segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sertanília relê com modernidade a cultura sertaneja


(Por Fábio Bittencourt, do Correio)

Formado há dois anos em Salvador, o grupo Sertanília tem nas sonoridades e manifestações culturais do sertão - baiano e pernambucano - a inspiração para uma música universal. Idealizado pelo compositor, violonista e produtor musical Anderson Cunha, 39 anos, e composto também por Aiace Félix (vocais) e Diogo Flórez (percussão), a banda lança o independente disco de estreia, Ancestral.

“Cantamos o sertão ancestral, daí o nome do disco. Não o caricato, do chapéu de couro. Partimos da pesquisa in loco de  uma cultura  peculiar e preservada, devido ao grau de isolamento da região, em que os costumes são bastante distintos do litoral. O sertão é muito misturado, rico, uma reunião das três identidades  que formam a brasileira: a negra, a indígena e a europeia”, destaca Anderson Cunha.

Nascido em Bom Jesus da Lapa e criado entre Caetité e Guanambi - municípios que formam o alto sertão do sudoeste baiano -, Anderson é um entusiasta da cultura sertaneja. Segundo ele, muito da Sertanília é influência do cantor e compositor Elomar, de quem é admirador.

Ele explica que, após conceber o projeto, convidou os ainda estudantes Aiace e Diogo, da Escola de Música da Universidade Federal onde ela  estuda canto e ele, percussão. A vocalista, 23, há três anos é chefe do naipe de vozes da Orquestra Afrosinfônica,   projeto do maestro Ubiratan Marques. Diogo, 25, integra, como músico, o grupo Nariz de Cogumelo, formado por palhaços e que desde 2007 se apresenta em praças e teatros de Salvador.

“Não conhecia muito a cultura do sertão, mas me aproximei dos reisados, dos ternos, do coco, e fui buscar mais  informações. A proposta é  uma releitura do passado que possibilite uma música  moderna e autoral. Hoje, o Sertanília é o meu trabalho. Me encontrei”, diz Aiace.

Convidados - O amigo e cantor Xangai, o cordelista Bule-Bule e os percussionistas pernambucanos Emerson Calado e Nego Henrique, ex-colaboradores do grupo Cordel do Fogo Encantado, de Recife, participam no álbum. No repertório, ritmos como reisados, sambadas, congadas e coco. Todos calcados na forte tradição oral da região, de muitas cantigas e ladainhas.

Apesar do pouco tempo de estrada, a Sertanília já soma  apresentações em festivais nacionais como o Grito Rock,  em Olinda (PE), Lycra Future Designers e o Noite do Elefante: Invasão Nordestina no Espaço Zé Presidente, ambos em São Paulo. Há também andanças pelo exterior, tendo tocado nas cidades de Coimbra e Lisboa, em Portugal, e no circuito Tensamba, de Madri, na Espanha.

Integram a banda de apoio da Sertanília os músicos Mariana Marin (percussão), Raul Pitanga (percussão), João Almy (violão) e Massumi (violoncelo).

14 FAIXAS DO DISCO ESTÁ DISPONÍVEL PARA DOWNLOAD NO HOTSITE.

Acompanhe o trabalho do grupo através do Facebook

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Serra Talhada é destino obrigatório para quem quer conhecer história do cangaço


De todas as cidades do sertão pernambucano, a de história mais interessante - quase com certeza - é a de Serra Talhada. A notabilidade do município deve-se exclusivamente a um movimento - e a uma figura: o cangaço e Lampião. Foi naquele pedaço de terra que Virgolino Ferreira da Silva, personagem mais ambíguo da história nordestina, nasceu, viveu e fez história. Para o bem ou para o mal, Lampião foi conhecido. O maior cangaceiro da história foi herói, vilão - ou nenhum dos dois. Certo é que a ele não se fica indiferente.


"Lampião foi herói, mas também foi bandido. É preciso entender ele com essas duas visões. É um dos homens mais importantes da região nordestina", diz Edilson Leite, guia turístico.


É exatamente este o mote do museu do cangaço, de onde Edilson é guia, de Serra Talhada: "Lampião, nem herói, nem vilão". De acordo com ele, são cerca de 20 visitantes diários ali. "Vem muita gente aqui, na última semana, recebemos um casal de italianos e dois russos", afirma Leite, que acredita que deve expandir ainda mais a visibilidade do cangaço nos próximos anos, com a realização da Copa da Mundo e das Olimpíadas no Brasil.


O passeio turístico pela cidade inclui, além do museu, onde estão artigos raros da história do movimento, também uma ida ao sítio onde Virgolino nasceu. Hoje, a casa é - também um museu - mantido pelo grupo Cabras de Lampião. Serra Talhada também é conhecida por ser a capital brasileira do xaxado.

sábado, 15 de setembro de 2012

Documentário "Dominguinhos Canta e Conta Gonzaga" estreia ainda esse ano


No ano do centenário do rei do baião, agora é a vez de um dos grandes discípulos de Luiz Gonzaga prestar sua homenagem ao mestre. Dominguinhos é o personagem principal do documentário "Dominguinhos Canta e Conta Gonzaga", que está sendo rodado. Começou em Pernambuco, cruzou as estradas do Brasil, até chegar aqui em São Paulo*.

No filme, Dominguinhos também a sua própria história. “Assim meio, um por dentro do outro. Porque a história nos leva a isso. Aí estou sempre contando as coisas dele, Luiz Gonzaga e de tabela as minhas também”.

O músico conta que quando conheceu Gonzaga era Nenê do Acordeom. Antes de ser tornar Dominguinhos, atuou por alguns anos como Nenê. “Depois de uma gravação, que eu estava bem novinho ainda, ele levantou a hipótese do meu nome ser Dominguinhos porque eu tenho Domingos no nome, aí ficava tudo mais artístico do que nenê”.

"Dominguinhos Canta e Conta Gonzaga" é o segundo documentário que Maurício Machada dirige com a participação de Dominguinhos. Em 2010, ele gravou um filme sobre São João (“São João de Dominguinhos”), no qual acompanhava o músico nas festas.

Wagner Malagrine, que também dirige o filme, conta que já há data de lançamento. “Esse filme é interessante porque o roteiro já é a própria história de Dominguinhos com Gonzaga, e já tem data de lançamento, que é a data do centenário, dia 13 de dezembro”. (Do Metrópolis-TV Cultura)

Confira o making off abaixo.

*A equipe saiu de São Paulo a bordo de dois Toyotas recheados de equipamentos e percorreram mais de 7 mil quilômetros passando por cidades como Medina (MG), Garanhuns (PE), Recife (PE) e Vitória da Conquista (BA), até o encontro com Dominguinhos, em Recife.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Animação "A Morte do Rei de Barro"

Todo feito com fotos digitais, a animação "A Morte do Rei de Barro" ultiliza um dos principais símbolos da cultura nordestina, os bonecos de barro, animados com atécnica de stop-motion, para contar a história de uma luta entre dois bandos rivais de cangaceiros.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Descubra as xilogravuras de Rubem Grilo


O artista plástico Rubem Grilo traz para seus trabalhos as coisas que viu e que o impregnaram, despertando-lhe sonhos, pensamentos e vivências. O resultado são obras extremamente ricas em detalhes, que passeiam pelo fantástico, com linhas e traçados surpreendentes.

Talhados na madeira e impressos em tecidos ou papel, traços de homens e suas almas denotam com clareza o estilo de Grilo. Em seu mundo, podemos ver não só o contorno exterior dos personagens, mas aquilo que os preenche. As expressões e contextos nos fazem imaginar a mão do artista a trabalhar nos vãos que, preenchidos com a tinta da xilogravura, se transformarão em um resultado tão belo quanto curioso e, por vezes, sombrio.

Com 40 anos de carreira, Rubem Grilo encontrou no desenho uma forma de superar a crise pela qual passou após se formar em Agronomia. Estudante recém-graduado no período da ditadura militar, Grilo chegou a ser preso duas vezes, ainda na universidade.

A mudança de profissão e a identificação com a xilo se deu pelo envolvimento manual da gravação – as etapas do trabalho vão desde a elaboração do desenho até o estágio final da impressão. Para ele, a obra impressa contém a marca do que aconteceu durante o processo, e seu resultado funciona como um espelho, que reflete o oposto do ponto de partida.

De suas primeiras obras, feitas em 1971, restam apenas lembranças. As quase 300 xilogravuras foram destruídas e, graças a isso, o autor acredita ter queimado uma espécie de gordura criativa, como quem precisa esvaziar um espaço para preenchê-lo novamente.


O que pode parecer loucura para alguns funcionou para o artista, pois, com uma obra que amadurece enquanto trafega pela ousadia da experimentação, Grilo se entrega prazerosamente ao acaso. Para ele, mais que a influência de Oswaldo Goeldi – nome impossível de ser esquecido quando se lembra do expressionismo na xilogravura – e da compreensão e absorção do humor crítico, adquirido em seus tempos de redação, quando era ilustrador de jornais (o que voltou a fazer hoje, ilustrando a coluna de Ferreira Gullar), o mais interessante no processo é o jogo de interação entre as interferências concretas e o acaso. “Essa parte imprevista é a que mais me motiva, pois sinto que ela me ultrapassa”, afirma Grilo.

Apesar do volume de dados e informações que o circundam, ele acredita que a obra se desenvolve na solidão do ambiente de trabalho, e diz: “há o sentimento de orfandade do mundo. O trabalho surge de uma página em branco, de um espaço a ser ocupado pela subjetividade”.

Para quem se dispõe à aventura, a obra de Rubem Grilo vence os limites do real e absorve quem a contempla, dando ao observador a vontade de mergulhar em seu universo. Como escreveu Ferreira Gullar: “que a gravura tem um caráter próprio, inconfundível, é inegável. Tentar apreendê-lo e defini-lo é o desafio que se tem pela frente”.


O texto acima foi originalmente escrito para a sessão de Portfólio da Revista Continente de setembro/2011.

sábado, 8 de setembro de 2012

Tuíca do Cordel é homenageado no desfile da Independência


Elomar, Glauber Rocha, Cajaíba, Ricardo Castro e Camillo de Jesus Lima foram homenageados no desfile das escolas municipais de Vitória da Conquista (BA), mas quem também recebeu o mérito foi o professor Antonio Andrade - o Tuíca do Cordel.


Militante em prol da cultura popular, sobretudo a nordestina, difusor da literatura de cordel na nossa cidade e defensor da valorização do poeta matuto e sertanejo, Andrade foi lembrado por seu trabalho de levar o cordel e o cangaço por escolas e praças da cidade.


Uma ala do desfile de 7 de setembro recebeu o nome de "Sala de Leitura" e trouxe um estandarte com a foto do Tuíca, uma mala e cordões com folhetos e xilogravuras. O tema do desfile promovido pela Secretaria de Educação da cidade foi "Conquista Brasil: arte é liberdade, educação é independência".




Homenagem ao poeta Camillo de Jesus Lima


Camillo completaria 100 anos hoje, 8 de setembro.

Baiano de Caetité, Camillo de Jesus Lima (1912-1975) foi um dos grandes poetas do século passado. Confira as homenagens feitas ao escritor, em virtude do seu centenário, pelo blog Conversa de Balcão:

Leia: O poeta proletário e 40 poesias;

Abaixo a poesia de cordel de Camillo, "Viola Quebrada", recitada por Jhésus Rodrigues. Confira!

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

A moda de Luiz Gonzaga

Publicado no blog Batida Salve Todos, por Téta Barbosa

Luiz Gonzaga foi o Elvis Presley do Sertão. Não se conformou em simplesmente cantar  sua terra, mas espalhou, pelos quatro ventos do mundo, o jeito e as roupas do Nordeste.  De gibão de couro, óculos estilo Ray Ban aviador e chapéu de vaqueiro, o rei do baião nordestinizou a moda.


Não foi ele quem inventou o gibão. Basta você dar uma passeada pelas brenhas de Pernambuco para ver que gibão é a roupa do Sertão. Se já foi em Serrita, então, sabe que gibão por lá é farda. A Missa do Vaqueiro, por exemplo, é um desfile de moda à parte. Roupas confeccionadas com a belezura artesanal do interior. E de lá, desse mesmo fim de mundo que é o Sertão, saiu a inspiração de Seu Lua. Cantar por aí de paletó e gravata, como faziam os cantores de rádio da época, não tinha a menor graça para ele. Gonzaga incorporou a vestimenta do vaqueiro e ,sem saber, mudou a cara da música nacional.


O mineiro João Pimenta, foi um dos estilistas que se inspirou no vaqueiro sertanejo para criar sua coleção. Em 2010 apresentou um desfile que parece ter saído diretamente de um disco de Luiz Gonzaga.


Óculos, bolsas, sandálias, lenços, deixaram as das terras áridas de Exu, Salgueiro, Serrita, Serra Talhada, e ganharam as ruas. São muitos os acessórios inspirados nos vaqueiros nordestino. É só escolher o seu.

sábado, 1 de setembro de 2012

Veja trailer do filme 'Gonzaga - De pai para filho'


O filme "Gonzaga - de Pai pra Filho", de Breno Silveira, abrirá Festival do Rio 2012 na sessão "hors concours" do evento, no dia 27 de setembro. A estreia nos cinemas de todo o país está marcada para 26 de outubro. Assista ao trailer abaixo.



Conheça Chambinho do Acordeon, um dos Luiz Gonzaga na cinebiografia na matéria da Rolling Stone BR.

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