sexta-feira, 22 de junho de 2012

Entrevista com o forrozeiro Waldonys



Discípulo do mestre Luiz Gonzaga, o forrozeiro cearense Waldonys, antes de subir ao palco do Forró Pé-de-Serra do Periperi em Vitória da Conquista na Bahia, visitou a Vila Junina e o Memorial do Forró, na praça Tancredo Neves, onde concedeu entrevistas, tirou fotos, tocou sanfona, cantou Gonzagão e assistiu a uma quadrilha junina. Leia o bate-papo que tivemos com ele.

Segunda vez na programação do São João de Vitória da Conquista, como é retornar à cidade e o que achou da programação?
Estou muito feliz e encantado com a festa, desde o ano passado quando vim pela primeira vez. Agora estou ainda mais contente por ser o ano do centenário do Seu Luiz Gonzaga. Essa é uma tecla que todo mundo está batendo muito, mas eu bato com muita força por ser discípulo e afilhado de Luiz Gonzaga. Estou muito honrado.

Existe sucessor para Luiz Gonzaga?
Se Seu Luiz tivesse um sucessor, seria o Dominguinhos, mas ele mesmo diz que não existe sucessor para Seu Luiz e defende que ele tem seguidores. E eu digo que o número um chama-se José Domingos de Morais, o Dominguinhos.

Você é um desses seguidores e ele foi o seu padrinho, mas além da carreira, existe uma importância da figura do Luiz Gonzaga na sua vida?
É a maior possível. Eu me inspirei muito nele, me espelhei muito nele. Ouvi muito Luiz Gonzaga por conta do meu pai. Ter conhecido ele, ter tocado e gravado com ele, isso tudo foi muito enriquecedor para minha carreira e minha vida. Eu aprendi muito por estar perto do Luiz Gonzaga. Ele calado já era um ensinamento, era uma aula muito grande. Eu tive a honra de ter compartilhado de grandes momentos seja nos shows e nos palcos, como também no pessoal. Ele ficava lá em casa. Dormia e acordava na minha casa, isso foi muito valioso pra mim.



Luiz Gonzaga tem uma grande importância na música brasileira e é um ícone da cultura nordestina, mas, ao que parece, só é homenageado em datas especiais, como no caso do centenário...
E tem muita gente tirando casquinha nessa história de centenário de Luiz Gonzaga e que não tem nada a ver com Luiz Gonzaga. Outras pessoas podem até dizer que é legal, que tudo é válido por estar elevando o nome de Luiz Gonzaga, mas ele não precisa disso. O que mata são os excessos. A bebida não mata, o que mata é o excesso. Se beber água demais, vai morrer afogado... Então, tem muitas coisas sendo feitas usando o nome Luiz Gonzaga, mas qualquer cego vê que não tem nada a ver. Eu fico assistindo de camarote e rindo. Eu tenho como referência forte o seu Luiz Gonzaga e mantenho essa tradição. Temos que estar sempre atentos, pois devemos muitos a ícones como Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Marinês. Não devemos homenagear apenas no centenário, mas é digno de se homenagear toda a vida. O beatle Paul McCartney esteve em Recife para um show, poderia ter subido ao palco e feito o show dele, mas ele chegou e falou "salve a terra de Luiz Gonzaga". Isso é muito forte, muito importante para vermos o tamanho que é a obra e o artista Luiz Gonzaga.

Qual a música de Gonzagão que é mais marcante para você?
Asa Branca, sem dúvida, já é um hino. Não tem jeito, a gente roda, roda, e para em Asa Branca. Vida do Viajante também, que é a nossa história, a história do artista.

Além de você e do Dominguinhos, quais forrozeiros tem honrado o legado do rei?
Temos muitos. Tem o Santana, que é um seguidor muito fiel, o Flávio José que faz um forró de tradição. Temos um pessoal que segura bem a bandeira do forró, forró mesmo. Forró só existe dois tipos, o verdadeiro e o falso. Eu costumo até brincar, que forró é igual tatu, só presta o verdadeiro, o resto é peba.

(Blog Conversa de Balcão)

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