quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Bruto também ama?


Texto do jornalista Glauber Lacerda, publicado em seu blog Fi de Zé, sobre o encontro com o rei do mau humor, o afamado Seu Lunga, no ano de 2008. Para encarar o cearense mais ranzinza do mundo, Glauber estava com o professor Antonio Andrade e o forrozeiro Andrade de Sertânia. Confira os vídeos no fim da postagem. 


O sorridente Glauber e o velho Lunga, em Juazeiro do Norte (CE)
A literatura de cordel tem o poder de construir mitos ao ponto de torná-los verdadeiros arquétipos*. Desta maneira, poetas e cantadores, em versos dos mais diferentes estilos, mitificaram Joaquim dos Santos Rodrigues, metamorfoseando-o no arquétipo de homem grosso, enfezado, bruto, pai d’égua, ignorante, “popêro”. Mesmo não sendo conhecido pelo nome de batismo e sem citar a alcunha imortal do sujeito, já dar para o leitor fazer uma fezinha certeira sobre o nome do cabra. Se ainda resta dúvida, o nome dele é Seu Lunga.

Em Juazeiro do Norte (CE), nós – Glauber Lacerda (o sorridente da foto), Andrade Leal, Andrade Sertania e Ana Sertania– encontramos pessoalmente com ele. Um dia antes do encontro, fomos até a casa de Seu Lunga para saber se ele podia nos atender. A filha dele, que estava entrando em casa no momento de nossa chegada, pediu para procurá-lo no dia seguinte. Ele estaria, cedinho, em sua oficina, na Rua Santa Luzia. Nem adiantava prolongar a prosa, Lunga não recebe curioso em casa.

Às 8h, já estávamos na tal rua, pedindo informação para encontrarmos o afamado “rei do mau humor”. A ansiedade era unânime para saber como seríamos recebidos. Tínhamos a romântica esperança que teriamos uma recepção ríspida, digna de Satanás em igreja de crente, assim poderíamos espalhar por aí que o temperamento de Seu Lunga, dos cordéis e das piadas, não é romanceado, ou seja, o cabra seria bruto feito cadela parida "mermo". Batemos a boca no arame, encontramos um homem inesperado.

Logo na porta do estabelecimento, a primeira visão da lenda. Atrás de um monte de ferro velho, parafusos, calçados usados, arreios, avistava-se a ponta do chapéu do figura, como o cume de um “iceberg seco”. Os trinta minutos que estivemos com o suposto ranzinza não foram suficientes para conhecê-lo perfeitamente. Até porque, segundo ele, para uma pessoa conhecer outra, é preciso comer “uma saca de sal” juntas**. Haja feijão para temperar e almoço para comer na mesma mesa! Com esse discurso, Lunga se defende, fala que é muito caluniado pelo povo.

À primeira vista, Seu Lunga não tem nem a santidade do seu xará, o avô de Jesus, São Joaquim, nem a grossura de um cano de esgoto. Foi marcante conhecer outro lado do mito, sem a necessidade de desmitificá-lo, visto que são claras algumas ligações entre a personagem fictícia e a real, principalmente, no quesito intolerância para “imbecilidades”.
Descobrimos nele o poeta, o conhecedor de muitos dizeres, o devoto de Padre Cícero. Para que cada um tire suas conclusões, vai aí todo nosso encontro filmado.

Talvez os “politicamente corretos”, doravante, pensarão duas vezes antes de chamar um sujeito "brabo" de Seu Lunga. Já quem não cumpri esses protocolos, e acredita que o mitos são muito mais interessantes que as pessoas reais, apenas assistam e continue propagando as ilustres respostas do lendário pai d'égua do Sertão do Cariri.

*O autor não tem conhecimento profundo sobre o tema, portanto, arquétipo, nesse sentido, tem uma conotação vulgar. Consiste em dar o nome de determinado personagem que possui alguma característica marcante a outrem que também a possui. Por exemplo: o sujeito metido a esperto é chamado de João Grilo, portanto, João Grilo é o arquétipo de esperteza.
** Extraído da monografia "A fantástica contrução do nordestino Seu Lunga", de Ester Lindoso. 






domingo, 19 de fevereiro de 2012

Viva Luiz: primeiro a colocar o Nordeste no mapa da MPB


Confira a coluna de Nelson Mota, no Jornal da Globo, exibida em 3 de fevereiro, sobre a música e o legado de Luiz Gonzaga, o rei do baião.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

CORDEL: O Carnaval de Olinda e a Primeira Vez de Genésio




A convite de Rodrigo
Um primo muito legal
Viajei quase três horas
Com destino à capital
Para ir até Olinda
Conhecer seu carnaval.

No Sábado de Zé Pereira
(Lá se diz Sábado do Galo)
Cheguei bem cedo no TIP
E fiquei a esperá-lo
E andei tanto lhe esperando
Que no pé ganhei um calo.

Quando o primo apareceu
Já chegou agoniado
Dizendo: - vamos, Genésio
Que a gente está atrasado
O Galo está já saindo
- Eita folião danado!


E ele tinha razão
O galo não demorou
É que na pressa, meu primo
Num batente tropeçou
Bateu com a testa no chão
E nela um galo ganhou.

Nós seguimos de metrô
Para o centro da cidade
Os vagões foram se enchendo
De foliões de verdade
Para chegar lá no Galo
Era grande a ansiedade.

Tinha gente pra dedéu
Em tudo quanto é lugar
Tinha até dentro do rio
Você pode acreditar
Nas ruas, um imprensado
No céu, um sol de lascar.

Já perto das duas horas
O Galo fervia ainda
Então meu primo Rodrigo
Encontrou-se com Lucinda
Que chamou a gente para
Ir brincar lá em Olinda.

E do Galo pra Olinda
Seguimos num desadoro
Lucinda deixou o carro
Lá perto do Giradouro
A essa altura meu calo
Já tinha largado o couro.

Andamos quase uma légua
Para chegar na folia
E eu já de pernas bambas
Sem carga na bateria
Mas depois de um retetéu
Recobrei a energia.


Subi e desci ladeiras
Sem pagar qualquer promessa
Muitas vezes não sabia
Se ía por essa ou essa
Mas seja qual fosse a escolha
Sempre tinha gente à beça.

De vez em quando um batuque
É que puxava a folia
O povo manifestado
Os batuqueiros seguia
Era um xangô arretado
Que até de longe se ouvia.

Para cortar o caminho
Entre becos me joguei
Mas com o fedor de mijo
Até mal quase passei
Ô imundície da gota!
Por pouco não vomitei.

Segui o Boi da Macuca
Com Benedito no fole
A essas alturas eu
Já estava todo mole
Pois cada latinha era
Tomada de um só gole.

Quando passou Flor da Lira
Eu quase me desmantelo
Inventei de dar em cima
Da garota do flabelo
Mas seu noivo chegou junto
E eu quase fiquei banguelo.

Na Rua Treze de Maio
Eu gritei: Ó, Virgem Santa!
Eu duvido outro lugar
Ter tanta coca que é fanta
Lá, a turma do arco-íris
Sua bandeira levanta.

Lá é grande o desmantelo
É dantesco o alvoroço
Naquela aglomeração
Vê-se moça e vê-se moço
Das frutas as mais diversas
Chupando até o caroço.

Às vezes pensava estar
Em Sodoma ou em Gomorra
Ao ver o “Segurucu”
Ou “Diz que Me Ama, Porra!”
Quem não agüentar rojão
Pra bem longe deles corra.

Corra também do Patusco
Se afaste do D´Breck
Se duvidar do que digo
Com os próprios olhos cheque
Fuja de lá se benzendo
Ou também vire moleque.

Porque a troça é Ceroula
Descobri naquele dia
Pois entrei no rugerruge
Vestido, mas na agonia
Eu saí só de cueca
Mesmo assim quase a perdia.

Faltou chão e faltou fôlego
Cheguei até flutuar
Quando chegou no Amparo
Fiquei suspenso no ar
Juro que pensei que o mundo
Estava pra se acabar.


Lá na Bodega de Véio
Eu jantei pão com salame
Só pensando no cuscuz
Em macaxeira e inhame
Mas primo disse:- encha o bucho
Lamba o beiço e não reclame

Tudo isso foi fichinha
É verdade, meu amigo
Porque lá nos Quatro Cantos
Enfrentei maior perigo
É que o Tarado da Sé
Quase acabava comigo. 

Lá ia eu todo ancho
Dentro da troça animada
Quando a calunga girou
E me deu uma mãozada
Que eu fiquei zonzo, zonzo
Com aquela chapuletada.

Anoiteceu e então
Pensei que teria fim
Esta cruel maratona
Mas Rodrigo disse assim:
Vamos lá pro Guadalupe
Pra saída do Alafim.

E depois do Alafim
Sonhava eu com a pernoite
Mas fomos pro Bonsucesso
Enfrentar um novo açoite
Na saída do boneco
O Homem da Meia Noite.

A Cidade Alta inteira
Num só dia eu conheci
E já nascendo o domingo
Alegrei-me quando eu vi
Rodrigo entregar os pontos
Na sede do Cariri.

Mais de cinco da manhã
Foi que em casa chegamos
Depois de tanta folia
Rodrigo e eu apagamos
Às onze horas, o primo
Acordou dizendo: - Vamos?

- Vamos pra onde, sujeito
Será que dei na mãe minha?
Disse ele: - pra Olinda
Nossa turma está todinha
Nos esperando na troça
Tanajura com Farinha.

É capaz de já estarem
No Mosteiro de São Bento
Respondi-lhe: - Pode ir
Outra dessa eu não agüento
Vou ficar aqui sozinho
Nas pernas passando ungüento.

Quando passou o cansaço
Pra meu lugar eu voltei
O resto do carnaval
Só descansando passei
Ouvindo “pa-pa-pa-pa...”
Por muitos dias fiquei.

E agora, tempos depois
Lembranças chegam na mente
Desse carnaval tão louco
Tão típico, tão diferente
Que por mim não vou perder
Mais nenhum daqui pra frente.

FIM

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Enredos de escolas de samba homenageiam o Nordeste

Por diferentes temas, escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo vão levar o Nordeste para a avenida neste carnaval. Os enredos irão, de alguma forma, lembrar a rica e diversificada cultura nordestina. Confira:

Rio de Janeiro
Unidos da Tijuca
Homenagem a Luiz Gonzaga
Enredo: “O dia em que toda a realeza desembarcou na Avenida para coroar o Rei Luiz do Sertão”
Desfile na segunda-feira, 20, 1h20*.

Acadêmicos do Salgueiro
Homenagem à Literatura de Cordel
Enredo: “Cordel branco e encantado”
Desfile na segunda-feira, 20, 23h10.

Imperatriz Leopoldinense
Homenagem a Jorge Amado
Enredo: "Jorge, Amado Jorge"
Desfile no domingo, 19, 23h10.

Beija-Flor de Nilópolis
Homenagem à cidade São Luís (MA)
Enredo: "São Luís, o poema encantado do Maranhão"
Desfile no domingo, 19, às 2h25.

Portela
Homenagem às Festas Baianas e à Clara Nunes
Enredo: “E o povo na rua cantando. É feito uma reza, um ritual...”
Desfile no domingo, 19, às 22h05.

Renascer de Jacarepaguá
Homenagem ao artista plástico pernambucano Romero Britto
Enredo: “O artista da alegria dá o tom na folia”
Desfile no domingo, 18, às 21h.





São Paulo

X-9 Paulistana
Homenagem ao sertão brasileiro e ao Rally dos Sertões
Enredo: "Trazendo para os braços do povo o coração do Brasil... A X-9 Paulistana num grande rally desbrava os sertões dessa gente varonil"
Desfile na sexta, 17, 1h.

Mocidade Alegre
Homenagem a Jorge Amado e ao livro Tenda dos Milagres
Enredo: "Ojuobá. No céu, os olhos do rei. Na terra, a moarada dos milagres... No coração, um obá muito amado"
Desfile no sábado, 18, às 1h.

Gaviões da Fiel
Homenagem ao ex-presidente Lula
Enredo: “Verás que o filho fiel não foge à luta - Lula, o retrato de uma nação”
Desfile no sábado, 18, 4h.



(*Os horários referem-se à previsão de início do desfile da escola)

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Forró no verão é com Zelito Miranda


Ele é o único forrozeiro a se apresentar em Salvador durante o verão, período em que as festas se voltam para os ritmos do carnaval de rua da capital baiano. Desafiando o axé e o pagode, Zelito Miranda tem público garantido em suas apresentações, tanto que se tornou uma das atrações da folia momesca.

O forrozeiro se apresenta neste sábado de carnaval no bairro de Itapuã, a partir das 19h, com entrada gratuita. O evento da prefeitura Municipal, acontece no palco armado em frente à Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã.

Zelito vem realizando, há três anos, ensaios de verão no Parque da Cidade. Além de temperar o forró - misturando o rural e o urbano, com solos de sanfona, guitarra, zabumba, congas e pandeiros, Zelito conta com oito bailarinos em cena e 13 trocas de figurinos, em duas horas de show.

Antes de se dedicar à música, Zelito atuou em espetáculos teatrais e em filmes. Músico, compositor e cantor, o poeta também assina como cordelista. É autor do cordel A Segunda Peleja de Zé Miranda de Serrinha com o Galo de Campina - cordel clássico feito na estrutura dos tradicionais livretos (clique aqui para baixar).

Conheça mais sobre o artista no site oficial: zelitomiranda.com.br e confira a entrevista abaixo.

Irmã de Lampião morre em SP aos 102 anos



Maria Ferreira Queiroz, conhecida como dona Mocinha, morreu na tarde desta sexta-feira (10), em São Paulo, aos 102 anos. Ela era a única irmã viva de Virgolino Ferreira da Silva, o Lampião. Segundo a família, ela foi internada horas antes de falecer com problemas pulmonares, mas não resistiu. O corpo será levado ao Velório Salete, em Santana, na Zona Norte de São Paulo, e o sepultamento será feito no Cemitério Chora Menino, às 12h deste sábado (11).

A idade de dona Mocinha sempre foi motivo de discussão entre estudiosos do cangaço. O documento de identidade da irmã de Lampião indica que ela nasceu em 8 de janeiro de 1906, portanto, ela teria completado 106 anos, mas ela sempre se recusou a afirmar que tivesse essa idade, alegando que não era por vaidade. Ela tem outro documento que aponta a data de nascimento em 11 de janeiro de 1910. Era por este documento que dona Mocinha costumava se identificar, de acordo com o neto Marcos Antonio Tavares, 53 anos.

Ela vivia em um apartamento com os filhos Expedito e Valdeci, em Santana, na Zona Norte de São Paulo. Os parentes mais próximos que também moram em São Paulo, além dos dois filhos, costumavam visitá-la, principalmente na data de aniversário dela.

"Ainda não sabemos onde será o velório e nem o sepultamento. Ela estava doentinha, vez ou outra ela era internada para cuidar da saúde. Já tinha muita idade. Acreditamos que foi insuficiência pulmonar", disse Tavares.

O pesquisador e historiador Antônio Amaury Correia, que mora perto de dona Mocinha, foi um dos responsáveis por descobrir a segunda data de nascimento da irmã de Lampião. "Ela tinha dois documentos. Até hoje não sabemos com certeza qual era a idade dela", disse ele ao G1.

"Foi uma grande perda. Apesar de ela não ter vivido a história do cangaço, já que era muito pequena quando Lampião estava atuando, ela sempre foi uma referência histórica", afirmou o historiador e especialista em cangaço, João de Sousa Lima.

Do G1

sábado, 11 de fevereiro de 2012

O dia em que Lampião se apoderou de Rita Lee

Cordel de Christian Carvalho Cruz, com ilustração de J. Borges (xilogravura especialmente para ilustrar os versos abaixo)*

Veje homi seu menino
Sente que vou lhe contar
Do dia que baixou Virgulino
Em um palco feito altar
Na Rita que não é a santa
Mas moça boa no falar
Antes contudo todavia
Um bocado acabrunhado
Peço a bença dos poetas
Que nessa arte têm mestrado
Não riam aqui deste mané
Um patavina do Assaré

Pois aquele um, o Virgulino
É o próprio Lampião
Falecido no Sergipe
Sítio deste dramalhão
E Rita é a Lee a negra ovelha
Nossa mais digna pentelha

Foi na Barra dos Coqueiros
Sua cantoria derradeira
Armou-se grande festa
Pro adeus de uma roqueira
Agora não venham os dotô
Com essa chata choradeira

Vocês conhecem essa cara
Essa fala, esse cheiro
Portanto se desespantem
Com os modos de carroceiro
Ela ficou só pouco mais fula
Com o espírito do cangaceiro

Quando a dita assombração
Empreendeu sua manobra
Ocupando aquele corpo
De cabelo cor de abobra
Ela sentindo a ditadura
De cabrita virou cobra

Era noite alta e fresca
Quando surgiu a soldadesca
Bulindo o povo, acintosa
Atrás da tal erva venenosa
Lá de cima Rita viu
Parou o show, o céu caiu

E quando súbito se viu
A lua desaparecer
Na praça antes pacata
Foi um tal de se benzer
“Vixe cr’em Deus pai
O regabofe vai feder”

Possuída pelo fantasma
Do bandoleiro nordestino
Rita fez da voz o bacamarte
E da bala o seu hino
Chamou major de cachorro
O tenente de equino

A roqueira do cangaço
Disse tudo sem volteio
Oiô de frente a guarda
Exibiu dedo do meio
C’atitude obscena
Só cresceu o rebosteio

Nem o beiço quis molhar
Com água, suco ou fruta
Se dirigiu aos capacetes
“Seus filhos duma puta
Venham me pegar
Sou avó mas tô enxuta”

A razão e o motivo
De tamanho aporrinho
A Lampiona deixou claro:
A força bruta, o desalinho
No lombo da meninada
Causa dum baseadinho

Indo pra lá mais adiante
Não precisa de adivinho
Pra notar naquele grito
Também disparo de espinho
Contra os cabra que arrocha
Aluno, nóia e Pinheirinho

Por isso e mais um tanto
Que a mutante encrenqueira
Em seu verbo assoberbado
Pôs nos dente a peixeira
Dando devido sacolejo
Na triste vida brasileira

Quem ficou aperreado
Foi Déda governador
Disse e não é chiste
Que Rita está em seu playlist
Mas xingar homem da lei
É demais pra quem assiste

Não por outra o mandatário
Pensou ir ao tribunal
Cortar a paga do cachê
Mas evitou posar de mau
Se Rita lamentasse o auê
“Causdequê?! Do fumacê?!”

Entremente o rebuliço
Muito apoio lhe foi dito
O filho Beto veio aqui
E confessou estar aflito
O titã Sérgio Britto:
“Fuck the police, viva Rita Lee!”

Ainda chefe de Corisco
64 anos e avó
Gulosa, escandalosa
Foi levada ao xilindró
E nas venta do delegado
Passou novo forrobodó

Causo tão misterioso
Os pelo sobe de alembrar
Mas juro ao senhor
Pela emoção não me guiar
Tava assim de cabra da peste
Que pode tudo confirmar

Do seio da luz brilhante
Veio o divino chanceler
Em pessoa o Padim Ciço
Com sua mágica colher
Futucou-lhe as entranhas
Rancou o capeta da mulher

A cantante estrebuchava
Se arrastando pelo chão
Pro marido ela explicava:
“Foi o calor da emoção”
E Roberto amparava:
“Cospe, Rita, cospe fora o dragão”

Exorcizado o coisa ruim
Ordenou o padroeiro
“Rita, mia fia
Não atuo de bombeiro
Pois volte já pra rede
Escandalize os tuiteiro”

Ela beijou a mão do santo
Agradecida e juvenil
Pensou que bem podia
Ser presidenta do Brasil
Pra dar Panis Et Circenses
A essa gente tão gentil

Má ideia não seria
Pois artista não sobrou
Chico só quer bola
E Caetano caducou
Então vote em Rita Lee
Prum país mais rock and roll!

Vou parando por aqui
De sua paciência abusei
Minha lira se gastou
Das fantasias que cantei
Mas garanto meu amigo
Se aumentei não inventei.
*Publicado em O Estadão

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

História misteriosa do Homem da Meia-Noite comemora 80 anos


O mês do Carnaval 2012 já começou com comemoração no Sítio Histórico de Olinda. A figura mística do Homem da Meia-Noite, importante bloco carnavalesco da cidade, completa 80 anos de vida no dia 2 de fevereiro. Coincidência ou não, na mesma data em que se comemora o Dia de Iemanjá, a rainha do mar.

A criação do clube, nascido no ano de 1932 após uma briga entre os intregrantes da tradicional troça carnavalesca O Cariri de Olinda, ainda conta com duas versões muito fortes. A primeira afirma que um dos fundadores, Luciano Anacleto de Queiroz, apaixonado por cinema, se encantou com o filme O Ladrão da Meia Noite. O enredo contava a história de um galante homem que saía de dentro de um relógio gigante para assaltar a população de uma cidade.

Já a segunda história é ainda mais folclórica. Conta-se que um dos criadores do clube, o carpinteiro e músico Benedito Bernardino da Silva, sentava-se na calçada de sua casa para tocar instrumento de sopro. Todo santo dia via um elegante senhor, com os mesmos trajes do boneco gigante, cartola na cabeça, dente de ouro e um sorrijo malicioso, passar pela rua por volta da meia-noite. A história do homem misterioso foi descoberta logo depois por Seu Benedito. "Depois de um tempo, Seu Benedito descobriu que aquele homem era na verdade um Dom Juan, que usava as madrugadas do sábado para pular as janelas das casas para namorar donzelas", conta Luiz Adolpho, presidente do bloco desde 2002.

Cheio de raízes históricas, este galante homem arrasta, todos os anos, a partir da meia-noite do Sábado de Zé Pereira, uma multidão de foliões hipnotizados pelo mistério do calunga. Para Luiz Adolpho, a paixão dos que acompanham o gigante homem chega a uma espécie de devoção. "O desfile é quase uma romaria religiosa. As pessoas seguem a figura como se acreditassem em algo superior. Muitos passam pela sede, param em frente ao homem e fazem orações", afirma.

A vontade de preservar a identidade do bloco, que se sustenta pelo boneco gigante, é tão grande que o calunga (conta-se que a estrutura da cabeça ainda é a original, de 80 anos atrás) é guardado a sete chaves. Todas as aparições do boneco antes do desfile na meia-noite do sábado de Zé Pereira, que deve arrastar este ano cerca de 500 mil pessoas, são feitas com a réplica do boneco gigante.


FESTA - A noite desta quinta (2) será especial. O bloco se reunirá a partir das 19h15, com orquestra de frevo e grupo de maracatu. Para cantar os parabéns, um bolo de 200 quilos foi encomendado e será distribuído para a comunidade. A festa contará com a presença da filha de Seu Benedito, Dona Irene, 90 anos.

Com o tema 'O Espetáculo Não Pode Parar', o clube trará duas alegorias, homenageando a história do circo. O ano da 80º edição do Homem da Meia-Noite também será marcado no tradicional desfile do Clube de Máscaras Galo da Madrugada. A primeira aparição do homem gigante no carnaval olindense será nas Virgens de Verdade Abraça Brasil, neste domingo (5).

PAIXÃO - Por onde passa, o Homem da Meia-Noite conquista muitos admiradores. Grande nome da cultura pernambucana, a artista plástica Tereza Costa Rêgo se considera apaixonada pelo boneco gigante. Exilada em 1973 pelo regime militar da época, Tereza voltou em 1979, onde a história de amor dos dois começou. "Voltei muito triste com a morte de meu companheiro. Mas, um certo dia, escutei o som dos clarins pelas ruas de Olinda. Quando abri a janela, me deparei com aquele boneco gigante", relembra a artista. (Do NE10)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Filme "Os Últimos Cangaceiros" concorre a premiação internacional


Os Últimos Cangaceiros, mais recente longa-metragem do cineasta cearense Wolney Oliveira, foi selecionado para mais duas mostras internacionais: o 27º Festival Internacional de Cinema em Guadalajara, México, que acontece de 2 a 10 de março e para a Mostra Panorama do 24º Cinélatino, do 24º Festival de Cinema Latino-americano de Toulouse, na França. O evento se realiza de 23 de março a 1º de abril.

O filme já conta com três prêmios, entre eles o Terceiro Coral de Melhor Documentário do 33º Festival Internacional do Cinema Latino-americano, de Havana, e já tem distribuição garantida pela empresa Imovision, de São Paulo. Será lançado nacionalmente em outubro de 2012.

FONTE: Coluna de Sonia Pinheiro do Jornal O Povo de 06/02/2012.

Viva Luiz: Gonzagão na primeira edição de Veja

O cantor Luiz Gonzaga foi destaque na primeira edição da revista Veja, na seção Música, em 11 de setembro de 1968. Confira abaixo:

GONZAGA, A VOLTA DO BAIÃO
Luís Gonzaga: 2 milhões de discos vendidos. Os Beatles vão vender mais?
"O baião tem um quê que as outras danças não têm." — "Baião", de Luís Gonzaga e Humberto Teixeira, 1945. Luís Gonzaga deu uma gargalhada quando soube que os Beatles iam gravar "Asa Branca", baião feito por êle e Humberto Teixeira em 1948. "Agora é que eu quero ver se os Beatles vendem mesmo", comentou. "Minha gravação vendeu mais de 2 milhões de discos." Luís Gonzaga, 56 anos, fala grosso com sua voz nordestina, não porque os Beatles gravaram uma música sua, nem porque os jornais o trazem para as manchetes como papa de um culto de repente ressuscitado, o culto do baião. A segurança de Luís Gonzaga vem de que, com mais de 2 mil músicas gravadas, êle já perdeu até a conta dos milhões de discos vendidos até hoje. No fim do mês estará na praça o seu 21º LP, com seu eterno parceiro Humberto Teixeira, ex-deputado federal pelo Ceará e Rei do Baião. Como os vinte anteriores, o LP venderá bem: em 1945, as prensas da RCA Victor (onde grava há 28 anos) chegaram a trabalhar só para êle, o que provocou protestos do presidente da firma.


Instrumento de tango — Luís Gonzaga do Nascimento nasceu filho de sanfoneiro na Fazenda Caiçara, no sopé da serra do Araripe, Pernambuco, fronteira com o Ceará. Com doze anos ganhou o seu primeiro cachê para animar com a sanfona um casamento no povoado. Além do cachê ganhou os elogios do Mestre Duda, sanfoneiro de fama na região. Convocado pelo Exército, o jovem sanfoneiro veio para o Rio em 1932, época da Revolução Paulista. Dando baixa, Luís Gonzaga se viu obrigado a tocar na zona portuária e em cabarés do Mangue, bairro da prostituição. Mas sua grande aspiração era tocar no programa de calouros de Ari Barroso, o compositor que êle mais admirava. O sarcástico Ari, porém, mostrou mais espanto do que admiração ao ver entrar no palco aquêle jovem nordestino carregando uma pesada harmônica. "Isso é instrumento de tango. Não venha dizer que no Nordeste se faz música com isso." Mas Luís Gonzaga tocou até o fim, classificando-se em primeiro lugar. A música, "Vira e Mexe", seria depois o seu primeiro disco. E, com o primeiro disco, veio também o apelido de "Lua", pela sua cara redonda de lua cheia. Cinco anos depois dessa gravação, Luís Gonzaga conhecia Humberto Teixeira.


Baião de Dois — O que Luís Gonzaga e Humberto Teixeira fizeram, a partir de 1945, foi trazer para a cidade (e vestir com roupas de cidade) uma velha música nordestina. O baião original era entremeado de falas, e isso dificultava o ritmo. "Estilizamos as principais características, traduzimos os modismos do Nordeste e tornamos a música mais dançável", diz Humberto Teixeira. Pesquisadores e folcloristas, como Câmara Cascudo, já haviam notado uma tendência de dança no baião. E ainda em 1842 o Padre Miguel do Sacramento, do Recife, escrevia: "Em batizados e casamentos havia o costume de tocar minuetos rasteiros, em geral arrematados com um baião, dança ainda não considerada imoral como hoje". Foi no ano em que Gonzaga e Teixeira se conheceram, num programa de auditório da Rádio Nacional (atraía mais gente do que hoje os programas de auditório da TV), que os Quatro Ases e Um Coringa inauguraram a Época do Baião, com a música da dupla, "Baião" — verdadeira receita do nôvo ritmo ("Eu vou mostrá pra vocês/ Como se dança o baião..."). A Época do Baião durou quase cinco anos. "Juàzeiro" foi gravado até no Japão. Entre baiões, rojões e toadas, a dupla Lua — Teixeira compôs mais de trinta sucessos: "Mangaratiba", "Que Nem Jiló", "No Meu Pé de Serra", "Paraíba" (que entrou para os dicionários no sentido de "mulher-macho"), "Asa Branca".


A volta do baião — Em seu último LP, Wilson Simonal incluiu dois baiões: "Paraíba", de Luís Gonzaga, e "Sá Marina", do jovem compositor carioca Antonio Adolfo. "Sá Marina", em compacto, está nas paradas de sucesso do Rio e de São Paulo; nos Estados Unidos, Sérgio Mendes prepara-se para gravá-la. "Luís Gonzaga é super da pesada", diz Antonio Adolfo, 21 anos. "Todo mundo está fazendo hoje o que êle fazia, só a estilização é diferente". Caetano Veloso confessa: "Minhas influências musicais vêm de João Gilberto e do iê-iê-iê, passando por Luís Gonzaga". Outro do grupo tropicalista, Gilberto Gil, admite também a influência de Gonzaga, "o primeiro fenômeno musical que me tocou". Traços de baião marcam suas composições, bem como as de Geraldo Vandré ("Disparada"), de Milton Nascimento ("Travessia") e de Edu Lôbo ("Ponteio", que para Luís Gonzaga é um exemplo perfeito do xaxado). Foram essas músicas que trouxeram Luís Gonzaga de volta para a televisão: todos os domingos, à tarde, êle dá duas horas de baião pela TV Continental, do Rio. Seu programa na Rádio Mauá, "Noite Impecável", é o líder de audiência no horário: "É um programa como eu gosto, para o povo mesmo". Em 1950, Luís Gonzaga compôs, com um nôvo parceiro, Zé Dantas, "A volta da Asa Branca". Hoje, sôbre a volta da "Asa Branca", nos braços dos Beatles, êle diz: "Os meninos inglêses têm muito sentimento e não avacalham a música. A toada dêles parece bastante com as coisas do Nordeste. Até as gaitas de fole lembram a nossa sanfona..."

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Cordel na sala de aula

Com o retorno das aulas, o blog Luz de Fifó indica uma obra interessante para professores e demais profissionais da área educacional, interessados em incluir a literatura de cordel na educação de crianças, jovens e adultos:

Acorda Cordel na Sala de Aula - A Literatura Popular como ferramenta auxiliar na Educação, de Arievaldo Viana (2º edição, 2011).

Nesta obra, o autor aborda a origem da literatura de cordel, seu desenvolvimento no Brasil, as regras básicas e até como se constrói uma poesia cordelista. Bastante didático e acessível, o livro ainda traz textos sobre importantes cordelistas brasileiros, como Leandro Gomes de Barros, trechos de alguns cordéis, ilustrações com fotos, desenhos e xilogravuras, e, principalmente, ajuda a tornar o cordel uma ferramenta pedagógica, contribuindo, sobretudo, com a revitalização deste gênero literário.

Segundo Viana há várias maneiras para se trabalhar o Cordel em sala de aula. Ele propõe que, inicialmente, a melhor forma é ler um folheto em voz alta. Primeiro o professor, depois os alunos. “A partir daí, as crianças vão adquirindo intimidade com o texto”, assegura ele. Com mais conhecimento sobre o assunto, os estudantes usarão o Cordel como qualquer outro material paradidático: apresentações teatrais, ilustrações baseadas no texto, questionários, debates sobre os temas apresentados, etc. Outra sugestão do autor é ter um espaço, na escola, dedicado ao Cordel, uma Cordelteca (biblioteca de Cordel). Outra dica: levar poetas, cordelistas e repentistas à escola, para que eles realizem palestras e apresentações, despertando ainda mais nos estudantes o interesse pela literatura popular nordestina.

O Acorda Cordel na Sala de Aula nasceu em 2002, como um projeto de palestras e de apresentações em escolas do Ceará para alunos e professores. A partir daí foi tomando fôlego e ganhando incentivo do poder público para prosseguir difundindo a poesia popular. Hoje, já tem repercussão nacional e Arievaldo segue, pelo Brasil, propondo o cordel dentro das escolas. “Todo mundo se interessa pelo cordel. Todas as faixas etárias aceitam bem a linguagem popular”, ratifica o também cordelista.

Conheça o blog de Arievaldo: http://acordacordel.blogspot.com/
Para adquirir, entre em contato com Andrade: tuicadocordel@gmail.com / (77) 8812 1120 / 9103 2291

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Antologia de Cordel

Por Marco Haurélio* 

Acaba de ser lançada a Antologia do Cordel Brasileiro (Global Editora), a mais abrangente do gênero, por reunir autores de várias gerações, incluindo a atual, quase sempre esquecida pelos compendiadores. A iniciativa foi possível com o apoio da Editora Luzeiro, dirigida por Gregório Nicoló, detentora dos direitos de oito dos dezesseis títulos que integram a obra. Abaixo parte da apresentação feita para o livro:

A literatura de cordel brasileira, desde os fins do século XIX, vem apresentando uma vasta produção com títulos de excepcional qualidade, é um formidável legado do Nordeste à cultura nacional. Não bastassem os grandes autores, os romances consagrados pela predileção popular e o interesse de estudiosos e artistas de outras searas, o romanceiro nordestino surpreende, não pelo que já foi catalogado ou debatido, mas, principalmente, pelo que ainda pode oferecer. É o que prova esta antologia em que o espaço de mais de um século separa o primeiro título selecionado, O soldado jogador, de Leandro Gomes de Barros, do último, As três folhas da serpente, do autor deste introito e organizador do presente florilégio, Marco Haurélio.

Prova irrefutável do vigor deste gênero literário, sempre a contrariar as previsões mais pessimistas.Leandro Gomes de Barros (1865‑1918), Silvino Pirauá de Lima (1848 ‑1913), João Martins de Athayde (1880-1959), João Melquíades Ferreira da Silva (1869 ‑1933), José Galdino da Silva Duda (1866 ‑1931) e José Camelo de Melo Resende (1885 ‑1964), pioneiros do cordel nordestino, ainda são lidos e admirados neste século XXI, em que a cultura do descartável, ditada pelos modismos, impõe regra. O folheto de feira chegou mesmo a receber extrema ‑unção por parte de alguns pesquisadores e jornalistas, no início da década de 1980. As perspectivas, na época, realmente não eram boas: escasseavam‑se os bons autores (romancistas) e toda uma geração de poetas havia envelhecido. Mas o surgimento de uma nova safra de bons valores, que culminou com a criação da editora Tupynanquim, de Fortaleza, trouxe novas luzes, àquele momento, ao entenebrecido horizonte da poesia popular. Alguns destes nomes integram a presente coletânea. São poetas que mantêm um vínculo com a poesia tradicional, ao mesmo tempo em que estão antenados com as novas possibilidades. Esse é o cordel atemporal, sustentado por duas colunas – a tradição e a contemporaneidade.
(...)

Títulos e autores que integram a Antologia do Cordel Brasilleiro:
O Soldado jogador, de Leandro Gomes de Barros
História do caçador que foi ao inferno, de José Pacheco
A guerra dos passarinhos, de Manoel D´Almeida Filho
A Sereia do Mar Negro, de Antônio Teodoro dos Santos
Os três irmãos caçadores e o macaco da montanha, de Francisco Sales Arêda
No tempo em que os bichos falavam, de Manoel Pereira Sobrinho
O valente Felisberto e o Reino dos Encantos, de Severino Borges Silva
O feiticeiro do Reino do Monte branco, de Minelvino Francisco Silva
João sem Destino no Reino dos Enforcados, de Antônio Alves da Silva
João Grilo, um presepeiro no palácio, de Pedro Monteiro
O reino da Torre de Ouro, de Rouxinol do Rinaré
O rico preguiçoso e o pobre abestalhado, de Arievaldo Viana
O conde Mendigo E a Princesa orgulhosa, de Evaristo Geraldo da Silva
Pedro Malasartes e o urubu adivinhão, de Klévisson Viana
As três folhas da Serpente, de Marco Haurélio

*Responsável pela seleção e apresentação da obra.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Aos 98 anos, morre a ex-cangaceira Aristéia Soares

Aristéia Soares (1913-2012)

A ex-cangaceira Aristéia Soares de Lima, 98 anos, morreu na tarde do último dia 28 de janeiro no Hospital Nair Alves de Sousa, em Paulo Afonso (BA). Ela estava internada desde o dia 23, com complicações estomacais. Ela vivia em Delmiro Gouveia (AL) com os filhos. O corpo foi sepultado no Capiá da Igrejinha, em Canapi (AL), no domingo (29).

Aristéia era uma das últimas remanescentes do cangaço e lutou pelo grupo do cangaceiro Moreno, comandado por Lampião. Em 2008, o G1 fez uma matéria com Aristéia, confira aqui.

Aristéia gostava de contar histórias sobre a amizade que viveu ao lado de Durvalina Gomes de Sá, conhecida como Durvinha, que morreu em junho de 2008 em Minas Gerais e, por isso, participou do documentário "Os Últimos Cangaceiros", lançado no ano passado sobre a amiga e o marido Moreno. Mesmo debilitada, ela fez questão de prestigiar o lançamento do filme, ocorrido em junho no Festival de Cinema do Ceará.

Em Canapí, toda a população se despediu de Aristéia com homenagens e orações. O clima de tristeza abalou a pequena cidade de cerca de 17 mil habitantes.

No blog A História de Aristéia você pode conhecer um pouco mais sobre a ex-cangaceira.