quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Cordel peleja com o tempo


Reportagem Do Diário do Nordeste

André Dib Recife, domingo, 12 de junho de 2011          

Resistente às intempéries, a literatura de cordel segue a existir. Nascido na Península Ibérica, o livreto, facilmente reconhecido pelo formato de bolso, poucas páginas, xilogravura à frente e títulos incomuns, há muito não é editado em lugar algum do mundo, a não ser no Brasil, onde tem sido incorporado pelo cinema, música, artes plásticas, teatro. E chega ao século 21 preservando sua forma original de papel e tendo seu discurso apropriado pelos seus supostos algozes, as emissoras de rádio, TV e internet.

O tradicional folheto Historia de João de Calais impresso em Lisboa, no século 19, ganhou versão recente em Mossoró (RN), em 2007, com ilustração de Jô Oliveira. Eis a curiosa longevidade do cordel brasileiro. Se, até os anos 1950, cumpriu a função de jornal do matuto, hoje migrou para o asfalto da cidade e endereços da web com novos temas, contextos, formas e autores.

Editoras revelam que a venda de folhetos tem crescido nos últimos meses. "O mercado vai bem, estamos conquistando espaço e evidência", diz Ana Ferraz, sócia de Ivan Maurício na Editora Coqueiro. Com sede no bairro de Campo Grande, no Recife, a editora comemora este ano duas décadas de atividade, mil títulos no catálogo e quase 4 milhões de cópias vendidas. Somente O peido que a nega deu, de José Costa Leite, soma 10 mil cópias vendidas.

Ana acredita que a novela Cordel encantado contribuiu para aumentar o interesse pelo produto. "A quantidade de encomendas subiu radicalmente". No último Cine PE, a Petrobras contratou a Coqueiro para rodar 50 mil cópias com adaptações de filmes brasileiros famosos. Ana diz que a maioria dos clientes é de outros estados e que 97% dos pedidos são feitos via internet. Convites de casamento e festas de aniversário no formato dos livrinhos também têm boa saída.

"O cordel vive um momento melhor. Virou objeto de pesquisa. E temos uma boa safra de bons cordelistas, escolarizados", diz Marcelo Soares, que desde 1997 mantém a Folhetaria Cordel, em Timbaúba, interior pernambucano. Seu best seller é Fim de semana em casa de pobre, escrito por José Soares (pai de Marcelo) em 1974, com 20 mil exemplares vendidos. "A informática facilitou muito as publicações, agora o próprio poeta pode fabricar e a rede mundial ampliou o acesso".

Ana enxerga mudança também no perfil do público. Novos tempos, novos leitores. "Antigamente era a classe média baixa. Hoje fica difícil definir, mas posso garantir que passa por um público mais elitizado, estudantes, professores, pesquisadores. No interior talvez seja diferente, ainda se encontram cordelistas cantando como Costa Leite, que continua nas feiras aos 83 anos".


Uma arte em extinção?
Especialistas tomam posições diferentes quanto ao futuro do cordel no novo contexto de produção e distribuição

Com o advento da imprensa, que adaptou a tradição da poesia oral, o folheto de cordel começou a circular na França, Espanha e Portugal para depois, com a colonização, chegar ao Brasil e outros países da América Latina. Segundo o pesquisador Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto, o registro mais antigo desta modalidade de literatura remonta às folhas volantes do século 16.

Em sua passagem pelo Recife, onde já expôs sua coleção de cordéis portugueses, Saraiva foi convidado para participar do 1º Congresso de Cordel, promovido há 15 dias pela Faculdade de Ciências Aplicadas e Sociais de Petrolina. Considerado um dos maiores especialistas no assunto, ele desenhou um amplo panorama histórico do cordel no mundo, mas não foi otimista quanto a seu futuro no Brasil.

"Ele morreu em todas as partes do mundo", disse, durante palestra. E afirma que, como o suporte papel define o conteúdo, o folheto virtual é outra coisa. "A internet será um golpe mortal. Se por um lado ela é um canal de divulgação, por outro banaliza e descaracteriza o cordel. E os poetas hoje são universitários que imitam essa linguagem".

Pesquisadores brasileiros discordam. Hélder Pinheiro, da Universidade Federal de Campina Grande, não vê problema no novo contexto de produção e distribuição. "O cordel não morreu no Brasil porque ainda tem ressonância social. Indiferente ao meio em que ele se manifesta, o importante é que a poesia permanece".


Na contramão do digital, um grupo de cearenses fundou a Academia de Cordelistas do Crato, que há 20 anos produz folhetos em prensa de tipos móveis e xilogravuras talhadas em pedaços de umburana, tal qual se fazia antigamente. O método tradicional é atrelado à organização interna que, aos moldes das academias de literatura erudita, estipulou regras estéticas e comportamentais.

Autora do livro No visgo do improviso ou a peleja virtual entre cibercultura e tradição, Maria Alice Amorim diz que uma realidade não exclui a outra e que hoje se observa uma arte de formas clássicas que se movimenta para um fenômeno em processo. "Não posso dizer que o cordel acabou porque mudou a relação com o campo. Traduzido para outros códigos artísticos, ele interage com outras culturas, ganha complexidade e isso faz com que o discurso permaneça". O assunto rende.

O editor Marcelo Soares, da Folhetaria Cordel, diz que antes de publicar um autor é preciso avaliar alguns critérios. "O poeta precisa ter um trabalho consistente, mostrar preocupação com a qualidade do verso, ser melódico e ter métrica, oração e rima". Ou seja, no papel ou na web, só os bons sobrevivem.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

70 anos de Vitalidade

Alfabetizado pela irmã através da literatura de cordel, o cantor e compositor nascido em Taperoá, cidade que fica a 216 km da capital paraibana, completa 70 anos.


Vital Farias nasceu no sítio Pedra d'Água, município de Taperoá, estado da Paraíba, em 23 de janeiro de 1943. Caçula entre 14 irmãos, alfabetizou-se com as irmãs. Vital viveu em Taperoá até a conclusão do curso ginasial. Sua formação foi feita com íntima ligação ao universo sertanejo. Costumava ouvir bandas de pífanos, repentistas e cantadores.

Aos 18 anos, começou a estudar violão sozinho. Autodidata, parte de seus conhecimentos musicais foram herdados da tradição musical da família. Nessa época, foi para João Pessoa para servir ao Exército. Na capital paraibana assistiu à apresentações de todo tipo de música, da erudita a popular.

Participou de diversos conjuntos musicais, entre os quais, "Os quatro loucos", que apresentava imitações de músicas do conjunto de rock inglês "The Beatles".

Pouco depois passou a dar aula de violão e teoria musical no Conservatório de Música de João Pessoa.

Em 1975, mudou-se para o Rio de Janeiro, e no ano seguinte foi aprovado no vestibular para a Faculdade de Música.

No Rio de Janeiro intensificou o contato com artistas de teatro, cinema e música.

Em 1975, participou do show de inauguração da Sombras. Em 1976, atuou como músico na peça "Gota d'água", de Chico Buarque de Hollanda. Nesse período intensificou seus estudos de História, Política e Filosofia, ao mesmo tempo que mantinha estudos sobre a Literatura de Cordel. Sua primeira composição gravada foi "Ê mãe", em parceria com Livardo Alves e gravada por Ari Toledo.

Ainda em 1976, Marília Barbosa lançou pela Som Livre a composição "Caso você case", que foi grande sucesso e acabou incluída na trilha sonora da novela "Saramandaia", da TV Globo.

Em 1978, gravou pela Polydor o seu primeiro disco que trouxe como destaque, entre outras, as composições "Canção em dois tempos (Era casa era jardim)", que foi incluída na trilha sonora da novela "Roda de fogo", na extinta TV Tupi do Rio de Janeiro; "Bate com o pé xaxado"; "Expediente interno" e "Deixe de afobação". Incluiu também as composições lançadas por Marília Barbosa e Ari Toledo.

Em 1980, lançou seu segundo disco, "Taperoá", pelo selo Epic, coordenado por Fagner na gravadora Sony. Neste trabalho destacaram-se as composições "Pra você gostar de mim", "Repente paulista" e "Veja (Margarida)", que seria depois regravada pela cantora paraibana Elba Ramalho, tornando-se um estrondoso sucesso.

Em 1982, lançou, novamente pela PolyGram, o LP "Sagas brasileiras", onde destacaram-se "Do meu jeito natural", "Cantigas para voar (A Elba Ramalho)", "Ai que saudade de ocê", "Saga de Severinim" e o épico "Saga da Amazônia", antecipando o movimento ecológico que tomaria força no final daquela década.

Em 1984, lançou pela Kuarup o CD "Cantoria I", juntamente com Elomar, Geraldo Azevedo e Xangai, gravado ao vivo no Teatro Castro Alves, em Salvador. De sua autoria foram gravadas as composições "Sete cantigas para voar", "Ai que saudade de ocê" e "Saga da Amazônia", além da participação vocal e instrumental em canções dos outros integrantes do disco.

Em 1985, lançou o LP "Do jeito natural", uma coletânea com seus maiores sucessos. No mesmo ano, participou do disco "Cantoria II", com a participação dos mesmos integrantes do disco anterior, onde interpreta "Saga de Severinim", "Era casa era jardim" e "Veja (Margarida)". Depois desses lançamentos, Vital Farias não mais gravou nesse período, dedicando aos estudos e planejando lançar no começo do novo milênio, quatro novos discos, sendo que um deles seria a "Epopéia negra", contando a história de Mussabá.

Suas composições destacam-se pelo humor e inventividade, onde se mesclam canções nordestinas, sambas de breque, modinhas, xaxados e outros ritmos. Em 2002 produziu o disco de estréia de sua filha e cantora Giovanna, no qual estão presentes 15 composições de sua autoria. O disco foi lançado pelo selo Discos Vital Farias.

No mesmo ano lançou o disco "Vital Farias ao vivo e aos mortos vivos", gravado ao vivo. Recebeu ainda no mesmo período, o título de Cidadão do Rio de Janeiro. (Fonte: Dicionario da MPB)

Confira trecho da sua participação no programa Sr. Brasil (na TV Cultura).


terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Gonzagão será homenageado na festa de Santo Amaro


Vinicius de Moraes também será homenageado

Durante a festa acontece a tradicional lavagem
Um dos eventos que acontecem entre o período festivo é a famosa Novena para Nossa Senhora da Purificação, que reúne religiosos de todo o país, durante nove dias.

Eles fazem uma sequência de orações na igreja, acompanhados por músicas cantadas em latim e executadas por músicos de orquestra.

Acontece também, nesse período, a lavagem das escadarias da igreja, culto secular criado pelos escravos, e ainda a procissão onde desfilam cerca de 40 imagens católicas, carregadas por mãos humanas em andores, que seguem pela cidade.

“Essa é uma das poucas festas de largo que trazem em sua programação a união da manifestação cultural, com a música popular brasileira e a música de sucesso atual.

Essa diversidade cultural que existe em Santo Amaro é confirmada na grade de apresentações. Nossa ideia é deixar a festa sempre mais charmosa”, diz o cantor e compositor J. Velloso, que assina a curadoria musical do evento.

Buscando não trazer impactos aos antigos casarões instalados nas ruas da cidade, e reforçando a segurança necessária para um evento desse porte, a Prefeitura Municipal de Santo Amaro criou desde o ano passado um novo circuito para os desfiles dos blocos, que acontece na Rua Ferreira Bandeira.

Nesse local o asfaltamento no chão é total, evitando assim o desnível que incomoda os foliões e os trios elétricos, a fiação é horizontal, o que elimina os perigos de acidentes, e a iluminação é de última geração, possibilitando uma grande economia de energia.

“A cidade está totalmente preparada para receber essa festa. Nossas vias estão asfaltadas e sinalizadas, nossa segurança será reforçada com um número de equipes acrescida em 40% e a Secretaria de Saúde tem um trabalho árduo e permanente de fiscalização para com a alimentação”, diz o prefeito Ricardo Machado.

“O plus que demos no turismo já é visível, uma vez que já há hotéis com estadias esgotadas para esse período.

Esperamos um aumento de 60% nesse segmento, e os investidores já vêm a cidade com outros olhos e nos sinalizam interesses positivos. A economia girando, esse é o nosso melhor retorno”, afirma Luisinho Pacheco, secretário de administração da cidade.

A herança cultural é a grande identidade da população santamarense, que, nesse período, celebra suas ricas tradições e transforma Santo Amaro em um dos destinos turísticos mais procurados da Bahia.

Confira a programação completa:
Palco 01 – Luiz Gonzaga
25 de janeiro: Caminhada do Unicirco com Marcos Frota; Caetano Veloso; Zezé di Camargo e Luciano
26 de janeiro: Mamonas Assassinas Cover; Geraldo Azevedo; Targino Gondim; Tribahia
27 de janeiro: Samba Chula São Brás; Chita Fina; Xula de Lá; Luiz Caldas; Nossa Juventude
28 de janeiro: Chiclete com Banana; Frank e Alex; Odoyá
29 de janeiro: Maestro João Carlos Martins e Neojibá; Negra Cor e Toni Garrido
30 de janeiro: Baby do Brasil; Margareth Menezes; Axerife
31 de janeiro: Gilberto Gil; Tuca Fernandes; Saiddy Bamba
01 de fevereiro: Padre João Carlos; Jau; Missa
02 de fevereiro: Amor de Cinema; Magary; Fantasmão

Palco 02 – Vinícius de Moraes
26 de janeiro: Ulisses Castro; Boca Livre; Raimundo Sodré
27 de janeiro: Amália Patrícia; Coisa de Pele; Reizinho; Eternamente; Dissidência
28 de janeiro: Mariana de Moraes; Roberto Mendes
29 de janeiro: Flávio Venturini; Stela Mares
30 de janeiro: Tunay e Wagner Tiso; Márcio Valverde e Lívia Milena
31 de janeiro: Chico César; J.Velloso
01 de fevereiro: Angela Ro Ro; Eduardo Alves
02 de fevereiro: Marcel Fiúza; Felipe André

(Do Tribuna da Bahia)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Filme: O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro


"O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro" é um filme brasileiro de 1969, do gênero aventura e western, dirigido por Glauber Rocha.

Apesar da história simples, o diretor Gláuber Rocha a conta de uma forma alegórica, misturando cordel e ópera, priorizando a música e os ritos folclóricos próprios da população nordestina. Glauber envolve a narrativa dentro do olhar metalinguistico comum ao cinema novo. A camera arrastada e a música vibrante Nordestina dão quase uma impressão de continuação a Deus e o Diabo. Por muitos, é considerado a obra prima do Mestre Glauber, que mistura o ritual antropofagico Nordestino, sua "seita" e seu folclore ao encontro apoteótico com uma forma diferente de se fazer cinema, seguindo os paremetros do cinema novo - já passado a fase experimental da primeira leva de filmes.

Por esse trabalho, Glauber recebeu o Prêmio de Melhor Diretor do Festival de Cannes.

Sinopse
Antônio das Mortes é contratado para matar um novo líder cangaceiro que surge no interior do Brasil. Ele realiza sua missão, ao mesmo tempo que entra em confronto com jagunços e um velho coronel que domina a região.

O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro (BR, 1969, 100 minutos). Com Maurício do Valle (Antônio das Mortes), Odete Lara (Laura), Othon Bastos (Professor) e Hugo Carvana (Mattos). Assista!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Nordeste é destino preferido dos brasileiros


A região Nordeste continua sendo o destino mais procurado na lista dos brasileiros que pretendem viajar no primeiro semestre do ano. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 10, pelo Ministério do Turismo.

A sondagem foi feita em dezembro pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 2 mil pessoas em 12 capitais brasileiras. Segundo a pesquisa, 50% dos entrevistados apontaram os estados nordestino como destino nas próximas viagens.

O percentual superou o registrado na sondagem de novembro de 2012, quando a preferência pelos Nordestinos chegou a 42,6%. O Sudeste manteve a segunda colocação, alcançando em dezembro 18,7% das indicações.

A sondagem aponta também que 32,2% das pessoas pretendem viajar até junho de 2013. Destas, 69,8% viajarão pelo Brasil, enquanto 19% devem ir para destinos internacionais. O avião é o meio de transporte preferido por 43,7% e o automóvel por 33,1%.

Mais de 46% pretendem se hospedar em hotéis ou pousadas. As casas de parentes e amigos foram apontadas como alojamento para 35,2% dos entrevistados. (Jornal O Povo)

Os principais lugares visitados, segundo um site de turismo, são:
Salvador (Bahia)
Natal (Rio Grande do Norte)
São Luís (Maranhão)
Fortaleza (Ceará)
Recife (Pernambuco)

Assista a Causos e Cantos

Programas produzidos em Recife (PE) pela Luni Produções.





quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Nos passos de Gonzagão

Familiares do rei do baião também optaram pelo mundo da música. Tudo do mesmo sangue de Seu Januário...

Chiquinha Gonzaga, irmã
Severino Januário, irmão

Joquinha Gonzaga, sobrinho

Gonzaguinha, filho

Daniel Gonzaga, neto


Conheça o trabalho de Daniel no site danielgonzaga.com.br


CURIOSIDADE: Em 1952, foi formado o grupo "Os Sete Gonzagas", com Seu Januário e seus filhos Luiz Gonzaga, Severino, Zé Januário, Chiquinha, Socorro e Aloísio para uma temporada na Rádio Tupi-Tamoio Associadas, no Rio.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Ô de casa, ô de fora...

- Maria vai vê quem é.
- São os cantadô de reis, quem mandô foi São José


Durante as noites do Natal da Cidade, evento realizado em Vitória da Conquista há 16 anos, os grupos de Ternos de Reis (ou Folia de Reis) são responsáveis por abrir a programação em todos os dias. Na última edição do evento, realizado pela Prefeitura Municipal de 15 a 25 de dezembro de 2012, participaram 18 Ternos, oriundos de diferentes localidades, inclusive da zona rural do município.

O objetivo é resgatar e preservar a tradição popular que encontrava-se ameaçada em 1997, quando o espaço foi aberto aos grupos e foram incentivados a se apresentarem em praça pública, levando a manifestação adiante e passando para novas gerações.


O mestre Vivaldo Barbosa, responsável pelo grupo Três Reis Magos, formado por moradores do povoado de Rancho Alegre, explicou que seu terno está na ativa há vinte anos e que continua firme principalmente por conta da opção da Prefeitura por garantir a preservação de tais manifestações culturais. “Para nós é muito importante, o Natal da Cidade está ajudando muito os ternos de reis, pois muita gente está conhecendo o reisado através dessa iniciativa”, disse.

“O reisado antes do Natal da Cidade praticamente não existia, ninguém conhecia. Agora não, ele não fica mais escondido e aparece para muita gente”, declarou a mestre do Terno de Reis do Divino Espírito Santo, Maria do Rosário, do povoado do Baixão.

No último dia, 25, aconteceu o encontro de todos os Ternos que se apresentaram no Natal da Cidade, uma demonstração de fé e devoção através da cultura popular, que celebra o nascimento de Jesus Cristo e o verdadeiro espírito do Natal.


MEMORIAL - Além das apresentações no palco principal, são montadas exposições na praça Tancredo Neves em homenagem à tradição. A Casa Régis Pacheco vira o Memorial do Reisado e, em frente, surge a Vila do Reisado, com adereços e muitas cores, lembrando os lugares, os sons, a religiosidade e a vida dos participantes dos ternos.

ORIGEM - Em pesquisa literária, feita por Pergo, levantou-se que a tradição da “Folia de Reis” chegou ao Brasil por intermédio dos portugueses, ainda no período da colonização. Essa manifestação cultural era realizada em toda a Península Ibérica e era comum a ocorrência de doação e recebimento de presentes enquanto eram entoados cantos e danças nas residências da época. Baseado nessa argumentação, a Folia de Reis teria vindo ao Brasil no século XVI, cerca do ano de 1534, trazido pelos Jesuítas, e servindo como um instrumento na catequização dos índios e, posteriormente, dos negros escravos.


Dia de Reis - Segundo a tradição cristã, o dia de reis seria aquele em que Jesus Cristo recém-nascido recebera a visita de "alguns magos do Oriente" que, segundo o hagiológio, foram três Reis Magos, e que ocorrera no dia 6 de janeiro. A noite do dia 5 de janeiro e madrugada do dia 6 é conhecida como "Noite de Reis".

(Fotos e informações: SECOM/PMVC)

Benjamim Abrahão e o filme de Lampeão


Jornal O POVO, 21/12/1999

"Esse aí é conterrâneo de Jesus". Foi assim, em direção àquele homem de olhos azuis e roupa diferente do restante dos romeiros, que o Padre Cícero se dirigiu a Benjamim Abrahão. O encontro dos dois e a posterior amizade foram fundamentais para a história contada a seguir. Afinal, foi com a "bênção" de Padre Cícero que o mascate sírio-libanês conseguiu filmar Lampeão e seu bando. Com isso, Benjamim Abrahão entrou para a história como um dos pioneiros do cinema cearense e único repórter fotográfico a documentar o bando do célebre cangaceiro.


Quase todas as datas referentes a ele são meio incertas. Para o jornal, porém, as datas são memoráveis entre dezembro de 1937 e janeiro de 37. Um dia, 29, a publicação, "em primeira mão", da clássica foto do cangaceiro. Depois, dia 31, Maria Bonita faz pose em 1ª Página. Até que, em 12 de janeiro de 37, O POVO enfim ouviu o já então "ex-secretário do Padre Cícero". Na entrevista, Benjamim conta como conseguiu apanhar Virgolino Ferreira e outras coisas mais. Curioso é que, em nenhum momento, seu discurso é reproduzido, num recurso bastante utilizado pelo jornalismo da época. No entanto, o relato vai sendo detalhado pelo repórter (não identificado na matéria), como se apenas mudasse da primeira para a terceira pessoa. A partir dali, porém, este relato entrava definitivamente para a mitologia do sertão e do cangaço nordestinos.


Regressou a Fortaleza o Ex-Secretário do Padre Cícero - Uma Entrevista a O POVO sobre os seus Encontros com o famoso Cangaceiro

Causou grande sensação entre os nossos leitores a reportagem fotográfica sobre o grupo de Lampeão, publicada há poucos dias pelo O POVO, de par com a notícia, veiculada em primeira mão, segundo a qual estava em preparos, na "Aba Filme", uma película cinematográfica em torno do temível cangaceiro e seus asseclas.

Tratando-se, conforme e assinalamos, de um filme apanhado ao natural, na própria zona onde opera o rei dos bandidos nordestinos, boa parte das atenções se voltaram, de logo, para o "reporter" audacioso e inteligente que conseguira levar adiante a arrojada iniciativa.

Com efeito, embrenhar-se pelos sertões requeimados do nordeste à procura do herói de tantos crimes de tantas mortes, encontrá-lo no "habitat" de suas façanhas, entrar em contacto com o bandido, entrevistá-lo, fotografá-lo e filmá-lo mais de uma vez, tudo isso o só auxílio do sangue frio e da sagacidade pessoal, foi uma empresa digna de realce nas colunas da imprensa, justificando plenamente a curiosidade publica em torno de seu autor.

Desta sorte, ficámos à espera de que retornasse a esta capital o sr. Benjamin Abraão - pois é este o seu nome - afim de ouvir de seus próprios lábios a narrativa detalhada de seus encontros com Virgolino Ferreira, transmitindo a aos leitores do O POVO como complemento de nossas anteriores publicações a respeito do assunto.


Em Fortaleza o ex-secretário do Padre Cícero
Ontem à tarde, chegou ao nosso conhecimento que o ex-secretário do Padre Cícero, viajando no "horário" da R.V.C., deveria desembarcar nesta capital à noite.

Efetivamente, cerca de 20 horas, a nossa reportagem foi encontrá-lo na Central, acertando com o mesmo uma entrevista para hoje.

Falando a O POVO
O sr. Benjamin Abraão, que aparece na fotografia ao lado juntamente com Lampeão e sua mulher, é um rapaz forte, de origem síria, possuindo, porém, palestra fácil e agradável em nossa língua.

Abordado pelo nosso companheiro, disse-nos, de início, que, embora se encontrasse no Joazeiro quando Lampeão ali esteve, em 1924, não travou conhecimento com o bandido naquela época.

Desta maneira, partido à sua procura, em 1935, com a idéia de filmá-lo, não levava qualquer credencial para Lampeão.


O primeiro encontro com o grupo
Tendo seguido desta capital a trem, o sr. Benjamin Abrhão penetrou na Paraíba, de onde seguiu para Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, em cujos sertões se encontrava Virgolino Ferreira.

Depois de onze meses de tentativa para abordá-lo, durante os quais andou quasi sempre a pé ou a cavalo, numa região extremíssima, visitando inúmeras localidades, conseguiu afinal o seu intento, graças a um golpe de sorte.

O caso é que, estando, como de hábito, pelas "caatingas", a ver se dava com o grupo, encontrou-se com dois cangaceiros, Juriti e Marreca, devidamente armados e municiados, os quais o abordaram imediatamente, apontando-lhe os fusis.

Lampeão e seus sequazes já sabiam que o nosso entrevistado andava a sua procura, com o objetivo de fotografá-lo. Mas desconfiavam da "historia", supondo que se tratasse de algum enviado da polícia.

Nestas condições, quando os dois bandidos deram com o mesmo, o identificaram de pronto e trataram de levá-lo à presença do chefe, que estava acampado a meia légua de distância.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

"Mestres do Mundo" se reuniram no Ceará


Localizado a 198 km de Fortaleza, no Vale do Jaguaribe, o município de Limoeiro do Norte (CE) tornou-se, nos dias 20, 21 e 22 de dezembro, ponto de encontro de Mestres da Cultura Popular nordestina, durante a sétima edição do "Mestres do Mundo". O evento é realizado desde 2005, numa promoção da Secretaria de Cultura do Estado (Secult), Ministério da Cultura, com parceria da Comissão Cearense de Folclore e Prefeitura de Limoeiro do Norte. O evento é gratuito e aberto a qualquer público.

A abertura oficial foi realizada com cortejo iniciando às 19h e encerrando com o sineiro Mestre Getúlio tocando o sino da Matriz. Houve abertura institucional com autoridades estaduais e municipais e apresentação dos mestres convidados.

As apresentações do bumba-meu-boi, do reisado e dos grupos folclóricos, na primeira noite do evento, emocionaram o público e os mestres.

Caninha Verde - A fortalezense Dona Gerta, que desde a década de 1940 é brincante do reisado, se emocionou ao subir ao palco para mostrar um pouco da brincadeira do grupo Caninha Verde. Com a saúde debilitada, a mestra, de 83 anos, agora se esforça para estar presente nas apresentações. "Enquanto vida eu tiver eu quero participar dessa brincadeira", afirma. Hoje, juntamente com a filha Maria José, ela ensina às novas gerações o que aprendeu quando jovem. Participam do grupo Caninha Verde cerca de 23 crianças.

De acordo com o coordenador do Patrimônio Cultural da Secretaria de Cultura do Estado, Otávio Menezes, o VII Mestres do Mundo é um evento que faz parte do Projeto Tesouros Vivos.

O projeto tem o intuito de aproximar os mestres diplomados da cultura popular do Estado para que eles se conheçam e troquem experiências. "Essa é a oportunidade que eles têm para interagir. Um evento como esse é importante para deixar para as novas gerações os saberes desses mestres".

Atualmente, 60 mestres foram diplomados em todo Estado, sendo este o número limite dentro da lei estabelecida em 2006 pela ex-secretária de cultura, Cláudia Leitão. "Esse número não representa quantos mestres de cultura popular temos no Estado. Nós pretendemos estender esse número, mas é um projeto que leva tempo para ser aprovado", explica Otávio. Dos 60 mestres diplomados no Ceará, 40 estão participando do evento.

Segundo o coordenador, a falta de apoio de algumas Prefeituras em ceder o transporte foi um dos empecilhos para a participação efetiva dos mestres na programação.

O presidente da Comissão Cearense de Folclore, Henrique Rocha, afirmou que a realização do "Mestres do Mundo" no município de Limoeiro consolidou-se pelo apoio e incentivo do poder público local e pela receptividade da população.

"Como a cidade recepciona bem e tem, historicamente, o apoio da Prefeitura Municipal, acaba se transformando em sede desses grandes eventos, passando a ter o privilégio de construir um calendário cultural de cultura popular", afirma.

Atrações nacionais foram convidadas para apresentações na estrutura montada na Praça da Matriz. O baiano Raimundo Sodré realizou o show de encerramento na primeira noite da programação. A orquestra de Tambores de Alagoas (PB) apresentou-se na sexta feira. Mestres de todas as regiões do Estado participaram em todos os momentos do evento.

A proposta do encontro é ter abrangência internacional, como aconteceu em edições anteriores. Porém, neste ano, devido a limitações financeiras, participaram somente mestres do Estado do Ceará.

A média de público estipulada pela organização é de duas mil pessoas por noite, entre participantes e espectadores.

A programação da manhã contou com a Roda de Mestres. O público pode apreciar a troca de experiências nas mais diversas artes como a dança, artesanato, instrumentos, música, poesia, trovas, ladainhas, ervas medicinais, orações e ritos.


Rei do Baião - À tarde, aconteceram seminários e debates sobre Luiz Gonzaga e a obra centenária de Carlos Barroso "Terra do Sol", com professores da Universidade Estadual do Ceará (Uece), Universidade Federal do Ceará (UFC) e Instituto Federal de Educação, Ciëncia e Tecnologia do Ceará (Ifce). Todas as atividades foram realizadas no campus do IFCE neste município.

O evento encerrou-se com missa na Igreja Matriz. Na praça, subiram ao palco as atrações estaduais Mestre Docas Zacarias de Milagres, Pastoril Nossa Senhora de Fátima de Fortaleza e também o Mestre Totonho Violino de Mauriti.

As apresentações que encerraram a programação conta com a participação de Lucy Alves e Banda Clã Brasil (PB) e Coco de Toré Pandeiro do Mestre (PE).

A edição deste ano trouxe ao público uma homenagem dos mestres ao centenário do nascimento de Luiz Gonzaga e também do escritor cearense Gustavo Barroso.

(Do Diário do Cariri)

A Tarde: Acervo da cultura nordestina dentro de casa

Fechamos bem o ano de 2012! O trabalho do professor Antonio Andrade a favor da cultura popular nordestina foi destaque no jornal A Tarde, o principal jornal da Bahia, no dia 29 de dezembro (página 2 do caderno Municípios). Confira abaixo (clique sobre a imagem para ampliá-la).


Que em 2013 nós possamos fazer muito mais! E que vocês continuem acessando o nosso blog e enviando comentários e sugestões. Feliz Ano Novo!