sexta-feira, 24 de maio de 2013

Zé Ramalho e Alceu Valença fazem show em Conquista em junho


Zé Ramalho se apresenta na Arena Miraflores dia 7 de junho. Ingressos: R$ 30 e R$ 60.


Alceu Valença se apresenta no primeiro dia do Forró Pé de Serra do Periperi, 19 de junho, na Praça Barão do Rio Branco (evento gratuito).

Saulo Laranjeira interpreta Viola Quebrada, de Camillo de Jesus Lima



Som Brasil, 1988

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Obras da série Guerra dos Tronos ganham capas inspiradas em literatura de cordel



Já imaginou misturar as obras de fantasia de George R. R. Martin com a clássica literatura de cordel do nordeste brasileiro? Bom, se você realmente imaginou isso, provavelmente você éTenement Funster, o designer brasileiro por trás desse trabalho super criativo e bacana de ilustração. Utilizando uma técnica inspirada na xilogravura, Funster adaptou as cinco capas dos livros já publicados da série Guerra dos Tronos. Dá até vontade de ver essas imagens em edições de verdade dos livros, né?

Para ampliar as imagens e ver mais detalhes, clique nos links abaixo:

“A Guerra dos Tronos”

“A Fúria dos Reis”

“A Tormenta de Espadas”

“O Festim dos Corvos”

“A Dança dos Dragões”

(Da SuperInteressante)

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Cancão de Fogo: o jornal de poesias de Conquista


Aproveitando a passagem do escritor, dramaturgo e poeta Ariano Suassuna pela cidade, será lançado neste dia 10 de maio, em Vitória da Conquista, o jornal Cancão de Fogo, um impresso dedicado integralmente à poesia. A distribuição irá acontecer a partir das 15 horas, antes do início da aula-espetáculo de Ariano, no Centro de Convenções Divaldo Franco, que marca a abertura do Festival da Juventude.

Inspirado no jornal pernambucano "Cabeça de Rato", de Sertânia, o Cancão de Fogo foi idealizado pelo professor da Uesb Antonio Andrade Leal e pelo jornalista Ailton Fernandes (parceiros do blog de cultura popular Luz de Fifó), o periódico busca valorizar, principalmente, os versos da literatura popular nordestina, dos cordéis à poesia matuta, mas também será espaço para outras linguagens poéticas, além de publicar escritores da nossa cidade, conhecidos ou não.

A primeira edição do jornal faz uma homenagem ao maior poeta brasileiro, Leandro Gomes de Barros, um paraibano (quase) desconhecido, "esquecido" pelos livros de literatura, que escreveu mais de mil poesias, publicou cerca de 600 folhetos de cordéis e é celebrado por escritores como Carlos Drumond de Andrade e o próprio Ariano, que se inspirou em duas obras dele para escrever "O Auto da Compadecida". Ariano também é homenageado pelo jornal nas duas páginas centrais.

Além das homenagens, a edição traz versos de Zé Limeira, Jessier Quirino, Manuel Camilo dos Santos, João Ferreira de Lima, entre outros. Nas páginas dedicadas aos poetas da nossa terra estão versos de Guilherme Menezes, Tuíca, Paulo Pires e Morgana Gomes.

NOME - O nome Cancão de Fogo é uma referência ao próprio Leandro Gomes de Barros, que criou este personagem em um dos clássicos da literatura de cordel; ao pássaro cantador da caatinga nordestina - cancão; e ao poeta pernambucano João Batista de Siqueira, que era chamado de Cancão.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Fé e tradição reúnem vaqueiros na Bahia


Tradição na cidade do interior baiano, localizada a 630 km de Salvador, a Missa do Vaqueiro de Lagoa Real de 2013 acontece no primeiro domingo de junho, 2, às 9 horas. Antes acontecerá o desfile dos vaqueiros encourados.

Em sua 23ª edição, a festa atrai visitantes de toda a Bahia e também de outros estados. Além da missa, acontecem nos dias 31 de maio, 1º e 2 de junho, vaquejada e shows musicais, no Parque do Vaqueiro. Este ano, Milionário e José Rico e Cangaia de Jegue são algumas das atrações.

No espaço, ocorrem ainda apresentações de viola, sanfona, repentes e a Vila Cultural, onde serão instaladas barracas com artesanato regional, fabricação de cachaça, rapadura, farinha de mandioca, entre outras.

Missa do Vaqueiro - A Missa do Vaqueiro originou-se da história de Raimundo Jacó (primo do cantor Luiz Gonzaga), um vaqueiro famoso do município de Serrita, no estado de Pernambuco, quando o mesmo foi traído e assassinado por um rival na madrugada de 8 de julho de 1954. Desde então, familiares e amigos passaram a considerá-lo como herói e começaram a celebrar a “Missa do Vaqueiro”, no local onde foi enterrado.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Tradição e cultura popular em debate


A literatura também estará presente no Festival da Juventude - Ano II! O poeta, músico e cordelista Maviael Melo vai lançar seu novo livro durante a roda de conversa "Tradição e Cultura Popular".
De Iguaraci (PE), mas radicado na Bahia, Maviael está sempre conectado à vida cultural de Pernambuco através da internet ou através da participação em eventos de cantoria e recitação. Atualmente, além de cuidar da carreira artística, Mavi vem trabalhando como arte-educador ambiental, trabalho este que, segundo o próprio autor, o tem gratificado muito.

A roda de conversa com o cordelista acontece no dia 12 de maio às 9 horas, no Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima. Daniela Galdino Nascimento e Rosa Griô participam da conversa.

Confira abaixo trecho da participação do cantador no programa Sr. Brasil.

Mais informações sobre o Festival: Debates, oficinas e minicursos integram Festival da Juventude.

Mitos e verdades sobre a Revolta da Caxirola - um cordel

Peço licença aos senhores
Neste exato momento
Para narrar uma história
Sem nenhum comedimento
De um bizarro artefato
Feito pra enganar jumento

Desculpem minha imodéstia
Mas posso tudo contar
Pois no dia vinte e oito
Fui testemunha ocular
Estava na Fonte Nova
Só não dei sopa pro azar

Logo na entrada do estádio
Um meganha me parou
Segurou meu guarda-chuva
Prendeu e não liberou
Porém ele deixou livre
Aquilo que Brown plagiou

O tal plágio aconteceu
Sem a menor cerimônia
Brown pegou um Caxixi
E dele fez uma babilônia
Para a todos confundir
Escanteando a parcimônia

Se os incautos não sabem
Direi com autoridade
O Caxixi é um símbolo
Divina ancestralidade
Era usado na África
Em rituais de verdade

Quem quiser se informar
Sobre o sagrado chocalho
Recomendo a leitura
De um minucioso trabalho
Que em 2011 foi escrito
Por Priscila Maria Gallo

A pesquisadora afirma
Com muita convicção
Que o Caxixi sempre foi
Objeto de tradição
E no Congo e em Angola
Servia à religião

Porém quando aqui chegou
Assim informa Maria
O referido Caxixi
Ganhou outra serventia
Incorporou-se ao berimbau
Tocado com maestria

Já esta nova presepada
Não tem nada de eterno
É apenas uma cópia
Vestida com outro terno
Feita para enganar besta
Todo metido a muderno

E, como sói acontecer,
Nas chibanças de pelego
Falaram logo em criar
Num sei quantos mil emprego
Tudo feito no Brasil
Pra gringo pedir arrego

Mas, o fato é que a verdade
Sempre aparece no fim
E a tal da caxirola
Eis o nome do coisa ruim
Só saiu com o aval
Do estrangeiro I’m Green

E para referendar
Toda a esculhambação
O governo entrou em campo
Gastando logo um milhão
E mostrando a todo o mundo
O novo orgulho da nação

Também a impoluta Fifa
Entrou de vez na jogada
Querendo que os torcedores
Aplaudissem a cagada
Como o baiano num é besta
Disse não à patacoada

Aliás, NÃO na Bahia
É motivo pra empolgar
Basta recordar as lutas
De caráter popular
Assim vou pedir licença
Para poder derivar

A primeira das batalhas
De botar cabelo em pé
Esta eu me lembro bem
Foi a do Aimoré
Índio enfrentou portuga
Sem nunca ter dado ré

Logo depois ocorreu
O levante tubinambá
Povo bravo, resistiu
Sem jamais se entregar
Contra o colonizador
Não se deixou escravizar

Os livros pouco registram
O sábio motim do Maneta
Luta boa contra impostos
Sublevação porreta
Que provocou o recuo
Do mandatário careta

Outro motim esquecido
É o da Carne sem Osso
Quando também se exigia
A farinha sem caroço
Foi uma revolta grande
Causou tremendo alvoroço

Também não se pode olvidar
A revolução alfaiate
Tinha base iluminista
Peleja de alto quilate
Liderada pelo povo
Que travou o bom combate

Já a Revolta dos Malês
De origem Muçulmana
Provocou um forte impacto
Aqui na terra baiana
Luta contra a escravidão
Que era uma peste humana

E a Mãe de todas batalhas
A feminina independência
Quitéria, Felipa e Joana
Contra a subserviência
Mostrando que rebeldia
Não rima com leniência

Além destas revoltas
Existiram outras mais
A Sabinada e Canudos
São exemplos colossais
E, na cidade de Cachoeira,
A Federação dos Guanais

Mas, tanto ontem como hoje
Sempre fomos rotulados
E todos os que protestam
Tachados de mal-educados
Os poderosos só aceitam
Que sejamos conformados

Por isso querem vender
Que aqui é só alegria
Povo pacífico e ordeiro
Nesta terra da magia
Mas o fato é que sempre lutamos
Com humor e galhardia

Falam que o bonde do pagode
Agita a cidade inteira
E mostram uma parte do povo
Nesta alegre quebradeira
Mas já quebramos outros bondes
Nem tudo é só brincadeira

E a Revolta da Caxirola
Está nesta tradição
Sim, meninos, eu vi
O furor da multidão
De um povo que se recusa
A ser tratado como um cão

Inicialmente o protesto
Teve como alvo um cartola
E os atletas do Bahia
Que não sabem o que é bola
Por isso os torcedores
Mandaram catar caxirola

E tava bonito de ver
A inversão de papel
O jogador mercenário
Trabalhando como réu
Limpando todo o gramado
Foi uma vingança cruel

E foi também um repúdio
Aos que em nome da assepsia
Querem impor muitas regras
E acabar com a alegria
Domesticando a todos
Ai, meu Deus, que agonia!!!

A manifestação trouxe à tona
O que eles querem esconder
Baiano gosta de bola
Mas não gosta de sofrer
E ninguém vai determinar
Qual é seu jeito de torcer

E a moral desta história
Para quem ainda sonha
É reforçar aquele axioma
Que revolta num é vergonha
É apenas um antídoto
Contra os bichos de peçonha

Foi assim que o protesto
O pecado original
Virou-se contra a própria Fifa
Ganhou dimensão real
Pois pau que aqui nasce torto
Sempre vira berimbau

Franciel Cruz (publicado em Impedimento.org)