel (ABC). O critério de escolha da maior parte dos livretos partiu da própria Comissão de Organização do Centenário de Juazeiro do Norte, que começou a planejar diversas publicações bibliográficas. Grande parte do acervo foi lançado no ano passado, durante a comemoração dos 100 anos da cidade. Serão distribuídos 100 mil cordéis entre instituições e os autores.

O processo de licitação para a confecção dos cordéis já foi realizado e custará R$ 95 mil, financiados por meio do Banco do Nordeste (BNB).

A impressão de 100 cordéis vai permitir um passeio pela história de Juazeiro do Norte, do Padre Cícero e das romarias.

A maioria dos poetas, autores dos cordéis clássicos, já faleceu. Segundo o secretário, esse é um incentivo à produção poética, ao mesmo tempo homenageando os autores que escreveram sobre a terra de Padre Cícero, que ainda festeja seu centenário.

Mais informações:
Memorial Padre Cícero
Secretara de Turismo e Romaria
Praça do Cinquentenário
Juazeiro do Norte (CE)
Telefone: (88) 3511.4040

ELIZÂNGELA SANTOS
REPÓRTER
Fonte: Diário do Nordeste - 07/03/2012

Um hino à mulher

O Luz de Fifó homenageia a todas as mulheres com essa belíssima canção de Zé Ramalho e Otacílio Batista, que fica ainda mais linda quando é interpretada por Amelinha.

Elas ousaram: Maria Bonita


Maria Bonita nasceu no Dia Internacional da Mulher. Hoje, ela faria 101 anos.

A primeira mulher a participar de um grupo de cangaceiros. Assim foi Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita. Nascida em 8 de março de 1911 numa pequena fazenda em Santa Brígida, Bahia e filha de pais humildes Maria Joaquina Conceição Oliveira e José Gomes de Oliveira, Maria Bonita casou-se muito jovem, aos 15 anos. Seu casamento desde o início foi muito conturbado. José Miguel da Silva, sapateiro e conhecido como Zé Neném vivia às turras com Maria. O casal não teve filhos. Zé era estéril.

A cada briga do casal, Maria Bonita refugiava-se na casa dos pais. E foi, justamente, numa dessas “fugas domésticas” que ela reencontrou Virgulino, o Lampião, em 1929. Ele e seu grupo estavam passando pela fazenda da família. Virgulino era antigo conhecido da família Oliveira. Esse trajeto era feito com freqüência por ele. Era uma espécie de parada obrigatória do cangaceiro.

Os pais de Maria Bonita gostavam muito do “Rei do Cangaço”. Ele era visto com respeito e admiração pelos fazendeiros, incluindo Maria. Sem querer a mãe da moça serviu de cupido entre ela e Lampião. Como? Contando ao rapaz a admiração da filha por ele. Dias depois, Lampião estava passando pela fazenda e viu Maria. Foi amor à primeira vista. Com um tipo físico bem brasileiro: baixinha, rechonchuda, olhos e cabelos castanhos Maria Bonita era considerada uma mulher interessante. A atração foi recíproca. A partir daí, começou uma grande história de companheirismo e (por que não!) amor.

Um ano depois de conhecer Maria, Lampião chamou a “mulher” para integrar o bando. Nesse momento, Maria Bonita entrou para a história. Ela foi a primeira mulher a fazer parte de um grupo do Cangaço. Depois dela, outras mulheres passaram a integrar os bandos.

Maria Bonita conviveu durante oito anos com Lampião. Teve uma filha, Expedita, e três abortos. Como seguidora do bando, Maria foi ferida apenas uma vez. No dia 28 de julho de 1938, durante um ataque ao bando um dos casais mais famosos do País foi brutalmente assassinado. Segundo depoimento dos médicos que fizeram a autópsia do casal, Maria Bonita foi degolada viva. (do site Experta)

DICA DE LEITURA



Lampião: as mulheres e o cangaço.
De Antônio Amaury (1984).

terça-feira, 6 de março de 2012

Viola e poesia em dobro


Quem é Xangai?

Eugênio Avelino ou apenas Xangai é cantor, compositor e violeiro brasileiro, nascido em 1948 às margens do Córrego do Jundiá, afluente do Rio Jequitinhonha, na zona rural do município de Itapebi, no extremo sul da Bahia.

Filho e neto de sanfoneiro, ainda aos 18 anos fixou-se com os seus pais na cidade de Nanuque, no norte de Minas Gerais. Xangai é descendente direto do bandeirante João Gonçalves da Costa, fundador do Arraial da Conquista, atualmente Vitória da Conquista.

Viveu em Vitória da Conquista, na Bahia, de onde recebeu a influência que o tornou um cantor sertanejo, tendo como importante referência o menestrel Elomar Figueira.

Xangai gravou o seu primeiro disco em 1976, "Acontecivento", com destaque para as músicas Asa Branca, Forró de Surubim e Esta Mata Serenou. Hoje, já soma dezesseis discos gravados, o último pela Kuarup, Estampas Eucalol (também em DVD), de 2006, com sucessos como Violêro, Cantiga de Amigo e kiukukaya.

Apresenta na Rádio Educadora da Bahia o programa "Brasilerança", através do qual contribui para a divulgação da cultura musical da região nordestina brasileira. É considerado o melhor intérprete de Elomar, propiciando inclusive a facilitação do entendimento das composições deste compositor classificado como erudito por muitos.

A origem do apelido: seu pai era proprietário de uma sorveteria com esse nome na cidade de Nanuque, foi apelido de infância e se tornou nome artístico.


Quem é Jessier Quirino?

Arquiteto por profissão, poeta por vocação, matuto por convicção. Apareceu na folhinha no ano de 1954 na cidade de Campina Grande, Paraíba e é filho adotivo de Itabaiana também na Paraíba, onde reside desde 1983.

Apesar da agenda artística literária sempre requisitada, ainda atua na arquitetura, tendo obras espalhadas por todo o Nordeste, principalmente na área de concessionárias de automóveis.

Na área artística, é autodidata como instrumentista (violão) e fez cursos de desenho artístico e desenho arquitetônico. Na área de literatura, não fez nenhum curso e trabalha a prosa, a métrica e a rima como um mero domador de palavras.

Interessado na causa poética nordestina persegue fatos e histórias sertanejas com olhos e faro de rastejador. Autor dos livros: “Paisagem de Interior” (poesia), “Agruras da Lata D`água” (poesia), “O Chapéu Mau e o Lobinho Vermelho” (infantil), “Prosa Morena” ( poesia e acompanha um pires de CD ), “Política de Pé de Muro - O Comitê do Povão” (legendas e imagens gargalhativas sobre folclore político popular ), CDs: “Paisagem de Interior 1 e Paisagem de Interior 2”, o livro: “Bandeira Nordestina” (poesia e acompanha um pires de CD), A Folha de Boldo Notícias de Cachaceiros - em parceria com Joselito Nunes – todos editados pelas Edições Bagaço do Recife - além de causos, músicas, cordéis e outros escritos.

Jessier Quirino tem chamado a atenção do público e da crítica, principalmente pela presença de palco, por uma memória extraordinária e pelo varejo das histórias, que vão desde a poesia matuta, impregnada de humor, neologismos, sarcasmo, amor e ódio, até causos, côcos, cantorias músicas, piadas e textos de nordestinidade apurada.


Juntos, você terá a oportunidade de conhecê-los, da melhor forma possível, no palco: dia 9 de março no Centro de Cultura de Vitória da Conquista. Não perca!

segunda-feira, 5 de março de 2012

Viva Luiz: Luiz Gonzaga e as mulheres

Para celebrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado no próximo dia 8, duetos entre o Mestre Lua e as cantoras...

Glorinha Gadelha

Gal Costa

Elba Ramalho

Emilinha Borba

Marlene

Carmélia Alves