terça-feira, 28 de junho de 2011

A Estética do Cangaço, por Frederico Pernambucano de Melo

TEXTO PUBLICADO NA REVISTA MENSCH (N30, MAIO DE 2011)

O universo do cangaço sempre foi um assunto muito próprio do universo masculino, onde os homens dominavam e comandavam seus grupos. Tanto que o mais famoso representante dessa cultura de foras da lei, o Mestre Virgulino, vulgo Lampião, até hoje é tema de livros e estudos. Sempre com histórias ligadas a nossa cultura, em especial pelo cangaço que nos fascina com seus “causos” e relatos. Para saber um pouco mais dessa cultura fomos atrás do celebre escritor pernambucano Frederico Pernambucano de Melo, que recentemente lançou o livro “Estrelas de Couro, a Estética do Cangaço” que mostra a face oculta quando se fala em cangaço. Frederico é Procurador Federal e Historiador, pesquisou a fundo as histórias do cangaço e passou dias na caatinga como os antigos “cabras” do bando de Lampião. E em breve será o curador do Museu no Estado sobre o tema.

Sobre a vontade de ser escritor e falar sobre o cangaço, Frederico nos falou não saber se o homem descobre a vocação ou se a vocação descobre o homem, mas o fato é que ele é um homem dos dois mundos já que a família do pai é do litoral e a da mãe do alto sertão. Quando jovem Frederico gostava de ouvir as histórias dos antigos cangaceiros que fizeram parte do bando de lampião que costumavam freqüentar sua casa para escutar suas histórias, nessa época já sentia necessidade de relatar e perpetuar para história o conhecimento de um universo real nordestino e da sua saga mais apaixonante que foi o cangaço.
Frederico foi muito amigo do escritor e sociólogo Gilberto Freire, que era primo de seu avô paterno Ulisses Pernambucano de Melo, essa amizade começou na época em que ele fazia faculdade, já que seu maior desejo era fazer parte do grupo montado por ele e composto por Silvio Rabino (psicólogo social), René Ribeiro (escritor), Estevão Pinto (historiador) e tantos outros. Frederico passou 15 anos trabalhando como assistente dele, seu ensinamento mais precioso foi sobre a percepção. Ele dizia que a percepção era a porta de entrada para grande inteligência e completava com a frase “prestem bem atenção a pormenores que iluminam”.

Mas como você avalia a opinião popular sobre o cangaço? “Cambiante como sempre já que é contada por duas vertentes, a dos antigos oficiais de polícia que tinham combatido o cangaço e que por isso os demonizava e pelos marxistas que desculpavam todas as brutalidades cometidas pelos mesmos.”

Sobre os autores que dedicaram parte da sua vida a relatar sobre o cangaço, Frederico nos cita José Lins do Rego com “Pedra Bonita” e “Cangaceiros”, Graciliano Ramos com “Vidas Secas”, Cândido Portinari com a coleção "Cangaceiros", na Europa quando o tema é citado através de Glauber Rocha com “O Dragão da maldade Contra o Santo Guerreiro” e “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e Lima Barreto com o filme “O Cangaceiro”.

Frederico vê o cangaço como um movimento de irredentismo brasileiro, já que no processo de descobrimento os europeus relatavam que aqui se vivia "sem lei, nem rei e se era feliz". “Esse mito fez com que certos grupos sociais no Brasil desde os primórdios da colonização ficassem a margem do processo que se desdobrou a partir de uma ideologia chamada mercantilismo que é considerada como o pré-capitalismo. Foram esses os valores que o descobridor nos trouxe. Alguns grupos se afeiçoaram e aceitaram até serem escravizados para entrar no processo econômico e de grande prestígio dos metais nobres, os que não se renderam a esses encantos se mantiveram as margens e muitas vezes de arma em punho para uma possível defesa.”

Sobre como surgiu a idéia de misturar versos populares em trechos do seu livro “Guerreiros do Sol”, Frederico nos fala que “surgiu para mostrar a cultura e a história de um povo que por muitas vezes só recebeu notícias através dos versos cantados na boca dos ciganos, no sertão ainda é comum reunir as pessoas para declamar canções, versos ou causos.”

Uma curiosidade bem comum é sobre o significado e a importância dos símbolos estampados nas peças que eram usadas pelos cangaceiros. Que na verdade, segundo Frederico, era a representação das crenças populares onde se buscava nos símbolos uma forma de proteção. Além de trazer defesas e atacar os inimigos, muitos serviam como adorno estético. Um dos principais é a estrela de Salomão que é uma espécie de blindagem, já que os cangaceiros acreditavam que elas devolviam todo mal que era desejado a eles.

Frederico nos relata uma curiosidade interessante, que tais adornos eram feitos pelos próprios cangaceiros, exímios costureiros e pode-se dizer até que eram “estilistas”, que muitas vezes desenhavam antes de iniciar a costura. Em alguns caso costurar rendia a um “cabra” a liderança de um subgrupo já que assim ele conseguia “condecorar” seu bando.

Para saber um pouco mais sobre a estética e a influência do cangaço na sociedade, recomendamos, além dos filmes citados por Frederico, os seus dois livros, “Estrelas de Couro, a Estética do Cangaço” e “Guerreiros do Sol”.

Texto/Entrevista: Jamahe Lima
Fotos: Jamahe Lima, Divulgação, Rede Globo, Portal São Francisco
Agradecimentos: Frederico Pernambucano de Melo

domingo, 26 de junho de 2011

História do Cordel



Na época dos povos conquistadores greco-romanos, fenícios, cartagineses, saxões, etc, a literatura de cordel já existia, tendo chegado à Península Ibérica (Portugal e Espanha) por volta do século XVI. Na Península a literatura de cordel recebeu os nomes de "pliegos sueltos" (Espanha) e "folhas soltas" ou "volantes" (Portugal). Florescente, principalmente, na área que se estende da Bahia ao Maranhão esta maravilhosa manifestação da inteligência brasileira merecerá no futuro, um estudo mais profundo e criterioso de suas peculiaridades particulares.

O grande mestre de Pombal, Leandro Gomes de Barros, que nos emprestou régua e compasso para a produção da literatura de cordel, foi de extrema sinceridade quando afirmou na peleja de Riachão com o Diabo, escrita e editada em 1899:

"Esta peleja que fiz
não foi por mim inventada,
um velho daquela época
a tem ainda gravada
minhas aqui são as rimas
exceto elas, mais nada."

Oriunda de Portugal, a literatura de cordel chegou no balaio e no coração dos nossos colonizadores, instalando-se na Bahia e mais precisamente em Salvador. Dali se irradiou para os demais estados do Nordeste. A pergunta que mais inquieta e intriga os nossos pesquisadores é "Por que exatamente no nordeste?". A resposta não está distante do raciocínio livre nem dos domínios da razão. Como é sabido, a primeira capital da nação foi Salvador, ponto de convergência natural de todas as culturas, permanecendo assim até 1763, quando foi transferida para o Rio de Janeiro.

Na indagação dos pesquisadores no entanto há lógica, porque os poetas de bancada ou de gabinete, como ficaram conhecidos os autores da literatura de cordel, demoraram a emergir do seio bom da terra natal. Mais tarde, por volta de 1750 é que apareceram os primeiros vates da literatura de cordel oral. Engatinhando e sem nome, depois de relativo longo período, a literatura de cordel recebeu o batismo de poesia popular.

Foram esses bardos do improviso os precursores da literatura de cordel escrita. Os registros são muito vagos, sem consistência confiável, de repentistas ou violeiros antes de Manoel Riachão ou Mergulhão, mas Leandro Gomes de Barros, nascido no dia 19 de novembro de 1865, teria escrito a peleja de Manoel Riachão com o Diabo, em fins do século passado.

Sua afirmação, na última estrofe desta peleja é um rico documento, pois evidencia a não contemporaneidade do Riachão com o rei dos autores da literatura de cordel. Ele nos dá um amplo sentido de longa distância ao afirmar: "Um velho daquela época a tem ainda gravada".

Da Academia Brasileira de Literatura de Cordel

sábado, 25 de junho de 2011

Dominguinhos em documentário

Dominguinhos se apresenta hoje, 25, em Jequié (na praça).
Setenta anos de vida do músico estão registrados no documentário ‘Dominguinhos, Volta e Meia’, de Felipe Briso - Agência BOM DIA

Dominguinhos se lembra com orgulho da primeira sanfona que ganhou de Luiz Gonzaga, quando tinha 13 anos. “Comecei a tocar por causa desse presente. Gonzaga foi um pai para mim e me ajudou muito nessa longa caminhada”, contou ao BOM DIA, em uma das pausas das gravações para o documentário “Dominguinhos, Volta e Meia”, dirigido por Felipe Briso. A produção começou no aniversário de 70 anos do músico, em 12 de fevereiro de 2011, e vai terminar na festa de 71, em 2012.

Segundo Briso, o filme quer revelar um Dominguinhos que o Brasil precisa conhecer. “Ele é um dos maiores instrumentistas do mundo e vai além da música regional, sanfona, baião e forró”. O diretor diz ainda que o sertão provocou em Dominguinhos a universalidade musical.

Com idealização de Mariana Aydar, Duani Martins e Eduardo Nazarian, a trajetória artística do sanfoneiro será retratada nas telas por meio de compromissos pessoais e encontros com músicos que representaram importantes passagens de sua vida, como Hermeto Pascoal, João Donato, Gilberto Gil e Lenine. “Hermeto representa a primeira infância de Dominguinhos, que aprendeu a tocar sozinho quando vivia no sertão de Pernambuco”, explicou o diretor.

Conforme ele, João Donato marca a profissionalização, quando Dominguinhos se mudou para o Rio de Janeiro e começou a tocar em bailes e rádios. “No Rio, ele aprimorou seu talento, enquanto passeava por diversos ritmos”, disse. Já Gilberto Gil é a fase do reconhecimento da originalidade de Dominguinhos, na época da Tropicália, e Lenine é a era contemporânea, em que o músico intensificou a mistura de elementos em suas criações.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Viva São João!

Feliz São João! Divirta-se e curta a nossa rica cultura popular!
O principal santo católico reverenciado pelos nordestinos é São João, cuja data, 24 de junho, é feriado regional. Além das celebrações católicas, a data é comemorada a partir da noite do dia 23 com muitas festas animadas, com fogueira, fogos de artifício e forró e regadas a bebidas e comidas típicas, como bolos, doces, licores, milho (cozido e assado na fogueira), canjica e quentão.

Segundo historiadores, a tradição das festas juninas - que antes eram chamadas de joaninas - surgiu na Europa durante o século 14. No Brasil, de acordo com o antropólogo Roberto Albergaria, os costumes de homenagear os santos do mês de junho foram trazidos pelos portugueses e readaptados com a inserção de valores de negros e indígenas, como o boi-bumbá, a utilização da mandioca para a composição de pratos típicos e algumas danças.

A tradição das fogueiras também foi trazida do continente europeu e representava o aviso a Maria do nascimento de João, filho de sua irmã Isabel. Os fogos de artifício, por sua vez, representam para alguns o despertar de João. Em Portugal, o uso das bombas e rojões serve para espantar os maus espíritos.

Do Uol, por Gabriel Carvalho.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Entrevista ao Cult Mix

A edição do Cult Mix (Rádio Uesb) de 20/06/2011 contou com a participação do jornalista Ailton Fernandes, colaborador deste blog, que falou sobre o objetivo e o trabalho do Luz de Fifó, entre outras coisas. No mesmo programa, há ainda notícias do mundo da música e ainda Thiago Pethit, Biquini, Banda de Pau e Cordas, Volver, Michael Jackson, Morrisey, Marisa Monte e muito mais.

Ouça aqui:

domingo, 19 de junho de 2011

Conversa de Balcão: entrevista com Andrade

O blogueiro e jornalista Ailton Fernandes, também colaborador deste blog, conversou com Antonio Andrade sobre diversos assuntos, entre eles a literatura de cordel, poetas populares, cultura nordestina e o trabalho que faz com o seu acervo, divulgando o cordel e as tradições do sertão. Confira aqui algumas das declarações do Tuíca do Cordel ao blog Conversa de Balcão:

Acervo e divulgação


A importância da literatura de cordel


Acervos internacionais de cordel


Valorização do cordel no Brasil


Grandes poetas populares e algumas obras


Ouça a entrevista completa.

sábado, 18 de junho de 2011

Uma bela viagem

O romance "Viagem a São Saruê", de Manoel Camilo dos Santos, é uma viagem de utopia. Tudo que falta no Nordeste sobra no País São Saruê: saúde, comida, morada, justiça, alegria. Mas no Nordeste está viva no meio do Povo uma força maravilhosa; na verdade, a força maior que o Brasil tem: a Poesia, que elege sua morada em toda terra onde há Fé e Esperança. "Viagem a São Saruê" é um dos mais lindos poemas da poesia brasileira. Nesta época de falso turismo, em que São Saruê é barganhado com as butiques de Paris e Roma pelos viajantes privilegiados, Manoel Camilo dos Santos, poeta maior e quase desconhecido, num pais que ignora os seus poetas, planejou esta viagem verdadeira para a Terra Prometida e a oferece ao seu povo (Da Casa das Crianças de Olinda. Agosto de 1977)

Confira um trecho:

Ao surgir da nova aurora
senti o carro pairar
olhei e vi uma praia
sublime de encantar
o mar revolto banhando
as dumas da beira mar

Avistei uma cidade
como nunca vi igual
toda coberta de ouro
e forrada de cristal
ali não existe pobre
é tudo rico em geral.

***

O povo em São Saruê
tudo tem felicidade
passa bem anda decente
não há contrariedade
não precisa trabalhar
e tem dinheiro a vontade.

Lá os tijolos das casas
são de cristal e marfim
as portas barras de prata
fechaduras de "rubim"
as telhas folhas de ouro
e o piso de sitim.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Salgueiro vai levar o cordel para a avenida em 2012

A tradicional escola de samba Acadêmicos do Salgueiro acertou em cheio ao escolher o tema do seu próximo carnaval.

A vermelha e branca tijucana vai levar para a avenida o enredo "Cordel Branco e Encarnado", de autoria de Renato Lage e Márcia Lage.

A escola pretende unir a arte dos poetas populares do Nordeste com o inconfundível batuque carioca. Sem esquecer das origens do cordel na Europa , que ressurgiu com toda a força no Nordeste em histórias que caíram no gosto popular, como "O Romance do Pavão Misterioso", obra que inspirou os carnavalescos a criarem a logomarca do enredo salgueirense.

A sinopse do enredo foi apresentada aos compositores no dia 14 de junho em reunião na quadra da Rua Silva Teles e surpreendeu a todos por ter sido escrita em forma de poema como um tradicional cordel. Tive a oportunidade de estar presente trocando informações com o carnavalesco Renato Lage, a diretoria cultural e parte da sua talentosa equipe, entre eles Gustavo Mello, Eduardo Pinto, Dudu Azevedo e Luciane Malaquias.

Como poeta popular, cordelista e membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel gostaria de parabenizar a Acadêmicos do Salgueiro por escolher um enredo que verdadeiramente aborde uma das maiores riquezas da nossa cultura popular brasileira.
E uma bela parceria está se iniciando entre estas duas academias: a do samba e a da literatura de cordel.
Confiram abaixo a sinopse na íntegra:

Salgueiro 2012
(Cheio de poesia, imaginação e encantamento)

Minha "fia", meu senhor
Deixa eu me apresentar
Sou poeta e meu valor
Vai na avenida passar
Basta imaginação
Um "cadim" de inspiração
Que eu começo a versar

Vou cantar a minha arte
Que nasceu bem lá distante
Num lugar que hoje é parte
Da nossa origem errante
Vim das bandas da Europa
Nas feiras, a boa trova
Era demais importante!

Foi assim que o mar cruzei
Na barca da encantaria
Chegou por aqui um Rei
Com bravura e poesia
Carlos Magno e o os doze pares
Desfilando pelos mares
Da mais real fidalguia

E veio toda a nobreza
Que um dia eu imaginei
Rainha, duque, princesa
E até quem eu não chamei:
Um medonho de um dragão
Irreal assombração
Dessa corte que eu sonhei

Também tem causo famoso
Que nasceu lá no Oriente
De um tal misterioso
Pavão alado imponente
Que cruza o céu de relance
Dois jovens, e um só romance
Vencendo o Conde inclemente

Todas essas histórias
Renasceram no sertão
Onde vive na memória
O eterno Lampião
E não houve um brasileiro
Que de Antônio Conselheiro
Não tivesse informação

Pra viajar no meu verso
É preciso ter "corage"
Vai que um bicho perverso
Surge que nem "visage"?
Nas matas sertão afora
Lobisomem, caipora
Que medo dessas "image"!!

Pra findar esse rebuliço
Rezar é a solução!
Valei-me meu "padim" Ciço!
Vá de retro, tentação!
Nossa Senhora eu não quero
(Tô sendo muito sincero)
Cair nas garras do cão!

E não é que meu santo é forte?
Cheguei ao céu divinal
É tamanha a minha sorte
A minha vitória afinal
É cantar com alegria
Fazer verso todo dia
Na terra do carnaval

Ao ver chegar a tal hora
Da minha "alegre" partida
Saudade, palavra agora
Tem posição garantida
Mas não se avexe meu irmão
Que hoje a coroação
Acontece é na avenida

Pois eles hão de herdar
Todo esse sertão sonhado
Monarcas que vão reinar
Na corte do Sol dourado
Poetas de tradição
Recebam de coração
Um cordel Branco e Encarnado

E agora eu vou sem medo
Fazer festa "de repente"
Vai nascer um samba-enredo
Pra animar toda a gente
Afinal, não sou melhor
Muito menos sou pior
Só um poeta diferente!


Renato Lage, Márcia Lage, Departamento Cultural

Fotos: Vicente Almeida e Gustavo Mello
Visitem também nosso site e nosso blog:

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Exposição literária e fotográfica na Casa do Cordel

Pela terceira vez, a Vila Junina conta com a Casa do Cordel, onde o professor Antonio Andrade expõe o seu acervo de cordéis. Esse ano, além dos folhetos, há exposição de fotos do cangaço, de Lampião e de Patativa do Assaré, e peças do artesanato nordestino. A instalação é uma das que chamam mais atenção dos visitantes, que se debruçam sobre uma série de histórias e se surpreendem com a riqueza cultural que a simples casinha de taipa guarda durante a programação do Forró Pé de Serra do Periperi, promovido pela Prefeitura Municipal através da Secretaria de Cultura.

São mais de mil títulos, entre clássicos e produções mais recentes, que podem ser apreciados ou até mesmo adquiridos pelos visitantes. Durante a visita ainda é possível ter uma prosa sobre Lampião e Maria Bonita, cangaceiros, poetas populares e cultura nordestina com Andrade, estudioso, pesquisador, divulgador, incentivador e agente das nossas tradições regionais. A exposição segue até o dia 26 desse mês, das 18h às 23h na Praça Tancredo Neves.


RANCHO - Além do espaço dedicado ao cordel, um outro espaço tem atraído os olhares, a Casa do Tropeiro, que expõe peças utilizadas pelos antigos tropeiros, como: cangalhas, laço, cabeçada, rebenque, armamentos, bruacas, entre outros. Organizada pela Ong Carreiro de Tropa - Catrop, a Casa lembra a importância de se preservar, difundir e valorizar a memória do tropeirismo na região do Sertão da Ressaca.


Confira alguns registros da Casa do Cordel:

Saiba mais sobre o Memorial do Forró

A programação do Forró Pé de Serra do Periperi em Vitória da Conquista está diversificada. O Memorial do Forró, espaço de cultura e informação aberta ao público das 14 às 23h, foi montado na Praça Tancredo Neves, na Casa Régis Pacheco, com o intuito de fazer um resgate dos valores culturais da nossa identidade.
Para o secretário de Cultura, Gildelson Felício, muitas crianças e jovens não conhecem a zona rural e nunca tiveram contato com a festa tradicional do interior, sendo este, portanto, um momento importante para esse encontro cultural. Gildelson explica como foi pensado o Memorial do Forró: “Este ano estamos homenageando o mestre sanfoneiro Sivuca; dentro das casas de taipa montadas na praça há elementos da cultura popular como a réplica do boneco de Gonzagão e de outros sanfoneiros; bonecos de panos e maquetes. Uma das maquetes traz o trabalho “A Carta” do nosso compositor conquistense Elomar, que é uma obra que traz uma passagem sobre a festa de São João”, conta.
Juntamente com o Memorial, a Vila Junina também integra a programação, com forrozeiros tocando durante a noite. Há ainda a “Casa do Cordel”, com exposições de fotos do cangaço; a “Casa do Tropeiro”, que traz uma referência da história de Conquista; a Igrejinha, que é uma sala dos “Santos Juninos”, que mostra os três principais santos desta época: Santo Antônio, São João e São Pedro. Além disso, “História do Forró”, “Samarica Parteira” e o “Pátio dos Forrozeiros” também são ambientes que irão despertar a atenção dos visitantes.
Quem for visitar o Memorial do Forró contará com a ajuda de monitores que estarão no local. Com eles, as pessoas poderão entender melhor o significado de cada ambiente, sobre o homenageado deste ano, e demais trabalhos expostos. Para Gildelson Felício, o trabalho do município é diferenciado se comparado ao restante do estado: “queremos aqui um evento festivo, mas extremamente cultural. Toda a concepção desta festa, desde a ornamentação à grade musical foi pensada nesse sentido”, completa.

Publicada no http://www.vitoriadaconquista.com.br/ em 15/06/11.
Por Laís Vinhas; Fotos: Zé Silva (Mais fotos no Site VC)

‘Os Últimos Cangaceiros’ tem recepção calorosa no Cine Ceará

A ex-cangaceira Aristela Soares assistiu
ao filme no Festival (Foto: Rogerio Resende)
CONSIDERADO ‘OBRA PRIMA’ POR LUIS CARLOS BARRETO, FILME DE WOLNEY OLIVEIRA FOI EXIBIDO FORA DA COMPETITIVA, QUE SERÁ RETOMADA NESTE SÁBADO COM DOIS LONGAS

Foi exibido, na noite desta sexta-feira, 10, no 21º Cine Ceará, o documentário do diretor executivo do festival, Wolney Oliveira, “Os Últimos Cangaceiros”. O cineasta subiu ao palco acompanhado de grande parte da equipe do filme e de Lili e Inácio, filhos dos cangaceiros Durvinha e Moreno, que emocionaram a platéia ao falar de quando se conheceram, já adultos.

Durante mais de meio século, os ex-cangaceiros do bando de Lampião Durvinha e Moreno esconderam sua verdadeira identidade até dos próprios filhos, que cresceram acreditando que os pais se chamavam Jovina Maria da Conceição e José Antonio Souto. Após a morte de Lampião, os dois percorreram mais de mil quilômetros a pé, por cerca de 90 dias, até chegar a Montes Claros (MG), onde fixaram residência. A verdade sobre suas identidades só é revelada quando Moreno, então com 95 anos, resolveu dividir com os filhos o peso das lembranças e reencontrar parentes vivos, entre eles seu primeiro filho, Inácio. É esse o universo retratado por “Os Últimos Cangaceiros”. Durvinha morreu em 2008 e Moreno, no ano passado.

Mesmo se tratando de uma história familiar sofrida, o filme tem uma abordagem descontraída, que fez a plateia rir em vários momentos, com as histórias dos cangaceiros. O produtor e cineasta Luiz Carlos Barreto, presente à exibição, definiu o longa como “um filme arqueológico do cangaço”. “Os personagens me lembraram o mordomo do último (documentário) do João Moreira Salles (Santiago, 2006), só que com senso de humor. O filme do Wolney é dos cinco melhores documentários que já vi. Uma obra prima”, elogiou Luiz Carlos Barreto, o Barretão.

Do blog do Cine Ceará
Confira matéria da Agência Estado.
Foto: Divulgação

terça-feira, 14 de junho de 2011

Inspirado em Lampião e Maria Bonita

Seleção de objetos de decoração inspirados no casal de cangaceiros mais famoso do Brasil. Da revista Minha Casa (junho 2011).

Lampião e Maria Bonita: 19 peças inspiradas no casal mais famoso do cangaço
O clima árido do sertão transpõe fronteiras ao marcar presença na casa. “As xilogravuras aliam artesanato e arte popular, imprimindo personalidade à decoração”, diz a arquiteta Iraneide Oliveira, de Recife. E, no mês dos namorados, o casal de cangaceiros faz sucesso.








Texto e Reportagem Visual: Paulo Augusto (PE); Fotos: Tom Cabral (PE); Colaboraram Tatiana Guardian e Veronica Naka (Assistente) (SP).

Veja a seleção completa no site da revista.

domingo, 12 de junho de 2011

Visite o Memorial do Forró

A Casa Régis Pacheco, na Praça Tancredo Neves, se transforma no Memorial do Forró durante os festejos juninos da cidade de Vitória da Conquista.

O espaço homenageia, este ano, o mestre Sivuca, com uma exposição na sala principal. Pela casa até no quintal, os visitantes irão encontrar diversos bonecos, maquetes e muito colorido, misturando cultura e informação. Há ainda a sala dos Santos Juninos, da História do Forró, da Samarica Parteira e o Pátio dos Forrozeiros.

Outro ambiente que irá despertar a curiosidade do público é a sala onde está exposta uma maquete que representa os quatro atos da ópera A Carta, de Elomar. Para completar a homenagem ao filho nobre da terra, o próprio compositor se encontra representado na maquete.

A pesquisa e concepção do Memorial são de autoria da cenógrafa Victória Vieira. O local está aberto diariamente das 14 às 23 horas, até o dia 26 de junho.

O HOMENAGEADO - Severino Dias de Oliveira, mais conhecido como Sivuca, (Itabaiana, 26 de maio de 1930 — João Pessoa, 14 de dezembro de 2006) foi um dos maiores artistas do século XX, responsável por revelar a amplitude e a diversidade da sanfona nordestina no cenário mundial da música. Exímio executante da sanfona, multi-instrumentista, maestro, arranjador, compositor, orquestrador e cantor.

Compositor de músicas conhecidas, como 'Feira de Mangaio', 'Adeus Maria', 'Reunião de Tristeza' e 'João e Maria', que compôs com Chico Buarque, Sivuca lançou em 2006, ano da sua morte, o DVD “Sivuca – O Poeta do Som”, que contou com a participação de 160 músicos convidados. Foram gravadas 13 faixas, além de duas reproduzidas em parceria com a Orquestra Sinfônica da Paraíba.

Confira abaixo o registro de Feira de Mangaio:

terça-feira, 7 de junho de 2011

Sertanília: o som do sertão

Sertanília é um grupo musical que busca uma sonoridade nova e o desafio de realizar a união do erudito à música popular do sertão. Composto por Aiace Felix (vocalista), Leilane dos Santos (violoncelo), Anderson Cunha (viola, violões e bandolim), Diogo Flórez (percussão) e Tainnã Chagas (percussão) foi formado em 2010 com a proposta de fazer uma música essencialmente brasileira, tendo o Sertão como tema; para tanto, recupera canções, poesias sobre o sertão, além de construir um trabalho autoral que faz referência direta a esse lugar e à sua gente.

O Sertanília dialoga, musicalmente, com as heranças musicais e literárias do sertão brasileiro, vasta região que compreende o Nordeste do Brasil, o Noroeste de Minas Gerais, o Sudoeste da Bahia e o Sul de Goiás, e compõe uma música inspirada em temas e motivos próprios do universo “sertanês”, buscando referências na música tradicional do sertão brasileiro, com privilégio para o uso de instrumentos de corda e percussão.

No vídeo abaixo, Perfume de Flor, composta por Anderson Cunha.

Conheça mais em sertanilia.com.br.

domingo, 5 de junho de 2011

Poesia portuguesa

Fanatismo

Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida…
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

“Tudo no mundo é frágil, tudo passa…”
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
“Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!…”




Apresentamos um pouquinho da nossa irmã Florbela Espanca, poetisa portuguesa. Ela nasceu em Vila Viçosa em 1894 e migrou deste mundo no dia do seu aniversário, 08 de Dezembro de 1930, com apenas 36 anos. Fez incursões literárias através de contos e sonetos. Dentre suas composições poéticas, o artista cearense, Fagner, musicou algumas delas, em destaque para Fanatismo.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Poetas populares: Leandro Gomes de Barros

Paraibano de Pombal, Leandro Gomes de Barros (1865-1918) fugiu de casa aos onze anos por conta dos maus tratos de um padre que era seu tio. Até os 15 anos, viveu em Teixeira, cidade berço de muitos cantadores, depois foi para Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, onde se casou e teve filhos.

Estima-se que Leandro escreveu mais de 600 títulos, das quais foram tiradas mais de 10 mil edições. Chegou a ter sua gráfica própria e sua obra continuou sendo editada pela família mesmo após sua morte. Em 1921, os direitos autorais de Leandro foram vendidos pela viúva a João Martins de Athayde, que chegou a publicar folhetos omitindo o autor e modificando o acróstico na estrofe final.

Pioneiro na produção literária de cordel no Brasil, o poeta foi autor de folhetos de grande aceitação popular, como:

A Batalha de Oliveiros e Ferrabas, História da Donzela Teodora, A Morte de Alonso e a Vingança de Marina, A Vida de Cancão de Fogo e seu Testamento, A Vida de Pedro Cem, Baman e Gercina – o Príncipe e a Fada, Casamento e Divórcio da Lagartixa, História de João da Cruz, História do Boi Misterioso, Juvenal e o Dragão, O Cachorro dos Mortos, O Cavalo que Defecava Dinheiro, O Dinheiro (O Enterro do Cachorro) e A Órfã Abandonada.

Estas e outras obras serviram de inspiração para grandes escritores, como é o caso de Ariano Suassuna:

“Os cordelistas me influenciaram tanto quanto Lorca, que tem um mundo de cavalo, boi, cigano e romanceiro popular parecido com o meu, ou Calderón de la Barca; para mim o príncipe dos poetas brasileiros é Leandro Gomes de Barros, autor de dois dos três folhetos em que me inspirei para escrever o Auto da Compadecida: O Enterro do Cachorro e O Cavalo que Defecava Dinheiro”.


Outro escritor que revelou admiração à obra do poeta paraibano foi Carlos Drumond de Andrade, comparando-o a Olavo Bilac e questionando a eleição deste, pela revista Fon-Fon, como príncipe dos poetas brasileiros:

“Em 1913, certamente mal informados, 39 escritores, num total de 173, elegeram por maioria relativa Olavo Bilac príncipe dos poetas brasileiros. Atribuo o resultado a má infomação porque o título, a ser concedido, só poderia caber a Leandro Gomes de Barros, nome desconhecido no Rio de Janeiro, local da eleição promovida pela revista Fon-Fon, mas vastamente popular no Nordeste do país, onde suas obras alcançaram divulgação jamais sonhada pelo autor de ‘Ouvi Estrelas’. E aqui desfaço a perplexidade que algum leitor não familiarizado com o assunto estará sentindo ao ver defrontados os nomes de Olavo Bilac e Leandro Gomes de Barros. Um é poeta erudito, produto da cultura urbana e burguesa média; o outro, planta sertaneja vicejando à margem do cangaço, da seca e da pobreza. Aquele tinha livros admirados nas rodas sociais, e os salões o recebiam com flores. Este, espalhava seus versos em folhetos de cordel, de papel ordinário, com xilogravuras toscas, vendidos nas feiras a um público de alpercatas ou pé no chão. A poesia parnasiana de Bilac, bela e suntuosa, correspondia a uma zona limitada de bem-estar social, bebia inspiração européia e, mesmo quando se debruçava sobre temas brasileiros, só era captada pela elite que comandava o sistema de poder político, econômico e mundano. A de Leandro, pobre de ritmos, isenta de lavores musicais, sem apoio livresco, era o que tocava milhares de brasileiros humildes, ainda mais simples que o poeta, e necessidade de ver convertida e sublimada em canto a mesquinharia da vida. Não foi príncipe de poetas do asfalto, mas foi, no julgamento do povo, rei da poesia do sertão, e do Brasil em estado puro”.

Para finalizar, alguns versos de O Testamento do Cachorro:

“Um inglês tinha um cachorro
De uma grande estimação
Morreu o dito cachorro
E o inglês disse então:
- Mim enterra essa cachorra
Inda que gaste um milhão.

Foi ao vigário e lhe disse:
- Morreu cachorra de mim
E urubu do Brasil
Não poderá dar-lhe fim...
- Cachorro deixou dinheiro?
Perguntou o vigário assim”

quarta-feira, 1 de junho de 2011

100 Cordéis históricos segundo a ABLC

Contemplado por seleção pública no Programa Petrobras Cultural 2005/2006, o livro "100 Cordéis Históricos Segundo a Academia Brasileira de Literatura de Cordel - ABLC", consiste na pesquisa e publicação de 100 títulos raros de cordel, na íntegra, e visa a difusão nacional dessa forma de expressão que compõe o patrimônio imaterial brasileiro.

Dos 13 mil títulos que compõem o acervo da academia, cerca de 400 títulos representam a história remota desta literatura, da qual há poucos exemplares disponíveis, mesmo nos acervos especializados. Abordando principalmente o período do fim do século XIX à segunda metade do século XX, o projeto resultará na edição de 100 cordéis selecionados deste acervo, com caixa protetora e 568 páginas no total.

A disponibilização deste raro e significativo acervo, reunindo em uma única publicação 41 autores representativos do período, com qualidade de impressão que garanta sua longevidade, se faz iniciativa inédita.
Lançado em 9 de setembro de 2008, o livro será distribuído para as principais bibliotecas do país e instituições ligadas à literatura de cordel. A ABLC comercializará o restante dos exemplares a preço popular.

O projeto é uma realização da Ofício Produções, em parceria com a ABLC, responsável pela curadoria do projeto, que teve seus membros, o presidente Gonçalo Ferreira da Silva como curador e o acadêmico J. Victtor como coordenador executivo, trazendo a credibilidade de anos de história desta instituição como centro de publicação, memória e difusão da literatura de cordel.

O livro contou também com a inestimável colaboração de pessoas ligadas à cultura e à própria literatura de cordel, como os cordelistas Arievaldo Viana e Marcus Haurélio, que colaboraram com importantes dados sobre os cordelistas; Vidal Santos, da ABC - Academia Brasileira de Cordel - cedendo os direitos autorais de diversos cordéis; Maria Rosário F. Pinto, do CNFCP - Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, na distribuição dos livros; Antonio Nóbrega, Carlos Sandroni e Francisco Nobre, nos prefácios e Gustavo Luz, da Editora Queima-Bucha.

100 Cordéis Históricos Segundo a ABLC
Editora: Queima-Bucha
Formato: 21 X 28
Páginas: 568
Capa: Papel Triplex 350g 2 cores
Miolo: Papel Off-Set 90g P/B
Preço: R$ 50,00 (caixa com dois volumes)
Para envio por Correios será acrescentado o valor correspondente para cada cidade.
A coleção está à venda pelo e-mail 100cordeis@ablc.com.br.